Entrevistamos o vice-presidente da montadora, Luiz Carlos Andrade (foto abaixo), e descobrimos novidades para o Brasil.
Vice confirma que o conceito Corolla Furia antecipa as linhas visuais do sedan médio, que o Etios terá versão aventureira no inicio do segundo semestre e revela também a meta de expansão da rede de concessionárias. E diz que o preço ideal para o híbrido Prius seria de R$ 90 mil. Além disso, questionamos se a Hilux e o SW4 poderiam mudar. Confira.

- Ano passado foi um ano chave para a Toyota com o lançamento do Etios, no segundo semestre. Gostaria que o senhor avaliasse o desempenho do Etios em vendas. A Toyota está satisfeita esse desempenho nesse tempo?
R – Todos nossos projetos têm um objetivo. Esse objetivo tem a ver com a capacidade de produção que a gente estabelece. O mercado que a gente pretende atingir. E obviamente que no caso do Etios o momento foi de aprendizado para nós. A Toyota, apesar de tanto tempo no Brasil – 54 anos -, passou 40 anos fabricando o jipe Bandeirante e nos anos 90 a linha que temos hoje, considerando os importados, o produto nacional, que é o Corolla em Indaiatuba e o Etios em Sorocaba. O Etios de certa forma nos surpreende, pela força da marca e pela forma como estamos colocando ele no mercado. Mais importante para nós são os depoimentos que temos dos compradores do Etios. E nessas pesquisas, invariavelmente, estamos encontrando um alto nível de satisfação e identificação com a marca. Ou seja: o DNA Toyota consegue ser identificado até num produto compacto e isso era uma das coisas que a gente mais queria. Temos uma capacidade de produção de 70 mil unidades por ano e iniciamos uma curva de aceleração de produção rigorosamente dentro do nosso planejamento. Então, com isso, praticamente emplacamos quase 7 mil carros de setembro a dezembro de 2012. Em abril já vendemos 6.800 Etios, que era nossa meta. E em maio temos uma meta de 6.200 carros e acho que vamos conseguir.
- O que é que esse cliente novo para a rede Toyota está buscando nesses carros compactos?
Resp – A nossa avaliação interna, quando vemos também nossos competidores, ainda não estamos atingindo a totalidade desse mercado – aí falo da Fiat (no caso do Palio) e da Volkswagen (do Gol). São grande competidores nesse segmento. Sinto que nós não estamos atingindo aquele perfil de cliente. O perfil de nosso cliente ainda é muito voltado ao Corolla. Sinto que não estamos ainda nesse segmento de compactos. É um mercado com algumas características. Por exemplo: não é um mercado de compras emocionais. Ele é racional. Muito custo benefício. E isso não vale só para automóveis. Vale também para eletrodomésticos, bens duráveis, de uma forma geral. Fatores como economia de combustível, o custo de manutenção, o custo de se possuir um veículo. O custo por quilômetro acaba fazendo muita diferença nesse momento. E algo que não se consegue convencer simplesmente mostrando o carro. A pessoa precisa experimentar e o resultado da experiência tenho certeza que vai nos trazer mais clientes para a marca a partir dos primeiros usuários. Isso é uma coisa que a rede de concessionários também tem nos indicado.

Toyota Etios
- Vimos na Internet que o Etios na India teve mudanças. No final de 2012. E estão especulando que o Etios vai mudar. No Brasil vai ter mudanças? E quando?
Resp – O mercado de automóveis implica em conhecer o que o consumidor quer e fazer produtos e serviços para ele. Então, o fato estudar e preparar modificações na nossa linha de produtos, seja ela Corolla, Etios, Hilux ou SW4, ou importados, é um fator absolutamente normal. Agora antecipar para você se isso acontece em 2013 é algo que não faria nem sob tortura (risos).
- Em relação ao câmbio automático? Nesse ano ele chega para o Etios?
Resp – Estamos trabalhando nisso, sem dúvida nenhuma. Mas o desenvolvimento desse tipo de câmbio acontece junto com o motor. E essa combinação, desse motor com o câmbio automático a Toyota ainda não tem em nenhum lugar do mundo. Esse desenvolvimento é específico, vai atender outros mercados também e estamos trabalhando nele. A celeridade em que a gente vai colocar no mercado ainda é prematuro para dizer…Mas posso garantir que o Etios terá a sua versão automática, sim, tanto o hatch como o sedan.
- E isso só vai acontecer quando a outra fábrica de motores estiver funcionando?
Resp- É uma boa suspeita (risos)
- E a versão aventureira do Etios, já está pronta?
Resp – Está nos retoques finais. Ontem (dia 24/5) discutíamos a estratégia para o lançamento. Em breve os jornalistas vão receber convites para o lançamento.
- Será só do hatch?
Resp – Sim.
- Será em agosto?
Resp – (Sorrindo) Acredito que em algum momento do segundo semestre vocês vão conhecê-lo.

Corolla Furia conceito
- E o Corolla Furia que foi revelado no Salão de Detroit, nos Estados Unidos? Causou um frisson. A próxima geração do Corolla será mais esportiva?
Resp – Vi o carro pela primeira vez antes do Salão de Detroit (janeiro 2013). Ele realmente impressionou pela agressividade e inovação. E por indicar a nova tendência de carros do segmento médio da Toyota. É óbvio que o novo Corolla vem inspirado no Furia, sem dúvida. O Furia é um conceito para indicar direções. O novo Corolla não vai ser o Furia, mas ele vem inspirado. Essa é a boa notícia. Ele se torna um carro com apelo bastante esportivo, mais jovial e tenho certeza que isso ampliará nossa base de clientes.


Vice da Toyota, Luiz Carlos Andrade, recebe troféu Premio Automotivo de Melhor Marca, do editor do AUTO, André Marinho: escolha foi dos leitores e internautas do Diário do Nordeste
- Que atrações a Toyota vai levar ao Salão de Buenos Aires, em junho?
Resp – Os jornalistas da Argentina vão conhecer o Etios, que ainda não foi lançado lá e que será exportado do Brasil para a Argentina. A India exporta o carro para a África do Sul.
- Hoje a planta de Sorocaba, que fabrica o Etios funciona em quantos turnos e com quantos funcionários?
Resp – Dois turnos e 2.300 funcionários. A capacidade total de produção possível é de 400 mil unidades por ano e nesse ano vamos decidir se aumentamos a nossa capacidade de 70 mil para 100 mil unidades do Etios por ano.
- Em relação a rede de concessionários. Vocês estão sentindo necessidade de aumenta-la por causa do Etios?
Resp – No momento inicial dissemos que não. Mas isso é uma coisa dinâmica. Hoje, olhando a dinâmica do mercado, acreditamos que existem oportunidades em mercado onde não estamos ainda e onde o número de veículos emplacados e compactos por ano justifique e onde tenhamos frota circulante da marca. Dessa forma atenderemos o principio de venda e de pós-venda. Levar a Toyota mais próximo do meu cliente que já existe.
- Hoje são quantas concessionárias?
Resp – 139
- Existe uma meta de expansão até o final do ano?
Resp – O número que estamos trabalhando seria de 170 unidades, nomeadas, não necessariamente em operação.
- Vai sair finalmente a nomeação da Newland Sobral na região norte do Ceará?
Resp – Para a região de Sobral estamos utilizando outra solução. Estamos criando o conceito de dois “S”. Não é uma concessionária plena. Mas a terminologia em inglês seria de Serviço e peças de reposição.
- O grupo Newland tem uma participação de mercado em vendas diferenciado do resto do Brasil. Chegou a ser quarta em vendas no final do ano passado. Existe a possibilidade de outra nomeação como concessionária, por exemplo em João Pessoa, Paraíba, ou outra capital do Nordeste?
Resp – As possibilidades são infinitas, principalmente para um grupo com a qualidade, o perfil e compromisso que o Grupo Newland tem com a Toyota do Brasil. Não tem lugar no território nacional que eu excluiria como capacidade de operação. Tanto é que a visão de expansão do grupo foi fora da área primária de atuação que é o Nordeste, com a nomeação de Brasília. Então, eu não excluiria essa possibilidade. Mas não tem nada certo. O mercado de João Pessoa, por exemplo, não acredito que seja factível para duas unidades Toyota.
- Essa ampliação da rede seria em grandes cidades do interior do Brasil?
Resp – Sim, porque já estamos em todas as capitais, com exceção de Boa Vista (Roraima), que é atendida por Manaus. Acredito que vai prevalecer cidades de porte médio, mas não posso adiantar ainda quais.
- A Toyota está satisfeita com o mercado do Nordeste e do Ceará?
Resp – O Nordeste é um excelente mercado. De extrema fidelidade e penetração para a marca. Em termos de crescimento, em quanto algumas cidades crescem em ritmo aritmético, outras crescem em ritmo exponencial. Por exemplo, Recife, Fortaleza, Teresina. E com isso estamos satisfeitos porque estamos muito bem representados.
- A Newland é hoje um case no grupo de concessionárias da Toyota, pela participação, número de carros vendidos e ter introduzido junto a Polícia do Estado os carros da marca?
Resp – Eu diria que sim. Sem fazer um favor a pessoa do Luis Teixeira, que é o comandante do grupo, mas todos os membros que estão aqui, pois são uma equipe. Vejo situações, como quando trouxe executivos do Japão para cá, como foi o caso do anterior engenheiro chefe da Hilux, uma pessoa super ocupada,depois de vários convites para vir, ele veio diretamente para cá. Passou um tempo aqui e um tempo em São Paulo. Mas aqui era para ele ver o mercado onde a Hilux era bem vendida e onde a marca Toyota era bem defendida e, mais do que isso, um grupo familiar defendendo a marca. Não é uma questão simplesmente mercantil…E ele ficou muito feliz com isso. Ele teve a oportunidade de conhecer e entrevistar alguns clientes. E isso foi sensacional.
- Em relação ao Prius existia uma expectativa de ser vendido por um preço menor, hoje ele é vendido a R$ 121.900. Existe alguma possibilidade junto ao governo dele ter um preço menor, com menos impostos, já que é um carro ecologicamente correto?
Resp – Estamos trabalhando incisivamente nisso junto ao Governo Federal. A Toyota já vendeu mais de 5 milhões de unidades de híbridos no mundo. Então isso não é engenharia experimental, não é uma tentativa…é uma realidade viável para o mundo de hoje. Um carro que nos atende em dois princípios: economia de combustível e baixa emissão de poluentes. Diante desse cenário, em que tentamos fazer um trabalho de informação junto ao Governo era de mostrar para eles através de nosso exemplo direto o que tinha acontecido na introdução dessa tecnologia em vários lugares do mundo. E onde essa tecnologia foi introduzida, sempre ela foi com suporte governamental, por entender o benefício social do produto.
Na opinião do sr. Que preço seria interessante para o Prius no mercado?
- Meu “target” seria R$ 90 mil. Assim mesmo seria um preço maior que um hatchback médio, mas pelo que ele entrega, a tecnologia inovadora, acho que vale o “premium” que estaria sendo cobrado em cima.
Será que já teremos a nova geração da Hilux no Salão de Buenos Aires, na Argentina, já que a picape é feita lá?
Com certeza não. Cada segmentação tem um determinado ciclo de vida. E julgamos que a Hilux e SW4 ainda estão muito bem. Não há dúvida que há um mundo competitivo hoje. E o caminho do líder é sempre ser ameaçado. E em algumas situações o caminho do líder é de cair. Não acho que seja o nosso caso. Pois esse é um mercado ao mesmo tempo emocional e racional em relação a qualidade, durabilidade e credibilidade, que é o diferencial da Toyota