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Festival de Gramado-2012 – o segundo dia

09:24 · 12.08.2012 / atualizado às 09:33 · 12.08.2012 por

O segundo dia da 40ª edição do Festival de Cinema de Gramado reservou bons momentos, com filmes pouco usuais e uma super-agradável minicoletiva de imprensa com Fernando Meirelles e Maria Flor

Fernando Meirelles em coletiva de imprensa de 360

Cobrir festivais é saber que não é possível acompanhar tudo, principalmente para quem também tem que ver os filmes, estar presente nas coletivas de imprensa com os diretores, atores e produtores dos filmes vistos na noite anterior e, finalmente, encontrar tempo para escrever sobre essas atividades. No caso de ontem, sábado, 11, os filmes debatidos foram 360, de Fernando Meirelles, e Eu Não Faço a Menor Ideia do que Tô Fazendo com a Minha Vida, de Matheus Souza. Não tive tempo, por choque de horários, de conferir os filmes da Mostra Curtas Gaúchos, que aconteceu à tarde, no Palácio dos Festivais. Perdi de ver, assim, o curta de um amigo, Beijo Proibido, de Davi de Oliveira Pinheiro.

O dia começou com uma coletiva de imprensa com o cineasta Fernando Meirelles, a responsável pela trilha sonora, Ciça Meirelles, e a atriz Maria Flor. Na coletiva, Meirelles, que obviamente foi o mais solicitado a responder as perguntas, falou da maneira diferente que foi trabalhar com diferentes produtores – havia um produtor local para cada país do filme, que tem locações em Viena, Londres, Paris, Bratislava, Denver e Phoenix.

Não podia faltar a pergunta sobre Xingu e a polêmica declaração de que ele não vai mais filmar no Brasil, coisa que ele já desmentiu. Ele fala que apenas desistiu da ideia de adaptar Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Na entrevista mais intimista, realizada no Hotel Serrano, Meirelles disse acreditar que o público de hoje não está mais interessado em filmes de jagunços. Quando mencionei o sucesso da minissérie da Rede Globo, ele respondeu que na década de 1980, a televisão aberta era produzida para as classes A e B, coisa que mudou nos últimos anos. Faz sentido.

Outro detalhe interessante que ele falou em relação a 360, foi que ele considera o filme mais do roteirista, Peter Morgan, do que dele. Como foi uma coletiva muito extensa, e até por falta de tempo, tenho que resumir muito. Outro assunto abordado: a diferença de método dos dois atores que contracenaram com Maria Flor: Anthony Hopkins e Ben Forster. Enquanto o primeiro resolveu improvisar e usar a sua própria experiência de vida, rejeitando o roteiro; o segundo é um ator de método, tendo estudado a vida de prisioneiros antes de efetivamente ir para as filmagens.

Mas o melhor mesmo foi a aconchegante minicoletiva, que aconteceu com apenas meia dúzia de jornalistas com Meirelles e Maria Flor, sendo eu um dos privilegiados. Lá, tive mais liberdade para fazer perguntas para o diretor e sua atriz, que foram muito simpáticos. Meirelles, por mais que alguém diga não gostar de seus trabalhos, especialmente os mais recentes, é tão simpático e atencioso que não tem como não gostar dele. Lá, tive a oportunidade de elogiar a performance de Maria Flor, que sinceramente, para mim, é responsável pelos melhores momentos de 360. A minicoletiva durou cerca de uma hora e foi um tempo que passou voando.

Antes dessa minicoletiva, cheguei a ver um pouco da coletiva de Eu Não Faço a Menor Ideia do que Eu Tô Fazendo com a Minha Vida, com a participação do diretor Matheus Souza, da atriz Clarice Falcão e do ator Rodrigo Pandolfo. Trata-se de um grupo de artistas bem jovens. O diretor tem apenas 24 anos e está em seu segundo longa-metragem. O primeiro foi Apenas o Fim (2008).

O tema mais abordado foi o da diferença de gerações, de como a geração que cresceu mais dentro de um quarto e na frente de um computador se comporta nos dias de hoje, dos seus anseios e necessidades. E como o filme é bem representativo dessa geração, contando inclusive com trilha sonora de artistas novos, nada mais natural que esse fosse o principal assunto da coletiva.

Mais tarde, tive oportunidade de entrevistar rapidamente o ator Rodrigo Pandolfo, que em breve poderá ser visto no elenco do aguardado Faroeste Caboclo, filme baseado na canção homônima da Legião Urbana. Ele contou, inclusive, que conheceu a banda apenas quando Renato Russo morreu. Ele acredita que o filme ainda vai estrear em 2012, mas não há data definida por enquanto.

Cesar Charlone apresentando o seu ARTIGAS, LA REDOTA

Quanto aos filmes exibidos no dia, o curta Linear, de Amir Admoni, é muito bonito, com sua junção de animação com live action. O longa-metragem Artigas, la Redota, coprodução Uruguai-Brasil de Cesar Charlone, mostrou mesmo que não tem nada de televisiva, como havia dito o cineasta, ao apresentar o filme. O problema talvez seja a falta de conhecimento da maioria de nós sobre a história da América Espanhola. E como o filme não é nada didático, torna-se em certos momentos confuso. O filme faz parte de um projeto em que vários países da América Espanhola falarão sobre os seus heróis libertadores.

Ah!, e o almoço? Por conta da fome, não deu para conferir o curta-metragem A Triste História de Kid Punhetinha, de Andradina Azevedo e Dida Andrade. Mas cheguei a tempo para ver Super Nada, de Rubens Rewald e Rossana Foglia, que é no mínimo bem interessante e que conta com uma participação bem especial de Jair Rodrigues.

E assim terminou mais um dia em que se respirou Cinema em Gramado.

Fotos: Ailton Monteiro.

Data de estréia

360 ingressa nesta sexta, 17, nos circuitos comerciais.

Veja o trailer de 360.

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