Eu tinha uma grande expectativa da premiação dos melhores filmes do cinema europeu, o European Film Awards, da presente temporada, especialmente porque Melancolia era o filme como mais indicações, 8 ao todo, incluindo ao de melhor filme. A minha pergunta era: até que ponto a surpreendente revelação de seu diretor, o dinamarquês Lars Von Trier, de que era simpatizante do nazismo, iria afetar a sua obra e a sua carreira? E agora pela manhã, recebo newsletter do jornal estadunidense The Wrap, informando que o filme foi eleito, ontem, sábado, 3, o melhor da temporada. Quais as lições que podemos tirar dessa premiação? Os 2.500 membros da premiação deram uma grande lição democracia ao mundo do cinema ao desprezar as frases polêmicas do realizador e se centrar no filme como criação cinematográfica, elegendo-o como a produção fílmica do continente em 2011. E entendo que esse também deve ser a atitude a ser tomada pela crítica, já que aí se avizinha a escolha dos melhores filmes da temporada. Não se gera o preconceito, o qual é inconcebível, e aceitam-se os deslizes, os quais fazem parte do ser humano e que servem de aprendizado e progresso pessoal. Lars falou besteira, mas seu filme anda tem a ver com ela. O European Film Awards é o Oscar do cinema europeu

Fechando o assunto, Melancolia recebeu, além do troféu de melhor filme europeu, outros 3 prêmios: melhor fotografia, para Manuel Alberto Claro, e desenho de produção, Jette Lehmann. Melancolia derrotou o francês O Artista, de Michel Hazanavicius, o belga O Garota da Bicicleta, de Luc e Jean-Pierre Dardenne, o inglês O Discurso do Rei, de Tom Hooper, e o finlandês O Porto, de Aki Kaurismaki. Todos foram adquiridos para exibição no Brasil e o drama belga já está em exibição no País, adquirido pela Imovision.
Anote como curiosidade, os eleitos pelo European Film Awards nos anos anteriores: O Escritor Fantasma (Inglaterra), de Roman Polansky, em 2010; A Rosa Branca (Alemanha), de Michael Haneke, em 2009; 4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias (Romênia), de Christian Mungiu; e A Vida dos Outros (Alemanha), de Florian Henckel Donnersmarc, em 2006.

O Discurso do Rei não ficou sem nada: ganhou os prêmios de Melhor Montagem e do Público. Tilda Swinton (foto acima), que perdeu em Cannes o prêmio de melhor atriz para Kirsten Dunst em Melancolia, foi a eleita na categoria pela atuação no drama anglo-estadunidense Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk about Kevin), de Lynne Ramsey.
A cineasta dinamarquesa Suzanne Bier, cujos filmes trata da intolerância e do preconceito, foi eleita a melhor diretora pelo seu contundente e vigoroso Em Um Mundo Melhor, assim como Melancolia, exibido aqui em Fortaleza pelo Cinema de Arte. Em Cannes, seu filme já tinha provocado grande impacto. Outra curiosidade: vários dos premiados concorrem ao Oscar de Filme Estrangeiro, como O Artista, considerado um dos favoritos, ficou o prêmio de melhor trilha sonora, para Ludovic Bource; e o curta de animação anglo-espanhol Chico & Rita.
Confira os vencedores do European Film Awards 2011.
Melhor Filme
• MELANCOLIA (Melancholia, Dinamarca-Suécia-França e Alemanha), de Lars Von Trier
Melhor Diretor
• Suzanne Bier, por EM UM MUNDO MELHOR (Heavenen, Dinamarca-Alemanha)
Melhor Ator
• Colin Firth, O DISCURSO DO REI (The King’s Spreech, Inglaterra), de Tom Hooper
Melhor Atriz
• Tilda Swinton, por Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk about Kevin, Inglaterra-EUA), de Lynne Ramsey
Melhor Roteiro
• Luc e Jean-Pierre Dardenne, por O GAROTO DA BICICLETA (Le Gamin ao Velo, Bélgica-França)
Melhor Fotografia (Prêmio Carlo Di Palma)
• Manuel Alberto Claro, por MELANCOLIA
Melhor Desenho de Produção
• Jette Lehmann, por MELANCOLIA
Melhor Montagem
• Tariq Anwar, por O DISCURSO DO REI
Melhor Compositor
• Ludovic Bource, por O ARTISTA (The Artist, França), de Michel Hazanavicius
Melhor Descoberta Europeia
• ADEM (Bélgica-Holanda), de Hans van Nuffel
Melhor Documentário
• PINA (Alemanha), de Wim Wenders
Melhor Animação
• CHICO & RITA (Espanha-Inglaterra), de Tono Errando, Javier Mariscal & Fernando Trueba
Curta-Metragem
• THE WHOLLY FAMILY (Itália), de Terry Gilliam
Prêmio Europeu de Co-Produção/Eurimages
• Mariela Besuievsky, produtora e atriz (Espanha)
Conquista Européia do Cinema Mundial
• Madds Mikkelsen, ator (Dinamarca)
Prêmio Honorário
• Michel Piccoli, ator (França)
Choise Award 2011
• O DISCURSO DO REI (Inglaterra).