O espião mais famoso da literatura britânica e do cinema completa 50 anos de vida nas telonas. ) 23º James Bond chega aos cinemas amanhã com a esperança de realmente renovar a franquia e manter o herói em plena forma por mais 50 anos. Saiba mais sobre o legado de James Bond para a cultura e sobre 007 – Operação Skyfall

O espião britânico James Bond que trabalha em missões secretas a serviço da Rainha é uma criação literária do escritor Ian Fleming , ex-funcionária da Inteligência Naval Britânica e que particpou de montagen de operações de espionagem durante a 2ª Guerra Mundial. Se antes não era conhecido, passou a ser reconhecido depois das adaptações cinematográficas. Usando sempre a Guerra Fria como plano de fundo para a maioria de suas histórias, Ian Fleming criou um estilo de narrativa rico em detalhes e descrições sutis. Mas o que ajudou a transformar Bond, um homem sempre muito elegante, pacato e sedutor, em um ícone, até hoje, foram os longa metragens que imortalizaram os carros, as armas e até os ternos do mais famoso espião.
Saiba um pouco mais da influência do espião 007 em vários aspectos da cultura mundial
PRIMEIRO FILME
Em 1962 estreava o filme 007 Contra o Satânico Dr. No (Dr. No) nos cinemas do mundo inteiro e o que era para ser uma simples adaptação de um dos livros homônimos de Ian Fleming, se tornou um marco para o gênero espionagem no cinema mundial. Bastou um filme para que bordões, cenários e até peças de roupas imortalizassem James Bond no imaginário do público internacional, afinal, por causa desse primeiro filme, todo o púbico sabe que a bebida preferia do espião é “vodka-martini, batido e não mexido”, ou ainda porque até hoje todos os outros James Bond de lá para cá usam a frase: “Meu nome é Bond… James Bond”; não é a toa que alguns consideram Sean Connery, quem primeiro interpretou Bond no cinema, como o melhor 007, ou, como o verdadeiro 007.

Banner de 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO
ATORES
Um ponto que sempre gera boas discussões entre os fãs da saga é a preferência entre os atores que acabam com a pergunta “Quem foi o melhor James Bond?”. Sean Connery é quase uma unanimidade entre aqueles que admiram os livros de Ian Fleming, antes de tudo, ele foi o primeiro 007 no cinema, e por mais que se mudem as épocas e os contextos sociais dos filmes sucessores, ele sempre o padrão a ser seguido. Connery iniciou-se como James Bond em 007 Contra o Satânico Dr. No (1962) e só foi deixar o personagem pela primeira vez em 1967, no filme Com 007 Só se Vive Duas Vezes. Em seguida quem assumiu o personagem foi George Lazenby, uma até então modelo australiano que não tinha experiência como ator, e essa falta de experiência foi vista na recepção da crítica e do público do único filme que fez 007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade. Connery então volta para mais um filme, 007 – Os Diamantes São Eternos (1971).

A década de 70 viu seu James Bond ser interpretado por Roger Moore, que também fez bastante sucesso entre o público, começou seu trabalho como James Bond em Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973) e o deixou em 007 Na Mira Dos Assassinos (1985), 12 anos depois de sua estreia. Foi Moore que veio ao Brasil em 1978 para gravar 007 contra o Foguete da Morte no Rio de Janeiro. Timothy Dalton fez dois filmes como Bond, Pierce Brosnan fez sucesso na década de 90 em quatro filmes, e Daniel Craig estreia nessa semana seu terceiro filme.
BOND GIRLS
Exemplos de sensualidade e coragem, as destemidas ajudantes de James Bond receberam e ainda recebem o nome de Bond Girls pelo público. A cada missão, James Bond ganha uma, ou mais de uma, ajudante diferente. E nos filmes elas já foram interpretadas pelas mais diferentes atrizes das mais diferentes nacionalidades, que sempre têm um ponto em comum: acabam por se envolver com o charmoso Bond.

CASINO ROYALE (1967)
Um caso polêmico e curioso envolvendo o personagem de Fleming foi a produção do filme Casino Royale (1967), dirigido por vários cineastas e com atores de peso como Orson Welles, David Niven, Peter Sellers, Woody Allen e Ursula Andress. Casino Royale é o primeiro romance de Fleming com o espião de número 007 e um dos seus mais conhecidos, vendo o crescente sucesso dos filmes do espião, uma diferente equipe de produção decide fazer uma comédia parodiando os filmes de ação. Porém não respeitaram padrões e contratos, e usaram os mesmos nomes e, as ideias do livro sem pensar nos direitos autorais. A crítica não recebeu muito bem o filme nem entendeu para que tinha sido feito, se era para ser levado a sério ou se era apenas uma sátira sem nexo. A comédia ficou conhecida pelo seu escândalo e por seu fracasso.
MÚSICA
A música tema dos filmes de 007 também é um símbolo da popularidade dos filmes.Escrita por Monty Norman e executada pela primeira vez pela Orquestra John Barry em 1962 para o primeiro filme, até hoje ela é escutada em versões adaptadas nas trilhas sonoras dos filmes que seguiram o de 1962.
Ouça a canção conhecida como James Bond Theme
Os filmes do espião 007 ficaram concorreram a um total de 7 Oscars e ganharam 2, e maioria dessas indicações foram na categoria Melhor Canção Original, foram elas “Live and Let Die” de Paul McCartney, “Nobody Does It Better”, de Carly Simon, “For Your Eyes Only”, de Sheena Easton. E levando em conta Casino Royale como um filme de James Bond, mesmo não autorizado e não-oficial, a canção “The Look of Love” de Burt Bacharach também concorreu a um Oscar.
A música do novo filme é interpretada pela cantora Adele e se chamará “Let the Sky Fall”. Confira a canção
INFLUÊNCIA CULTURAL
Durante as cinco décadas que vem fazendo sucesso, 007 influenciou a criação de séries de TV, de outros filmes e obras literárias. Os exemplos mais conhecidos são o seriado de televisão Agente 86 dos anos 60, que em 2008 ganhou uma versão cinematográfica com Steve Carell e Anne Hathaway, onde um espião atrapalhado recebe sempre grandes missões e acaba conseguindo se sair bem sucedido com ajuda da sorte e de seus apetrechos com várias utilidades, referência direta aos filmes de Bond. Outra sátira bastante conhecida é o personagem Derek Flint, um espião mulherengo que se assemelha em tudo a James Bond, o personagem está presente em quadrinhos e em dois livros que tiveram versões cinematográficas homônimas, uma de 1966 chamada Our Man Flint e outra de 1967 intitulada In Like Flint, onde James Coburn era o protagonista Flint.

O ator Don Adams como o agente 86 Maxwell Smart; e Derek Flint em uma de suas árduas missões
Satirizando além de James Bond, como também Derek Flint, o agente libidinoso Austin Powers é uma criação do comediante e protagonista Mike Myers que rendeu três filmes sob a direção de Jay Roach. E mais recentemente, os últimos ganhadores do Oscar Michel Hazanavicius e Jean Dujardin estiveram na produção de dois filmes onde o protagonista é o agente 117 (Jean Dujardin). O personagem OSS 117 existe na literatura francesa desde a década de 50, onde ele atua mais como uma mistura de detetive e espião, e na década de 60, aproveitando o sucesso dos filmes de Bond, ganhou 7 adaptações cinematográficas francesas. As paródias de Hazanavicius assumem mais uma postura 007, são também comédias e cheios de referências a Bond, a suas namoradas e até suas poses. O primeiro filme Agente 117 – Uma Aventura no Cairo estreou em 2006, e o segundo Agente 117 – Rio Não Responde Mais estreou em 2009 e teve filmagens em vários lugares do Brasil.

Beyoncé e Mike Myers em AUSTIN POWERS EM O HOMEM DO MEMBRO DE OURO, e Jean Dujardin em cena de AGENTE 117 – RIO NÃO RESPONDE MAIS
MODA
Pode parecer inusitado, mas James Bond também influência bastante a maneira de vestir com elegância das diferentes décadas em que seus filmes foram lançados. Os carros, os relógios, as gravatas e os ternos de Bond foram, e ainda são, exemplos de elegância e sutileza das vestimentas masculinas. Diz-se que 007 foi um dos percussores na venda de peças de roupas oriundas de um filme, fato comumente visto hoje. Quanto para as mulheres, os altos penteados – principalmente nos anos 60 – , os vestidos e os biquínis das Bond Girls tomavam conta do imaginário feminino mundo à fora. Pensando nisso, o Barbican Centre, de Londres, também aproveitando os 50 anos do espião no cinema, criou uma exposição chamada , Designing 007: Fifty Years of Bond Style que traça a importância da moda e do design nos 22 filmes oficiais de James Bond lançados até agora.

Foto da exposição ‘Designing 007: Fifty Years of Bond Style’
“Acho que este é um aspecto às vezes menosprezado e a exposição ressalta como foram influentes o estilo de Bond e o design ao longo das décadas“, disse Neil McConnon, da divisão de artes da Barbican International Enterprises, ao Estadão. Neil trabalhou com os curadores Bronwyn Cosgrave e a figurinista ganhadora do Oscar Lindy Hemming. A exposição viajará o mundo nos próximos três anos.