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AS SESSÕES – do pulmão de aço ao amor pleno

Publicado em 08/08/2013 - 21:25 por | Comentar

Categorias: MEMÓRIA, OBITUÁRIO, PESQUISA

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A coragem e ousadia de Mark O’Brien foram fundamentais para que ele mudasse radicalmente a sua vida. A partir da sua relação com uma mulher, a sex surrogate Cheryl Cohen-Greene, ele não apenas descobriu a sexualidade, mas a potencialiade a qual desconhecia

Mark O'Brien e a namorada Susan Fernbach: personagens da vida real

Mark O’Brien e a namorada Susan Fernbach: personagens da vida real

Mark O’Brien pode ser melhor conhecido, também, através do documentário Breathing Lessons: the life and work of Mar O’Brien (1996), documentário de Jessica Yu premiado com o Oscar de melhor curta-metragem. No vídeo, ele faz várias revelações, entre elas, a certeza de que não iria se apaixonar e que não teria uma pessoa ao lado. Eu estava com raiva de todas as mulheres para não se apaixonar por mim, disse ele no documentário. Cheryl mudou isso e com um especial detalhe: mostrou a ele o seu próprio corpo usando um espelho – cena que está no filme As Sessões. Em artigo ao Sun, jornal para o qual escrevia, disse que a experiência os seus olhos e o coração. Eu estava surpreso que eu parecia tão normal, que eu não era a figura horrivelmente torcido e cadavérico Eu sempre me imaginei ser.

A terapeuta sexual Cheryl também tem as suas revelações, como o espanto dela logo na primeira das seis sessões que tiveram. …Foi assustador. Ele era muito frágil e quando tirei a sua camisa, gritou porque doía muito quando eu pagava em seus braços. E o trabalho dela para prepará-lo para a sexualidade teve momentos de emoção: No dia em que eu o beijei no peito, algo que nunca tinha acontecido com ele antes, ele chorou e eu também, muito, disse Cheryl.

Ela cita duas situações colocadas em As Sessões. Realmente eles ficaram por mais tempo além do determinado para a terapia, mas, diferentemente do que está no filme, eles cumpriram todas as sessões combinadas. E ao final delas, continuaram amigos e até comemoraram juntos o último aniversário dele. Cheryl trabalhou durante 40 anos como sex surrogate. Hoje, está aposentada e dedicada ao marido e aos dois filhos.

Para saber mais sobre Cheryl Cohen-Greene > acesse aqui <

Após a convivência com Cheryl, O’Brien conheceu, via internet, Susan Fernbach, uma poetisa. Ela revela que ele era ávido leitor de William Shakespeare, beisebol e religião, já que era católico praticante. A honestidade e o humor cáustico eram outras características. Passaram juntos os 5 anos da vida dele.

No funeral de Mark, Cheryl conta que ficou emocionada quando Susan leu um poema que ele escreveu para ele: Poema de Amor Para Ninguém em Especial.

Leia o poema, que também está em As Sessões.

Poema de amor para ninguém em especial

Deixe-me tocá-la com minhas palavras
Pois minhas mãos inertes pendem
como luvas vazias
Deixe minhas palavras acariciarem seu cabelo
deslizar tuas costas abaixo
e brincar em teu ventre
pois minhas mãos,
de voo leve e livre como tijolos
ignoram meus desejos
e teimosamente se recusam a tornar realidade
minhas intenções mais silenciosas
Deixe minhas palavras entrarem em você
carregando lanternas
aceite-as voluntariamente em seu ser
para que possam te acariciar devagarinho
por dentro.
(Tradução: Julia V. – internauta)

A profissão de substituta do sexo surgiu no final dos anos 50 e se desenvolveu até o início da década de 70, quando foram profissionalizadas em função do casal Masters-Johnson com o seu tratado sobre a sexualidade humana. Hoje, a profissão – existem pouquíssimos homens – exige certificação nas áreas educação sexual, somática psicológica, sexologia e psicologia, além de ser especializada em aconselhamento familiar. Isso, nos EUA.

Confira o curta-metragem Breathing Lessons: the life and work of Mar O’Brien, de Jessica Yu.

 

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