
Professora Gabi e professora Bia em roda de capoeira durante a abertura do evento, no último dia 29. Foto: Luana Lima
Elas são mulheres, mães, esposas, trabalham fora e dentro de casa e ainda arrumam tempo para se dedicar ao esporte que consideram favorito: a capoeira. E para quem pensa que capoeira é “atividade de homem”, elas estão aí para provar o contrário. Com intuito de fortalecer e valorizar o movimento da mulher na capoeira foi realizado em Fortaleza, de 29 de novembro ao dia 1º de dezembro, o “Tambores de Dandara”, organizado pelas alunas do Centro Cultural Capoeira Água de Beber (Cecab). Mesmo tendo as mulheres como “linha de frente”, o evento foi aberto ao público e, inclusive, aos homens, que compareceram em grande quantidade para abrilhantar o festival.
Durante os três dias de evento – que contou com oficinas de maculelê, danças africanas, aula de consciência corporal, treinamento funcional, mesas-redondas e, claro, muita capoeira -, não faltou mandinga, disposição e muito axé. Rafael Mendes, 16 anos, do projeto social Excola, se deslocou de Cascavel para Fortaleza só para prestigiar o festival. Capoeirista há cinco anos e apaixonado declarado pelo esporte, ele elogiou a iniciativa do evento por mostrar que a mulher, assim como em uma série de outras atividades, também está presente na capoeira. Das oficinas que participou a aula da mestra Mara foi a que mais gostou. “Ela faz o alongamento na ginga, achei muito interessante”, destaca.

Momento de integração durante a oficina de danças regionais com Izaura Lila, do grupo Mira Ira. Foto: Luana Lima
Mestra Mara ministrou oficina na manhã do último sábado (1) e, no período da tarde, participou de uma roda de conversa com os participantes do evento. Em entrevista para o Belas no Esporte ela conta como a capoeira está intrinsecamente ligada com a sua história de vida. Siomara Sousa Santos, 42 anos, mais conhecida como mestra Mara, do grupo Herança Cultural, de São Paulo, pratica capoeira desde os 12 anos. Apesar de já ter realizado vários outros esportes conta que foi na capoeira onde encontrou a sua filosofia de vida. No início recorda que costumava ouvir que se tratava de uma atividade para homem e que se tornaria masculinizada. Ainda assim seguiu em frente, enfrentou todos os preconceitos em torno do esporte e do sexo até se tornar mestra de capoeira, em 2007.

O evento, realizado pelas alunas do Cecab, foi aberto também para homens, que marcaram presença em grande número. Foto: Luana Lima
Diferente de antigamente, mestra Mara afirma que percebe, nos eventos em que participa no Brasil e no exterior, que a presença da mulher hoje é muito forte. “Daqui a pouco teremos o mesmo percentual de homens e mulheres. E, diga-se de passagem, vejo mulheres praticantes de capoeira muito boas”, observa. Quem também participou do evento foi a professora Bia, do Cordão de Ouro, que ministrou aulão de maculelê aos participantes. Gabriela Santana, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realizou a oficina “Interfaces para a improvisação: investigações sobre a capoeira angola e a dança”.
A sexta-feira (30 de novembro) foi marcada pela oficina de dança afro e de consciência corporal, com Norval Cruz. Já a abertura do evento, no dia 29 de novembro, contou com o lançamento do CD Orquestra de Berimbaus Água de Beber, apresentação da Orquestra de Berimbaus e uma oficina de danças regionais, com Izaura Lila, do grupo Mira Ira. Daniele Freire, do Centro Cultural Capoeira Água de Beber e uma das organizadoras do “Tambores de Dandara” comemora o sucesso do festival e destaca a participação, sem custo, de adolescentes de projetos sociais no evento.

Depois de uma roda de capoeira com muito axé a alegria tomou conta dos participantes durante a primeira edição do Tambores de Dandara. Foto: Luana Lima
Dandara
Esposa, mãe e guerreira Dandara participou de todos os ataques e defesas da resistência de Palmares e não tinha limites para defender a liberdade e a segurança do Quilombo.