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CAMINHO DA LIBERDADE – condição humana e de natureza

21:39 · 12.08.2011 / atualizado às 21:59 · 12.08.2011 por

Após sete anos de ausência, o cineasta australiano Peter Weir retorna com Caminho da Liberdade, aventura na qual reconstitui, de forma épica e emocionante, a história real de sete fugitivos do Gulag soviético durante a 2ª Guerra Mundial que empreendem uma jornada pela vida da Sibéria ao Tibete, marcada como um embate entre o homem e a natureza selvagem cujo prêmio é a conquista da liberdade

A História do Cinema esta repleta de histórias reais de homens e mulheres que em fuga de prisões e cativeiros, com as suas humanas limitações e munidas da determinação, superaram todas as adversidades postadas em suas jornadas e, como prêmio, alcançaram a almejada a liberdade. Maior bem do homem, “unicamente determinada pela razão pura”, segundo Kant, a busca da liberdade e o prazer de alcançá-la encontra um eco filosófico neste extraordinário Caminho da Liberdade, dirigido por Peter Weir.

O cineasta australiano leva à tela o romance “The Long Walk: the True Story of a Trek of Freedom”, escrito por Slomovir Rawicz, publicado nos EUA em 1956 com estrondoso sucesso e que ganhou recente edição no Brasil com o título de o mesmo título do filme (Editora Record, 2011, R$ 49,90). O livro se tornou polêmico em 2006 quando a BBC londrina questionou a ausência de evidências de que a história tivesse realmente acontecido, o que levou o autor a reconhecer ter se apropriado de “passagens ficcionais” para dar mais estrutura e dramaticidade ao romance. Em 1940, acusado de traição pelos militares soviéticos, o então tenente polonês Slomovir Rawicz, enviado para o Gulag na Sibéria, dali empreendeu uma fuga pelo deserto com mais outros seis companheiros, enfrentando o frio e as adversidades da natureza em uma penosa jornada de seis mil quilômetros em direção ao Tibete.

Confira a geografia da fuga expressada em Caminho da Liberdade.

http://marcosbau.com/filme-caminho-da-liberdade/

Dois aspectos se sobressaem na criação de Weir e somente por eles o filme pode ser analisado: a liberdade como intrínseca à natureza humana, e a outra natureza, a selvagem, entendida como o cenário da adversidade à meta humana. No quesito da liberdade, Weir filosofa sobre esse homem em luta pela sua existência sem amarras ou coerção, tendo como exemplo a fuga de um dos mais cruéis regimes totalitários com suas prisões desumanas, condição imposta por Josef Stálin (1878-1953) a milhões de seus semelhantes, fato que o coloca entre os maiores assassinos da história. Na busca pela liberdade, a jornada real dos sete personagens ganha, na obra de Weir, uma dimensão épica de determinação e superação. No quesito reservado à natureza selvagem, esta se ressalta na tela como cenário e palco dos acontecimentos aonde os personagens humanos darão sentido às suas existências e ao sonho de alcançar a almejada liberdade. Natureza esta que se posta, simultaneamente, como adversa e generosa às pretensões humanas.

Peter Weir não abre mão, em momento algum, de expor e fazer refletir essas duas temáticas sobre a condição humana e a condição de natureza. Um integra o outro, cada um com as suas peculiaridades de bondade e crueldade. No homem, salienta-se na dura prova da jornada, o companheirismo, os laços de amizade, a compreensão, convivência, a união quase familiar, tudo isso simbolizado como a formação de uma micro sociedade, o sentimento amargo de perda através da morte e do riso pelo encontro da sobrevivência. Na natureza selvagem, a implacabilidade do frio, a imprevisibilidade das areias com suas armadilhas e tempestades surgem como elementos de imposição de sofrimento e dor para os personagens e se alternam com a generosidade da oferta de alimentos e água e abrigos. Neste cenário, munidos apenas de um machado e uma faca, os personagens de Weir conquistam cada metro, cada quilômetro, cada território de areia ou de floresta como uma vitória da vontade, ação e determinação resultante do grande instrumento que lhes foi facultado: a racionalidade.

O cineasta constrói, assim, em Caminho da Liberdade, uma dramática e comovente exposição de sete personagens em luta pela essência natural inerente a todos eles: a liberdade. De certa forma, o filme se oferece, também, como uma metáfora da luta interna a qual o homem trava com o seu lado selvagem enquanto natureza. Estamos diante de um dos 10 melhores filmes do ano.

Caminho da Liberdade (The Way Back, EUA, 2010), de Peter Weir. Com Colin Farrell, Dejan Agelov, Saiorse Ronan, Ed Harris e Mark Strong. 132 minutos. Califórnia Filmes. 12 anos.

Onde Assistir

Multiplex UCI Ribeiro
Sexta, 12 – 21h45
Sábado, 13 – 10h45
Domingo, 14 – 12h10
FAIXA NOBRE – 19h
de 2a., 15, a 5a.feira, dia 18

Confira o treiler de Caminho Para a Liberdade.

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