Andarilho

Categoria: Revista Siará


09:41 · 18.11.2013 / atualizado às 09:41 · 18.11.2013 por

Existem lugares que fazem parte do imaginário de qualquer viajante. Países que nos parecem distantes ou inacessíveis, mas que sempre despertaram o interesse. Assim eu me sentia em relação à Rússia. Impossível não se intrigar pelo país com a maior extensão territorial do mundo, protagonista de inúmeros fatos históricos, terra de célebres escritores, sede de companhias de balé e teatro de renome mundial e também tão longe e diferente do nosso.

Mapa da Rússia

A língua, totalmente incompreensível e representada por caracteres aparentemente indecifráveis, aumenta o mistério que envolve o país, fechado ao turismo durante as décadas da Guerra Fria. A abertura ainda desperta receios, mas quem se dispõe a enfrentá-los tem como recompensa uma experiência única. E acredite, vale à pena!

A oportunidade surgiu nestas últimas férias, quando eu planejava uma viagem à Escandinávia. Nas pesquisas para montar o roteiro, deparei-me com informações que me atiçaram a estender o percurso e cruzar a fronteira russa. Turistas brasileiros não precisam de visto. De Helsinque, a capital finlandesa, partem confortáveis trens de alta velocidade que nos levam a São Petersburgo em apenas três horas e meia. O que mais faltava?

O Allegro, trem rápido da companhia finlandesa VR, liga Helsinque a São Petersburgo Foto: Anchieta Dantas Jr.
O Allegro, trem rápido da companhia finlandesa VR, liga Helsinque a São Petersburgo Foto: Anchieta Dantas Jr.

Entretanto, planejar uma viagem à Rússia pode não ser uma tarefa fácil, mas a experiência compensa o trabalho. A barreira linguística certamente assusta, mas um país em que praticamente todos não falam inglês não é tão assustador assim. A recomendação é aprender o alfabeto cirílico. Não é difícil como se imagina. E saber a correspondência com o alfabeto latino lhe permitirá ler, mesmo que não entenda o que está escrito, e ver que há muitas palavras, na pronúncia e significado, semelhantes ao português e a outras línguas mais populares. Você não sabe a emoção que senti, ao caminhar pelas ruas e poder ler placas e letreiros. E mais: que custa aprender a dizer obrigado, por favor e bom dia na língua do país que estamos visitando? Isto abre muitas portas, viu?

Confesso que a tecnologia também ajudou. Com o Google Tradutor e uma boa conexão WiFi, acredita que mantive várias conversas com os locais? Eles falando em russo e eu em português ou inglês. Sensacional! E nem pense em chegar lá sem um bom guia de viagem sobre as cidades que vai visitar. Além de dicas preciosas, possui mapas com o nome das ruas escrito em russo e a correspondência no alfabeto. Estes também disponibilizam as linhas de metrô, facilitando o deslocamento. Tudo deve ser muito bem planejado para que você não precise pedir informações fora do seu hotel. Neste sempre há quem fale razoavelmente o inglês.

Placa indicativa do metrô em São Petersburgo
Placa indicativa do metrô em São Petersburgo

 

Burger King em São Petersburgo. Nem tudo está escrito em inglês Foto: Anchieta Dantas Jr.
Burger King em São Petersburgo. Nem tudo está escrito em inglês Foto: Anchieta Dantas Jr.

Em Moscou não é comum ter coisas escritas em letras latinas. São Petersburgo tem mais. Como exemplo, todas as ruas centrais da cidade têm placas com a correspondência. Esse padrão se repete no metrô. Em Moscou, não. Mas, aos poucos, em algumas estações e trens já começa a ter. Nos restaurantes em áreas mais turísticas encontramos cardápios em inglês. Não espere mais do que isso. Porém, os russos, em geral, estão dispostos a ajudar. O problema é que eles insistem em fazer isso falando em sua língua. Mesmo assim seja educado e, apesar de não entender nada, pronuncie um spasiba (obrigado) e logo eles sorriem.

Placa indicativa em Moscou. Aos poucos a cidade ganha alguma sinalização em inglês Foto: Anchieta Dantas Jr.
Placa indicativa em Moscou. Aos poucos a cidade ganha alguma sinalização em inglês Foto: Anchieta Dantas Jr.

Assim como o Brasil, o país ainda tem um longo caminho a trilhar para receber bem os turistas, mas isso não quer dizer que não seja possível viajar independente por lá. Eu visitei apenas duas cidades deste enorme país, mas não tenho dúvidas de que ainda vou voltar para conhecer muito mais!

Aguardem novos posts sobre os lugares que visitei e dicas de como organizar uma viagem pela Rússia.

Texto publicado na Revista Siará – edição de 11.11.2013

09:01 · 22.10.2013 / atualizado às 09:01 · 22.10.2013 por

 

Escolher o destino da próxima viagem geralmente é um desafio. Ainda mais para quem tem filhos pequenos e precisa selecionar um roteiro que agrade a todos. Apesar de nem sempre estar no topo da preferência quando se trata de viagem em família, Paris pode perfeitamente unir o romantismo buscado pelo casal e ainda satisfazer a meninada que procura diversão. É que a menos de 40 minutos da capital francesa fica a Disneylândia de Paris, a Eurodisney.

A Eurodisney fica a menos de 40 minutos de Paris Foto: Diego Borges
A Eurodisney fica a menos de 40 minutos de Paris Foto: Diego Borges

A dica é do nosso leitor e amigo Diego Borges, que mesmo já adulto se rendeu aos encantos do parque e recomenda. Chegar até ela é bastante simples. A dica é ir de trem (RER). Basta seguir para qualquer estação por onde passe a linha A, e pegar o transporte em direção à Marne-la-Vallée (Parcs Disneyland). O bilhete de ida e volta sai por 14 euros. A estação fica praticamente dentro do complexo. Não tem como se perder.

Naturalmente, a Disney de Paris é uma versão modesta da que fica em Orlando, nos Estados Unidos. Enquanto nesta última são necessários vários dias para dar conta de todos os parques; na França, um dia inteiro é suficiente para aproveitar os dois únicos que existem – o Walt Disney Studios e a Disneyland -, destaca o leitor.

O Walt Disney Studios faz referência aos grandes sucessos do cinema  Foto: Diego Borges
O Walt Disney Studios faz referência aos grandes sucessos do cinema Foto: Diego Borges

O tíquete pode ser adquirido pelo site www.disneylandparis.com. Basta imprimir o ingresso, a um custo de 80 euros, e levar no dia da visita. Nesta página, você fica sabendo o horário de funcionamento dos parques. No verão, é comum que ambos só fechem perto da meia-noite.

Conforme Diego, para aproveitar ao máximo, você deve chegar à abertura dos portões, por volta de 10h. Divida o tempo de forma que você fique mais na Disneyland, o maior parque. Comece pelo Walt Disney Studios, que faz referência aos grandes sucessos do cinema da gigante do Mickey Mouse, sendo todo temático, como um set de gravações.

O Mickey dá as boas vindas ao Walt Disney Studios Foto: Diego Borges
O Mickey dá as boas vindas ao Walt Disney Studios Foto: Diego Borges

 

Por lá, há ainda atrações ligadas a Toy Story, Lilo & Stitch, Armageddon; Monstros S.A., dentre outros. É bom não se esquecer de pegar o mapa do parque na entrada, para não se perder; e a programação do dia. Assim, você pode se programar e não perder, por exemplo, o desfile com os principais personagens Disney. Aproveite também para ir às atrações mais radicais, como a montanha-russa temática do Aerosmith ou The Hollywood Tower Hotel, um prédio mal-assombrado com um elevador que despenca das alturas. De tirar o fôlego.

Já no segundo e principal parque, a Disneyland – logo ao lado -, tem-se o castelo da Cinderela, e outras grandes atrações, como a Big Thunder Mountain Railroad, a Space Mountain: Mission 2 e a Indiana Jones et Le Temple du Péril, montanhas-russas inesquecíveis. Em Fantasyland, uma área infantil desse complexo, é possível ter um encontro com o próprio Mickey e, é claro, tirar muitas fotos. Um fotógrafo profissional faz as imagens.

A Disneyland é o segundo parque do complexo Eurodisney Foto: Diego Borges
A Disneyland é o segundo parque do complexo Eurodisney Foto: Diego Borges

 

No Castelo da Cinderela a magia Disney se completa Foto: Diego Borges
No Castelo da Cinderela a magia Disney se completa Foto: Diego Borges

Fique atento ao horário de encerramento do parque. Sabe por quê? Dirija-se ao castelo da Cinderela e aguarde o exato momento do fechamento. É aí que a magia se completa. Tem-se início o espetáculo final, com muitas cores, luzes, música e fogos de artifício. Depois disso, chega a parte ruim: ter de ir embora. Mas quem sabe não fica o estímulo para uma viagem a Orlando, Califórnia, Tókio ou Hong Kong? São outros quatro lugares onde existem parques da Disney. É só deixar o encanto lhe levar.

Texto publicado na Revista Siará- edição de 20.10.2013

11:15 · 19.08.2013 / atualizado às 11:15 · 19.08.2013 por

Um país com tanta beleza não pode ficar limitado, para quem o visita, aos grandes centros. É justamente nas pequenas cidades e nos vilarejos mais escondidos onde está a verdadeira essência da Itália. Seu sabor, por exemplo, vai muito além das massas. Pratos à base de frutos do mar fazem a festa de olhos e paladares mais exigentes. E ao lado de Cinque Terre, a Costa Amalfitana é outra parte do litoral italiano que não se pode deixar de conhecer. Vá por mim!

Para começar, deixe-me situar onde fica esse pequeno paraíso sobre a terra. Também conhecida como Costa de Amalfi, trata-se de um trecho de 60 km do litoral da Campânia, ao sul do país, entre Sorrento e Salerno, servido por uma estrada costeira que é uma passarela estreitíssima, esculpida, em boa parte, no precipício.

Uma estreita estrada costeira oferece vistas de tirar o fôlego Foto: Anchieta Dantas JR.
Uma estreita estrada costeira oferece vistas de tirar o fôlego Foto: Anchieta Dantas JR.

Ao longo da estrada, entre uma vista vertiginosa e outra, encontram-se cidades históricas como Amalfi, à beira do mar Tirreno, e Ravello, no alto da montanha. Sem deixar de mencionar Positano, um vilarejo de tirar o fôlego, que escorrega pela encosta até a praia. Este era, aliás, o que mais me motivava a um dia pisar na região.

Pelo caminho, vilarejos históricos Foto: Anchieta Dantas Jr.
Pelo caminho, vilarejos históricos Foto: Anchieta Dantas Jr.

E lá fui eu. A partir de Nápoles, tomei um ônibus da companhia Sita, que leva até Amalfi, via Salerno. O trajeto também pode ser feito de carro, o que só recomendo se a habilidade do condutor for das melhores, pois as curvas são surreais. Tem horas que não passam dois veículos, aí começa a maior gritaria, bem ao estilo italiano. Mas depois tudo se resolve, um dá ré pra cá o outro sai pra lá e pronto! Todo mundo continua a viagem.

A paisagem quando a gente começa a subir e a descer a Costa Amalfitana é maravilhosa. Você não sabe se olha ou tira fotos. Outro bom motivo para não ir dirigindo. Vai ser difícil prestar atenção.

Em Amalfi, o orgulho local é a catedral mais bonita da costa, o Duomo di Sant’Andrea, do século nove, que combina  elementos romanescos, bizantinos, góticos, barrocos e árabe-normandos, com uma escadaria monumental e fachada em preto e branco. Localiza-se na Piazza del Duomo, praça muito simpática, rodeada de um comércio vibrante e original. O artesanato em cerâmica se destaca.

O centro de Amalfi reserva uma graciosa e concorrida praça Foto: Anchieta Dantas Jr.
O centro de Amalfi reserva uma graciosa e concorrida praça Foto: Anchieta Dantas Jr.

 

A catedral mais bonita da costa, o Duomo di Sant’Andrea Foto: Anchieta Dantas Jr.
A catedral mais bonita da costa, o Duomo di Sant’Andrea Foto: Anchieta Dantas Jr.

Já em Ravello, são os jardins que vão ganhar a sua atenção. São pequenas joias com vistas deslumbrantes da costa. Aliás, as melhores. Já chegando a Positano, aproveite as praias e visite a Igreja de Santa Maria Assunta, com sua cúpula colorida de cerâmica. Perder-se pelas vielas estreitas, em meio às casas, hotéis e restaurantes super charmosos também vale.

O charme de Positano Foto: Anchieta Dantas Jr.
O charme de Positano Foto: Anchieta Dantas Jr.

 

É uma delícia perder-se pelas vielas da cidade Foto: Anchieta Dantas Jr.
É uma delícia perder-se pelas vielas da cidade Foto: Anchieta Dantas Jr.

 

Igreja de Santa Maria Assunta, com sua cúpula colorida de cerâmica Foto: Anchieta Dantas Jr.
Igreja de Santa Maria Assunta, com sua cúpula colorida de cerâmica Foto: Anchieta Dantas Jr.

 

A região também surpreende pela  gastronomia Foto: Anchieta Dantas Jr.
A região também surpreende pela gastronomia Foto: Anchieta Dantas Jr.

A culinária da região é outro ponto altíssimo. Frutos do mar fresquíssimos e massas perfeitas são o que você vai encontrar. Os pés de limão siciliano são um show à parte. Perfumam e rendem umas das bebidas mais deliciosas que provei até hoje: o limoncello, uma espécie de licor, servido geladíssimo. Agora, fiquei com água na boca. Já posso voltar?

Não deixe de provar e trazer algumas garrafas de limoncello
Não deixe de provar e trazer algumas garrafas de limoncello

Texto publicado na coluna do blog na revista Siara – edição de 04.08.2013

09:48 · 02.08.2013 / atualizado às 09:48 · 02.08.2013 por

Certamente, a Toscana é uma das regiões mais procuradas em uma viagem à Itália, mas quero chamar a sua atenção também para a Úmbria, logo ali ao lado, e que não deixa nada a desejar em relação à primeira. Além de paisagens igualmente verdes e cidades medievais, esta é ainda uma terra de santos. Para mencionar dois: São Francisco e Santa Clara. E há quem aposte que ganhe no quesito culinária, cujas receitas acompanham as estações do ano.

Perugia, a capital, e Assis são as cidades mais importantes. Não visitei as duas. Porém, a viagem de trem de Florença a Assis e um dia inteiro desfrutando da segunda deu para ter uma ideia do que a região tem a oferecer. Um aperitivo para, quem sabe, um dia voltar.

Assis, ou Assisi em italiano, é mundialmente famosa por São Francisco e Santa Clara. Situada em uma colina, esta charmosa cidade medieval recebe, diariamente, milhares de turistas para visitar seus santuários. A Basílica de São Francisco é uma obra prima, classificada como Patrimônio Mundial pela Unesco, junto com a própria cidade.

Basílica de São Francisco Foto: Anchieta Dantas Jr.
Basílica de São Francisco Foto: Anchieta Dantas Jr.

Aos mais devotos uma visita à parte superior e inferior da basílica, ao túmulo de São Francisco e à capela das relíquias é uma experiência espiritual emocionante. Uma lição de humildade saber como este santo vivia.

Vale esclarecer, no entanto, que não é nesta basílica onde fica a capela original, construída por São Francisco. Se quiser conhecê-la, siga em direção à Basílica de Santa Maria degli Angeli, colina abaixo. É dentro desta igreja que ela está. Foi lá também onde São Francisco morreu.

A vista que se tem lá de baixo para o alto da colina contemplando Assis toda murada é impressionante. Um cartão postal. Aliás, seu centro medieval é simplesmente lindo. A visita começa pela Basílica de Santa Clara que leva à Piazza del Comune e a tantas outras igrejas da cidade. Percorrer suas ruas e vielas vale muito à pena.

Vista panorâmica de Assis Foto: Anchieta Dantas Jr.
Vista panorâmica de Assis Foto: Anchieta Dantas Jr.

 

Basílica de Santa Clara Foto: Anchieta Dantas Jr.
Basílica de Santa Clara Foto: Anchieta Dantas Jr.

 

Centro medieval de Assis Foto: Anchieta Dantas Jr.
Centro medieval de Assis Foto: Anchieta Dantas Jr.

Se quiser conhecer mais sobre a vida desta santa, uma visita ao convento que a abrigou até o fim da vida, incluindo seu quarto e a capela de São Damião, construída pelo próprio São Francisco há quase mil anos é fundamental. Edificado em um dos pontos mais altos do lugar, oferece uma visão espetacular da região.

Convento que abrigou Santa Clara até a sua morte e onde também está a Capela de São Damião Foto: Anchieta Dantas Jr.
Convento que abrigou Santa Clara até a sua morte e onde também está a Capela de São Damião Foto: Anchieta Dantas Jr.

Além de santos, a Úmbria é também uma terra de festas regadas a boa comida e vinho. Assis, por exemplo, é palco de celebrações, sobretudo nos primeiros meses de maio. Tem música e iguarias vendidas em barracas nas ruas.

O fato de estar no centro da Península Itálica propiciou a essa região o surgimento de receitas com ingredientes genuínos, como azeites de oliva extra virgem, trufas negras, lentilhas e o farro, cereal local.

Entrecortada por rios e repleta de lagos, destes saem peixes como carpa e truta, fartamente utilizados na cozinha local. Já nos bosques, há muitos animais de caça, como porcos, javalis e lebres, com os quais também se preparam receitas regionais. Vale ou não vale conhecer. Então, o que você está esperando?

Texto publicado na coluna do blog na revista Siará – edição de 28.07.2013

08:00 · 24.07.2013 / atualizado às 00:37 · 24.07.2013 por

Já era a segunda vez que eu visitava a Toscana. Florença mais uma vez serviu de base para explorar os arredores. Entretanto, em meio aos muitos relatos que li sobre o lugar, certa vez um chamou a minha atenção, pois afirmava que nenhuma cidade da região poderia definitivamente ganhar a preferência enquanto Siena não fosse conhecida. Quer saber? Quem disse isso tem toda razão. Foi amor à primeira vista.

Cercada por vinhedos dos quais se extraem garrafas do autêntico Chianti – vinho seco, com notas de fruta -, Siena faz jus à fama de lugar romântico dos que só se encontram mesmo na Toscana, com um centro histórico medieval bastante preservado.

Durante a Idade Média, ela chegou a ser uma república livre, rivalizando com Florença o domínio comercial da região, mas sua história é bem mais antiga. Reza a lenda que a fundação resvala na de Roma, já que, de acordo com outro mito, os filhos de Remo a teriam criado.

As ruas estreitas do centro histórico contrastam com a a amplitude da Piazza del Campo, lar do Palazzo Pubblico Foto: Anchieta Dantas Jr.
As ruas estreitas do centro histórico contrastam com a a amplitude da Piazza del Campo, lar do Palazzo Pubblico Foto: Anchieta Dantas Jr.

O fato é que quando se atravessa os velhos muros que a cercam, parece que voltamos no tempo. No entanto, a cidade é cheia de vida. O movimento de pessoas é constante, sobretudo, de jovens, por causa da universidade que lá existe, uma das mais prestigiadas da Itália. Tudo é muito bonito e aconchegante.

Vista de cima, parece mais um labirinto, de tão estreitas que são muitas de suas charmosas vielas. O emaranhado de ruazinhas – delicioso de se percorrer – contrasta com a amplitude da Piazza del Campo, lar do Palazzo Pubblico, com seu imponente campanário de 102 metros de altura, batizado de Torre del Mangia, do século 14. O lugar é majestoso. Gigante e em formato de semicírculo, é rodeado de construções barrocas e, como toda praça italiana que se preze, exibe uma belíssima fonte, chamada de Gaia, alimentada por um aqueduto que ali existe desde 1300.

A fonte Gaia é um dos destaques da Piazza del Campo Foto: Anchieta Dantas Jr.
A fonte Gaia é um dos destaques da Piazza del Campo Foto: Anchieta Dantas Jr.

Mais ao norte dali está a Piazza del Duomo com sua fabulosa catedral do século 12. Toda revestida de mármore policromado é coberta de listras pretas e brancas. Descendo a escada exterior, chega-se ao Batistério, uma igreja cuja cruz esculpida no interior marca o lugar onde Santa Catarina teria caído empurrada pelo demônio. Para quem não sabe essa venerada santa da Igreja Católica nasceu em Siena.

O fabuloso Duomo de Siena data do século XII Foto: Anchieta Dantas Jr.
O fabuloso Duomo de Siena data do século XII Foto: Anchieta Dantas Jr.

Bateu a fome? Bares e restaurantes servem embutidos da região, como prosciutto (presunto) e salame, panzanella, almôndegas e diferentes tipos de frittatas frescas, acompanhadas de vinho. Embora os doces locais não sejam especialmente famosos, não se pode deixar a cidade sem conhecer os dois mais tradicionais – panforte e ricciarelli. O primeiro é repleto de especiarias e frutas secas. Já o segundo é o preferido da maioria: biscoitos à base de amêndoas com uma camada crocante, com leve sabor de mel e baunilha.

Para quem gosta de comprar, uma dica são os perfumados sabonetes artesanais. Os aromas são os mais diversos. Mas não deixe de trazer o de pinho, árvore típica da Toscana. Tem como não se apaixonar por uma cidade como essa? Vá e comprove!

Texto publicado na coluna do blog na revista Siará – edição de 21.07.2013

08:00 · 15.07.2013 / atualizado às 22:54 · 14.07.2013 por

Descobrindo Cinque Terre

Quando decidi voltar à Itália, queria rever alguns lugares, mas também conhecer outros, além daqueles obrigatórios – como Roma, Florença ou Veneza – e que, geralmente, todos os turistas se limitam sempre que vão a este país. Desejava algo bonito e ao mesmo tempo impactante, se é que há o que não seja assim na terra em forma de bota.

Resolvi incluir, então, Cinque Terre no roteiro. O que me motivou? Certa vez, assisti a um programa de TV sobre a região e também porque vi fotos em várias publicações sobre viagens imperdíveis. E mais: ela está entre os 1000 lugares para conhecer antes de morrer. Já viram esse livro? Como ia estar tão perto, não podia perder a oportunidade.

Na verdade, chegar até lá por conta própria não é complicado. Um bate e volta está de bom tamanho. Peguei o trem das 7h na estação Santa Maria Novella, em Florença, até Pisa e de lá outro a La Spezia, que chegou por volta das 9h. Na própria estação há um centro de informações onde você deve comprar o passe para entrada no Parque Nacional de Cinque Terre, que dá direito a viagens ilimitadas de trem entre os cinco vilarejos ou o trajeto a pé. Mas se você tiver um passe de trem, como eu tinha, estará livre dessa despesa.

Localizada na fronteira entre as regiões da Toscana e da Ligúria, ao Norte do páis, Cinque Terre é o nome dado a um acidentado trecho de terra na Riviera Ligure situado entre Punta Mesco, próximo a Levanto, e o Cabo de Montenero, quase em Portovenere, e compreende as comunas de Monterosso, Vernazza, Riomaggiore com os distritos de Corniglia e Manarola.

Estas localidades, declaradas em 1997 Patrimônio da Humanidade pela Unesco, são caracterizadas pelo relevo montanhoso próximo ao mar. Típicos desta zona são os terraços, devido à particular técnica agrícola usada para usufruir tanto quanto possível dos terrenos com grande inclinação. O visual colorido daquelas casinhas encravadas nas montanhas é incrível! Fora a cor da água: de um azul esverdeado de babar.

O colorido das casas em Monterroso Foto: Anchieta Dantas Jr.
O colorido das casas em Monterroso Foto: Anchieta Dantas Jr.
Vista do alto do monastério capuchinho, em Monterroso Foto: Anchieta Dantas Jr.
Vista do alto do monastério capuchinho, em Monterroso Foto: Anchieta Dantas Jr.

Dos cinco vilarejos visitei três: Monterrosso, Vernazza e Riomaggiore. Todos lindos. Dá vontade de não ir embora. No primeiro, caminhei pela praia, provei frutos do mar e bruschettas maravilhosos e subi até a um monastério capuchinho, no alto de uma montanha, de onde se tem uma vista de arrepiar. Conheci ainda a escultura de um gigante incrustado em uma pedra. Super bacana!

Mas morri de amores mesmo foi por Vernazza. O colorido das edificações e dos barcos ancorados na praia, os charmosos bares e restaurantes na marina, misturados com o vai e vem de pessoas dão um toque todo especial. Mais animado impossível!

O colorido das edificações e dos barcos na marina de Vernazza Foto: Anchieta Dantas Jr.
O colorido das edificações e dos barcos na marina de Vernazza Foto: Anchieta Dantas Jr.

Já em Riomaggiore, dentre outros santuários, visitei a graciosa Igreja de São João Batista. Desta vila parte a Via do Amor, um percurso feito a pé, que vai até Manarola. Devido ao tempo não deu para fazer, mas pelo visual ao longo do percurso dizem que é imperdível.

Viela em Riomaggiore com a Igreja de São João Batista Foto: Anchieta Dantas Jr.
Viela em Riomaggiore com a Igreja de São João Batista Foto: Anchieta Dantas Jr.
Início da Via do Amor, que sai de Riomaggiore até Manarola Foto: Anchieta Dantas Jr.
Início da Via do Amor, que sai de Riomaggiore até Manarola Foto: Anchieta Dantas Jr.

Eu queria exatamente isso. Sabe aquelas cenas com toalhas quadriculadas, pessoas falando alto, um clima aconchegante, uma ótima comida e um bom vinho? Foi o que encontrei por lá. Na volta para Florença ainda deu tempo de uma parada em Pisa para fotos com a torre ao pôr do sol.

Texto publicado na coluna do blog na revista Siará – edição de 14.07.2013

11:10 · 11.07.2013 / atualizado às 11:12 · 11.07.2013 por

Despedir-se de uma cidade como Madri é sempre uma tarefa difícil. Fonte de inspiração para artistas, escritores e cineastas, a Capital espanhola é cheia de recantos charmosos e perfeitos para passar o dia. Surpreendente, mesmo em lugares onde você menos espera. E foi assim, ao chegar ao El Club Allard, um dos restaurantes locais que ostenta duas estrelas no famoso guia Michelin, e que serviu de cenário para minha última refeição na cidade.

A elegante sala de jantar do El Club Allard Foto: Divulgação
A elegante sala de jantar do El Club Allard Foto: Divulgação

Tínhamos reserva para as 13h30, o que é cedo para um almoço, considerando os padrões espanhóis. O lugar, como se esperava, é seleto. Entra-se em um edifício que parece residencial, sendo o estabelecimento muito discreto, sem nenhum tipo de sinalização. E é aí que começam as surpresas. Da belíssima decoração aos pratos, que combinam notas de mistério, fantasia, humor, imaginação e muita criatividade.

A sala de jantar é elegante. Mistura o clássico e o moderno, com toques dourados apenas o suficiente para fornecer o refinamento que o local reserva. O atendimento é perfeito e logo fomos levados à mesa que exibia a seguinte mensagem em um pequeno cartão à frente de cada lugar: bem-vindo à revolução silenciosa. Mal imaginávamos o que estava por vir!

Dos três menus à escolha – Encontro, Sedução e Revolução, com números crescentes de pratos -, optamos pelo primeiro (88 euros por pessoa), uma sequência de 11 iguarias, entre entradas, pratos principais e sobremesas. Detalhe: você não sabe o que vai comer até começarem a servir. Convém ainda falar espanhol, para perceber todas as explicações sobre a comida.

Antes, somos perguntados se temos algum tipo de alergia. Observei que eles fazem o mesmo com todas as mesas. Só então, o pedido é feito e logo aparece alguém para sugerir uma bebida para acompanhar. A partir daí começa a experiência gastronômica mais interessante que tive até então.

 

As boas vindas e a primeira surpresa gastronômica Foto: Anchieta Dantas Jr.
As boas vindas e a primeira surpresa gastronômica Foto: Anchieta Dantas Jr.

A princípio, chegou uma tigela com um creme de consistência bem macia que, para nossa surpresa, era para ser degustado com aquele cartãozinho que citei, como uma colher. Antes, olhei para os lados, para ver se havia mais alguém comendo. Afinal, podia ser alguma “pegadinha”. Mas não era! O cartão era comestível mesmo, feito a base de batatas. Impressionante! E foi aí que percebemos que esta ia ser uma refeição incomum.

E foi! A partir de então foram quatro entradas, um peixe, uma carne, uma pré-sobremesa (para preparar o paladar para o doce) e duas sobremesas, café e petit fours (biscoitinhos). O que posso dizer é que a cada prato, lindamente decorado, sabores, texturas e aromas apareciam para, literalmente, mexer com todos os sentidos.

Tapa de peixe com cobertura crocante Foto: Anchieta Dantas Jr.
Tapa de peixe com cobertura crocante Foto: Anchieta Dantas Jr.

 

Papelote de cogumelos e legumes de época Foto: Anchieta Dantas Jr.

Nessa ordem, comemos: trufa de caça com foie e cogumelos (ao levantar a parte inferior do recipiente, um vapor era liberado, acrescentando outro nível sensorial ao prato), mini-trufa de queijo camembert, tapa de peixe com cobertura crocante, papelote de cogumelos e legumes de época, ovo com bacon no pão e creme de batatas, garoupa marinada, picanha com ervas e crispies, sorvete de pepinos e pétalas de rosa, chocolates em formato de peixes e conchas dispostos em um aquário e ovo poché, que, claro, não era um ovo, mas casca de chocolate, cuidadosamente pintada com pó metálico, um creme de coco branco, como clara, e manga, fazendo o papel da gema. Curiosíssimo!

Chocolates em formato de peixes e conchas dispostos em um aquário Foto: Anchieta Dantas Jr.
Chocolates em formato de peixes e conchas dispostos em um aquário Foto: Anchieta Dantas Jr.

 

O curioso ovo poché de chocolate Foto: Anchieta Dantas Jr.
O curioso ovo poché de chocolate Foto: Anchieta Dantas Jr.

Gostou? O El Club Allard fica alojado na Casa Gallardo, uma das edificações símbolo do modernismo em Madri, concebida em 1911 por Federico Arias Rei, na esquina da Calle Ferraz com Praça de Espanha (www.elcluballard.com).

Texto publicado na coluna do blog na Revista Siará – Edição de 10.03.2013

11:11 · 10.07.2013 / atualizado às 11:11 · 10.07.2013 por

Que tal jantar no restaurante mais antigo do mundo? É para esta experiência que hoje lhe convido. Depois de abrir o apetite no Mercado de San Miguel, bastou caminhar umas duas quadras para voltar no tempo e conhecer o Sobrino de Botín, classificado pelo Guiness Book como o restaurante mais antigo do mundo, e que reserva pratos tão interessantes quanto a sua história.

Era 1725, e um típico casarão madrilenho abria suas portas como pousada e também seu forno à lenha para que viajantes e cortesãos que passavam pela cidade assassem pedaços de carne que carregavam consigo na bagagem. Passados quase trezentos anos, tudo continua no mesmo lugar, revelando-se, atualmente, como um verdadeiro templo da gastronomia espanhola. E esta foi outra das minhas descobertas em mais uma passagem por Madri.

O Sobrino de Botín é hoje um dos templos gastronômicos de Madri Foto: Divulgação
O Sobrino de Botín é hoje um dos templos gastronômicos de Madri Foto: Divulgação

Originariamente chamado de Casa Botín, esse restaurante foi criado por Jean Botín e sua esposa. Após sua morte, um dos sobrinhos assumiu o negócio e daí a mudança do nome. A cozinha ainda mantém ativa o forno desde aquela época.

Por trás da fachada de ladrilhos, mais parecendo tijolos antigos, se abre um labirinto de pequenas salas, dispostas em três andares, por onde já passaram chefes de estado e celebridades da música e do cinema, como Jacqueline Kennedy, Charlton Heston, Ava Gardner, Michael Douglas, Pedro Almodóvar, os reis espanhóis e até Ricky Martin.

Muitos escritores também dedicaram algumas páginas de suas obras ao Botín, como os espanhóis Ramón Gómez de la Serna e  Benito Pérez Galdós (originário das Ilhas Canárias) e ainda o romancista inglês Graham Greene e o norte-americano Ernest Hemingway.

Disposto em várias salas,   seu interior é muito aconchegante Foto: Divulgação
Disposto em várias salas, seu interior é muito aconchegante Foto: Divulgação

Nas paredes, azulejos decorados completam o visual, além de pinturas que revelam como era a Madri do período medieval. O atendimento é ótimo e o ambiente perfeito para degustar as especialidades do lugar: o cochinillo assado, espécie de leitão de apenas 21 dias, além de cordeiro, sopas (a de alho é espetacular) e ainda o solomillo Botín, filé bovino de dar água na boca. Esta última foi a minha opção como prato principal.

A cozinha ainda mantém ativo o forno desde a fundação Foto: Divulgação
A cozinha ainda mantém ativo o forno desde a fundação Foto: Divulgação

E o Botín não teve apenas clientes famosos, mas funcionários também. Segundo o Guinness, Francisco de Goya trabalhou ali lavando pratos antes de se tornar um pintor renomado. Além do que, a casa também tem as marcas de momentos importantes na história da Espanha, guardando pequenos sinais da Guerra Civil que assolou o país.

Localizado na Calle de Cuchilleros, número 17, bem próximo à Plaza Mayor, a casa abre todos os dias para almoço das 13h às 16h e para jantar das 20h às meia-noite. Para quem deseja, além de comer, conhecer um pouco mais da história do Botín há o cardápio “Siglo de Oro”, uma sessão gastronômica com o que de melhor era servido à mesa de nobres no chamado século de ouro espanhol acompanhado de uma narrativa de passagens e clientes que marcaram o lugar. Mas pede reserva (www.botin.es).

Texto publicado na coluna do blog na Revista Siará – Edição de 03.03.2013

12:33 · 09.07.2013 / atualizado às 12:33 · 09.07.2013 por

Em se tratando de viagens, o ano de 2013, até agora, tem sido de reencontros. Retornos a cidades que, de uma forma ou de outra, marcaram minhas andanças mundo afora. Embora não planejasse tão cedo uma visita a Madri, eis que surge a oportunidade quando eu menos esperava.

Mal terminava o primeiro mês do ano, voltei à Capital espanhola. Embora a trabalho, nas horas livres, revi a cidade com outros olhos. Desta vez, desobrigado de bater ponto nos principais cartões postais, curti a atmosfera inspiradora do lugar por meio da gastronomia.

Para quem deseja conhecer mais a Espanha a partir da sua deliciosa e bem elaborada cozinha uma passada no Mercado de San Miguel, por exemplo, pode ser um bom começo. Inaugurado em 1916, depois de dois anos de reforma, em 2009 a cidade ganhou novamente este endereço imperdível para todos que a visitam. A estrutura, toda em ferro, é lindíssima!

Mercado de San Miguel e sua belíssima estrutura de ferro Foto: Anchieta Dantas Jr.
Mercado de San Miguel e sua belíssima estrutura de ferro Foto: Anchieta Dantas Jr.

A reabertura veio com uma proposta super gourmet. São mais de 30 bancas de frutas e verduras cinematográficas, massas, peixes fresquíssimos e embutidos. Enfim, tudo que se espera de um mercado de qualidade.

As barraca de frutas de encher os olhos Foto: Anchieta Dantas Jr.
As barraca de frutas são de encher os olhos Foto: Anchieta Dantas Jr.

Mas o San Miguel não termina por aí. Ele tem mesas comunitárias de degustação, bares de vinhos e cavas (espumante espanhol), docerias e um time de cozinheiros de primeira, que prepara comidinhas o dia inteiro com ingredientes mais frescos impossíveis – afinal, estamos em um mercado.

Bares de vinhos e cavas Foto: Anchieta Dantas Jr.
Bares de vinhos e cavas Foto: Anchieta Dantas Jr.

Para você ter uma ideia, do mesmo peixe que a peixaria vende para a gente levar para casa, das mãos de hábeis profissionais saem tapas (comidinhas típicas da Espanha) bem diferentes. Tem de salmão com um delicado creme de ervas, de atum, camarões, mexilhões e de peixe branco. Chama a atenção ainda a diversidade de outros frutos do mar, incluindo aí ouriços.

As tapas são deliciosas Foto: Anchieta Dantas Jr.
As tapas são deliciosas Foto: Anchieta Dantas Jr.

Pelo mercado dá para saborear também o delicioso jamón ibérico (presunto típico do país) fatiado à perfeição, na hora. Já nas queijarias há pratinhos recheados de delícias mil – são delicados pedaços dos melhores queijos existentes no mundo. Sem contar as paellas!

Os frutos do mar são fresquíssimos e ainda se pode levar pra casa Foto: Anchieta Dantas Jr.
Os frutos do mar são fresquíssimos e ainda dá pra levar pra casa Foto: Anchieta Dantas Jr.

Frequentado não só por turistas, mas, sobretudo, pelos locais, mão tem programa melhor para começar a noite na cidade ou mesmo terminar. Situado bem ao lado da Plaza Mayor (pela saída oeste), de quinta a sábado, o San Miguel só fecha às duas da manhã – nos outros dias, à meia-noite.  As mesas viram uma deliciosa bagunça onde tudo acaba em festa.

Porém, se você gosta de comer, Madri tem muito mais a oferecer. Depois eu conto um pouco mais do que descobri nesta passagem pela cidade. É de dar água na boca!

Texto publicado na coluna do blog na Revista Siará – Edição de 24.02.2013

10:18 · 08.07.2013 / atualizado às 10:19 · 08.07.2013 por

O que muito turista não sabe é que nem só de praia vive o Ceará. Seus atrativos vão além do litoral invejável. Temos ainda a riqueza cultural do Sertão e o Estado guarda também a beleza e o charme de muitas cidades serranas, desconhecidas até mesmo para alguns cearenses.

Nesta época do ano, normalmente as temperaturas caem por esses lugares, tornando a experiência bastante agradável. Assim, que tal aproveitar as férias de julho para uns dias de descanso ou aventuras por esse outro lado turístico do Ceará. Há muito que ver e fazer.

A chapada da Ibiapaba, a noroeste do estado, por exemplo, reserva muitas histórias e belas paisagens. A cidade de Viçosa, a 348 km de Fortaleza, pode ser a porta de entrada para um roteiro surpreendente na região, que inclui as trilhas e grutas do Parque Nacional de Ubajara, já citada aqui na coluna.

Gruta de Ubajara Foto: Divulgação
Gruta de Ubajara Foto: Divulgação

Viçosa foi o primeiro município criado na Serra da Ibiapaba, em 1882, e um dos mais antigos do Estado. A cidade é simples e acolhedora. Sua arquitetura e cultura unem elementos da colonização francesa e portuguesa. No século XVII, o local recebeu também um aldeamento indígena de padres jesuítas e foi moradia do Padre Antônio Vieira por seis anos. Para conhecer e se apaixonar pela cidade, o passeio pode começar na Igreja Nossa Senhora da Assunção.

Igreja Matriz em Viçosa do Ceará Foto: Divulgação
Igreja Matriz em Viçosa do Ceará Foto: Divulgação

Para se render aos sabores locais, uma visita à Casa dos Licores, no Centro da cidade, é uma experiência memorável. Por lá também são vendidas cachaças artesanais. Os visitantes são convidados a entrar no casarão, que vai de uma rua a outra, para degustar mais de 70 sabores de licores e ouvir histórias contadas pela família Mapurunga, proprietária d espaço. Do fogão à lenha e do forno de barro do lugar saem ainda doces, geleias, sequilhos, bulins e petas.

Ainda pela Ibiapaba, tem a cidade de Ipu, citada no romance de José de Alencar, famosa pelas cachoeiras, bicas e também pelos prédios históricos. Não se deve esquecer Tianguá, paraíso para os amantes de esportes radicais: uma pista de voo livre é um dos atrativos.

Bica do Ipu Foto: Divulgação
Bica do Ipu Foto: Divulgação

O município de Meruoca é outra que deve fazer parte do roteiro serrano. Encontra-se a 248 km da capital cearense e tem como principal evento cultural a festa da padroeira, Nossa Senhora da Conceição, que sempre acontece de 28 de novembro a 8 de dezembro. Desde 2004, ocorre ainda, no primeiro semestre, o Festival de Inverno.

Mais aqui pertinho de Fortaleza, distante apenas 100 km, Baturité possui uma Área de Proteção Ambiental, muitas trilhas, cachoeiras, áreas propícias para prática de esportes de aventura e um grande acervo cultural espalhado por toda a cidade como museus, monumentos e edificações centenárias.

E uma vez por lá, esticar o passeio a Mulungu, Guaramiranga e Pacoti é fundamental. A própria serra de Guaramiranga já é um atrativo natural. De vários locais da cidade é possível ver o Mirante do Pico Alto, ponto culminante do Maciço de Baturité, com 1.115 metros de altitude.

Pico Alto em Guaramiranga Foto: Divulgação
Pico Alto em Guaramiranga Foto: Divulgação

Maranguape é outra opção mais próxima da Capital. Também reserva várias trilhas, por onde se podem fazer caminhadas ecológicas. Outro atrativo é o iPark, conhecido pelo Museu da Cachaça e pelo parque de esportes radicais. O roteiro está traçado, agora é com você!

Texto publicado na coluna do blog na Revista Siará – Edição de 07.07.2013

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