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Festival de Gramado 2012 – no sétimo dia, conversas emocionadas

09:04 · 17.08.2012 / atualizado às 09:04 · 17.08.2012 por

Uma conversa emocionada com Sara Silveira, coletivas com direção e elenco de Vinci e O Que se Move, exibição de um bom filme estrangeiro, dois curtas brasileiros e uma falha técnica que interrompeu a sessão de O Som ao Redor foram os destaques do sétimo dia em Gramado

O diretor Caetano Gotardo e as atrizes Cida Moreira e Andrea Marquee na coletiva de O QUE SE MOVE (foto: Ailton Monteiro)

Começando pelo fim, simplesmente lamentável o que aconteceu durante a sessão do longa-metragem O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho. Faltando menos de meia hora para acabar, o filme teve um comprometimento no som, tornando inaudível as falas dos personagens. Além do mais, o som é elemento primordial, como já deve ser percebido pelo título. A direção do festival ficou de regularizar o problema para que o júri possa avaliá-lo sem prejuízo.

No mais, o dia começou com as tradicionais coletivas de imprensa dos filmes exibidos na noite anterior. Cheguei atrasado para a coletiva dos curtas, mas gostei particularmente das observações da diretora de A Mão que Afaga, Gabriela Amaral Almeida, que comentou sobre o universo infantil deturpado e de outros elementos importantes do filme. Muito simpática e articulada, a diretora pareceu ter agradado a todos que estiveram presentes.

Antes da coletiva de Vinci, consegui conversar com Sara Silveira, produtora de O Que se Move, mas principalmente lembrada por suas parcerias com Carlão Reichenbach. Ao me apresentar, falei de minha proximidade com o saudoso cineasta e do prêmio que meu blog pessoal ganhou. Foi então que ela lembrou de mim e foi muito atenciosa ao me conceder uma pequena entrevista. Falou do tempo em que trabalhou com o Carlão, de quando fundaram a Dezenove Som e Imagens, sendo o primeiro filme Alma Corsária (1993), e inclusive do porquê de terem batizado a produtora com este nome. Depois de comentar sobre aspectos do filme de Caetano Gotardo, nos despedimos. E ela disse que o Carlão deve estar feliz no céu, olhando para nós. Confesso que fiquei muito emocionado nessa hora.

Na coletiva de Vinci, o cineasta cubano (mas nascido na Rússia) Eduardo Del Llano foi bastante brincalhão, coisa que já tinha dado para perceber na noite anterior, em questão de poucos minutos. Falou do espanhol neutro de seu filme, da aparente teatralidade, do baixo custo por se passar em apenas um local e de seu projeto para o futuro: uma ficção científica que lidará com a hiperbolização no futuro de uma situação atual.

Já a coletiva de imprensa de O Que se Move foi excepcionalmente emocionante. Estavam lá o diretor Caetano Gotardo, a produtora Sara Silveira, as três atrizes principais do filme – Cida Moreira, Andrea Marquee e Fernanda Vianna – e o ator coadjuvante Germano Melo. Como o filme caiu nas graças da crítica e tem muito a ser explorado, o debate foi muito rico, deixando no ar ainda uma série de perguntas, já que o próprio Gotardo acredita que o filme deve conservar essa aura de mistério.

O mais bonito do debate veio das palavras do crítico Luiz Zanin Oricchio, que disse que “infelizmente 99% do cinema que é feito hoje em dia é feito para emburrecer e embrutecer as pessoas” e que “se a crítica tem alguma função é de apontar filmes como esse que tentam devolver ao espectador uma sensibilidade que está por se perder”. Obviamente, o cineasta ficou muito emocionado com essas palavras.

Betty Faria recebendo o Troféu Oscarito das mãos de Rubens Ewald Filho (foto: Ailton Monteiro)

A homenageada da noite foi Betty Faria. A atriz subiu feliz para receber o Troféu Oscarito das mãos do crítico de cinema Rubens Ewald Filho. Sua trajetória foi lembrada com um pequeno clipe que exibiu trechos de vários de seus filmes. Betty ganhou um Kikito em 1987, por seu papel em Anjos do Arrabalde (1987), de Carlos Reichenbach.

A produtora Emilie Lesclaux e o cineasta Kleber Mendonça Filho apresentando O SOM AO REDOR (foto: Ailton Monteiro)

Quanto aos filmes da noite, o curta-metragem Piove, Il Film di Pio, de Thiago Brandimarte Mendonça, faz uma pequena homenagem ao cineasta esquecido Pio Zamuner, que dirigiu e trabalhou em vários filmes na época da Boca do Lixo. Ele dirigiu os 12 últimos filmes de Mazzaropi.

O interessante do curta é a figura de Pio, o jeito como ele quer interferir no trabalho do diretor, dizendo “corta”, querendo posicionar a câmera em outro lugar, querendo dramatizar algo que aconteceu no documentário.

O documentário chileno Calafate, Zoológicos Humanos, de Hans Mülchi Bremer e Alberto Gesswein, é bem interessante ao tratar de índios do território chileno que foram capturados pelos alemães para servirem de atrações em circos bizarros. Eles eram vistos como aberrações e tratados da maneira mais desumana possível.

O curta-metragem #, de André Farkas e Arthur Guttilla, é um projeto bem experimental, utilizando animação com fotografias e luzes. É um trabalho um tanto atordoante.

Finalmente, voltando a O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, esperamos que consiga ser apresentado em tempo hábil para o júri e para o público na manhã desta sexta, dia 17.

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