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Festival de Gramado-2012 – no 8º dia, encerramento da competição

05:49 · 18.08.2012 / atualizado às 05:49 · 18.08.2012 por

A oportunidade de ver integralmente O Som ao Redor, o debate com Kleber Mendonça Filho e elenco, a exibição do fantástico curta O Duplo, de Juliana Rojas, a apresentação especial de Toda Nudez Será Castigada, seguida de homenagem ao seu diretor Arnaldo Jabor e mais duas obras que encerram as mostras competitivas foram as atrações da sexta-feira

Os atores Albert Tenório, Lula Terra e Irandhir Santos e o cineasta Kleber Mendonça Filho na coletiva de imprensa de O SOM AO REDOR (foto: Ailton Monteiro)

A maratona chegou ao fim e o dia começou com um pouco de tensão, gerado pelo problema na aparelhagem de som no momento da exibição do longa-metragem O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, na noite anterior. Felizmente a organização do festival soube consertar tudo, incluindo duas sessões extras para o filme, uma às 10 hs e outra às 14 hs, de modo que ninguém fosse prejudicado e tanto o júri quanto o público pudesse apreciar o filme. Claro que não é a mesma coisa, não dá para sentir o termômetro do que seria à noite, com mais pessoas na sala, mas só em poder ver o filme integralmente já foi um ganho e tanto.

Pode-se dizer que O Som ao Redor é o concorrente à altura para O Que se Move, de Caetano Gotardo, no que se refere à premiação. São filmes totalmente diferentes, mas ambos optaram por um registro fora do convencional e que mostra cineastas com pleno domínio de suas funções. Kleber Mendonça Filho, por ter um histórico de curtas extraordinários e de ter o seu filme exibido em Cannes, já era bastante aguardado como um dos favoritos do festival.

O Som ao Redor deixa muitas dúvidas ao final, mas não dá para negar o grau de tensão e de envolvimento que ele provoca no espectador. Há elementos tirados diretamente de Eletrodoméstica (2005), um dos curtas mais famosos do diretor, e referências que boa parte da crítica não percebeu, como a influência assumida por KMF do cinema do americano John Carpenter e do palestino Elia Suleiman. Assim, embora lide com problemas sociais, o filme cruza fronteiras de gêneros como o terror e o western.

Na entrevista coletiva que aconteceu perto de uma da tarde, ele falou justamente dessas influências, embora não tenha achado nenhum absurdo as comparações que fizeram com David Lynch e Michael Haneke. Também destacou outro filme brasileiro fundamental como referência e que poucos perceberam: Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho.

Na coletiva de imprensa estiveram presentes, além do próprio diretor e da produtora Emilie Lesclaux, os atores Albert Tenório, Lula Terra, Irandhir Santos, Maeve Jinkins e WJ Solha. Este último, aliás, foi bastante elogiado pelos críticos e tratou de lembrar que também está presente em Era uma Vez Eu, Verônica, de Marcelo Gomes, que integra a seleção do Festival de Brasília. Na coletiva também se falou dessa nova geração de cineastas pernambucanos, que tem se destacado na cinematografia brasileira.

Os diretores Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira, de MENINO DO CINCO, e o diretor Thiago Brandmarte Mendonça, de PIOVE, IL FILM DI PIO (foto: Ailton Monteiro)

À tarde, ainda houve coletiva de imprensa com Betty Faria e com Arnaldo Jabor, mas o corpo pediu um pouco de descanso para poder apreciar os filmes da noite. No caminho para o hotel, fui no mesmo transporte (pela segunda vez) com os diretores baianos do impressionante curta Menino do Cinco, os simpáticos Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira, e com o paulista Thiago Brandmarte Mendonça, diretor de Piove, Il Film di Pio. Aos baianos perguntei sobre a influência dos irmãos Dardenne, que eles confirmaram. A viagem foi rápida demais para conversar com o trio. Mas deu para documentar o encontro com uma foto.

A noite começa com uma homenagem do festival a um dos homens mais importantes do cinema brasileiro: Carlos Reichenbach. Pena que o pequeno clipe, feito pelo Canal Brasil, foi tão curto. Mas foi mais do que justo o festival homenageá-lo, já que seu nome já havia sido citado tantas vezes por outros realizadores.

Juliana Rojas apresentando O DUPLO (foto: Ailton Monteiro)

A noite começa com um curta fantástico. Nos dois sentidos do termo. Tem sido admirável o trabalho que Juliana Rojas e seus amigos do grupo Filmes do Caixote têm feito no terreno do cinema fantástico. Em O Duplo, uma professora do ensino fundamental vê sua aula interrompida quando um dos alunos vê seu duplo passeando do lado de fora da sala. A trama vai ficando cada vez mais bizarra e aterrorizante. Para quem gosta de cinema de horror, O Duplo é coisa fina.

Toda Nudez Será Castigada, em exibição especial com cópia restaurada, apesar de ovacionado pela plateia ao final, passou a impressão de que perdeu a sua força com o tempo. Logo após, houve a homenagem a Arnaldo Jabor, que, ao contrário do que costumava dizer na televisão, falou que o Brasil está melhorando.

Os filmes do segundo bloco foram o curta Um Diálogo de Ballet, de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, que trata dos sentimentos de quem é homossexual; e do documentário musical Jorge Mautner – O Filho do Holocausto, de Pedro Bial e Heitor D’Alincourt.

Neste sábado, 18, acontece a cerimônia de entrega dos kikitos. Quem será o grande vencedor?

 

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