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Festival de Gramado-2012 – no 5º dia, o show dos curtas

10:24 · 15.08.2012 / atualizado às 10:24 · 15.08.2012 por

No dia de ontem, terça-feira, 14, o 40ª edição do Festival de Cinema de Gramado se destacou principalmente pela homenagem ao premiado cineasta argentino Juan José Campanella. Quanto à mostra competitiva da noite, os longas continuam perdendo para os curtas em qualidade. Mas como ainda há três dias de festival com filmes, há esperanças de que o melhor esteja por vir

Juan José Campanella na coletiva de imprensa do festival (foto: Ailton Monteiro)

O dia começou com as tradicionais entrevistas com os realizadores dos longas-metragens da noite anterior, as quais eu não pude ver. Em compensação, recebi convite para participar como ouvinte da reunião da Abraccine. Não deixa de ser muito interessante ver um pouco dos bastidores da crítica brasileira.

No mesmo lugar, consegui posição privilegiada para fotografar Juan José Campanella, que chegou perto do final da tarde para uma entrevista coletiva com a imprensa.

Foi-lhe perguntado se Ricardo Darín é seu alter-ego; ele afirmou que não, que ele apenas o escala por sua capacidade e seu talento. Com relação ao tema “futebol”, ele confessou que não gosta nada do esporte, ainda que tenha ficado famoso o seu plano-sequência em um estádio de futebol no oscarizado O Segredo dos Seus Olhos (2009).

Ao ser perguntado sobre se ele pensa em fazer um filme um dia em Hollywood, já que ele dirigiu episódios de séries televisivas como House, 30 Rock e Law & Order, ele respondeu que prefere filmar em seu país mesmo, com mais liberdade para fazer o que quer sem os executivos lhe dizendo o que fazer. Falou também de outro problema sério do cinema americano atual, que é a maior dificuldade de penetração dos dramas nos cinemas, que cada vez mais privilegiam os efeitos especiais, o cinema-espetáculo. Muita gente pensa, equivocadamente,  que se for um drama é melhor ver em casa.

Beto Souza apresenta seu longa, INSÔNIA (foto: Ailton Monteiro)

Quanto aos filmes exibidos na noite, o destaque foram, sem dúvida, os curtas-metragens: a coprodução São Paulo/Pernambuco Di Melo, o Imorrível, de Alan Oliveira e Rubens Pássaro, e o baiano Menino do Cinco, de Marcelo Matos e Wallace Nogueira. Inclusive, tive a oportunidade de travar breve diálogo com os jovens realizadores baianos no caminho para o hotel.

Di Melo, o Imorrível é um documentário muito bom e que deve muito à personalidade do hoje obscuro cantor Di Melo, que na década de 1970 lançou um único e sofisticado disco e sumiu do mapa. Seu trabalho hoje é reverenciado por musicólogos como Charles Gavin e os irmãos Max de Castro e Simoninha. Tanto Di Melo quanto sua esposa são personagens carismáticos. E o pouco que se houve das canções do artista já causa interesse no espectador.

Menino do Cinco é outro curta surpreendente, cuja trama lida com um menino que perde o seu cachorro em um condomínio. O cachorrinho, ainda filhote, é “adotado” por outro menino do condomínio, que sofre de asma. O curta tem um belo trabalho de direção. É o caso de torcer para novos trabalhos dos realizadores.

Quanto aos longas, o chileno Leontina, de Boris Peters, até tem imagens bonitas e trata de um assunto muito interessante, que é a velhice, mas a lentidão do filme, a música de fundo forçada e algumas frases de efeito nem sempre ajudam. Em compensação, a maneira como a protagonista do filme se expõe fisicamente não deixa de ser admirável.

E em relação à produção gaúcha Insônia, de Beto Souza, é um filme que ficou na geladeira desde 2007 e só agora que foi finalizado e pronto para ser exibido. Luana Piovani, que não esteve presente ao evento, é uma jovem mulher que se apaixona pelo pai de sua recém-conhecida amiga. É um filme que tem os seus momentos, embora seja bem irregular.

Conheça o trailer de Leontina.

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Comentários 4

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João

21/08/2012 as 20:0819

“Melancolia” no cinema foi uma experiência indescritível. E só fui ver a cobertura do já passado Festival de Gramado agora. Tô gostando muito. 🙂

Ailton Monteiro

16/07/2012 as 07:0819

Grande Renato! Antes de mais nada, obrigado por vir prestigiar este espaço. Mas vou ter que discordar de você. Tudo bem que um drama é possível ver em casa e ter um grande impacto num espaço intimista, mas fico imaginando como seria ver MARGARET no cinema. Seria provavelmente muito mais impactante. E isso foi só um exemplo. Acho que qualquer filme fica melhor no cinema. Mas isso eu digo porque sou “cinemeiro”, além de cinéfilo. E imagina se todo mundo resolver seguir essa linha: só vai passar blockbuster no cinema. O horror, o horror…

RD

15/05/2012 as 17:0819

“Muita gente pensa, equivocadamente, que se for um drama é melhor ver em casa”. Eu admito que quando quero ver filmes com amigos os dramas são os últimos que escolho pra ver junto no cinema – prefiro ver filmes com mais cara de cinema hehe isto é, grandes produções que explorem bem o som. Os dramas eu baixo pra ver em casa mesmo (assim como comédias românticas).