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JOÃO E MARIA – CAÇADORES DE BRUXAS/Crítica

Publicado em 21/02/2013 - 7:18 por | 6 Comentários

Categorias: CRÍTICAS DE FILMES

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João e Maria – Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel – Witch Hunters, 2013), mais um filme que brinca com os contos de fadas, chega para animar a festa. Ou estragar, para o caso de quem não gostou

Jeremy Renner em cena de JOÃO E MARIA - CAÇADORES DE BRUXAS (2013)

Jeremy Renner em JOÃO E MARIA – CAÇADORES DE BRUXAS (2013)

Sejamos sinceros: está um saco essa onda de filmes de fantasia que aproveitam os contos de fadas clássicos para transformar em filme de ação para chamar a atenção do público jovem. E o problema é que isso vende, como foi o caso de Branca de Neve e o Caçador (Snow White and the Huntsman, 2012), que é até um filme decente, pra falar a verdade. Mas é só ver que ainda vem por aí Jack – O Caçador de Gigantes (Jack – The Giant Slayer, 2013), dirigido por Bryan Singer, e Oz – Mágico e Poderoso (Oz – The Great and Powerful, 2013), de Sam Raimi, que nem é um conto de fadas clássico, mas o filme de 1939 hoje o é. E por mais que esses dois cineastas tenham pedigree, fico desanimado ao vê-los aceitando esse tipo de projeto. Raimi, por exemplo, deveria voltar a fazer o que sabe fazer melhor: filmes de horror. Infelizmente foi engolido pela indústria.

Há quem diga: mas ninguém é obrigado a assistir. Sim, é verdade. Mas quem gosta de cinema, especialmente quem gosta de ir ao cinema, sente curiosidade em ver quase qualquer coisa que esteja passando. Inventa-se um motivo, pelo menos. No caso de João e Maria – Caçadores de Bruxas, fiquei curioso em conhecer esse jovem diretor norueguês, Tommy Wirkola, que começou a carreira fazendo uma paródia de Kill Bill, chamada lá Kill Buljo (2007). Mas ele era mais famoso pela comédia de horror Zumbis na Neve (Død Snø, 2009), que deve ter sido seu cartão de visitas para que Hollywood o achasse ideal para dirigir este “João e Maria com armas”.

E o curioso é que, apesar de o filme se passar na Idade Média (embora não situe especificamente isso), há até armas parecidas com as modernas metralhadoras. Mas, enfim, esse tipo de “licença poética” é o de menos. O pior pecado do filme é dar sono nas cenas de ação. Assim, nas cenas mais paradas, até que o filme é assistível e, com um pouco de boa vontade, dá para ver algumas qualidades, levando em conta se tratar de um filme puramente de entretenimento, sem quaisquer ambições artísticas.

Gemma Arterton, Jeremmy Renner e Pihla Viitala em JOÃO E MARIA - CAÇADORES DE BRUXAS

Gemma Arterton, Jeremmy Renner e Pihla Viitala em JOÃO E MARIA – CAÇADORES DE BRUXAS

O prólogo, contado rapidinho, embora não seja tão bom, é uma das melhores coisas: os dois irmãos sendo deixados próximos à casa de uma bruxa, uma casa feita de doces. A tal primeira bruxa também é interessante: faz um barulho estranho. Tem uma maquiagem que parece fantasia de Halloween, mas pelo menos tem esse detalhe interessante. E logo depois, quando os garotos conseguem escapar da bruxa, os créditos de abertura, com desenhos que parecem desenhos antigos, da Idade Média, também contam como ponto positivo.

Infelizmente depois o filme vai ficando cada vez mais desinteressante. Jeremy Renner deveria escolher melhor seus trabalhos, agora que está famoso. Quanto à bela Gemma Arterton, ela funciona bem nas cenas de ação, mas acaba sendo eclipsada em certo momento por uma coadjuvante, a finlandesa Pihla Viitala, que aparece nua em determinado momento do filme. Quanto a Famke Janssen, que já teve seus momentos de glória no cinemão, fazendo o papel de Jean Grey na trilogia X-Men (2000, 2003, 2006), ficou com um papel ridículo de bruxa-mor, na maior parte das vezes escondida sob a maquiagem que lhe deram. E, como o filme fez sucesso de bilheteria, e deixou no ar uma cara de quem quer ser franquia, é possível que venha continuação por aí. Com Jeremy Renner com a agenda cheia, esperemos que não.

Ficha técnica

JOÃO E MARIA – CAÇADORES DE BRUXAS (Hansel & Gretel – Witch Hunters, EUA/Alemanha, 2013), de Tommy Wirkola. Com Jeremy Renner, Gemma Arterton, Famke Janssen, Pihla Viitala, Derek Mears, Robin Atkin Downes, Thomas Mann, Peter Stormare. 88 min. Paramount. 14 anos.

Veja o trailer

Imagem de Amostra do You Tube

 

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Comentários

Cortes

em 21 de fevereiro de 2013

“Mas quem gosta de cinema, especialmente quem gosta de ir ao cinema,
sente curiosidade em ver quase qualquer coisa que esteja passando.”

Ailton, essa sua frase tocou em um ponto interessante que eu gostaria de discutir com você. Sou aficionado por cinema desde que me entendo por gente. No entanto, ir ao cinema está se tornando, pelo menos para mim, uma experiência cada vez mais desagradável. E não pela qualidade dos filmes, pois sabemos que ora encontramos obras primas e ora encontraremos filmes que rezaremos pra conseguir esquecer. O que vem me incomodando bastante é o comportamento das pessoas.

Não sei como é aí na sua cidade, mas aqui em SP o cinema acabou se tornando basicamente uma experiência social, o que implica em uma grande quantidade de adolescentes fazendo algazarra, mexendo em celulares, conversando e gritando durante a projeção. E quando eu disse adolescente eu estava apenas exemplificando, pois já vi adultos e até mesmo idosos se comportando de maneira semelhante.

Estou escrevendo tudo isso por um simples motivo: Quando estreou “O Hobbit” eu fiz questão de ir assistir no cinema. Claro, sou fã de “O Senhor dos Anéis” e não queria perder essa chance. Mas a experiência foi tão desgastante que acabei prometendo a mim mesmo que jamais voltaria ao cinema (e não o faço desde essa data, já se vão mais de 2 meses). Na sessão em questão, um homem, adulto e barbado, além de chegar no meio do filme, ainda ficou iluminando o cinema com o seu celular e quando achou o seu lugar, achei que tinha acabado. Mas não, o cidadão se sentou próximo a mim, e começou uma conversa em seu celular, narrando algumas partes do filme para a outra pessoa do outro lado da linha. Pedi por favor para que ele tivesse a bondade de parar, mas o mesmo foi ríspido e disse que não há lei que o proíba de utilizar o celular naquele lugar. Fui até a administração e o gerente do cinema teve a picardia de me pedir para que eu trocasse de lugar, e não para que o cidadão se tocasse e parasse. A vontade que tive foi a de partir com os finalmentes com ele, mas como eu estava com a minha namorada e levei ela para um passeio, resolvi segurar a raiva e deixar passar. Foi então que fiz a promessa de nunca mais voltar ao cinema.

Não sei se tomei ou não a decisão certa com isso, mas devo admitir que estou bastante satisfeito com ela. Após isso, resolvi me especializar nos sistemas “alternativos” para assistir os filmes, e confesso que consegui assistir a todos os filmes indicados ao Oscar bem antes dos mesmos estrearem por aqui. Isso no conforto da minha casa, com um som e imagem bem aceitáveis e sem a necessidade de perder a minha paciência com agentes externos.

Vou te confessar que as salas de cinema pra mim, pelo menos por enquanto, estão mortas e enterradas.

Valdeci bruno

em 22 de fevereiro de 2013

Uma bobagem do começo ao fim. Até Famke Janssen, que adoro, não está bem. Talvez na mão de um diretor mais competente compensasse os furos ordinários do roteiro. Fui assistir com a maior boa vontade e saí do cinema com a maior má vontade.

Adoro o blog, leio todos os dias. Parabens.

Ailton Monteiro

em 23 de fevereiro de 2013

Obrigado, Valdeci. Concordamos, então, que o filme está mais para um festival de erros e presepadas. E eu nem entrei no mérito de coisas como direção de arte tosca e diálogos fracos. Também gosto muito da Famke Janssen. Um abraço.

Fernando Nunes

em 4 de agosto de 2013

Cara esse filme é deimais n sei pq fica criticando queria ver vc fazendo um filme assim,as armas eram Iradassss

Equipe Blog de Cinema

em 6 de agosto de 2013

As armas eram bacanas mesmo. Já o filme…


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