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Melhores de 2011 – os eleitos dos críticos de San Francisco

Publicado em 30/12/2011 - 23:01 por | Comentar

A Árvore da Vida, de Terrence Malick, foi o eleito como melhor do ano pelo San Francisco Film Critics Circle. Outras indicações da associação foram Rango, de Gore Verbinski, e Gary Goldman o melhor ator O Espião que Sabia Demais, do inglês Tomas Alfredson. Duas surpresas: oeuropeu Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami, melhor filme estrangeiro, e a indicação da veterana Vanessa Regrave como melhor atriz coadjuvante por Coriolanus, estréia do ator Ralph Fiennes na direção e que tem Gerard Butler no papel central

 


Os eleitos

Filme
A Árvore da Vida (The Tree of Life), de Terrence Malick

Diretor
Terrence Malick, A Árvore da Vida

Ator
Gary Oldman, O Espião que Sabia Demais (Tinker Taylor Soldier Spy, Inglaterra), de Tomas Alfredson

Atriz
Tilda Swinton, Precisamos Falar Sobre o Kelvin (We Need to Talk About Kelvin, Inglaterra), de Lynne Ramsey

Ator Coadjuvante
Albert Brooks, Drive

Atriz Coadjuvante
Vanessa Redgrave, Coriolanus, de Ralph Fiennes

Roteiro Original
JC Chandor, Margin Call – o dia antes do Fim (Margin Call)

Roteiro Adaptado
Bridget O’Connor e Peter Straughan, O Espião que Sabia Demais

Estrangeiro
Cópia Fiel (Copie Conforme, França, Itália, Bélgica), de Abbas Kiarostami

Animação
Rango, de Gore Verbinski

Documentário
Tabloid (EUA, 2010), de Errol Morris

Fotografia
Emmanuel Lubezki, A Árvore da Vida

Citação Especial Para o Cinema Independente Subvalorizado
O Moinho e a Cruz
(The Mill and the Cross, Suécia-Polônia, 2011), de Lech Majewski

O trailer que seleciono para você conferir será uma das maiores atrações do circuito de arte em 2012: O Moinho e a Cruz. Descoberta dos críticos de San Francisco.

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DVD/BluRay – Para você ver no final de semana

Publicado em 24/12/2011 - 8:09 por | Comentar

Categorias: Geral

Enfim, chegamos ao final do ano, e, os principais lançamentos do cinema nesse segundo semestre de 2011 estão chegando em DVD e Blu ray nas locadoras da cidade. Se você é um inveterado fã da sétima arte, pegue o papel e caneta e anote os títulos de alguns ótimos filmes que o blog de cinema do Diário do Nordeste recomenda para que os conheça, em companhia da família neste fim de semana especial de Natal

 

PEDRO AZEVEDO
Colaborador

 
Melancolia

A depressão do diretor dinamarquês Lars Von Trier deu luz a dois grandes filmes de sua carreira, Anticristo e Melancolia são frutos do estado depressivo do diretor. Não seria exagero algum pôr o filme entre os melhores do ano, Kirsten Dunst interpreta aqui um dos seus maiores papeis, que inclusive lhe rendeu a palma de ouro de melhor atriz em Cannes.

Veja o trailer de Melancolia.

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Melancolia é um planeta recém-descoberto pelos astrónomos que passará pela órbita terrestre no seu próprio movimento translativo. O fim do mundo é inevitável, os primeiros 10 minutos de filme não tardam a nos mostrar o triste destino do planeta terra e de toda a humanidade. Trata-se de um filme catástrofe que tem como pano de fundo o fim do mundo, no qual o que importa não é o alarmismo do arrebatamento e sim o estudo minucioso de suas duas personagens centrais: Justine e Claire. Também não seria justo dizer que o filme trata da reação de suas personagens com o fim do mundo: os traços de personalidade de cada uma já estavam estabelecidos muito antes de tomarmos conhecimento da possibilidade do planeta vir a colidir com a terra. O máximo que se pode chamar a atenção é para você ficar atento e “captar” esse detalhe: como as particularidades e a idiossincrasia de cada uma sofrem transformações ao longo do filme e como o “fim do mundo” catalisa essas mutações.
Melancholia. Dinamarca, Alemanha, França, Itália, Suécia, 2011. Diretor/Roteiro: Lars von Trier. Fotografia: Manuel Alberto Claro. Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling, John Hurt, Alexander Skarsgård, Brady Corbet e Stellan Skarsgård. Duração: 136 min. Distribuidora: Califórnia Filmes. Classificação: 14 anos.

A Árvore da vida

O quinto filme do diretor estadunidense Terrence Malick, ganhador da Palma de Ouro neste ano em Cannes é, também, o meu preferido de toda a sua carreira. A Árvore da Vida (Confira a crítica completa clicando aqui >) é um dos filmes mais controversos de 2011, pois decepcionou a uma parte de seus espectadores e foi aclamado pela crítica. Os comentários negativos a respeito do filme variam de “muito chato” a “presunçoso”, fruto da narratuiva lenta imposta pelo diretor. Mas, inegavelmente, este é um filme sensorial, transcendente, e conquista as pessoas que souberam apreciá-lo em sua mensagem espiritual.

Confira o trailer de A Árvore da Vida.

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Como eu tinha dito em crítica neste blog, o filme tráz um nível de discussão existencial a qual é novidade para o cinema. Entre outros temas, o papel do homem no universo e a sua relevância no curso de sua existência são postos em xeque de maneira poética e envolvente, linda mesmo, por Malick, com a colaboração de seu fotógrafo predileto, Emmanuel Lubezki.  A grandeza de A Árvore da Vida é intimidante, assim como a grandeza do universo em relação a humanidade. O filme inquieta por nos levar à reflexão sobre a vida e a morte. E, no fim das contas, nem todos conseguem lidar com essa dura tarefa, a existência, não é mesmo?

The Tree of Live. EUA, 2011. Diretor/Roteiro: Terrence Malick. Fotografia: Emmanuel Lubezki .Elenco: Brad Pitt, Sean Penn, Fiona Shaw, Jessica Chastain, Kari Matchett, Dalip Singh, Joanna Going, Jackson Hurst, Brenna Roth, Jennifer Sipes, Crystal Mantecon, Lisa Marie Newmyer. Duração: 138 min. Distribuidora: Imagem Filmes. Classificação: 10 anos.

Meia noite em Paris

O diretor estadunidense Woody Allen dispensa apresentações e a única declaração que eu posso dar ao introduzir Meia Noite em Paris é que é um dos filmes mais divertidos e, ao mesmo tempo, sérios do diretor. Woody faz referências a filmes que ele mesmo criou como A Rosa Púrpura do Cairo, Desconstruindo Harry ou Simplesmente Alice. Caso você os tenha visto, serão feitas inevitáveis associações entre eles. Allen dá vida à fantasia neste Meia-Noite em Paris, assim como já fizera tão maravilhosamente nos demais citados.

Confira o trailer de Meia Noite em Paris.

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Meia Noite em Paris trata da importância que a arte tem como experiência individual e da insatisfação crônica de seus personagens com o seu ideal de felicidade. Vai mais além do que apenas um filme nostálgico e de auto referencia. E se a insatisfação tomou conta da sua vida, agarre-se ao seu ideal de felicidade e assista a esta romântica viagem ás noites mágicas de Paris!

Midnight in Paris. EUA, França, Reino Unido, 2011. Diretor/Roteiro: Woody Allen. Fotografia: Darius Khondji. Elenco: Kurt Fuller, Owen Wilson, Marion Cotillard, Michael Sheen, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Rachel McAdams, Gad Elmaleh, Carla Bruni, Nina Arianda, Mimi Kennedy, Corey Stoll, Manu Payet. 100 minutos. Distribuidora: Paris Filmes. Classificação: 12 anos.


Desconstruindo Harry

Aproveitando o gancho de Meia-noite em Paris, informo que Desconstruindo Harry acaba de chegar ao home vídeo, pela flashstar, juntamente com vários outros filmes da coleção de Woody Allen lançada recentemente pela distribuidora. Desconstruindo Harry é, particularmente, um dos meus filmes preferidos do diretor. A história contida no filme é a do escritor Harry Block (possível referência à Antonius Block, personagem de Ingmar Bergman em O Sétimo Selo), que encontra sucesso apenas na arte e é um fracasso como ser humano (outra possível referência a Bergman que dizia ter fracassado como ser humano).

Confira o trailer de Desconstruindo Harry.

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Logo vamos literalmente desconstruindo a história de Harry, todas as suas desilusões amorosas, sua relação com a religião/sexo/paixão/morte/depressão/muitas coisas. Woody Allen joga com o fantasioso para construir a desconstrução de Harry. Desconstruindo Harry não é um filme novo, data de 1997, mas o intuito dessa lista é acima de tudo sugerir bons filmes bons, de preferência agradáveis de se ver. Não deixem de assistir!
 

Desconstrcting Harry. EUA, 1997. Diretor/Roteiro: Woody Allen. Fotografia: Carlo Di Palma. Elenco: Elizabeth Shue, Judy Davis, Caroline Aaron, Woody Allen, Kirstie Alley, Bob Balaban, Richard Benjamin, Eric Bogosian, Billy Crystal, Hazelle Goodman, Mariel Hemingway, Amy Irving, Julie Kavner, Eric Lloyd, Julia Louis-Dreyfuss, Tobey Maguire, Demi Moore, Stanley Tucci, Robin Williams, Gene Saks e Jennifer Garner. 100 minutos. Distribuidora: Flashstar. Classificação: 14 anos.

Cópia Fiel

Quando se acha que Juliette Binoche não pode ser melhor, ela nos presenteia com uma de suas melhores atuações, a qual lhe rendeu, entre outras premiações, a Palma de Ouro de melhor atriz em Cannes em 2010. De Abbas Kiarostami, Cópia Fiel é um deleite de filme romântico dramático.

Confira o trailer de Cópia Fiel.

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Cópia Fiel é acima de tudo um filme de diálogos. Essa característica tem de ser ressaltada para o espectador não ser pego de surpresa com os longos takes de discussões filosóficas e existenciais entre os personagens centrais, interpretados por Juliette Binoche e William Shimell. Não se sabe bem para onde as discussões conduzem os personagens em suas jornadas emocionais, eles continuam os mesmos, imutáveis? Afinal de contas, quem são estes dois na tela? São originais ou meras cópias? Como o próprio personagem de Shimell afirma em seu livro, toda cópia tem sua originalidade.

Copie conforme. França-Itália-Irã, 2010. Diretor/Roteiro: Abbas Kiarostami. Fotografia: Luca Bigazzi. Elenco: Juliette Binoche e William Shimell. 112 minutos. Distribuidora: Imovision. Classificação: Livre.

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Até logo, Leon Cakoff

Publicado em 14/10/2011 - 17:37 por | Comentar

Categorias: MEMÓRIA

Às vésperas de mais uma edição, São Paulo perde o criador da sua maior mostra de Cinema: Leon Cakoff. Crítico, cinéfilo, programador e distribuidor de filmes, Cakoff faleceu na tarde desta sexta, 14, após uma batalha de dez meses contra um melanoma

Conheci Leon, assim como a vários colegas da crítica, paulistana, carioca e mineira nas andanças pelos diversos festivais pelo país. Numa dessas ocasiões, se a memória não me falha, em 1994, apresentei-me a ele e, sabedor que tinha uma distribuidora de cinema, a Filmes da Mostra, pedi-lhe que liberasse o acervo para exibição no Cinema de Arte. Na época, eu estava interessado nos filmes iranianos, cuja cinematografia começa a despontar renovando o cinema com o estilo neo realista italiano através Abbas Kiarostami, Jafar Panahi, Majid Majidi, entre outros. Ele os liberou e assim o Cinema de Arte pode acompanhar a tendência internacional de descoberta do cinema iraniano simultânea aos circuitos de filmes de arte que, do exterior, acabou gerando em outra tendência, a da valorização das produções das pequenas cinematografias – e lá vieram as películas do Vietnã, Tunísia, Egito, entre outras, pelas quais o CA continuo correndo atrás.

Em 2000, Cakoff se associou a outra personalidade da cinefilia paulista, Ademar Oliveira, que saiu do grupo Estação Botafogo para inaugurar o Espaço Unibanco de Cinema, e, juntos, criaram a distribuidora Mais Filmes. Desta vez foi Ademar que, mesmo tendo as salas de cinema do Dragão do Mar, nos liberou vários filmes importantes de sua distribuidora. A visão que tenho, tanto de um quanto de outro, é de pessoas generosas, que não se fecharam ao exclusivismo de suas empresas e puderam partilhar os seus filmes.

Trazido pela família, Leon Chadarevian chegou a São Paulo aos 8 anos, em 1956, formou-se em Sociologia e Política, foi crítico de cinema e a partir de 1969 e, a partir de 1964, se tornou um dos militantes da resistência cultural e por isso teve sérios problemas com a ditadura militar implantada. Ao assumir a programação de cinema do Museu de Arte de São Paulo–SP, 3 anos depois, em 1977, criou uma mostra internacional para comemorar os 30 anos da entidade e partir daí surgiu a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Ficou célebre a forma como ele trazia filmes da China, Rússia e Cuba, entre outros países, em rolos espalhados através de transportes das embaixadas e consulados. É por esse e outros motivos que a Mostra de São Paulo é a mais importante do País, ao lado da do Rio de Janeiro, montada pelo Estação. Leon obteve a naturalidade brasileira, casou-se com Renata de Almeida, numa relação que durou 22 anos e gerou 2 filhos. Ela é a atual diretora da Mostra e da distribuidora Filmes da Mostra, a qual voltou a funcionar quando ele deixou de ser sócio de Ademar Oliveira no Grupo Espaço.

Leon escreveu ainda 3 livros sobre cinema: Gabriel Figueroa: o Mestre do Olhar (1995), Ainda Temos Tempo e Cinema sem Fim: a História da Mostra – 30 anos (ambos em 2006), e dirigiu um curta, Volte Sempre, Abbas (1999), do-dirigido pela mulher, Renata, e organizou o longa Bem Vindo a São Paulo, com episódios sobre São Paulo dirigidos por vários cineastas.

Leon foi o primeiro crítico de cinema do País a mostrar que ele, o crítico, não deve ficar preso e restritio a essa função, e sim, que deve e pode contribuir de forma mais ativa e direta para o engrandecimento da arte cinematográfica e, fazendo uso de seu conhecimento, disseminá-la como instrumento de cultura e saber. Leon acabou com essa visão arcaica e se tornou, ele próprio, um veículo cultural do cinema, um produtor à serviço da sociedade. É um dos legados que ele nos deixa.

Veja o treiler de Bem Vindo a São Paulo.

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Cakoff foi, também, e não poderia deixar de ser, um personagem felliano. Ele está na platéia do programa de TV que julga os casais da dança de Ginger e Fred (1986). Aconteceu quando ele visitou os estúdios Cinecittá e conheceu Federico Fellini, que o transformou em figurante.

A 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo vai se realizar de 21 deste mês a 03 de novembro. Não haverá luto. Apenas a saudade da ausência de Leon.

Aliás, grande sujeito esse Cakoff. A ele, o nosso, até logo.

Confira entrevista de Cakoff, há 5 meses atrás, ao programa Provocações, com Antonio Abujamra. Ele faz uma definição do que é a á vida.

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