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Crítica/PARA ROMA, COM AMOR – mesmo sem a mágica de Paris, Woody Allen agrada em Roma

Publicado em 30/06/2012 - 15:12 por | 1 Comentário

Categorias: CRÍTICAS DE FILMES

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O novo filme de Woody Allen não oferece uma experiência tão fantástica quanto a de seu peúltimo trabalho, Meia-noite em Paris. Porém, também não decepciona ao fazer, por sua vez, uma crítica hiperbólica ao poder da mídia na intrerferência da vida das pessoas e, destaque-se, com o toque humorístico e único de quem é um mestre da comédia dramática

Este é o quarto filme rodado na Europa por Woody Allen – ele já passou pelo Reino Unido com Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos; na França com Meia-noite em Paris, e Espanha com Vicky Cristina Barcelona. Desta vez, o diretor decidiu homenagear a cidade de Roma e, por conseguinte, aItália – berço de grandes cineastas como Federico Fellini, Luchino Visconti, Bernardo Betolucci, Giuseppe Tornatore e Pier Paolo Pasolini. Mesmo sendo uma cidade de grande porte artístico, Allen não conseguiu fazer a mesma homenagem que fez à Paris. Trouxe a mesma narrativa mágica de Meia-noite em Paris, mas com uma história mais simples, na qual tem a finalidade de criticar a forma como a mídia interpreta a diferença entre o entretenimento e o artístico – o que não agradou a uma parte da crítica, a qual chegou a questionar alguns dos  temas propostos.

Certamente, a finalidade de Woody estava mais voltada para uma crítica hiperbólica que, de tão exagerada, chegasse a tornar-se bizarra e divertida. Isso acabou valendo como um elogio à cidade, pois este é o verdadeiro estilo italiano de ser, exagerado e pouco sério.

O filme conta quatro histórias diferentes e são  desenvolvidas tendo a capital italiana como pano de fundo.

Monica (Ellen Page) e Jack (Jesse Eisenberg).

Jack (Jesse Eisenberg), um estudante de arquitetura, tenta não se apaixonar por Monica (Ellen Page), amiga de sua esposa, Sally (Greta Gerwig). É advertido pelo americano John (Alec Baldwin) para não cair em tentação facilmente com a garota.

Jerry (Woody Allen), produtor musical, e sua mulher Phyllis (Judy Davis), estão em Roma para reverem a sua filha, Hayley (Alison Pill). Ao conhecer Michelangelo, namorado de Hayley, Jerry fica abismado com a voz do homem, que canta bem apenas enquanto toma banho – e vai tentar investir nele levando-o para cantar em óperas dentro do chuveiro.

Leopoldo e sua mulher.

Leopoldo (Roberto Benigni) é um estranho e simples trabalhador, pai de família, que de forma bizarra fica famoso na cidade, onde será perseguido por paparazzis e, durante um bom tempo, terá vasculhada a sua vida particular. Até que um dia o foco muda para uma nova incógnita, Aldo Romano.

Antonio e Milly.

Antonio é casado com Milly, mas um dia uma prostituta chamada Anna (Penélope Cruz) vai à sua casa a pedido de seus amigos. No entrelaçar das estórias, ele acaba indo a uma festa com ela, fazendo-a se passar por sua mulher, Milly. Enquanto isso, a verdadeira Milly tem o prazer de conhecer uma estrela de cinema, Lucas Satta, com o qual terá uma noite um tanto confusa.

A crítica de Woody Allen distorce um pouco a realidade levando do cômico ao exagero e se apoia nas questões do poder da mídia, de como ela pode tornar uma pessoa famosa e controlá-la a seu favor – seja no caso de Michelangelo, que apresenta sua linda voz de forma bizarra numa ópera conforme o esforço de Jerry, ou no de Leopoldo, que de um hora para outra, também de forma bizarra, torna-se famoso apenas pelo fato de paparazzis se interessarem pelo casual modo como vive.

Para Roma, com Amor é uma homenagem pura e cheia de vida à capital italiana. Desnuda a cidade em fortes fotografias, da mesma forma que em Meia-noite em Paris. Narra histórias novelescas sem ordem cronológica, cheias de amor, adultério, diversão, arte e etc. - características das tramas televisivas do país. Com personagens cômicos e criativos, que contam, cada um, a sua história pessoal nessa bela cidade que sempre oferece um momento especial à quem vive lá ou mesmo a visita.

Nos diálogos, vê-se a ênfase que Woody Allen a determiandos aspectos, como a de ter a opinião do que é novo e o que está fora de moda. Para ele, como o próprio personagem Jerry (o qual ele interpreta) explica, em diferentes épocas, que tudo é a mesma coisa e tem o mesmo valor significativo, pois não pode-se dizer que algo ou alguém é velho apenas pelo fato de ter vivido em uma outra época e ainda assim discriminar com argumentos por conta disso. Seu personagem, já velho e preocupado com o futuro, também explicita que a Roma de hoje sempre será a mesma de ontem e a do amanhã, seja com piadas engraçadas ou sem graças.

Aos 76 anos, Woody Allen está no coração dos cinéfilos e admiradores de seu cinema e, apesar de altos e baixos, suas obras sempre serão bem-vindas, pois ele é um dos  cineastas mais inteligentes em atividade e fazendo filmes com frequência – média de um ano por ano -, processo esse que vem desde 1969. Uma grande contribuição para o cinema.

Para Roma, com Amor não é o seu melhor filme, mas está longe de um dos menores. O seu cinema resiste não pelas críticas inteligentes que faz, mas por expor  uma expressão sentimental que pode ser vista observando os personagens que ele interpreta.

Ficha técnica

Para Roma, com Amor (To Rome with Love, EUA/Itália, 2012), de Woody Allen. ComWoody Allen, Penélope Cruz, Alec Baldwin, Ellen Page e Jesse Eisenberg. 102 min. Paris Filmes. 14 anos.

Confira o trailer.

Imagem de Amostra do You Tube

Meia-noite em Paris (Midnight in Paris, EUA/França, 2011), de Woody Allen. Com Owen Wilson, Rachel McAdams e Kathy Bates. 94 min.

Trailer:

Imagem de Amostra do You Tube

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Comentários

João

em 11 de julho de 2012

Na realidade, esse não é “o quarto filme” do diretor na Europa. Prestem mais atenção.


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