Em uma negociação inesperada e surpreendente, a Disney compra os 100% das ações da Lucas Films, tornando-se proprietária de todos os filmes produzidos, incluindo a saga Star Wars, a produtora de jogos de vídeogames e as demais subsidiárias. Se já era considerado estúdio mais poderoso da indústria de entretenimento do mundo. imagine agora…

Na montagem feita pelo site TheWrap, Mickey Mouse recebe Darth Vader com amor e carinho
Caso estivéssemos às vésperas de primeiro de abril, certamente a notícia seria recebida como mentira. Mas, estamos 1º em novembro, no final do ano de 2012. Mesmo assim, não há como não demonstrar surpresa com a informação que, na tarde da última quarta feira, 30, caiu como uma bomba sobre a imprensa estadunidense, os mercados de ações e os cinéfilos do mundo inteiro.
Por 4,05 bilhões de dólares, a Disney adquiriu os estúdios Lucas Films, criado em 1971 pelo cineasta e produtor George Lucas, em uma transação que pagou uma parte em cash, dinheiro ao vivo, pulando na mão, e outra em ações. A aquisição inclui toda a produção relacionada a Star Wars, todo o acervo de filmes, as tecnologias de filmagem, exibições criadas e ainda a produtora de games LucasArts – de jogos como Kinect Star Wars e Star Wars 1313 (este, previsto para o próximo ano). Ou seja, os conteúdos e as subsidiárias da Lucas Films – simplesmente tudo.
Também contido no contrato de venda da Lucas Films, está a integração do conteúdo de Star Wars aos parques temáticos da Disney em Orlando, Flórida, e Orange (Anaheim), Califórnia, e também no exterior – Paris e Tóquio. Por fim, todos os funcionários da empresa serão mantidos em seus cargos.

Na montagem do blog de cinema, Mickey Mouse leva a Lucas Films para a Disney Company
Afora a surpresa, a imprensa estadunidense, especialmente os grandes veículos do mercado de cinema, ainda tentam avaliar a transação, a qual, como exposto, transforma a Disney na mais poderosa empresa da indústria de entretenimento, não apenas de Hollywood, mas de todo o planeta.
Aliás, a produtora criada pelos irmãos Roy (1893-1971) e Walt Disney (1901-66) em 16 de outubro de 1923, já era vista com esse poder, pois detém 11 parques temáticos sob licenciamentos, várias redes de televisão (como a ABC e a ESPN), além de ter sob o seu controle dois outros importantes estúdios igualmente comprados, como a Pixar (em 2006, por US$ 7,4 bilhões) e a Marvel (em 2009, por US$ 4 bilhões). Tudo sob a administração da Disney Media Networks.
A grande pergunta que não para de ser feita na imprensa dos EUA é: por que teria George Lucas vendido a empresa que ele criou e pela qual se tornou um milionário? Afinal, em setembro do ano passado a revista Forbes, aquela que acompanha e avalia a grana dos ricos do mundo capitalista, estimou o patrimônio líquido do cineasta em 3,3 milhões de dólares.
Mesmo sem ser questionado pela imprensa, Lucas – que tem 68 anos e se aposentou em junho passado, quando passou a presidência da produtora para a amiga e produtora Kathleen Kennedy -, afirmou que foi para desfrutar de “uma aposentadoria tranquila”.

Com tanta grana de aposentadoria, observe: George está sorrindo, chorando ou…
“Estou completamente confiante de que a Disney vai cuidar bem da franquia que eu construí”, complementa Lucas, ao lado do Robert Iger, CEO da Disney. “Ao mesmo tempo, para mim, olho para ela como estou investindo na Disney, porque este é o meu fundo de aposentadoria”, revela. “Está na hora de passar Star Wars para uma nova geração de cineasta”, finaliza.
“Sempre acreditei que Star Wars poderia viver sem mim, e eu acho importante fazer essa transição enquanto estou vivo. Estou confiante que sob a liderança de Kathleen Kennedy, a Lucas Films terá uma nova casa na Disney. ‘Star Wars’ certamente viverá e prosperará por muito mais gerações. A experiência e alcance da Disney dará a Lucas Films a oportunidade de vislumbrar novos caminhos na televisão, mídia interativa, parques temáticos, entretenimento ao vivo e produtos para o consumidor”, disse Lucas.
Corre, à boca miúda em Hollywood, que George Lucas vai investir parte do dinheiro em filantropia no estilo de Bill Gates, 57. Lembrando que, em 2010, ele assinou acordo com o criador da Microsoft quanto a isso, tendo se comprometido a doar uma parte da sua riqueza para as causas filantrópicas em organizações de caridade à sua escolha”.

Robert Iger, CEO da Disney, e Kathleen Kennedy, presidente da Lucas Films Foto: Getty Images
Desdobramentos
Kathleen Kennedy, reboot ou extensão da saga Star Wars, o impacto dos fãs da série e Guerra nas Estrelas no parque temático. Esses são alguns dos temas em desdobramentos.
Kathleen Kennedy, que em junho já tinha sido designada para a presidência da Lucas Films, cuja transição só seria completada no próximo ano, quando se desligaria definitivamente da presidência do estúdio Kennedy/Marshall, terá essa promoção imediata. Kathleen é costumeira produtora dos filmes de Steven Spielberg.
Iger anunciou, imediatamente, para amenizar o impacto e adoçar o negócio como um “bombom” para os fãs de Star Wars, que a primeira produção da Lucas Films na Disney será uma nova trilogia. Falou em um sétimo episódio, mas já há quem na imprensa estadunidense fale em um reboot – um reinício da história.

As duas empresas divulgaram uma foto dos personagens da Disney vestidos com as roupas dos personagens da Lucas Films
Para outros, a previsão é a complementação da saga, a qual, reza a lenda, teria sido imaginada por Lucas com 9 filmes. Assim, haveria um “encerramento” para a saga através de uma “nova trilogia”, na qual serão mantidos todos os elementos clássicos da história que deu origem aos primeiros três filmes. Para não inquietar os fãs, Iger revelou que Lucas será o “consultor criativo” da produção.
“A Lucas Films reflete a paixão, visão e roteiro extraordinário de seu fundador, George Lucas. Essa transação combina um ‘portfólio’ clássico de conteúdo que inclui Star Wars, uma das maiores famílias e franquias de entretenimento de todos os tempos, com a criatividade única da Disney em diferentes plataformas, negócios e mercados, para gerar um crescimento sustentável e conduzir a um valor significativo a longo prazo”, disse, por sua vez, Iger. O primeiro filme já terá iniciada à sua pré-produção no próximo ano para lançamento em 2015, e os outros dois episódios encerrarão a nova trilogia em 2020 ou 2021. Além disso, será mantida, conforme estabelecido no calendário dos exibidores, a continuidade do relançamento da saga 3D, como Guerra nas Estrelas: episódio II – o Ataque dos Clones em 20 de setembro de 2013, e o terceiro filme, Guerra nas Estrelas: episódio III – a Vingança dos Sith, no mês seguinte, em 11 de setembro.