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Autor: Redação


15:51 · 12.04.2018 / atualizado às 15:51 · 12.04.2018 por

 

O estudante universitário Messias Douglas, de 22 anos, está a algumas centenas de reais de alcançar um sonho recente: apresentar na Universidade de São Paulo (USP) sua pesquisa sobre população em situação de rua em Fortaleza.

Com uma “vaquinha virtual”, para doações de qualquer valor, o aluno do curso de Antropologia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) pretende alcançar os custos necessários de traslado até a Universidade de São Paulo.

O evento “Graduação em Campo”, bastante respeitado no meio acadêmico, acontece de 2 a 4 de maio próximo. Se caro é sonho e determinação, o restante a faltar é a quantia de R$ 1 mil.

“Estou muito confiante que vai dar certo. É tudo muito novo pra mim”, diz Douglas. Será o primeiro voo de avião. Será a primeira vez a sair do Ceará, ele que todos os dias pega ônibus rodoviário às 16h30 no bairro Dias Macedo, em Fortaleza, para o município de Redenção, 72 km distante. Meia noite é quando está de volta em casa.

“Eu sempre observei e quis entender como funciona o processo de sociabilidade e resistência das pessoas em situação de rua, a partir da Praça do Ferreira. Encontrava um grande número de pessoas. O menor tempo lá, entre os que vi, era de dois anos. Daí eu quis traçar um paralelo com populações em situação de rua em outros lugares, como São Paulo. Na Unilab temos uma disciplina de antropologia urbana, e esse tema tem tudo a ver”.

Douglas quer levar seu estudo de graduação também para o mestrado. Se as pessoas em situação de rua são, em geral, os invisíveis urbanos, serão muito vistos aos olhos do estudante, que em São Paulo apresentará sob o título: “A praça em vida: sociabilidade e sobrevivência dos filhos e filhas da Praça do Ferreira”.

As doações para que Douglas possa ir a São Paulo apresentar sua pesquisa podem ser feitas no site Vakinha On Line.

09:54 · 11.08.2017 / atualizado às 16:17 · 14.08.2017 por

A lavradora Raquel Barreto da Silva concluiu, aos 90 anos, seu primeiro curso superior, realizando um ‘sonho de infância‘. A idosa, natural de Itajuípe, no sul da Bahia, começou a fazer cursinho e vestibulares aos 85 anos, em 2011, para tentar ingressar na faculdade. Um ano depois, conseguiu alcançar o objetivo quando uma faculdade particular de Vitória da Conquista (BA) a presenteou com uma bolsa de estudos para o curso de estética e cosmética.

O curso foi concluído no fim de 2016, mas a formatura só aconteceu em março deste ano. “Eu me lembro de tudo, me lembro de cada mensagem de apoio e de cada aplauso na hora que eu me levantei para pegar o diploma. Quando eu tive o prazer de receber o diploma, percebi que quando a pessoa tem vontade de fazer uma coisa ela tem que correr atrás, seja ela jovem ou não”, relembra a idosa.

Como trabalhou na roça desde a infância, a lavradora conta que teve a educação “sacrificada”. A idosa aprendeu a ler com os irmãos, incentivada pelo seu gosto pela escrita. Hoje, Raquel exibe na parede de sua casa os certificados dos cursos de corte e costura, culinária e bordado que também fez. A lavradora pretende ainda concluir em breve o curso de computação que está fazendo.

A idosa agora pretende abrir um consultório de massoterapia na própria casa e dar início a uma pós-graduação. “Eu quero fazer na mesma faculdade, mas para isso preciso ganhar dinheiro. Quero fazer uma especialização na minha área. Ainda estou vendo isso. Sei que vou conseguir, porque vontade de aprender não falta. Se eles me dessem essa bolsa da pós também seria ótimo, não é?”, brinca.