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Festival de Gramado-2012 – O QUE SE MOVE no 6º dia

13:57 · 16.08.2012 / atualizado às 13:57 · 16.08.2012 por

O dia começa com uma triste notícia de falecimento, a do cineasta gaúcho Sérgio Silva. Também foi a vez de ver as meninas do filme Insônia, de Beto Souza, mais belas e mais crescidas; de ouvir a “aula” do cineasta veterano Roberto Farias na sala de imprensa; de socializar mais com as pessoas do meio; e de ver mais filmes das mostras competitivas – um deles, já com pinta de que pode ganhar vários kikitos

Lara Rodrigues e Larissa Rezende, de INSÔNIA (foto: Ailton Monteiro)

Depois de um almoço com Ricardo Daem (Correio Braziliense), Enéias de Souza (Revista Teorema), Paulo Henrique Silva (Hoje em Dia), Ivonete Pinto ( Revista Teorema), Maria do Socorro Carvalho (autora do livro Nova Onda Baiana: Cinema na Bahia, 1958-1962) e João Nunes (Correio Popular de Campinas), antes de passar na sala de imprensa, vi as meninas de Insônia, Lara Rodrigues e Larissa Rezende, bem mais belas e crescidas, do lado de fora do restaurante, esperando vaga. Tratei de pagar logo a conta e fui pedir para tirar uma foto das duas, que gentilmente aceitaram.

Na sala de imprensa, soube da morte de Sérgio Silva. O desabrochar da juventude (as meninas do filme) e a notícia do fenecer da vida de alguém em questão de minutos faz a gente pensar na vida.

A presidente da ACCIRS Mônica Kanitz e o cineasta Roberto Farias (foto: Ailton Monteiro)

Perto das três horas, houve debate com o cineasta Roberto Farias, mediado por Mônica Kanitz, presidente da ACCIRS (Associação de Críticos de Cinema do RS). O tema do debate, a crítica, ficou muito centrado em seu trabalho censurado pelos militares, Pra Frente Brasil (1982), premiado como melhor filme no Festival de Gramado.

Outro assunto debatido foi o da “briga”, que pelo visto já existe há décadas, entre a crítica do Rio e a de São Paulo. Ele contou de um caso em que foi falar com o crítico paulista Rubem Biáfora e que este falou para ele se posicionar: se estava do lado da crítica carioca ou da crítica paulista.

O diretor conversou sobre outros de seus filmes não muito famosos pelo grande público de hoje, como Selva Trágica (1963) e Cidade Ameaçada (1960). Na década de 1960, Farias não fazia parte da turma do Cinema Novo e era visto como um cineasta mais comercial, principalmente por ter dirigido os três filmes com Roberto Carlos. Seu atual projeto é um filme sobre o exílio e morte de Jango, que ele ainda está trabalhando no roteiro.

Elenco e equipe técnica de O QUE SE MOVE (foto: Ailton Monteiro)

Chegada a hora dos filmes da noite, já se espera um longa-metragem estrangeiro ruim, curtas muito bons e um longa brasileiro que pode surpreender positivamente. O primeiro curta da noite foi o lynchiano A Mão que Afaga, de Gabriela Amaral Almeida, muito interessante em seu jogo de sombras e em apostar na estranheza da história e do comportamento dos personagens. Na trama, uma funcionária de telemarketing planeja o aniversário do filho e convida um homem vestido de urso para animar a festa.

Quanto ao longa estrangeiro, o cubano Vinci, de Eduardo Del Llano, não é tão feio quanto parece e para um filme todo centrado em um único espaço – o local onde prenderam o jovem Leonardo Da Vinci junto com um ladrão e um assassino -, até que é um trabalho bem dinâmico. Ajuda também o fato de ter apenas 61 minutos de duração.

O segundo bloco começou de maneira emocionante, graças principalmente ao discurso enérgico da produtora Sara Silveira, que emocionou a plateia ao dedicar o filme a Carlão Reichenbach, com quem foi parceira durante muito tempo em sua produtora, a Dezenove Som e Imagem. Ela esteve presente para divulgar o lançamento de O que se Move, de Caetano Gotardo, e ainda lamentou que a sala não estivesse lotada como no passado, que alguém deveria fazer algo para que as plateias voltassem a se interessar pelo cinema brasileiro. E pediu também para o público presente ver o filme com carinho e paciência, por ser uma obra diferente.

Antes disso, o curta-metragem Funeral à Cigana, de Fernando Honesko, ajudou a esquentar a noite. Na trama, uma família de ciganos tenta levar o corpo do falecido patriarca para se enterrado onde ele desejava.

E chegou a vez de O que se Move, um filme de sensações, sentimentos profundos, sofisticação visual, sequências musicais e que fala essencialmente sobre a perda. É um filme que exige mais do espectador, mas que é muito bem vindo em tempos de coisas fáceis e óbvias. Vale a pena ficar de olho para quando for estrear comercialmente.

 

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