Dr. Vet: Briga de cachorro grande
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Na coluna Dr. Vet desta semana, veterinário Daniel Uchoa responde pergunta do criador Antônio Andrade sobre conflito entre cães. Confira:
“Possuo dois cães: um Husky Siberiano e outro mestiço de Doberman com Perdigueiro. Os dois não se unem, chegando ao ponto de eu mantê-los separados porque se eles se encontram, a briga é inevitável. O que devo fazer para acabar com essa indiferença entre eles, se é que tal é possível?”, pergunta o criador Antônio Andrade.
Daniel Couto Uchoa: “Este é um relato comum na convivência de cães do mesmo sexo, sejam somente machos ou fêmeas. Na maioria das vezes, alterações hormonais estão envolvidas, pois machos, por conta do hormônio sexual testosterona, tendem a ser naturalmente mais agressivos. Naturalmente, os cães vivem guardando a memória comportamental dos seus ancestrais selvagens, segundo uma hierarquia de dominantes e dominados. No convívio da casa, faz-se necessário identificar quem é o dominante e o dominado. Há cães que brigam somente quando os donos estão por perto.
Trata-se claramente de um problema de hierarquia. O problema ocorre pelo fato dos proprietários de tais cães se esforçarem sempre em tratar seus cães igualmente. A sociedade canina é composta por uma hierarquia rígida. Quando o ser humano resolve tratá-los de forma igual, os cães recebem a mensagem que seus donos não entenderam quem é o líder canino. Com isso, eles brigam constantemente na frente do dono para que este perceba quem é o líder, e o trate como tal. Outras vezes não há um tratamento igual, mas o dono privilegia o subordinado, invertendo a hierarquia. Enquanto os donos não obedecerem a hierarquia que os cães estabeleceram, as brigas na casa irão continuar. Quando cada um sabe o seu lugar dentro do grupo, dificilmente irão ocorrer brigas e, quando elas ocorrem, são normalmente passageiras e significam que um cachorro que ocupa uma posição inferior está tentando subir um degrau na hierarquia do grupo.
As causas mais comuns para as brigas são quando o líder da matilha fica muito velho ou doente, ou entre cachorros de mesmo sexo e mesmo porte que se acham capazes de desafiar um ao outro.
Se somente esta mudança de conduta não resolver, indica-se a castração. Pode- se contratar também um bom adestrador para socializar estes cães. Por vezes, é necessário separá-los definitivamente. O ideal é a sociabilização desde a infância, pois mesmo após a castração, o comportamento agressivo de cães já adultos pode continuar.
Daniel Couto Uchoa
Médico veterinário e professor da Faculdade de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará. Esta coluna é uma parceria com a Favet-Uece. Dúvidas sobre animais devem ser enviadas para o anavaleria@diariodonordeste.com.br ou (85) 3266.9790, ou ainda para o blog Bem-Estar Pet
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