Há um detalhe na 69ª premiação do Globo de Ouro para a qual ninguém ainda se deu conta: a presença do cinema estrangeiro nos EUA. E, melhor ainda, ganhando os principais prêmios, tanto das diversas associações da indústria cinematográfica quanto da imprensa estadunidense e estrageira e até dos críticos. E, isso não é apenas histórico. Representa uma profunda mudança nas relações comerciais dos países, expondo uma forma mais democrática do mercado cinematográfico em escala mundial. E justamente por acompanhar esse processom em desenvolvimento e que pude visualizar uma premiação com o hollywwodiano independente Os Descendentes, de Alexander Payne, francês O Artista, de Michel Hazanavicius, e o iraniano A Separação, de Asghar Rarhadi, os quais ganharam consecutivamente, na noite deste domingo, 15, os Globo de Ouro de melhor filme/drama, melhor filme/musical ou comédia, e de melhor filme estrangeiro. Sobre esse tema voltaremos ao assunto, oportunamente

A distribuição dos prêmios pela Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood me parece muito justa. Vamos a uma rápida análise. Estes foram os filmes que mais conquistaram prêmios nas eleições da crítica estadunidense. Na categoria de musical ou comédia, O Artista era o flagrante favorito ao ter encabeçado praticamente a lista de todas as associações estaduais de críticos de cinema e os prêmios obtidos em festivais – Urso de Ouro em Berlim Palma de Ouro em Cannes. Havia alguma simpatia por Meia-Noite em Paris, de Woody Allen, mas este não tinha obtido uma aceitação ao nível da obra francesa.

Os Descendentes é, sem dúvida, o melhor da lista de concorrentes em sua categoria. O único que poderia fazer-lhe frente, A Árvore da Vida, de Terrence Malick, estranhamente não estava na lista. Considerado um drama consistente e com uma atuação elogiadíssima de George Clooney, era aguardado que ambos saíssem premiados – como os foram.

Para melhor filme estrangeiro, A Separação tinha sido o outro filme que competira em nível de qualidade com O Artista e encabeçara a lista dos melhores filmes do ano e obtivera excelentes críticas, além de premiações das associações de críticos dos EUA. Daí, sua premiação não ter sido surpresa.

- Martin Scorsese e Meryl Streep Fotos: Kevin Winter e Handout
Surpresas mesmo foram as premiações de Martin Scorsese como o melhor diretor por A Invenção de Hugo Cabret – uma cortesia que sequer foi sugerida a Terrence Malick por sua ousadia de fazer um filme estruturalmente filosófico – e a de Meryl Streep como melhor atriz por A Dama de Ferro quando o mais justo seria Glenn Close por Albert Nobbs. A premiação de ambos os coloca, cineasta e atriz, como os profissionais de maior prestígio em atividade em Hollywood.

Jean Dujardim, George Clooney e Christopher Plummer Foto: Handout/Getty Images
Como esperado, George Clooney foi eleito o melhor ator por seu trabalho em Os Descendentes. Não tão esperada era a premiação de Jean Dujardim por O Artista. Surpresa, Christopher Plummer por sua sensível atuação em Toda Forma de Amor, derrotando o favorito Albert Brooks, arrasador em Drive.

Michelle Williams, Octavia Spencer e Madonna Foto: Handout/Getty Images
Michelle Williams ficou com o Globo de Ouro de melhor atriz de musical ou comédia por interpretar Marilyn Monroe em 7 Dias com Marilyn. Octavia Spencer se sobressaiu em Histórias Cruzadas, um filme de elenco fantástico e foi eleita a melhor coadjuvante. Mas, surpresa da boa, para muita gente, foi ver Madonna ganhandas aventuras de tin tin o a estatueta por uma de suas canções para W.E., o seu filme de estréia na direção.

AS AVENTURAS DE TINTIN deu mais um Globo de Ouro a Steven Spielberg Foto: Handout/Getty Images
E, por fim, o reconhecimento de que As Aventuras de Tintin, de Steven Spielberg, é uma animação superior a todas as demais concorrentes pela utilização da tecnologia e da fidelidade com a qual Spielberg impõe à adaptação da criação do belga/francês Hergé.
Confira a premiação
Os vencedores em cada categoria estão marcados em negrito a fim de você efetuar uma possível comparação. Confira, também, as suas datas de estréia nos cinemas brasileiros.
Melhor Filme/Drama
OS DESCENDENTES, de Alexander Payne
Histórias Cruzadas
Tudo Pelo Poder
A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra
O Homem que Mudou o Jogo
Melhor Filme/Comédia ou Musical
O ARTISTA (França), de Michel Hazanavicius
50%
Missão Madrinha de Casamento
Meia Noite em Paris
My Week With Marilyn
Melhor Diretor
Martin Scorsese por A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Woody Allen – Meia Noite em Paris
George Clooney – Tudo Pelo Poder
Michael Hazavicius – O Artista
Alexander Payne – Os Descendentes
Melhor Ator/Drama
George Clooney, por OS DESCENDENTES
Michael Fassbender – Shame
Brad Pitt – O Homem que Mudou o Jogo
Leonardo DiCaprio – J. Edgar
Ryan Gosling – Tudo pelo Poder
Melhor Atriz/Drama
Meryl Streep, por A DAMA DE FERRO
Rooney Mara – Millennium, os Homens Que Não Amavam as Mulheres
Glenn Close – Albert Nobbs
Viola Davis – Histórias Cruzadas
Tilda Swinton – Precisamos Falar Sobre o Kevin
Melhor Ator Coadjuvante
Christopher Plummer, por TODA FORMA DE AMOR (Beginners)
Kenneth Branagh – My Week With Marilyn
Albert Brooks – Drive
Jonah Hill – O Homem que Mudou o Jogo
Viggo Mortensen – Um Método Perigoso
Melhor Atriz Coadjuvante
Octavia Spencer, por HISTÓRIAS CRUZADAS
Shailene Woodley – Os Descendentes
Janet McTeer – Albert Nobbs
Berenice Bejo – O Artista
Jessica Chastain – Histórias Cruzadas
Melhor Ator/Musical ou Comédia
Jean Dujardin, por O ARTISTA
Brendan Gleeson – O Guarda
Joseph Gordon-Levitt – 50%
Ryan Gosling – Amor a Toda Prova
Owen Wilson – Meia Noite em Paris
Melhor Atrriz/Musical ou Comédia
Michelle Williams, por 7 DIAS COM MARILYN (My Week With Marilyn)
Jodie Foster – Carnage
Charlize Theron – Jovens Adultos
Kristen Wiig – Missão Madrinha de Casamento
Kate Winslet – Carnage
Melhor Roteiro
Woody Allen, por MEIA-NOITE EM PARIS
Tudo Pelo Poder
O Artista
Os Descendentes
O Homem que Mudou o Jogo
Melhor Animação
AS AVENTURAS DE TINTIN – O SEGREDO DO LICORNE (EUA-França), de Steven Spielberg
Rango
Carros 2
Operação Presente
Gato de Botas
Melhor Filme Estrangeiro
A SEPARAÇÃO (Irã), de Asghar Farhadi
The Flowers of War – China
In the Land of Blood and Honey – Estados Unidos
O Garoto da Bicicleta – Bélgica
A Pele que Habito – Espanha
Melhor Trilha Sonora
Ludovic Bource, por O ARTISTA
W.E. – O Romance do Século
Cavalo de Guerra
A Invenção de Hugo Cabret
Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
Melhor Canção Original
Madonna, por Masterpiece, do filme W.E, de Madonna
“Hello Hello” – Gnomeu e Julieta – Elton John
“Lay Your Head Down” – Albert Nobbs – Sinead O’Connor
“The Living Proof” – Histórias Cruzadas – Mary J. Blige
“The Keeper” – Redenção – Gerard Butler