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A GAROTA DA CAPA VERMELHA – Chapeuzinho sem fantasia

Publicado em 29/04/2011 - 11:35 por | 1 Comentário

Categorias: CRÍTICAS DE FILMES

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Mesclando a lenda mitológica grega do lobisomem, o conto de fadas de Chapeuzinho Vermelho e questões religiosas da Idade Média, A Garota da Capa Vermelha derrapa como uma derivação da Saga Crepúsculo e na fria e frágil história narrada por Catherine Harwdwicke

Desde que a série a Saga Crepúsculo da estadunidense Stephanie Mayer se transformou em fenômeno literário com seus 100 milhões de cópias em 37 línguas de 55 países e sua criadora na dona de uma conta bancária recheada com US$ 45 milhões de dólares anuais, nunca mais os lobisomens foram aqueles que todos conheceram através da literatura clássica e as fábulas. Com sua mistura de romance, aventura, suspense, paixão e sexualidade em segundo lugar, a série literária de Mayer abriu um filão no qual dezenas de novos escritores e escritoras estão se aventurando, alguns com mais, outros com menos, sucesso. Esses livros também começam a chegar aos cinemas, motivados pelos US$ 33,5 milhões que a franquia Crepúsculo rendeu aos cofres da pequena e agora média produtora Summit.

A Garota da Capa Vermelha, escrito por Sarah Blakley-Cartwright e David Leslie Johnson (Editora iD, R$ 28,50), e A Fera, por Alex Flynn (a ser lançado em maio pela Galera Record), são as mais recentes adaptações de livros que seguem os compassos da criação literária de Stephanie Meyer. A Garota da Capa Vermelha vendeu 20 mil exemplares nos 15 primeiros dias de lançamento e chega ao cinema numa transposição de US$ 42 milhões, a cargo da produtora Appian Way, do ator Leonardo Di Caprio. A Fera está no Rio e em São Paulo e, mal nas bilheterias, talvez não seja exibido em Fortaleza.

Por sua experiência com a temática da adolescência expressada em filmes como Aos 13 (2003), Os Reis de Dogtown (2005) e o primeiro Saga Crepúsculo (2008), a cineasta Catherine Hardwicke, 56, foi a escolha natural e coerente dos produtores, os quais entregaram, também, a responsabilidade da transposição literária para um dos autores do romance, David Leslie Johnson, roteirista do elogiado A Órfã (2009). Então, com as pessoas certas nas funções certas, o que poderia dar errado?

A história reúne a fábula da chapeuzinho vermelho de Charles Perrault (1628-1703) e dos irmãos Grimm, a maldição da licantropia da mitologia grega de Heródoto e romana de Ovídio e acrescenta as questões religiosas da Inquisição (Idade Média). Tudo isso é, em A Garota da Capa Vermelha, mesclado à narrativa moldada aos ingredientes romanceados da obra de Meyer com suas paixões entre adolescentes humanas e rapazes-lobisomens bonitos, éticos e apaixonantes, com os quais elas anseiam relações sexuais que eles, hábeis e sensíveis, rejeitam com nobreza – a pura expressão do bem. Em A Garota da Capa Vermelha se salientam, ainda, outros ingredientes da literatura de Meyer como o triângulo amoroso, as provas de amor e o final trágico-romântico aberto para mais uma continuação.

Praticamente tudo deu errado em A Garota da Capa Vermelha. E não funciona, primeiro, em função da extrema artificialidade com a qual Catherine Hardwicke comanda o processo de construção do filme, no qual ela não consegue desvinculá-lo da superficialidade. E quando esta prepondera nas filmagens, adeus caráter de realidade, que é o elemento primordial para qualquer filme, mesmo que seja uma obra de fantasia. E, no contexto, impossível a criação da densidade dramática.

Negativamente surpreendente é a inércia da cineasta. Ela não consegue criar o clima sombrio da história que exige, a um só tempo, o clima fascinante de uma fantasia romanceada com mistérios e suspense com os devidos ingredientes de terror, tensão sexual e tragédia. Nem mesmo a aparição do padre (Gary Oldman) caçador de lobisomens – cuja finalidade era relacioná-lo com a Inquisição católica – contribui para elevar a dramaticidade. Com isso, o filme se esvazia numa narrativa tão gélida quando o ambiente no qual se passa a história – o vilarejo de Daggenhorn.

Confira entrevista da diretora Catherine Hardwicke ao site Omelete.

Imagem de Amostra do You Tube

Lamentável, ainda, além da narrativa inoperante e seus personagens vazios e desprovidos de dramaticidade, o fato de, sem convencer a qualquer cristão, o enredo renegar de vez a sexualidade como instrumento de união e substituí-la pela pureza do amor vivida como uma espiritualidade. A possibilidade do amor na impossibilidade da consumação sexual. Contribui, igualmente, para o desastre, a má atuação do elenco jovem – houve, aparentemente, a preocupação de colocar nos personagens atores parecidos com os da Saga Crepúsculo. O que há em semelhança, falta em talento – apesar daqueles também o esbanjarem. Por sua vez, a atriz Amanda Seyfried se esforça em dotar a sua personagem de força, fascínio e emoção. Em vão.

Veja a entrevista da atriz Amanda Seyfried, também, ao Omelete.

Imagem de Amostra do You Tube

A Garota da Capa Vermelha integra uma seleta lista de adaptações literárias de sucesso e que, na tela, redundaram em fracasso justamente pela fragilidade de suas produções. E lamente-se que seja a pior criação de Hardwicke, a cineasta talentosa que surgiu com o contundente e vigoroso Aos 13 e que aos poucos vai submergindo no leme das comerciais produções de Hollywood.

A Garota da Capa Vermelha (The Red Hiding Hood, EUA, 2011), de Catherine Hardwicke, com Amanda Seyfried,  Shiloh Fernandez, Julie Christie, Gary Oldman e Max Irons. 114 minutos. 14 anos.

Confira o treiler de A Garota da Capa Vermelha.

Imagem de Amostra do You Tube

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Comentários

sara amorim

em 16 de maio de 2011

ai, serio eu adorei o livro crepusculo,mas estragar com chapeuzinho vermelho,foi demais,me desculpe
meu irmao ate chama a saga de satanica, e eu to começando a acreditar, poxa!


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