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NOSSAS AMÉRICAS NOSSOS CINEMAS – Balanço geral

Publicado em 25/05/2012 - 19:22 por | Comentar

Categorias: 21º CINE CEARÁ, Geral

O blog de cinema está cobrindo o que se passa no fórum de cinema Nossas Américas Nossos Cinemas, que acontece na cidade de Sobral até o dia 26 de maio. Na missão de correspondente irei cobrir e contar tudo o que está em discussão e em exibição no Festival, o qual conta com a presença de alguns dos mais importantes cineastas e produtores do cinema brasileiro e da cinematografia latinoamericana

Por só ter chegado ontem pela manhã em Sobral, acabei perdendo os eventos mais notáveis do primeiro dia – a cerimônia de abertura do encontro, a homenagem à cineasta e atriz bahiana Helena Ignez e a exibição do longa Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra. O segundo dia do encontro começou com cerca de 30 minutos de atraso. O palestrante do dia, Eryk Rocha, o realizador de Transeunte, que veio em uma van comigo e com o cineasta equatoriano Kuyllur Saywa, só pôde chegar ao Teatro São João às 09h25 devido ao atraso no tempo de viagem.

Eryk, que apresenta nesta sexta seu premiado Transeunte, eleito o melhor filme nacional exibido no ano passado, abriu o segundo dia do encontro ao lado do escritor e cineasta Geraldo Sarno em uma palestra sobre a sua formação, influências e sobretudo, a sua maneira de entender a linguagem cinematográfica. A palestra se deu em um tom de associação livre, Geraldo Sarno provocava e Erik respondia.

Eryk formou-se em cinema e televisão em 1999 pela escola de San Antonio de los Baños em Havana, e teve sua estreia no cinema em 2002 com o documentário Rocha que voa (inspirado na vida de seu pai, Glauber Rocha). O cineasta disse que o seu interesse inicial pelo cinema foi pela montagem, inspirado pelo cineasta soviético Serguei Eisenstein (1898-1948). Eryk relatou, também, a influência de sua formação em Havana como montador para o processo de construção de Rocha que voa, “o filme foi uma descoberta”, segundo ele, pois o roteiro foi construído na sala de edição.

Em Rocha que voa, o jovem cineasta afirmou ter usado película vencida para rodar as cenas gravadas nas ruas de Havana. No final das contas, disse ele, a escolha pela película vencida (fatalmente mais barata) foi perfeita, pois era um filme nostálgico com uma textura que se aproximava daquelas aproveitadas nos arquivos documentais exibidos no filme. Ainda falando da montagem do filme, ele comentou o uso de câmeras digitais para gravar certas cenas direto da televisão onde eram exibidas as imagens documentais! Um puro artifício metalinguístico que funcionou perfeitamente na estética do filme.

A voz do anonimato sempre inspirou Eryk, desde Rocha que voa, onde nas ruas de Havana ele reconstrói o cinema de seu pai a partir do discurso imaginário dos cidadãos comuns, ou segundo ele, dos transeuntes. Os dois filmes que se seguiram a Rocha que voa também utilizam-se dessas vozes anonimas e delirantes, Intervalo Clandestino e Pachamama desconstroem o cenário político brasileiro e latino americano através desse mosaico de sujeitos, imersos em seu contexto social.

Intervalo Clandestino surgiu da necessidade de fazer um retrato do cenário político brasileiro pelo próprio povo brasileiro – “eu não queria fazer um filme político institucionalizado, queria estabelecer um diálogo com o povo”, disse -, após a reeleição do ex presidente Luis Inácio Lula da Silva. Para tal, Eryk entrevistou cariocas de todas as zonas da capital fluminense. Intervalo Clandestino é para Eryk a segunda parte de uma trilogia que só viria a se encerrar em Pachamama.

Pachamama foi um filme concebido ao acaso. O documentário foi realizado com apenas Eryk e sua câmera durante uma viagem de 14.000 km pela América Latina. O cineasta fazia ali, pela primeira fez, um filme sem uma equipe de cinema. A sua equipe, se é que pode-se dizer assim, era um grupo de historiadores e cientistas políticos a quem ele acompanhou durante a viagem.

Eryk Rocha, realizador de ROCHA QUE VOA e TRANSEUNTE

Pachamama foi rodado no Brasil, Peru e Bolívia. Mais do que nunca ficou evidente o talento do cineasta em montar um filme, pois o roteiro simplesmente inexistia, e, mais ainda do que Rocha que voa, foi um filme descoberto e criado na sala de edição.

A esse ponto do debate, Eryk fala da importância das novas tecnologias digitais como dispositivos técnicos para a linguagem cinematográfica. ”A tecnologia em si é obsoleta, ela tem de ser incorporada na sensibilidade do artista para que seja devidamente aproveitada”, afirma. Aqui ele sustenta a ideia de câmera corpo, “a câmera é como uma máscara, uma extensão do órgão humano”, ora, não seria possível ter gravado Pachamama sem o uso da tecnologia digital ou da câmera agregada ao corpo, o que se vê cena após cena no documentário não é nada mais do que o conjunto de sentimentos e ideias de Eryk no momento em que as filmou.

EnDocXXI

Antes do fim do debate, Eryk ressaltou – a partir da provocação de Geraldo Sarno – a importância de Transeunte como um marco na sua carreira. Aquelas vozes anônimas ouvidas em consonância documental nos seus três primeiros filmes agora subvertem-se em uma só voz ficcional, a voz do transeunte. A passagem do plural para o individual, do documental para a ficção não representa uma perca do sentido político de Eryk, como ele mesmo disse, citando um dos cineastas entrevistados em Rocha que voa, “um filme pode até não mudar o mundo, mas temos que continuar a fazê-los com a intensão de mudá-lo”.

Após à palestra de Rocha subiram ao palco do Teatro São João os documentaristas Humberto Ríos (Argentina), Saudhi Batalla (México) e Tito Amejeira (Argentina) para a mesa de debate intitulada EnDocXXI. Na mesa foi debatida a importância do documentário como instrumento político e militante em confronto à massificação da manipulação midiática, além de estabelecerem a história do documentário na América Latina, narrada apaixonantemente pela voz calma de Humberto Ríos.

Em seguida, subiram ao palco do teatro os realizadores Iván Sanginés (Bolívia), Marta Rodríguez (Colômbia), David Hernández Palmar (Venezuela), Kuyllur Saywa (Equador) e Mónica Charole (Argentina) para a mesa de debate sobre o tema Cinema dos povos originários, onde foi posta em pauta a produção cinematográfica indígena pela ótica dos próprios realizadores indígenas. O tema deu pano para manga no debate entre os realizadores, de violência e desapropriação dos povos indígenas até a técnica utilizada pelos índios cineastas, foram desmistificados vários preconceitos que se tinha em relação a esse tipo de cinema. Entre os vários mitos quebrados, os realizadores deixaram claro que o cinema indígena não é só documental, e sim, há cinema de ficção realizado por índios. O cinema indígeno, segundo Iván Sanginés, é político, e não estético; plural, e não individual.

O debate sobre o cinema dos povos originários deixou claro que a contribuição artística do povo indígena vai para além das músicas e danças. Os realizadores ainda divulgaram o  XI Festival Cine y Video Indigena 2012 que acontecerá em Bogotá de 23 a 30 de setembro e em Medellín de 03 a 06 de outubro.

Pela tarde houve mais mesas de debate temática na Escola de Música de Sobral, além de oficinas de criação de roteiro e direção de arte. Também houveram exibições de curtas nas mostras Grande Caribe, Santiago Álvarez e Curta o Ceará.

Ainda hoje, acontecerá a exibição do longa Hamaca Paraguaya de Paz Encima (Paraguai) e a homenagem à documentarista Marta Rodríguez à viúva de Santiago Álvarez: Lázara Herrera.

Minhas impressões a respeito do filme e da homenagem serão publicadas logo mais.

Conheça o trailer de Hamaca Paraguaya.

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CINE CEARÁ-2011 – a consagração de Petrus Cariry

Publicado em 16/06/2011 - 7:55 por | 1 Comentário

Categorias: 21º CINE CEARÁ

Termina o Ceará Cine e com a vitória do cinema cearense. Mãe e Filha, de Petrus Cariry, conquistou 5 dos 9 prêmios, incluindo o de melhor filme. O Coro, do paranaense Werner Schumann, recebeu 2 troféus, enquanto as premiações menores foram distribuídas entre produções de Argentina, Cuba e Espanha

Melhor filme, roteiro (Petrus Cariry, Rosemberg Cariry e Firmino Holanda), som (Petrus e Érico Paiva), Prêmio da Crítica e Prêmio BNB de Melhor Produção de Temática Nordestina. Estes foram as categorias do Troféu Mucuripe conquistadas por Mãe e Filha, o segundo filme dirigido por Petrus Cariry, que há dois anos se consagrara com o excelente O Grão.

O Coro ficou o Troféu Mucuripe de melhor direção, entregue para o seu realizador, Werner Schumann, conquistando também o de melhor fotografia (Felipe Meneghel, excelente, em preto e branco). Bicicleta, Colher, Maçã (Espanha) ficou com o Troféu Mucuripe de melhor montagem, Bilhete Para o Paraíso (Cuba), com o melhor ator (Héctor Medina); e Língua Materna (Argentina) com o de melhor atriz (Claudia Lapacó).

A premiação representa a consagração do jovem Petrus Cariry. Com apenas 2 trabalhos, já se insere entre os mais importantes cineastas da País. Como já escrevi antes, tenho maior predileção por O Grão, mas Mãe e Filha, igualmente, tem seus méritos – e a premiação aponta justamente isso. Fico feliz com a premiação, obtida pelo filme, a qual reconhece o talento de Petrus e o coloca com um realizador maduro, cujo estilo de fazer cinema se firma como uma marca. Que o filme obtenha, agora, nos cinemas, a sua consagração junto ao grande público que, no último domingo, 12, no Cine Ceará, o aplaudiu entusiasticamente, indicando que o queria vencedor do Festival.

Confira todos os vencedores

Melhor Filme
MÃE E FILHA
, de Petrus cariry

Melhor Direção
Werner Schumnann, O CORO

Prêmio da Crítica
MÃE E FILHA

Melhor Roteiro
Petrus, Rosemberg cariry e Firmino Holanda, MÃE FILHA

Melhor Ator
Hector Medina, BILHETE PARA O PARAÌSO

Melhor Atriz
Cláudia Lapacó, LÍNGUA MATERNA

Melhor Som
MÃE E FILHA

Veja o treiler de Mãe e Filha.

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Premiação de Curta-Metragem

Melhor Curta e Prêmio da Crítica
O CÉU DO ANDAR DE BAIXO
, de Leonardo Cata Preta

Melhor Direção
MEU MEDO
, de Murilo Hauser

Melhor Roteiro
COM A MOSCA AZUL
, de Rodolfo Barreto

Melhor Produção Cearense
LEITE DE COCO
, de Allan Deberton

Cineasta homenageada: Estela Bravo, dos EUA.

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CINE CEARÁ – curtas e longas-metragens em competição

Publicado em 08/06/2011 - 18:39 por | Comentar

Categorias: 21º CINE CEARÁ

Das 9 produções de longas-metragens em competição, 3 são brasileiras: O Coro, do paranaense Werner Schumann, o qual será apresentado na noite de abertura do Festival, nesta quarta; Homens com Cheiro de Flor, de Joe Pimentel, e Mãe e Filha, o novo trabalho de Petrus Cariry. Filmes da Espanha, Colômbia, Argentina e México estão, também, em competição. O melhor longa escolhido pelo Júri receberá o Troféu Mucuripe e mais dez mil dólares. O troféu também será entregue aos vencedores nas categorias de melhor direção, ator, atriz, roteiro, fotografia, montagem, direção de arte, som e trilha sonora original

Conheça os Curtas e Longas-metragens concorrentes ao Troféu Mucuripe.
Local: Theatro José de Alencar

Dia 9 – 19h – Curtas-Metragens
A CASA DAS HORAS
(CE, 2010, ficção), de Heraldo Cavalcanti. 19 minutos.
O CÉU NO ANDAR DE BAIXO (MG, 2010, animação), de Leonardo Cata Preta. 15 minutos.
FÁBULAS DAS 3 AVÓS (SP, 2010, ficção), de Daniel Turini. 17 minutos.
PEGADAS DE ZILA (RJ, 2010, experimental), de Valério Fonseca. 11 minutos.
COM A MOSCA AZUL (SP, 2010, ficção), de César Netto. 15 minutos.

20h30 – Longa-Metragem
BILHETE PARA O PARAÍSO (Boleto ao Paraíso, Cuba, 2010, ficção), de Gerardo Chijona. Com Miriel Cejas, Héctor Medina, Dunia Matos e Saray Vargas. Enredo – Cuba, 1933. O encontro entre uma adolescente, Eunice, a qual foge do assédio sexual de seu pai, e Alejandro, jovem roqueiro que rouba uma farmácia e, na companhia de amigos, parte para Havana. Mas a viagem os marcará para sempre. 113 minutos.

Conheça o treiler de Bilhete Para o Paraíso.

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Dia 10 – 19h – Curtas-metragens
MEU MEDO
(PR, 2010, animação), de Maurilo hauser. 11 minutos.
O PLANTADOR DE QUIABOS (SP, 2011, ficção), trabalho coletivo Santa Madeira. 15 minutos.
DOCE DE COCO (RJ, 2010, ficção), de Allan Deberton. 20 minutos.
ENGOLE LOGO ESSA JACA ENTÃO (RJ, 2010, animação), de Marão, Thiago Mal, Guilherme Coutinho, Alex Antunes, Soldado, 1berto Rodrigues, Diego Akel e André Duarte. 6 minutos.
UM CONTO Á DERIVA (RS, 2010, ficção), de Germano Oliveira. 15 minutos.

20h – Longa-Metragem
OS ÚLTIMOS CANGACEIROS
(Ceará, 2011, documentário), de Wolney Oliveira. Enredo – Integrantes do banco de cangaceiros liderado Lampião e Maria Bonita, Moreno e Durvinha sobreviveram ao massacre e deram continuidade às suas vidas com nomes fictícios e nunca revelaram suas verdadeiras identidades nem aos filhos. Mas, ao chegar aos 95 anos, Moreno resolve reunir a família e dividir com ela as suas memórias. E apela aos aparentes para encontrar o primeiro filho. 79 minutos.

Dia 11 – 18h30 – Curtas-Metragens
O ACASO E A BORBOLETA
(PR, 2010, animação), de Tiago Américo e Fernanda Correa. 4 minutos.
JULIE, AGOSTO, SETEMBRO (GO, 2010, ficção), de Jarleo Barbosa. 8 minutos.

21h – Longas-metragens
ASSALTO AO CINEMA
(México, 2011, ficção), de Iria Gomez Cocheiro. Com Gabino Rodriguez, Juan Pablo de Santiago, Ángel Sosa e Paulina Avalos. Enredo – Colônia de Guerreiro. Moradores da colônia habitacional do lugar, Negus, Chale, Sapo e Chata são 4 adolescentes amigos desde a infância, desocupados da escola e da vida, planejam roubar um cinema. A amizade que os une estará em jogo.

Veja o treiler

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TODOS OS SEUS MORTOS (Todos tus muertos, Colômbia, 2011), de Carlos Moreno, com Alvaro Rodriguez, Jorge Herrera, Martha Marquez e Harold Devastein. Enredo – Ao preparar um campo para plantação de milho, Salvador, um camponês simples, encontra dezenas de cadáveres sob a terra. Ao contatar as autoridades, tarde demais ele percebe que comete um grave erro. 88 minutos.

Confira o treiler de Todos os Seus Mortos.

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Dia 12 – Sábado – 18h30 – Longas-Metragens
MÃE E FILHA
(Brasil-CE, 2011), de Petrus Cariry, com Zezita Mattos e Juliana Carvalho. Enredo – O encontro de mãe e filha no sertão entre ruínas e lembranças amargas de um passado o qual ainda as aprisiona em conflitos. 80 minutos. Petrus tem uma obra belíssima em sua filmografia, O Grão, e tenho grandes expectativas deste seu novo trabalho. 80 minutos.

Veja o treiler.

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PÁSSAROS DE PAPEL (Pájaros de Papel,  Espanha, 122’, 2010), de Emilio Aragon, com Imanol Arias, Lluis Homar, Roger Princep e Carmen Macchi. Enredo – Guerra Civil espanhola. Jorge del Pino, músico, Enrique Corgo, betríloquo, Rocio Moliner, cantora, Miguel, garoto órfão, formam uma galeria de figuras perdidas reunidas em um grupo de artistas de vaudeville. O regime ditatorial desconfia de todos os artistas como revolucionários. E eles estão na mira. Este é um filme emocionante, uma crítica contudente à ditadura franquista.

Conheça o treilerde Pássaros de Papel.

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Dia 13 – 19 – Longas-Metragens
LÍNGUA MATERNA
(Argentina, 2010), de Lilliana Paolinelli, com Anka Lapacó, Virginia Innocenti, Cláudia Cantero e Maria Santucho. Enredo – Ao descobrir que a sua filha Ruth, de 40 anos, que passa por um momento difícil, é lésbica, Estella, sua mãe, busca conhecer esse mundo desconhecido e suas regras a fim de encontrar uma forma de aceitação, mas Ruth vê essa curiosidade como uma invasão à sua privacidade. 78 minutos.

Veja o treiler.

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HOMENS COM CHEIRO DE FLOR (Brasil-CE, 2011), de Joe Pimentel, com Aury Porto, Joelson Medeiros, Dérnick Lopes, ZéCarlos Machado e Simone Iliescu. Enredo – As trajetórias de 3 pistoleiros de aluguel: Deodato, que planeja deixar o ofício; Zé Galego, que ao matar um animal de uma fazendo acaba se envolvendo com a mundo da pistolagem, e Custódio, que abandona a polícia para se tornar um matador. 90 minutos.

Dia 14 – 19h – Mostra Especial Cel. U. Cine

20h30 – Longa-Metragem
BICICLETA, COLHER, MAÇÃ
(Bicicleta, Cullera, Poma, Espanha, 2010), de Carlos Bosch. Enredo – No outuno de 2007, Pasqual Maragall recebeu o diagnóstico de estar com o mal de Alzheimer. Aceitando o impacto e o apoio da família, ele aceita que o cineasta Carlos Bosch acompanhe e registre o seu drama cotidiano de tratamento da doença ao lado dos médicos, amigos e familiares. O filme revela os 2 anos em que Maragli se colocou em uma pesquisa para a cura da enfermidade. 110 minutos.

Dia 15 – 19h – Premiação

21h30 – Longa-Metragem de encerramento
NA QUADRADA DAS ÁGUAS PERDIDAS
(Brasil, 2011), de Wagner Miranda e Marcos Carvalho, com Mateus Nachtergaele. 74 minutos.

Homenagens
No Theatro José de Alencar, diariamente, entre os curtas-metragens e os longas em competição, serão entregues o Troféu Eusélio Oliveira – para Nicette Bruno, Giulia Gam, Daniel de Oliveira, Sílvia Buarque, Eduardo Coutinho, Estella Bravo e Ovídeo Gonzalez Hernandez.

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O CORO – Cada um com a sua expiação

Publicado em 08/06/2011 - 16:53 por | Comentar

Categorias: 21º CINE CEARÁ

 

O Coro, notável obra do cineasta paranaense Werner Schumann, que abre, hoje, o 21º Cine Ceará, explora a dor e o sofrimento humanos em uma narrativa lenta, reflexiva e de poucos diálogos, tendo a ausência de cor como detalhe de um mundo de expiação no qual a arte é a única tábua de conciliação

Em O Coro, Werner Schumann (nada a ver Werner Schuneman, o intérprete central de Netto Perde a Sua Alma, de 2001, e mais conhecido como o ator global) busca penetrar no interior da alma de seus personagens. O que ele encontra é uma solidão monumental, que os engole, aflige, atormenta e, ainda assim, deixa-os viver. A existência desses personagens, expressada em uma narrativa extremamente lenta, de longos planos fixos, com apenas um plano-sequência no interior de um hospital e uma tímida panorâmica em uma hora e meia de duração, é marcada pelos tempos mortos e ângulos wellessianos da câmera, como uma cama vista do teto do apartamento, uma escada vista de cima em outra, caminhadas solitárias pelas ruas, entre outras. Uma solidão que dimensiona a crise existencial em cada um num filme em preto e branco.

Expresso desta forma como se compõe O Coro, o cinéfilo pode ser levado a entender se tratar de um filme ruim e inacessível. Não se trata disso. Trata-se, na verdade, de uma obra notável em sua estrutura e na condição de realmente colocar na tela uma visão do diretor sobre a existência humana – ou a de seus personagens e a sociedade na qual se inserem. Não se trata, ainda, de um filme para o grande público, mas destinado a uma platéia de cinéfilos e iniciados capaz de perceber as suas intenções e de seu realizador. Talvez, por isso, não tenha sido o filme apropriado para abrir um festival que mira no grande público, o seu alvo. Quem não for do ramo, vai deixar o lugar vazio no Theatro José de Alencar.

Para uma maior identificação, colocamos O Coro em um conjunto formado por O Grão, a delicada obra-prima de Petrus Cariry, e o experimentalismo ousado de Estrada Para Ythaca, de Guto Parente, Pedro Diógenes e os irmãos Luiz e Ricardo Pretti, só para citar dois filmes recentes. Ou seja, um conjunto de obras notáveis por oferecer opções e experiências com a linguagem cinematográfica.

No início, Werner apresenta seus personagens: Antônia, à janela do seu apartamento, fuma compulsivamente; Paulo (Emanuel Martinez), o maestro, fixa-se de frente para o mar; Francisca Pinheiro (Célia Ribeiro) chega a um apartamento, sobe uma escada com sua pesada maleta, para em frente a uma janela, senta-se à cama de frente para ela. O último a ser apresentado é Salomão Benner (Paulo Barato), o tenor, em sua primeira das muitas e vãs tentativas para falar, via telefone, com um tal de Beckett. Os quatro personagens centrais de Werner destilam uma amargura sem fim: a mulher solitária, Antônia traz as marcas de uma infância opressiva por parte da mãe; Paulo vive a angústia do momento da chegada da morte para a sua mãe; a silenciosa e retraída Francisca Pinheiro não consegue falar com as colegas de trabalho e nem entregar seu corpo ao sexo; e Salomão Benner continua vivenciando o silêncio daquele o qual procura contato.

Apesar de todos convergirem para a formação de uma orquestra, Schumann  evoca a incomunicabilidade, tema tão caro de Michelangelo Antonioni e, também, Bergman. A reboque, a ausência de felicidade. Em todo o filme não há um único sorriso dos personagens. Tampouco prazer, exceção, talvez na obtenção do sexo pago pela angustiada e esquizofrênica Antônia, interpretada com implacável densidade dramática por Sílvia Monteiro, que também é professora do curso de teatro da PUC do Paraná.

A felicidade e o prazer parecem existir apenas nos cigarros fumados, no sonho momentâneo de dançar carinhosamente com um estranho, em não ceder ao contato com outras pessoas, em contemplar o tempo pelas janelas, e por aí vai. O que sobra a esses personagens mudos na dor e no sofrer é o silêncio, nos tempos mortos que escorre durante as suas faltas de ações para com a existência.

Outros dois aspectos chamam a atenção: a recorrência ao candomblé como tentativa de expurgação do “mal” por parte de Antônia e a exposição da sociedade como um mundo de expiação – que é, por sinal, uma das afirmativas da doutrina espírita. Os personagens sofredores completam o cenário desse mundo em preto e branco, no qual somente a arte, no caso a música, surge como o único instrumento a restá-los e a mantê-los vivos. O tom solene é Beethoven, cuja música perpassa pelo filme como um alívio ao martírio.

Ao contrário da orquestra, que necessita de tempo para afinar como um todo, a existência não dá tempo para ensaiar.  Em O Coro, notável obra de Werner Schumann, o mundo individualista rui ao silêncio e ao preto e branco de uma epidemia de solidão.

Mais informações

O Coro (Brasil-Reino Unido, 2010). Direção de Werner Schumann. Com Sílvia Monteiro, Emanuel Martinez, Paulo Barato e Célia Ribeiro. Teatro José de Alencar, hoje, 20h30. 90 minutos. 

Confira o treiler.

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Começa o 21º Cine Ceará

Publicado em 08/06/2011 - 15:58 por | 1 Comentário

Categorias: 21º CINE CEARÁ

Começa nesta quarta feira, 9, e fica em cartaz no telão do Theatro José de Alencar até o dia 15, a 21ª edição do Cine Ceará, o Festival Íbero-Americano de Cinema, que apresentará 9 longas-metragens em disputa do Troféu Mucuripe. A partir de agora o Festival deixa de ser restrito à Fortaleza e será apresentado, de quinta feira, 9, e até o dia 16, na cidade de Juazeiro do Norte

O Festival tem, neste ano, algumas novidades. A primeira, o palco da exibições, que sai do Cine São Luiz, agora em poder da Secretaria de Cultura do Estado, e se hospeda no igualmente histórico Theatro de José de Alencar. A segunda, adotar uma sub-sede, Juazeiro do Norte, aproveitando o fato histórico daquele município da região do Cariri estar comemorando 100 anos de emancipação política, conquistada por meio do trabalho social, religioso e político levado a cabo pelo padre Cícero Romão Batista (1844–1934). Daí, a apropriada  escolha do tema deste ano, Religião e Religiosidade no Cinema. As exibições ocorrerão no Memorial Padre Cícero e no Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri. Perfeito.

O Festival também terá, afinada à programação, mostras paralelas e especiais, seminários e oficinas. Mais de 100 filmes em película, digital e vídeos íbero-americanos estarão em exibição, além de promover homenagens a profissionais renomados em âmbito nacional e internacional.

Mostra Competitiva

Das 9 produções de longas-metragens em competição, 3 são brasileiras: O Coro (2010), do paranaense Werner Schumann, o qual será apresentado na noite de abertura do Festival, nesta quarta; Homens com Cheiro de Flor (2011), de Joe Pimentel (foto acima), e Mãe e Filha (2011),  o novo trabalho de Petrus Cariry. Filmes da Espanha, Colômbia, Argentina e México estão, também, em competição. O melhor longa escolhido pelo Júri receberá o Troféu Mucuripe e mais dez mil dólares. O troféu também será entregus aos vencedores nas categorias de melhor direção, ator, atriz, roteiro, fotografia, montagem, direção de arte, som e trilha sonora original.

Fora de competição 
Em exibição especial, o público pode conferir as primeiras exibições de Os Últimos Cangaceiros (foto acima), primeiro documentário longo de Wolney Oliveira, e Na Quadrada dasd Águas Perdidas, de Wagner Miranda e Marcos Carvalho, com Matheus Nachtergaele, o qual encerrá o Festival, no dia 15.

Curtas em competição
Foram recebidos 309 filmes para inscrição, mas a comissão de seleção só pode acolher 12 títulos: 2 do Ceará, Rio de Janeiro e Paraná, 3 de São Paulo e um do Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. O Troféu Mucuripe será ofertado aos vencedores nas categorias de melhor curta, direção, roteiro, Produção Cearense e Prêmio da Crítica.

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