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Festival de Gramado-2012 – os curtas no 3º dia

09:57 · 13.08.2012 / atualizado às 09:57 · 13.08.2012 por

A marca do terceiro dia foram os curtas. E curtas de qualidade, vistos em sua maioria na Mostra Curtas Gaúchos. Foi também o dia da exibição do documentário Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now, e da premiação dos curtas gaúchos, que tinham sido exibidos nas tardes de sábado e domingo

Gilson Vargas, diretor de CASA AFOGADA (foto: Ailton Monteiro)

O domingo, dia dos pais, foi marcado para mim por uma outra escolha: não ir à coletiva de imprensa de Artigas, la Rota e de Super Nada, para encontrar um amigo de longa data: Davi de Oliveira Pinheiro. Ele esteve presente para apresentar um filme da mostra de curtas gaúchos e é também o diretor de Porto dos Mortos, longa-metragem de zumbis que foi exibido no Chicago Latin Film Festival. Depois do almoço, fiz uma pequena entrevista em um café, conversa esta que descambou até para assuntos esotéricos, já que ele citou o cineasta, escritor e místico Alejandro Jodorowski.

Após o bom papo, foi a hora de conferir os curtas gaúchos, os quais, surpreendentemente, foram todos uma delícia. É possível dizer que mesmo dois deles achei um pouco fracos, mas, mesmo assim, prazerosos de se ver em sua imperfeição. Além do mais, a plateia da tarde é muito mais calorosa do que a da noite.

Casa Afogada, de Gilson Vargas, também está na mostra competitiva principal. É um trabalho bem orquestrado, com um especial uso do som e uma história interessante. Ignácio e Saldanha é muito divertido. Um filme de roteiro, que deve muito aos diálogos espirituosos de dois velhos amigos que dizem ser Deus e o diabo. Mas o mais bonito do dia foi Só Isso, de Iuli Gerbase, com uma fotografia em vertical, cobrindo apenas parte da tela, e dividido em blocos semi-independentes que exalam poesia. A Vida da Morte, de Maciel Fischer, é outra comédia bem divertida, com o drama da morte, representada fisicamente no clichê da caveira vestida de preto com uma foice, a qual, de repente se vê na vontade de abandonar a sua função. E assim terminou o primeiro bloco.

No segundo bloco, o vencedor de melhor filme da noite, Elefante na Sala, de Guilherme Petry, apresenta um jovem que enfrenta a solidão à sua maneira. Boa Viagem é uma espécie de Antes do Amanhecer mais pobrinho, com citações interessantes de Mário Quintana e que poderia ter terminado melhor, parecido com um conto de James Joyce. Lobos, de Abel Roland e Emiliano Cunha, fica excelente no momento de um acidente na estrada, com ótima criação atmosférica e um casal de atores nota 10. A atriz, inclusive, ganhou o prêmio. Noite Um, de Rafael Duarte e Taísa Ennes Marques, é uma história de vampiros muito bem dirigida, embora um pouco previsível. Encerrando a mostra, Rua dos Aflitos, 70, de Leandro Daros, que  talvez não tenha sido uma boa escolha para finalizar a tarde, mas é um filme que deve ser bastante procurado por pessoas que buscam a temática do abuso sexual infantil.

Ninho Moraes e Francisco Cesar Filho, diretores de FUTURO DO PRETÉRITO: TROPICALISMO NOW (foto: Ailton Monteiro)

A noite abriu com mais dois curtas da Mostra Competitiva Nacional: Dicionário, de Ricardo Weschenfelder, um elegante filme kafkiano; e o comovente Diário do Não Ver, de Cristina Maure e Joana Oliveira, que trata da difícil adaptação de uma mulher à cegueira.

O único longa-metragem do dia foi um filme já exibido no Cine Ceará: Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now, de Ninho Moraes e Francisco Cesar Filho. O filme trata de um assunto bem interessante e que não custa ser revisitado e conta com uma interessante parte musical tocada por André Abujamra, com vários convidados entoando canções emblemáticas do Tropicalismo.  Abujamra e Luis Caldas estiveram presentes. Pena que Alice Braga e Gero Camilo não vieram.

A noite encerrou com a cerimônia de premiação da Mostra Gaúcha Prêmio Assembleia Legislativa. Abaixo, lista dos vencedores de cada categoria, na ordem inversa em que foram premiados.

Melhor filme: Elefante na Sala, de Guilherme Petry
Melhor ator: Guto Zuster, por 24 com Carolina
Melhor atriz: Fernanda Carvalho Leite, por Lobos
Melhor direção: Richard Tavares e Bruno Carboni, por Garry
Melhor roteiro: Guilherme Petry e Samir Arrage, por Elefante na Sala
Melhor fotografia: Bruno Polidoro, por Fez a Barba e o Choro
Melhor montagem: Bruno Carboni, por Garry
Melhor direção de arte: Iara Noemi e Gilka Vargas, por Casa Afogada
Melhor música: Bunker Studio, por Fez a Barba e o Choro
Melhor edição de som: Gabriela Bervian, por Casa Afogada
Melhor produtor executivo: Gilson Vargas e Beto Picasso, por Casa Afogada

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