Os cinemas começam a sentir, a partir desta das estréias desta sexta feira, um efeito especial chamado Oscar. Confira só os filmes em estréia neste dia 27: Os Descendentes, de Alexander Payne, Histórias Cruzadas, de Tate Taylor, J. Edgar, de Clint Eastwood, e Millenium – os homens que não amavam as mulheres, de David Fincher. Tem ainda, de lambuja, as pré-estréias de A Separação, de Asghar Farhadi, e do relançamento do mágico A Bela e a Fera , agora adaptado falso 3D

Trata-se, inegavelmente, de uma semana atípica. Todos os filmes em lançamento, sem exceção, são simplesmente de ótimos a excelentes. Anote que Histórias Cruzadas será, em dezembro, eleito um dos 10 melhores do ano. Recorde-se: quando este filme estreou nos EUA chamei a atenção para o sucesso que ele estava fazendo junto ao público, especialmente feminino. Ele estreou dia 14 de agosto do ano passado e ainda está em cartaz, mesmo disponível em DVD e BluRay. É uma obra emocionante que tem por base o romance The Help, da estadunidense Kathryn Stockett, ambientado numa cidadezinha do Mississipi em 1962.
Veja o trailer de Histórias Cruzadas.
O livro está sendo lançado aqui pela Bertrand Brasil com o título de A Resposta. O enredo tem como personagem central uma jovem branca de 23 anos, Eugenia Skeeter Pheelan (Emma Stone, a Kayla de Amizade Colorida), uma garota independente que retorna à sua cidade natal com o intuito de se tornar jornalista. Mas, a sua relação com duas mulheres, Aibileen (Viola Davis) e Minny (Octavia Spencer), acaba lhe dando a idéia de descrever em um romance as histórias delas de décadas de dedicação ao trabalho nas casas de famílias brancas como empregadas domésticas. Uma das questões humanas abordadas no filme, e que acaba alvo de profunda reflexão no espectador, é a relação entre elas e as filhas das patroas. Mas, o que vale mesmo no filme é como expressa a realidade dessas mulheres em um mundo que não é o seu e no qual não podem sequer utilizar os banheiros das casas. Amanhã, sábado, postarei aqui uma crítica do filme, a qual estará prioritariamente nas páginas do Caderno 3 do Diário do Nordeste. Aqui no blog estará ampliada.

Outro filme a visitar as entranhas das famílias estadunidenses é Os Descendentes. Para situá-lo como uma das principais criações do cinema estadunidense nos últimos anos, vale uma consideração prioritária para o seu realizador, Alexander Payne. Você viu ou se lembra dos filmes que ele fez? São 4: Ruth em Questão (1996), com Laura Dern, trata do aborto; A Eleição (1999), com Reese Witherspoon, sua grande criação até então, abordou a ânsia de poder através de uma eleição para o grêmio de uma escola do ensino médio; As Confissões de Schmidt (2002), com Jack Nicholson no papel de um aposentado que descobre que não fez quase nada de útil em sua existência; e Sideways – entre umas e outras (2004), a sua obra maior, com Paul Giamatti e Thomas Hadden Church como dois homens de meia-idade que entre estradas e vinhos tentam encontrar suas identidades. Os Descendentes é uma prova da versatilidade de Payne, que aqui aborda a família a partir de outro tema forte, a traição. Payne, ao contrário de outros cineastas, tem a preferência pela abordagem da família tendo os maridos como personagens centrais. Quanto à história, é lamentável que o trailer entregue uma das suas surpresas, fundamental para a análise da introspecção do personagem e no efeito que causa na platéia. Na minha sugestão, não veja o trailer – e, por esta recomendação, não o postarei. Veja o filme e vamos conversar sobre ele durante a semana, ok?

A versão que David Fincher fez do romance Millenium – os homens que não amavam as mulheres, do jornalista sueco Stierg Larsson, é um dos filmes mais aguardados da temporada. Há uma curiosidade geral principalmente porque a adaptação cinematográfica feita em 1999 pelo sueco Niels Arden Opley, com Naomi Rapace, foi um fenômeno de público em toda a Europa – aqui, foi exibido pelo Cinema de Arte com igual sucesso de público e as suas continuações serão lançadas durante este ano. Como será a versão de Fincher? Melhor? Inferior?
Confira o trailer de Millenium – os homens que não amavam as mulheres, de David Fincher.
A versão de Fincher, muito bem recebida pela crítica e o público estadunidense, foi eleita como uma das melhores películas do ano passado. O enredo gira em torno de um jornalista em desgraça (Daniel Craig) que investiga o desaparecimento da sobrinha de um milionário ocorrido há 40 anos e é ajudado por uma jovem hacker, Lisbeth Salander (Rooney Mara). O que eles não sabem que é o caso mexe com muita gente poderosa. Rooney Mara não foi a escolha que satisfez, inicialmente, a Fincher, que testou dezenas de atrizes, algumas famosas (Scarlett Johansson, entre elas) e as reprovou. E Mara acabou se saindo melhor do que o cineasta esperava, ganhando indicações como uma das melhores atrizes do ano. Querem saber? Uma versão estadunidense tão boa quanto a sueca.

Eis outro filme ansiosamente aguardado: J. Edgar. É a história de John Edgar Hoover (1985-1972), o homem que foi o chefe do FBI (Federation Bureau of Investigação, a Polícia Federal de lá) durante 48 anos e era anti-comunista ferrenho. Sua ascensão ao poder começou em 1919, demonstrando trabalho e competência ao investigar estrangeiros suspeitos de transgressões e, em 1923, tornou-se assistente do chefe do FBI e no ano seguinte sentou-se na cadeira dele, para sair de lá apenas para o túmulo. Durante quase 50 anos serviu a 8 presidentes e quase 20 secretários de justiça. Ele era, literalmente, uma fera.
Veja o trailer de J. Edgar.
Hoover combateu os grandes gangsters da época da Depressão e da Lei Seca, atuou na caça às bruxas do senador Eugene McCarthy, na IIª Guerra caçou comunistas e espiões e nos anos 60 se utilizou de escutas ilegais para espionar intelectuais, atores, atrizes, escritores e até congressistas, além de mover implacável perseguição aos líderes dos movimentos negros. Combatido pela imprensa e pela sociedade, era um homem terrível… e poderoso. Ninguém tinha coragem de mexer com ele porque presidentes e procuradores da justiça sabiam que ele sabia demais. Sua morte foi um alívio para muita gente. O escritor Robert Ludlum escreveu um livro que detalha a morte dele como um assassinato muito bem executado. Mas Hoover tinha, além dos segredos dos outros, os seus próprios. Para alguns historiadores, ele era homossexual – o que naquela época poderia ser um escândalo. Mas sua vida continua sendo misteriosa e Clint Eastwood procura dar luz sobre esses segredos. Leonardo Di Caprio vive Hoover, em grande parte do filme envelhecido por uma maquiagem contestada por muita gente.

Duas ótimas pré-estréias: o drama iraniano A Separação, de Asghar Farhadi, e a animação A Bela e a Fera 3D. O primeiro, terá exibição única, amanhã, sábado, 28, às 22h, no Espaço Unibanco Dragão do Mar. A exibição é no processo digital. A Bela a Fera 3D no Multiplex UCI Ribeiro, sábado e domingo, meio dia.
Confira o trailer de A Separação.