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Tag: zoonose


08:24 · 23.05.2018 / atualizado às 08:24 · 23.05.2018 por

A superpopulação de animais em estado de abandono na Capital cearense é um dos mais graves problemas ambientais. Principalmente gatos e cães são jogados em praças, parques, mercados, cemitérios, escolas e campi de universidades. A Coordenadoria de Proteção e Bem-Estar Animal de Fortaleza (Coepa), tendo à frente Toinha Rocha, está consolidando o cadastro de pontos de abandonos na Capital, que só aumentam. A médica veterinária Rosania Ramalho, que também integra a Coepa, aponta que são mais de 50 pontos, mas praticamente toda a cidade tem animais em estado de abandono.

Um dos locais que mais acumula especialmente gatos abandonados são os centros das Universidades Federal do Ceará (UFC), Estadual do Ceará (Uece) e de Fortaleza (Unifor). Como o Poder Público não dá conta, sozinho, de solucionar o grave problema, a sociedade civil se organiza para tentar amenizar a problemática. São grupos de protetores independentes ou ONGs que se mobilizam da melhor forma possível para buscar ações de controle dessa população de seres vivos.

No Centro de Humanidades 1 (CH1), da UFC, no Benfica, um dos grupos mais organizados é a União Felina Consciente (UFC). Integrada por servidores e professores do CH1, a entidade cuida de cerca de 30 gatos que foram jogados no campus por pessoas irresponsáveis. Estas pessoas não se dão conta de que animal em estado de abandono é um problema que fere normas do Bem-Estar Animal, pois os bichos ficam vulneráveis a todo tipo de sofrimento e maus-tratos, e também um problema ambiental de saúde pública, pois eles podem tornar-se vetores de zoonoses que vitimam os próprios seres humanos.

Vale destacar que pesquisas científicas já comprovam que os animais, principalmente os mamíferos, são seres sencientes, ou seja, têm a capacidade de sentir dor e sofrer. O pior medo que os animais domesticados podem sentir é o medo do abandono. Nas ruas, eles ficam vulneráveis a todo tipo de sofrimento, tais como atropelamentos, torturas, fome, sede, doenças diversas.

Um das integrantes da União Felina Consciente, Roxeane Teles Martins, farmacêutica-bioquímica e também servidora da Universidade Federal do Ceará, diz que o grupo de voluntários faz cota com os próprios recursos para viabilizar a compra de ração, medicamentos e custear despesas com médicos veterinários e principalmente com a castração dos bichanos para evitar o aumento de gatos no CH1. Uma vez castrados, vacinados e vermifugados, os bichanos são colocados para adoção responsável, pelas redes sociais do grupo.

Nos campi da UFC exitem alguns grupos de voluntários que realizam ações de proteção e bem-estar animal. Para financiar o trabalho, eles realizam eventos como bazar de objetos diversos, com renda revertida para as atividades. Os grupos União Felina Consciente e Setes Vidas, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, estão, no momento, pedindo a doação de objetos para realização de um grande bazar. A renda será destinada à castração dos animais do Campus do Pici.

11:39 · 27.10.2016 / atualizado às 12:47 · 27.10.2016 por

Vetmovel 14708180_1506588299358307_2980021782201320253_nA partir das 13 horas de hoje, 27, no Parque Ecológico Rio Branco, começam as primeiras castrações de cães e gatos por meio do Vetmóvel. Este serviço veterinário itinerante da Prefeitura de Fortaleza será inaugurado em solenidade logo mais às 14 horas, no mesmo parque.

Os animais foram selecionados no próprio logradouro, pelo trabalho de proteção animal feito por alguns voluntários como a protetora Renata Machado, segundo explica a coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses de Fortaleza (CCZ), Rosania Ramalho.

Os serviços do Vetmóvel são totalmente gratuitos e os animais devem ser previamente selecionados pelos veterinários do CCZ e protetores voluntários cadastrados.

Rosania diz que o Vetmóvel atua pela união de quatro Secretarias Municipais: Saúde (SMS), Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), Conservação e Serviços Públicos e Autarquia de Urbanismo e Paisagismo. O CCZ é ligado à SMS e estará diariamente na promoção dos serviços veterinários itinerantes do Vetmóvel.

Veterinários Henrique Teles e Alice Gonçalves e a coordenadora do CCZ, Rosania Ramalho
Veterinários Henrique Teles, Alice Gonçalves e a coordenadora do CCZ, Rosania Ramalho

“O Vetmóvel vai atuar de forma itinerante nos bairros de Fortaleza, priorizando os animais assistidos pelas ONGs ou que estão em pontos de abandono como polos, parques e praças da Capital. Os serviços são castração, consultas veterinárias, exames para diagnóstico da leishmaniose, educação ambiental e saúde pública”, destaca Rosania.

“É um sonho realizado e que teve início com o projeto de lei da vereadora Toinha Rocha. Daí a Prefeitura de Fortaleza abraçou a causa e absorveu esse projeto. Desde 2014 começamos o processo para tornar realidade esta política”.

A consultora técnica do Núcleo de Biodiversidade da Coordenadoria de Politicas Ambientais da Seuma, Soni Sales, destaca a união das Secretarias Municipais para viabilizar o Vetmóvel, que vai, segundo aponta, dinamizar a política de proteção e bem-estar animal na Capital cearense.

Área interna do Vetmóvel, com o veterinário Henrique Teles nos preparativos para início das castrações
Área interna do Vetmóvel, com o veterinário Henrique Teles nos preparativos para início das castrações

“Resulta do trabalho do Poder Público em parceria com o Grupo de Trabalho de Proteção e Bem-Estar Animal do Município”, afirma ela. O GT é integrado pelo Poder Público, ONGs, protetores independentes e parlamentares.

Também estará sendo realizado hoje no Parque Rio Branco trabalho de sensibilização dos moradores para a posse responsável de animais e educação ambiental.

MAIS INFORMAÇÕES: Inauguração do Vetmóvel, hoje, 14h, no Parque Ecológico Rio Branco, Av. Pontes Vieira, entre ruas Visconde do Rio Branco e Capitão Gustavo (entrada pela Av. Pontes Vieira). Telefones Seuma (85) 3105.1317/ CCZ (85) 3105.1026

 

 

14:17 · 13.05.2013 / atualizado às 14:17 · 13.05.2013 por
Luciana Aquino, Deise e os jegues socorridos no abrigo
Luciana Aquino, Deise e os jegues socorridos no abrigo

A protetora de animais Deise, que mantém abrigo por conta própria em Maracanaú (já noticiado neste blog) está passando por grandes dificuldades. Técnicos da Vigilância Sanitária do Município e do Centro de Controle de Zoonose (CCZ) estiveram lá e exigiram uma série de melhoramentos. Caso contrário, o abrigo será fechado e os animais sacrificados, se não aparecer alguém para adotá-los. A amiga Luciana Aquino, da ONG Abrace – Uma Causa Animal, me trouxe novas informações da difícil situação da Daise.  Ela precisa de cimento, cerâmicas, tintas e demais materiais de contrução para poder fazer os melhoramentos. Isto sem falar nas necessidades diárias de ração e medicamentos que os cães, gatos e jumentos estão precisando também.

Luciana, Deise e um dos cachorros socorridos no abrigo
Luciana, Deise e um dos cachorros socorridos no abrigo

A Deise é uma pessoa simples, mas de coração gigante. Não tem fonte de renda certa. Depende de doações. Mesmo assim, decidiu construir um abrigo e, atualmente, dá proteção para 70 cães, 10 gatos, três jegues (sendo dois adultos e um filhote) e mais uma cabra. Mantém o abrigo desde o ano passado.

O abrigo precisa fazer melhoramentos. Caso contrário, será fechado pela Vigilância Sanitária de Maracanaú
O abrigo precisa fazer melhoramentos. Caso contrário, será fechado pela Vigilância Sanitária de Maracanaú

Ela faz todo o trabalho sozinha, não tem nenhum ajudante no dia a dia. Disse que decidiu criar o abrigo porque os animais viviam dentro da sua  casa, que se tornou pequena para a quantidade de bichos abandonados. Também quis dar mais conforto para eles.

Cachorro do agrigo que está apto para adoção
Cachorro do agrigo que está apto para adoção

Atualmente, os animais precisam de ração, medicamentos e  um pátio com piso de cimento para melhorar as condições de estadia. Por dia, os cães consomem 25 quilos de ração. Já para os gatos, são três quilos diários.  Quanto à saúde dos bichinhos, Deise diz que precisa urgentemente de vacinas.

Jumento socorrido no abrigo precisa urgente de um veterinário
Jumento socorrido no abrigo precisa urgente de um veterinário

Há um jumento doente e que precisa urgente de um veterinário. Por favor, amigos dos animais, quem puder dar uma força para a Deise, será muito bom! O fone dela é (85) 87655565. O fone  da Luciana é (85) 9629.5525 ou pelo email luciannaaquino@gmail.com

06:55 · 12.03.2013 / atualizado às 06:55 · 12.03.2013 por

De quem é a responsab ilidade pelos animais abandonados nas ruas? Este debate é abordado na reportagem que o colaborador Roberto Crispim escreveu, para a Página de Bem-Estar Animal, publicada toda terça-feira no Caderno Regional do Diário do Nordeste. Confiram:

caes cratoCrato. Mesmo sem números oficiais, uma vez que diversos municípios do Ceará não realizam o Censo Animal, estima-se que haja cerca de 10 mil animais domésticos (cães e gatos), perambulando pelas ruas e avenidas dos 28 municípios que formam a macrorregião do Cariri. A estimativa revela a falta de políticas públicas desenvolvidas pelas gestões municipais, em desobediência a legislações ambientais pertinentes ao assunto.
A Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), prevê em seu Art. 32: “praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos; pena – detenção de três meses a um ano , e multa”. A pena deste artigo, aumenta de 1/6 a 1/3 no parágrafo 1º, se o animal vier a morrer. A pena de multa está regulamentada pelo Decreto Federal nº 6.514, de 22 de julho de 2008, que no Art. 29, estabelece uma multa de R$ 500,00 a R$ 3.000,00, com acréscimo de R$ 300,00 por indivíduo (animal).
No Cariri, apenas o município do Crato detém local para acomodação de animais recolhidos. Há o Centro de Zoonoses do Cariri, responsável pelo acompanhamento de casos de abandono registrados em toda a região. “Falta boa vontade por parte das gestões públicas. Os prefeitos, secretários municipais e, até mesmo, algumas entidades protetoras, encaminham as demandas para cá, como se apenas nós da Zoonose tivéssemos obrigação no trato desses animais”, desabafa o diretor do órgão, Ricardo Pierre.
gatos cratoSegundo ele, somente na última semana o Centro de Zoonoses recebeu cerca de 20 ligações telefônicas, oriundas de municípios da região, solicitando o recolhimento de animais errantes. “Aqui chegam cerca de 30 animais por semana. Só na semana passada foram ligações de Nova Olinda, Várzea Alegre, Caririaçu, Milagres e Penaforte, solicitando captura de animais. É impossível atender a todos os municípios”, avalia.

Ricardo Pierre é veterinário e diretor do Centro de Zoonose do Cariri
Ricardo Pierre é veterinário e diretor do Centro de Zoonose do Cariri

Para o veterinário a questão não é financeira. “Não faltam recursos. Falta interesse”, afirma. Para o profissional, qualquer município poderia contar com postos de recolhimento e de proteção a animais vítimas de abandono. “Qualquer prefeito pode muito bem buscar, junto a Fundação Nacional de Saúde, recursos para a construção de canis e gatis. No próprio endereço eletrônico do órgão é possível verificar projetos para tal finalidade, inclusive com projeção para a densidade demográfica de cada município”, informa.
Ele observa, ainda, que no caso dos municípios onde não há cumprimento à legislação, prefeitos podem vir a ser punidos. “A lei estabelece o cuidado destes animais também aos municípios. Qualquer gestor municipal que estiver descumprindo o que a lei determina pode sim responder judicialmente pelo não cumprimento à legislação”.
Para a presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), em Fortaleza, Geuza Leitão, os proprietários de animais domésticos também precisam dividir, junto com as gestões municipais, a responsabilidade de melhor cuidar de seus animais. Embora admita que a política de proteção animal não venha sendo cumprida pelas prefeituras, ela avalia que a quantidade de animais abandonados também é fruto da falta de responsabilidade de criadores.
“A Lei, no papel, é muito bonita. Na prática é difícil de ser observada. Claro que os municípios deveriam cumprir a legislação e estabelecer mecanismos de guarita aos animais abandonados. Porém, é bom lembrar que estes animais que circulam pelas ruas e avenidas das cidades, muitas vezes, são fruto do abandono de seus verdadeiros guardadores”, observa.
Na sua avaliação, muitos proprietários de animais desconhecem as normas da posse responsável. “Animal não é brinquedo. É um ser que precisa de carinho, zelo, proteção, amor e cuidado. Porém, muitos proprietários adquirem seus cães e gatos como se estes fossem utensílios que, após um determinado período, podem ser descartados”, avalia.
Geuza, que já chegou a ter em sua casa cerca de 100 animais, entre cães e gatos, adverte que uma das soluções para a diminuição do abandono é o controle de natalidade. “Se os criadores realizarem a castração em seus animais, claro que o número de cães e gatos abandonados vai diminuir”. Ela, no entanto, reconhece que o valor do procedimento é inacessível para famílias de baixa renda.

Angélica Donato, voluntária da Aprov
Angélica Donato, voluntária da Aprov

Para Angélica Donato, voluntária da Associação de Proteção à Vida (Aprov), do Crato, governos municipais e criadores precisam assumir a responsabilidade no bem-estar dos animais vítimas do abandono. “Não há como diminuir o número de animais vitimados pelo abandono sem que aja a participação do criador e, também, dos gestores públicos”, salienta.
Segundo ela, a Aprov possui hoje cerca de 50 animais, recolhidos em sua sede, vítimas do abandono e da ausência de políticas públicas das gestões municipais. “Já chegamos a cuidar de um número maior de animais. Graças às campanhas de adoção, realizadas pela entidade, e a boa vontade de algumas pessoas, reduzimos este número. No entanto, a cada dia percebe-se o aumento de animais vitimados e que passam a perambular pelas ruas do Crato e cidades vizinhas, devido a pouca responsabilidade de proprietários e gestões”, severou.
Eutanásia somente após laudo laboratorial
Após reunião com entidades de proteção animal, Secretaria de Meio Ambiente do município do Crato e profissionais veterinários, a direção do Centro de Zoonoses do Cariri decidiu não mais receber animais domésticos, oriundos de outros municípios, que não estejam acompanhados de laudo laboratorial confirmando doenças terminais ou leishmaniose visceral, também conhecida como calazar. Conforme o diretor da unidade, Ricardo Pierre, a decisão visa fazer com que prefeitos municipais atentem para a necessidade da criação de canis/gatis nas sedes dos municípios da região, diminuindo o número crescente de animais recolhidos pelo órgão local.
“O Centro de Zoonoses não é matadouro. Aqui nós cuidados de questões de saúde pública. Também não possuímos condições de infraestrutura suficiente para atender a todos os municípios da região que, insistentemente, deixam de cumprir a legislação e nos solicitam o recolhimento de seus animais”, frisou.

Geuza Leitão, presidente da UIPA
Geuza Leitão, presidente da UIPA

Segundo ele, além dos prefeitos e secretários de saúde dos municípios vizinhos, populares também deixam seus animais no local, esperando que o órgão destine tratamento aos animais. “Semanalmente recebemos cerca de 30 cães e 50 gatos. Não há condição de acomodação. Se esperam que tratemos do assunto realizando eutanásias de forma discriminada estão muito enganados”, severou o médico veterinário.
Atualmente, apenas cães e gatos com comprovação laboratorial para doenças terminais e leishmaniose são encaminhados à eutanásia. “Somente após a verificação laboratorial é que há autorização para o procedimento”, informa o diretor. Segundo ele, a decisão em não receber animais de outros municípios que não detenham de doenças comprovadas dá-se pela falta de infraestrutura para acomodação dos animais. “O Centro precisa de uma reforma imediata. Não há espaço para atender a todos os municípios. Quase não conseguimos atender ao município do Crato”, diz.
O veterinário promete levar a situação ao conhecimento da Microregional de Saúde e ao Ministério Público local. “Vamos provocar os órgãos competentes para que os municípios vizinhos cumpram a legislação e para que o Centro de Zoonoses não seja sacrificado”. Ricardo Pierre informou, ainda, que nos casos que demandam a realização da eutanásia, o procedimento é realizado sem que haja sofrimento ao animal. “Nenhum animal passa pela eutanásia sem que antes seja ministrada a anestesia. Somente após verificação da eficácia do anestésico é que ministramos o cloreto de potássio”, garantiu.
Os procedimentos são realizados as sextas-feiras, pela manhã, e acompanhados por representantes de entidades protetoras dos animais, com sede no município.

Mais informações: Centro de Zoonoses do Cariri, (88) 3521-2698
Associação de Proteção à Vida (Aprov)  (88) 8845.3542
União Internacional Protetora dos Animais (UIPA),  Geuza Leitão,  (85) 3261-3330

07:48 · 18.09.2012 / atualizado às 07:48 · 18.09.2012 por

Consultas médicas, vacina antirrábica e exame do calazar são os serviços que podem ser feitos a custo zero

Na unidade do CCZ, o serviço é em horário comercial diariamente Foto: Alcides Freire

Fortaleza. Criadores de animais domésticos podem dispor, diariamente, de consultas veterinárias gratuitas nas unidades de saúde das Secretarias Regionais da Capital. O serviço ainda é desconhecido por boa parte da população, mas, em algumas regionais, o atendimento acontece de segunda-feira a domingo, inclusive nos feriados.

Além das consultas veterinárias, os cães e gatos podem dispor das vacinas antirrábicas e exames para verificação da leishmaniose (calazar). De acordo com a responsável técnica pelo setor da raiva no Centro de Controle de Zoonose, veterinária Camila Capitani, no caso do posto do CCZ, as principais demandas se referem às doenças virais como cinomose e erlichiose ( doença do carrapato), mas também às enfermidades de peles.

O atendimento público não cobre os exames laboratoriais. Em caso de necessidade, o criador é orientado a procurar o laboratório do hospital da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal do Ceará (Favet-Uece), no Campus do Itaperi, onde o procedimento é de baixo custo.

Segundo Camila, a maioria dos proprietários de animais que procuram a gratuidade é de baixa renda e não tem condições de pagar pelo tratamento. O posto do CCZ é um dos mais estruturados para o serviço. Ela diz que cerca de 50% das pessoas que chegam ao local querem abandonar o cão ou o gato. No entanto, os veterinários também promovem um trabalho de conscientização para a guarda responsável, e conseguem fazer com que o dono permaneça com o animal.

Doações

Empresas como a Avipec e voluntários protetores de animais doam medicamentos à unidade, que são repassados para o tratamento dos cães e gatos das pessoas de baixa renda.

O número de atendimentos é crescente. Em agosto, o posto do CCZ atendeu 454 cães e 59 gatos, números superiores aos de julho, quando foram registrados 325 cães e 39 gatos. De acordo com a Assessoria de Imprensa da Regional II, nas seis regionais, o número mensal de atendimento chega a 3.476. Há coleta de sangue para exame de calazar, vacina antirrábica e consultas.

Os postos da Regional II também estão entre os de referência no serviço gratuito da Capital. O Centro de Saúde Paulo Marcelo, no Centro, é um deles. O veterinário Neilson Rolim diz que as principais demandas se referem à vacinação antirrábica, às doenças de pelo e às decorrentes de ectoparasitas como pulgas e carrapatos. “Muitos proprietários também pedem orientação sobre nutrição para animais obesos”, afirma ele.

Nesta unidade, são três veterinários, sendo dois durante a semana, e um para os atendimentos nos sábados e domingos. A média de atendimento no fim de semana é maior do que na semana, com 70 consultas para cerca de 40 registradas de segunda até sexta. No posto, verifica-se uma demanda inferior à capacidade de atendimento, segundo avaliam os técnicos.

Para os atendimentos, no entanto, é importante o proprietário do animal se informar antes sobre os horários e dias de funcionamento das unidades (ver quadro abaixo). Há regionais onde o serviço gratuito é apenas para vacinas antirrábicas e coleta de sangue para exame do calazar. Não há veterinários e os atendimentos são feitos por agentes de zoonoses.

O controle do calazar tem alta demanda nas unidades. Segundo o coordenador do programa de combate à leishmaniose da Prefeitura de Fortaleza, Sérgio Franco, a Capital tem a média de 238 casos da doença por ano em seres humanos, com dez óbitos anuais, e 6 mil registros positivos em animais, também a cada ano em média.

No CCZ, o exame pode ser feito de segunda a domingo, inclusive nos feriados em horário comercial. Em 2011, foram realizados 113.527 exames, com positividade em 5.024 casos. Somente no primeiro semestre deste ano, foram feitos 58.161 exames, com 1.618 casos positivos.

Mais informações:

Centro de Zoonose de Fortaleza
Rua Betel, 2980
Maraponga
Telefones: (85) 31317849/ 31317848/ 3467.6112
VALÉRIA FEITOSA
EDITORA

07:11 · 03.07.2012 / atualizado às 07:11 · 03.07.2012 por

“Posse responsável de bichos exige ações de longo prazo” é a reportagem da Página de Bem-Estar Animal, publicada toda terça-feira no Caderno Regional do Diário do Nordeste. Confiram o debate sobre o problema crescente de animais nas ruas. O que fazer?

Os gatos são maioria entre os animais abandonados nas ruas FOTO: Thiago Gaspar

Fortaleza. As recentes mudanças anunciadas para o Parque do Coco, na Capital, inclusive com restrições à presença de animais domésticos naquela área verde, reacende um debate nas médias e grandes cidades: o que fazer com o crescente abandono de animais nas ruas e como educar os proprietários de cães e gatos para a posse responsável. O Bem-Estar Animal ouviu alguns profissionais que vivem de perto o problema e todos foram unânimes. Não existe solução a curto prazo. Somente a médio e longo prazos são possíveis mudanças, que implicam no comprometimento dos poderes públicos e da sociedade civil organizada.
Na próxima sexta-feira, por solicitação da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Ceará realizará audiência pública para debater a proibição de cães e gatos no Parque do Coco. Na avaliação da presidente da Uipa, advogada Geuza Leitão, a decisão é “um flagrante desrespeito às leis de proteção aos animais”. Ela cita a Lei de Crimes Ambientais, 9.605/98, que, em seu artigo 32, prevê detenção de três meses a um ano e multa para quem “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”; bem como o decreto 6.514/2008, que regulamenta a referida lei e especifica, em seu artigo 29, multa de R$ 500,00 a R$ 3 mil por indivíduo animal, para quem praticar o crime de maus-tratos aos bichos.

Geuza Leitão é presidente da Uipa

Para Geuza, é comum entre os proprietários de animais a posse irresponsável. As práticas mais comuns, segundo observa, são os donos de cães que passeiam pelas ruas e praças da cidade e não recolhem as fezes dos animais, e aqueles que abandonam filhotes, principalmente de gatos, nas praças e parques. “Eles jogam os filhotes na calada da noite e não há nenhuma punição”, denuncia ela, apontando que uma solução contra isto deveria ser, por parte do poder público, o incentivo à castração dos animais. Há 22 anos a Uipa promove a esterilização de animais a baixo custo para donos sem condições financeiras de pagar uma clínica particular. A média é de 40 animais por mês, sendo a grande maioria gatos. Assim como a Uipa, outras entidades protetoras de animais também realizam campanhas de castração. Mesmo assim, o problema de bichos abandonados nas ruas só aumenta.
Para a professora da Faculdade de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará (Favet-Uece), Adriana Wanderley, também integrante de duas ONGs de Proteção Animal, o Grupo de Apoio ao Bem-Estar Animal (Gaba) e a União Internacional Protetora dos Animais (Uipa), a solução só virá em médio e longo prazos e com forte participação do poder público. Ela avalia que a Lei de Crimes Ambientais é insuficiente para responder às infrações contra animais domésticos. As próprias Delegacias de Polícia, segundo aponta, não estão preparadas para receber denúncias dessa natureza.
“As delegacias não estão preparadas para acolher as denúncias de maus-tratos, tais como o crime de abandonar animais nas ruas. É necessário o poder público pensar em estratégias sistematizadas para o problema. Aproveitar o ano eleitoral para que os candidatos, algum deles, encampem a bandeira da proteção animal. São necessárias ações de maior âmbito. O proprietário do animal não está conscientizado de suas responsabilidades. Não se sente responsável, desde ações simples, tais como apanhar as fezes do cão na rua, até mais complexas como continuar com os animais até o fim da sua vida, sem abandoná-los. O poder público, por meio dos prefeitos, governadores, vereadores e deputados, precisam dar respostas à sociedade, com legislação específica”, defende ela.
Adriana Wanderley prefere usar o termo guarda responsável, ao invés de posse, como forma da sociedade passar a ver o animal não como um “objeto”, mas como o ser vivo que merece ter direitos ao bem-estar. “Criar um animal, não é para quer, é para quem pode”, afirma, se referindo não só ao amor que deve existir na relação ser humano-animal, mas às responsabilidades para manter um cão ou um gato. A guarda responsável representa custos com alimentação, consultas veterinárias, vacinação, vermifugação e castração, caso não seja um criador profissional.
A diretora do Centro de Controle de Zoonoses de Fortaleza (CCZ), Evaniza Ventura, também acredita que somente a longo prazo uma cidade pode encontrar solução em proveito da posse responsável de animais. “É necessário um trabalho educativo mais intenso junto aos criadores. A castração é um começo, mas com impacto no longo prazo”, avalia.
O Centro de Zoonoses não captura mais animais abandonados nas ruas desde 2008. Agora, o trabalho só é feito a partir da demanda da sociedade. Os animais com calazar ou com doenças incuráveis são eutanasiados, conforme explica a diretora. No mês de maio, foram eutanasiados 1.020 bichos, entre cães e gatos, nas situações de recolhidos pelo CCZ, doados pelos donos por estarem doentes e positivos para o calazar.
Desde 2010, está na Secretaria de Saúde do Município um projeto, elaborado em parceria com a Uipa e com a Favet-Uece, para castração de 50 animais por mês, de famílias de baixa renda. No entanto, até agora, não há previsão para início do trabalho.