Em trânsito – o chocante suicídio de Tony Scott
A semana tem início com a chocante notícia, vinda de Los Angeles, do suicídio do cineasta inglês Tony Scott, irmão de Ridley. Fico assustado quando uma pessoa famosa e bem sucedida tira a própria vida. A nossa existência, uma dádiva, é mercada por tantas tragédias e sofrimentos, mas nenhuma delas é mais cruel e chocante do que o ato de tirar a própria vida – a recusa de aceitação da dádiva. Este gesto insensato não resolve nada para quem o pratica e é simplesmente devastador para todos – da perplexidade da família ao lamento de um desconhecido – como eu, você, os outros

Ridley Scott no lançento de O PRÍNCIPE DA PÉRSIA - AS AREIAS DO TEMPO, em 2010 Foto: Steve Granitz/Getty Images
Tony Scott tinha 68 anos. Nasceu em North Shields, Inglaterra, em 21 de junho de 1944. Começou a carreira de diretor fazendo comerciais e chegou ao cinema com uma obra notável, Fome de Viver (The Hunger, 1983), com Catherine Deneuve, David Bowie e Susan Sarandon, até hoje, o seu melhor filme, e, depois, a partir do sucesso de Top Gun – Ases Indomáveis (86), enveredou pelo cinema-espetáculo, o chamado cinemão, com os bem sucedidos comercialmente Um Tira da Pesada 2 (87), com Eddie Murphy, Revenge – a Vingança, com Kevin Costner, e Dias de Trovão (90), com Tom Cruise, O Último Boy Scout (91), com Bruce Willis, e Maré Vermelha (95), com Denzel Washington. Conseguiu fazer obras expressivas como Amor à Queima-Roupa (True Romance, 93), com Christian Slater, Inimigo de Estado (98), com Will Smith, Deja Vú (2006), e Incontrolável (2010), ambos com Denzel Washington.
Ao todo, Tony Scott fez 24 filmes como diretor e 49 como produtor, sendo o último deles o notável A Perseguição (The Grey, 2011), dirigido por Joe Carnahan, com Liam Neeson. Tony deixou vários projetos concluídos: para a televisão, as séries de TV World Without End The Good Wife e Call of Duty: Friday Night Fights (temporada 2012), a minissérie Labyrinyh, com John Hurt, e o longa Killing Lincoln, Adrian Moat, com Billy Campbell. Ainda para a TV, estava produzindo a minissérie Coma, baseado no romance de Robin Cook, e, em pré-produção, The Sector. Para o cinema, deixou em pós-produção, o terror e suspense Stoker, de Chan-wook Park, com Nicole Kidman, e o suspense Out of the Furnace, de Scott Cooper, com Christian Bale, a serem lançados no próximo ano.
Scott desenvolvia, ainda, em pré-produção, a ficção científica Ion, e já tinha anunciado o desenvolvimento de outros 3 projetos: o policial Potsdamer Platz, a ficção científica Prometheus 2 e o drama interracial Emma’s War. Sites de cinema revelam, ainda, que planejava desenvolver a sequência de Top Gun, para Tom Cruise, e um remake de Meu Ódio Será Tua Herança (The Wild Bunch, 69), de Sam Peckinpah.
Tony Scott escalou a ponte Vincent Thomas, em San Pedro, Califórnia, na tarde de ontem, domingo, 19. Casado com Donna, sua terceira esposa, deixa 2 filhos e uma pergunta a qual todos se fazem: qual, ou quais, os motivos do suicídio? Especular, não adianta. Tanto a polícia quanto funcionários da Scott Free Productions afirmam que ele deixou bilhetes explicando os motivos. Ou seja, foi um ato premeditado. Resta esperar que a família tenha a serenidade de revelá-los à imprensa. E que, do outro lado, Tony Scott receba as nossas preces.
William Windon, também
O SciFi Brasil anuncia o falecimento do ator William Windon, que começou a carreira na televisão em 1950 e se destacou em várias séries – Combate (1963), Além da Imaginação (1961-63), Gunsmoke (1961-73), Os Invasores (67), Missão Impossível (1967-73), Bonanza (68), O Homem de Virginia (1967-71), Manix (1968-75), Medical Center (1969-76), Os Jetsons (85), Assassinato por Escrito (1985-96), mas que ficou famoso vivendo o comodoro Matt Decker da série Jornada nas Estrelas (1966-69) e Jornada nas Estrelas: Voyager (2004). Ele recebeu um Emmy de melhor ator de comédia pela série humorística My World and Welcome to It (1970) e atuou em filmes importantes como O Sol é Para Todos (62), de Robert Mulligan, Não Podes Comprar o Meu Amor (1964), de Arthur Hiller, Crimes sem Perdão (68), de Gordon Douglas, Voar é com os Pássaros (70), de Robert Altman, Antes só do que Mal Acompanhado (87), de John Hughes, e Crime Verdadeiro (96), de Clint Eastwood, entre outros. Windom faleceu de insuficiência cardíaca congênita, na última 5ª feira, 16, aos 88 anos.
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