Istambul é uma cidade muito grande. Consiste de nada menos que 27 distritos. Mas, felizmente isto não é um problema para quem a visita. Isto porque, a maior parte dos pontos de interesse concentra-se em uma área compacta localizada nos dois lados do “Chifre de Ouro” (Haliç), braço de mar que divide o lado europeu da Cidade em dois. Ao sul, fica o bairro histórico de Sultanahmet e o distrito dos bazares. Ao norte, a boêmia região de Beyoglu e Taksim, a parte mais moderna e o centro financeiro.

Para se situar
Se tiver tempo, estique o passeio a outras regiões como Nisanti, ao norte de Taksim, caracterizada por chiques hotéis, butiques caras e restaurantes da moda; e descendo em direção ao Bósforo, o distrito de Besiktas, que abriga esplendorosos palácios; e Ortaköy, cercado de cafés, restaurantes ao ar livre e a vida noturna mais glamourosa da Cidade. Ambas oferecem a vista mais bonita do estreito do Bósforo, que une os mares de Mármara e Negro, separando, por sua vez, a Europa da Ásia.
Uma vez apresentado à Cidade, é hora de desbravá-la. Vamos lá?!
Comecemos por Sultanahmet, o centro histórico da Cidade. Acredite, este é a cara de Istambul: a cidade com minaretes delgados e domos apontando para os céus, o ‘Oriente’, por assim dizer, do nosso imaginário ocidental.
A região é uma faixa de terra cercada pelo mar por três lados. Em torno de suas famosas mesquitas, há palácios, museus e diversos monumentos históricos, testemunhando uma herança que compreende o nascimento, a exuberância da juventude, a meia idade e o crepúsculo de não apenas um, mas dois grandes impérios da história mundial: o Bizantino e o Otomano.
A Praça Sultanahmet (Ayasofya Meydanı) é o lugar óbvio para começar. A maior parte dos grandes monumentos de Istambul fica a alguns minutos de caminhada dela, incluindo o Palácio Topkapi; a Mesquita Azul; a cisterna subterrânea; o Hipódromo, com o Obelisco de Theodosio; e o Museu de Arte Turca e Islâmica. Além disso, a praça é também o cenário da que foi, por quase mil anos, a maior igreja do Cristianismo ocidental, a Haghia Sophia (Aya Sofya, em turco). Depois da conquista turca, serviu durante cinco séculos como principal mesquita do Império Otomano, e hoje está aberta como museu.
E é pela Haghia Sophia que você deve iniciar seu “mergulho” nessa história. Talvez seja necessário um pouco de paciência, pois uma possível fila estará lhe aguardando. Afinal, é ali que você vai sentir o peso da história de Istambul, visitando o seu edifício mais emblemático. Construída pelo imperador Justiniano entre os anos 527 e 565 para reafirmar o poderio de Roma, a igreja é um daqueles lugares que fazem as pernas ficarem bambas sob o impacto de sua grandeza. A entrada custa 20 liras turcas, algo em torno de oito euros, ou cerca de vinte reais.

Haghia Sophia: este é o tipo de lugar que faz as pernas ficarem bambas tamanha a sua suntuosidade Foto: Anchieta Dantas Jr.

Mosaicos bizantinos na igreja, hoje um museu, que ofi por quase mil anos a maior do Cristianismo ocidental Foto: Anchieta Dantas Jr.
Saindo de lá, atravesse a praça (não deixe de observar os belos jardins e a grandiosa fonte) e siga para a segunda atração, a impressionante Mesquita azul. A mesquita que é a menina dos olhos de Istambul (apesar de não ser a maior) foi construída neste local, digamos estratégico, justamente para rivalizar com aquela que já foi uma igreja, reafirmando o poder do islã sobre o catolicismo. Por isso, vale a pena conhecer as duas no mesmo dia e fazer as comparações. Inteiramente decorada por dentro, iluminada e de uma leveza fulminante, a mesquita certamente atingiu os seus objetivos. A entrada, grátis, é vetada durante as orações (se ouvir o chamado que emana dos minaretes, deixe para depois). É preciso vestir calça comprida ou saia longa (e não justas) e as mulheres devem cobrir o cabelo em sinal de respeito. Na entrada lhe será entregue sacos plásticos para cobrir os sapatos.

Mesquita Azul: a menina dos olhos de Istambul Foto: Anchieta Dantas Jr.

A iluminação da mesquita é de uma leveza fulminante Foto: Anchieta Dantas Jr.

A estonteante cúpula da Mesquita Azul Foto: Anchieta Dantas Jr.
Se você acha que já se surpreendeu o suficiente. Pode crer que estará enganado! Retorne em direção à Haghia Sophia, atravesse a rua e você vai se deparar com a Cisterna da Basílica. Olha! A modesta portinha de entrada não dá o menor sinal do que você vai encontrar lá dentro, ou melhor lá embaixo. Construída por Justiniano em 532, a cisterna escorada por colunas em vários estilos servia para abastecer o palácio de Topkapi. A iluminação é um show à parte. A entrada custa dez liras turcas (aproximadamente quatro euros ou dez reais). Ah, não deixe de ver as duas cabeças da Medusa que escoram duas das colunas. Ficam bem ao fundo.

Cisterna da Basílica: a iluminação é um show a parte Foto: Anchieta Dantas Jr.

Curiosas cabeças de Medusa escoram duas das colunas ao fundo da Cisterna Foto: Anchieta Dantas Jr.
Outra grande atração é o Palácio Topkapi. Foi neste glorioso palácio, com uma vista espetacular para o Mar de Mármara, para a Ásia e ainda para o Chifre de Ouro, onde vários sultões otomanos viveram entre os séculos 15 e 19. A ala do tesouro, campeã em filas, guarda relíquias como “as barbas do profeta”. Exatamente, madeixas da barba de Maomé. Outro deslumbre são os azulejos que revestem as fachadas e suas portas. Impressionantes!

O glorioso Palácio Topkapi, residência dos sultões por muitos séculos Foto: Anchieta Dantas Jr.

O deslumbre das fachadas Foto: Anchieta Dantas Jr.

Portas e azulejos de arrepiar Foto: Anchieta Dantas Jr.
No local há também o harém dos sultões, onde eles mantinham as suas concumbinas, o qual eu recomendo conhecer por último, se não tudo o mais vai parece um pouco sem graça. Reserve pelo menos uma manhã ou uma tarde inteira. Para entrar no Palácio você vai pagar 20 liras turcas (mais ou menos oito euros ou 20 reais). Para o harém a entrada custa 15 liras turcas (cerca de seis euros ou 15 reais).

O mistério e o luxo que envolviam o harém Foto: Anchieta Dantas Jr.
Uma vez tendo visitado as principais atrações, circule pela Praça Sultanahmet, caminhe pelo Hipódromo, logo ao lado da Mesquita Azul, relaxe em seus boulevards e não deixe de experimentar o famoso banho turco. Acredite! Visitar tantos monumentos grandiosos, além de feliz, também vai lhe deixar cansado. Quem sabe não é o momento de testar os esfregões desse tipo de banho? Um dos mais conhecidos da cidade, o Cagaloglu Hamami fica ali pertinho, sendo inclusive apontado no livro da célebre Patricia Schultz como um dos “1.000 Lugares para visitar antes de morrer”. A arquitetura do lugar é de matar!

O boulevard onde abrigava um antigo hipódromo e o Obelisco de Theodosio ao fundo Foto: Anchieta Dantas Jr.

Cagaloglu Hamami: relaxe em um banho turco em meio a uma arquitetura estonteante Foto: Divulgação
Eu fui! Nossa, passei dois dias flutuando de tão relaxado… Com áreas separadas para homens e mulheres, você receberá um tratamento de rei, que inclui sessão de relaxamento, massagem, esfoliação e, ao final, um banho alternando água quente e fria para fechar com chave de ouro. O serviço completo custa caro, em torno de 125 liras turcas (50 euros ou 125 reais), mas deixe de ser pão duro e encare! Você não vai se arrepender. Depois me conte!
Por fim, devido à grande concentração de pontos turísticos, acredito que em uma primeira visita a Istambul é em Sultanahmet que você deve ficar para não perder com deslocamento (não esqueça: Istambul tem quase 16 milhões de pessoas, o que por sua vez se traduz em um trânsito caótico). È também nesta região onde ficam as opções mais em conta de hospedagem, incluindo-se aí os melhores albergues da Cidade.
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