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FESTIVAL DE CANNES 2013 – conheça os diretores concorrentes

Publicado em 18/04/2013 - 21:39 por | Comentar

Depois de muita espera, finalmente foram revelados os filmes que entrarão na briga pela Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2013. Com algumas ausências na competição principal, como Sofia Coppola e Claire Denis – ambas presentas na mostra paralela Un Certain Regard (Um Certo Olhar) –, foram apresentados 19 filmes, sendo possível que até o início do festival (em 15 de maio) ocorra a inclusão de novos concorrentes, fato que já ocorreu em outras ocasiões

Gilles Jacob, diretor do 66º Festival de Cannes, anuncia os filmes selecionados

Gilles Jacob, diretor do 66º Festival de Cannes, anuncia os filmes selecionados

Vamos conferir os filmes e diretores que participarão dessa edição do Festival:

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BURT REYNOLDS – uma gripe, apenas para lembrá-lo vivo

Publicado em 26/01/2013 - 0:26 por | Comentar

Categorias: Geral

Burt Reynolds. Quem se lembra dele? Foi um dos atores mais carismáticos dos anos 70 e 80, fazia o tipo machão e chegou a ser símbolo sexual. Mas envelheceu, e como todos aqueles que envelhecem, Hollywood descarta. Ele foi internado em estado grave, mas está bem

Burt Reynolds em GUNSMOKE (1962) e em festa do Sindicato dos Atores (2008)

Burton Leon Reynolds Jr. Jogador de beisebol, abandonou a carreiras após um acidente no campo e outro de carro e depois a universidade, indo para Nova York com o sonho de ser ator. Trabalhou em bares e restaurantes e, descoberto pela equipe da série de TV Mister Roberts, entrou para o elenco e daí para a célebre Gunsmoke (1962-65), até ganhar a própria série, Hawk (1966). Fez faroestes na Itália com o grande Sergio Corbucci em Joe, o Pistoleiro Implacável (1966), voltou às séries de TV, a maioria em papéis especiais, até ganhar impulso a partir de 1969 com 3 filmes: 100 Rifles (1969), de Tom Gries, com o monumento Rachel Welch, Sam Whisney, o Proscrito, de Arnold Leven, e Shark, do inesquecível Samuel Fuller. Em 1972 mostrou seu porte interpretativo em Amargo Pesadelo (Deliverance), obra-prima de John Boorman, ao lado de Jon Voight (o qual recomendo com insistência), Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre o Sexo e Tinha Medo de Perguntar, de Woody Allen, Golpe Baixo (74) e Crime e Paixão (1975), de Robert Aldrich, Encontros e Desencontros (78), de Alan J. Pakula. Uma década primorosa.

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OS MELHORES FILMES DE 2012 – a preferência por AS AVENTURAS DE PI

Publicado em 01/01/2013 - 17:49 por | 2 Comentários

Categorias: MELHORES DE 2012

 Chega ao fim a temporada 2012. Foi um dos melhores anos em termos de filmes de qualidade de 2000 para cá. Estrearam nos cinemas de todo o Brasil 323 longas-metragens (em Fortaleza foram 262), sendo 84 deles nacionais. E 2012 só não foi melhor em termos de qualidade porque ainda não chegaram ao Brasil as premiadas produções, especialmente europeias, que ganharam destaque nos festivais internacionais no segundo semestre e por aqui só vão pintar em 2013. Na minha relação de 2012 destaco As Aventuras de Pi como o melhor da temporada que se encerra nesta segunda, 31. Uma obra majestosa, belíssima não apenas em sua concepção visual, mas igualmente na comunicação com o público e na coragem de expressar a necessidade da relação do homem com a espiritualidade. Um filme transcendente

Suraj Sharma em AS AVENTURAS DE PI (2012), de Ang: o melhor filme de 2012

Os Melhores Filmes de 2012

1. AS AVENTURAS DE PI
(Life of Pi, EUA, 2012), de Ang Lee

2. A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
(Hugo, EUA, 2011), de Martin Scorsese

3. A FONTE DAS MULHERES
(La Source Des Femmes, França–Bélgica–Itália, 2011), de Radu Mihaileanu

4. A PERSEGUIÇÃO
(The Grey, EUA, 2011), de Joe Carnahan

5. SHAME
    (Shame, Reino Unido, 2011), de Steve McQueen

6. MÃE E FILHA
(Brasil, 2012), de Petrus Cariry

7. A SEPARAÇÃO
    (Jodaeiye Nader az Simin, Irã, 2011), de Asghar Farhadi

8. INTOCÁVEIS
(Intouchables, França, 2011), de Olivier Nakache e Eric Toledano

9. Á BEIRA DO CAMINHO
(Brasil), de Breno Silveira

10. ARGO
(Argo, EUA, 2012), de Ben Affleck

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Os melhores filmes do primeiro semestre

Publicado em 18/08/2012 - 12:06 por | 4 Comentários

Categorias: MELHORES DO ANO

 Quais foram os melhores filmes exibidos no primeiro semestre deste ano? Aponto alguns que se destacaram pela qualidade como criação cinematográfica e, também, instrumento de entretenimento. A lista pode servir de recomendação para aquele que tenha deixado de ver algum dos títulos apontados e sirva de motivação para pegá-lo nas locadoras. É, também, uma lista prévia para a seleção dos melhores filmes no final do ano

A PERSEGUIÇÃO, de Joe Carnahan, o meu preferido do primeiro semestre de 2012

ANIMAÇÃO

O LÓRAX – EM BUSCA DA TRÚFULA PERDIDA (Dr. Seuss’ the Lorax, EUA, 2011), de Ken Daurio, Cinco Paul e Chris Renaud. Um adolescente tenta encontrar um ambientalista desaparecido a fim de lhe pedir-lhe uma planta de verdade para impressionar a menina que ele tenta namorar e acaba por desvendar o mistério da ausência de árvores na cidade. Os pais podem ajudar a despertar em seus filhos a consciência ecológica.

VALENTE (Brave, EUA, 2012), de Mark Andrews. Princesa escocesa entra em conflito com os pais e, ao apelar para uma bruxa, coloca o reino em perigo. Bela fábula sobre a emancipação feminina e a independência dos jovens.

AVENTURA

A PERSEGUIÇÃO (The Grey, EUA, 2012), de Joe Carnahan. Um grupo de trabalhadores de uma empresa petrolífera tenta sobreviver após o acidente com o avião que o transportava por uma isolada região gelada do Alaska. Uma matilha de lobos move uma perseguição de forma implacável. Liam Neeson merecia o Oscar de melhor ator. Provoca reflexão sobre a relação entre o homem racional e a natureza selvagem.

Veja o trailer e se encoraje a alugar A Perseguição.

Imagem de Amostra do You Tube

OS VINGADORES – THE AVENGERS (The Avengers, EUA, 2012), de Joss Whedon. O grupo de super-heróis se une para enfrentar o vingativo Lóki, meu irmão de Thor. Enxuta aventura que tem nos diálogos irreverentes, na envergadura técnica e nos efeitos especiais as maiores qualidades.

BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR (Snow White and the huntsman, EUA, 2012), de Rupert Sanders. Atualização brilhante do conto de fadas dos irmãos Grimm numa aventura exemplar sobre a busca do poder e o sonho da eterna juventude.

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA (The amazing Spider-Man, EUA, 2012), de Marc Webb. Reboot da história de um dos maiores heróis das histórias-em-quadrinhos numa feliz mistura de romance, ficção, drama e comédia. Uma aventura saborosa e divertida.

Uma cena de AS MULHERES DO SEXTO ANDAR, de Phillippe Le Guay

COMÉDIA

AS MULHERES DO 6º ANDAR (Les femmes Du 6eme etage, França, 2011), de Philippe Le Guay. Na Paris dos anos 60, casal conservador fica chocado com a presença de 3 governantas espanholas que trazem ao prédio as mudanças que se anunciam para as décadas seguintes. Um tratamento sobre as vanguardas.

O ARTISTA (The Artist, França, 2011), de Michel Hazanavicius. Ator do cinema mudo passa por uma série de situações dramática e cômicas quando o cinema começa a ganhar a voz na mudança dos anos 20 para a década de 30 do século passado. Exemplar exposição do processo de evolução do Cinema.

DOCUMENTÁRIO

PINA 3D (Pina, Alemanha-França-Reino Unido, 2010), de Wim Wenders. Um apanhado da vida de Pina Bausch, uma das maiores coreógrafas do teatro europeu.

Cena de A FONTE DAS MULHERES, de Radu Mihaileanu

DRAMA

A FONTE DAS MULHERES (La source dês femmes, França-Bélgica-Itália, 2011), de Radu Mihialeanu. Em um pequeno vilarejo muçulmano, mulheres fazem greve de sexo a fim de que os homens tragam água para casa, serviço até então feito por elas sob um sol escaldante e longa caminhada. 135 minutos. Obra brilhante que deve ser descoberta, principalmente, pelas mulheres. Obra-prima.

Veja o trailer de A Fonte das Mulheres.

Imagem de Amostra do You Tube

A SEPARAÇÃO (Nader az Simin, Irã, 2011), de Asghar Farhadi. Casal em separação cria um dilema, o qual reflete na própria condição social e política do País. 123 minutos. Um retrato do Irã que apenas supomos ser como realmente é.

OS DESCENDENTES (The descendents, EUA, 2011), de Alexander Payne. O estado de coma de sua mulher provocado por um acidente de barco, faz o marido se aproximar de seus filhos e com eles partilhar uma profunda e devastadora revelação. Atuação notável de George Clooney. Fortíssimo drama sobre a integridade do homem e sua responsabilidade para com a família. Este os marmanjos devem ver, obrigatoriamente.

J. EDGAR (J.Edgar, EUA, 2011), de Clint Eastwood. A história de J. Edgar Hoover, o homem que durante décadas e ao longo da passagem de diversos presidentes se manteve à frente do FBI mesmo envolvido em acusações e escândalos. Eastwood expõe um pedaço da história dos EUA que era apenas especulado.

PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN (We Need to talk about Kevin, Inglaterra, 2011), de Lynne Ramsey. A história de uma mãe que reflete aonde errou na educação do filho, o qual provocou o massacre em uma escola, matando colegas e professores. 112 minutos. Uma reflexão sobre os métodos com os quais educamos os nossos filhos. Duro, mas uma bofetada necessária.

Veja o trailer de Precisamos Falar Sobre o Kevin.
Imagem de Amostra do You Tube

HISTÓRIAS CRUZADAS (The Help, EUA, 2011), de Tate Taylor. Jovem mulher retorna à sua pequena e conservadora cidade dos anos 60 e convence várias mulheres negras que trabalharam nas residências dos brancos ricos a revelarem os dramas que viveram de opressão e humilhação. Belo e envolvente drama sobre o preconceito e seus estreitos limites.

O HOMEM QUE MUDOU O JOGO (Moneyball, EUA, 2011), de Bennett Miller. Brad Pitt, em atuação notável, interpreta o treinador de um time universitário de baisebol que, como um novo método de contratação (o qual lembra muito o método utilizado pelo Fortaleza Esporte Clube para montar o atual time que compete à série C) de jogadores desconhecidos para formar um grupo forte e capaz de disputar com os grandes o competitivo campeonato nacional.

O PORTO (Le Havre, França-Alemanha-Finlândia, 2011), de Aki Kaurismaki. Intelectual que abandonou a alta vida social e agora trabalha com engraxate é despertado para a vida quando ajuda um garoto africano a se esconder da polícia. O que estamos fazendo aqui? Esta é a grande pergunta de Kaurismaki. Assista e responda.

UM MÉTODO PERIGOSO (A dangerous method, Canadá-Reino Unido-Alemanha), de David Cronenberg. A relação entre Fredue e Jung através do envolvimento de Sabina Spielrein, paciente que se tornou amante de Jung. O surgimento da psicanálise e seu processo do poder da carne sobre a ética.

TÃO FORTE E TÃO PERTO (Extremely Loud and Incredibly Close, EUA, 2011), de Stephen Daldry. Um garoto conta com a ajuda de um senhor idoso para encontrar uma fechadura que encaixe numa chave deixada por seu pai, morto nos atentados de 11 de setembro. Bonito é pouco para definir este drama poético sobre a adolescência e o sentido de perda.

Veja o belíssimo trailer do belíssimo filme Tão Forte e tão Perto.

Imagem de Amostra do You Tube

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET (Hugo, EUA, 2011), de Martin Scorsese. Garoto órfão que vive na estação de trem de Paris tenta solucionar o mistério envolvendo o desaparecimento de seu pai e acaba se envolvendo com um dos maiores criadores da história do cinema. Poético, lírico, uma fábula maravilhosa.

SHAME (Shame, Inglaterra, 2011), de Steve McQueen. Homem viciado em sexo é surpreendido com a inesperada chegada de sua irmã, a qual pretende passar uma temporada com ele. A interferência o desestabiliza e arrisca revelar o seu doloroso segredo. McQueen adentra o âmago do vício e a sua dor na alma humana. Simplesmente incômodo, mas necessário.

Cena de O EXCÊNTRICO HOTEL MARIGOLD, de John Madeen

O EXCÊNTRICO HOTEL MARIGOLD (The Best exotic Marigold Hotel, Reino Unido, 2011), de John Madden. 8 aposentados britânicos viajam para a Índia para passar uma temporada em um hotel que imaginam, pela propaganda, ser maravilhoso. Mas, lá, o encontram em ruínas e um adolescente tenta ajudá-las a conhecer a realidade do lugar. As relações humanas em obra digna de aplausos.

NACIONAIS

À BEIRA DO CAMINHO (Brasil, 2012), de Breno Silveira. Caminhoneiro amargurado pelos seus erros que culminaram em tragédia, dá carona a um garoto que quer chegar a São Paulo para procurar o pai. A relação vai mudar a vida de ambos. Um dos mais emocionantes filmes do ano. Não deixe de ver.

EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DE SEUS LINDOS LÁBIOS (Brasil, 2011), de Beto Brant e Renato Ciasca. Um fotógrafo e uma mulher casada e de dupla personalidade se envolve num triângulo amoroso. Não é o melhor entre os nacionais, mas tem a sua dignidade.

RAUL SEIXAS – O INÍCIO, O FIM E O MEIO (Brasil, 2011), de Walter Carvalho. A trajetória de Raul Seixas, o pai do rock brasileiro, e a sua criação. Posso dizer? Imperdível.

Veja o trailer de Raul Seixas.

Imagem de Amostra do You Tube

XINGU (Brasil, 2011), de Cao Hamburger. A saga dos irmãos Vilas-Boas para criar o Parque Nacional do Xingu e preservar as terras e a vida das tribos indígenas ao longo de 30 anos. O registro de um pedaço da história do Brasil, amenizado, mas importante.

ROMANCE

UM HOMEM DE SORTE (The Lucky One, EUA, 2011), de Scott Hicks. Durante um ataque inimigo na Iraque, soldado escapa da morte graças a uma carteira que tem o retrato de uma mulher. Ao retornar aos EUA, ele sai à procura da mulher do retrato e, ao encontrá-la, não tem coragem de revelar o que aconteceu. Os homens e suas indecisões.

AMOR IMPOSSÍVEL (Salmon Fishing in the Yemen, Reino Unido, 2011), de Lasse Halstrom. Especialista em pesca é encarregado de ajudar um sheik árabe a povoar um rio com o Salmão, em um plano para agregar os diversos grupos populacionais em conflito. Filosófico, trata do amor como instrumento de mudança.

Conheça o trailer de Amor Impossível.

Imagem de Amostra do You Tube

POLICIAL

DRIVE (Drive, EUA, 2011), de Nicolas Winding Refn. Ryan Gosling tem uma interpretação memorável como um homem que de dia dublê de filmes de ação e a noite motorista que ajuda assaltantes a fugirem da cena do crime. A paixão pela vizinha o leva a arriscar a sua vida. O romantismo que entremeia a história transforma esse filme numa abordagem sensível sobre a solidão. Imperdível.

SUSPENSE

MILLENIUM – OS HOMENS QUE NÃO ADORAVAM AS MULHERES (The Girl with yt=the dragon tatoo, EUA, 2011), de David Fincher. Primeiro filme da trilogia de Stieg Larsson em adaptação por Hollywood. Jornalista investiga o desaparecimento de uma mulher há 40 anos e se envolve com grupos poderosos que trafegam pelo sistema de poder. Inferior ao sueco, mas digno por dar uma outra visão da obra de Larsson.

Os meus 10 melhores do primeiro semestre de 2012

1º – A PERSEGUIÇÃO
2º – A FONTE DAS MULHERES
3º - A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
4º – Á BEIRA DO CAMINHO
5º – A SEPARAÇÃO
6º – DRIVE
7º – OS DESCENDENTES
8º – SHAME
9º – O ARTISTA
10º – OS VINGADORES

 

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O Oscar é francês

Publicado em 28/02/2012 - 9:50 por | Comentar

Categorias: OSCAR 2012

Enquanto a França leva cinco Oscar de Hollywood para a Europa, o Brasil continua sem conseguir a sonhada estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood

A equipe de O ARTISTA faz a festa no palco do Oscar da Academia Foto: Mike Blake/Reuters

A 84ª entrega do Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood teve um duelo inédito: um filme francês falando sobre o cinema de Hollywood e um filme de Hollywood falando sobre o cinema francês. Fortalecido por ter sido um grande sucesso não apenas na França, mas em todos os países nos quais tem sido exibido, O Artista, de Michel Hazavenicius, sobrepujou o seu concorrente estadunidense e saiu consagrado com cinco troféus – melhor filme, diretor, ator (Jean Dujardin), trilha sonora e figurino.

Enfraquecido por não ter obtido sucesso junto ao público de seu país e não ter indicações nas principais categorias, como de filme e ator, o estadunidense A Invenção de Hugo Cabret, a obra igualmente mágica de Martin Scorsese, obteve as mesmas cinco estatuetas, mas todas de categorias do segundo escalão, a área técnica. Não se pode dizer que tenha ocorrido injustiças na premiação, mas o Oscar trafega na trilha do Globo de Ouro ao premiar os mesmos filmes. Em Hollywood campeia a reverência ao filme bem sucedido em termos de público.

Uma obra pode ter grandes qualidades, mas se não obter sucesso de bilheteria está arriscada ao ostracismo. A própria indústria marginalizou A Invenção de Hugo Cabret, o melhor filme de Martin Scorsese em anos – desculpem-me, mas não guardo simpatia nem por Os Infiltrados e muito menos por Ilha do Medo – , pelo simples fato de ter custado estimados US$ 170 milhões e, em 14 semanas em cartaz, ter arrecadado menos da metade, US$ 69,4 milhões. Fracassou nos cinemas, fracassa junto à Academia.

Alguém pode se lembrar de Avatar – um marco divisor de águas na História do Cinema – e a premiação de Guerra ao Terror, um mero bom filme de guerra, que em 2010 recebeu da Academia os Oscar de melhor filme e diretor. A única explicação para essa decisão é o fato da entidade ter ojeriza à ficção científica – em 2009 fizeram o mesmo com 2001: uma Odisséia no Espaço, de Stançeu Kubrick, e até hoje ninguém nem sabe onde está um tal de Oliver!, o musical de Carol Reed. De tão envergonhado, o filme sequer se encontra nas locadoras.

A premiação de O Artista representa o reconhecimento de Hollywood à criatividade e a ousadia de um filme criado com estimados US$ 15 milhões, em preto e branco e praticamente mudo e que trata do próprio cinema em um de seus momentos fundamentais: a passagem do mudo para o sonoro. O Artista expressa o talento e a simplicidade em uma obra cativante e que traz de volta a emoção ao público.

A Invenção de Hugo Cabret, expressão do poder financeiro de Hollywood, igualmente criado com talento e profundo conhecimento do cinema do passado, também, da sétima arte em sua origem e do homem que o levou ao conceito de indústria. Hollywood deve isso a George Mèlies. Mas, Hugo, é a própria expressão do cinema de hoje e o projeta para o futuro com o avanço das conquistas tecnológicas dos efeitos especiais e do 3D, do desenvolvimento da tecnologia que tornam as câmeras menores e mais leves e com alta qualidade de som e definição, barateando o custo da produção. Igualmente, uma obra-prima. Ambos expressam e explicam o Cinema como fruto da tecnologia. Não há como negar ser agregado visceralmente à tecnologia. E não apenas aquela que facilita o seu desenvolvimento como criação, mas igualmente aos palcos nos quais é exibida: a sala de cinema.

O que se pode dizer do resultado consagrador de O Artista é que o cinema ganhou do próprio cinema. A obra francesa vem um roteiro consagrador de prêmios em festivais internacionais e de, nos países em que é exibido, eleições que lhe dão título de melhor filme do ano. Agora, quebra a hegemonia de Hollywood e dá à Europa, pelo segundo ano consecutivo, o Oscar de melhor filme – no ano passado o vencedor foi o inglês O Discurso do Rei, de Tom Hopper. No entanto, se de um lado a Academia e os representantes dos sindicatos que o integram reconhecem as qualidades e o que representa O Artista para o cinema e o premia, por outro lado dá outro passo calculado para colocar a sua premiação em constrangedora situação como mero prêmio de reverência às escolhas do Globo de Ouro.

Não estou falando aqui em justiça ou injustiça, de torcer por um ou por outro filme. Estou falando de um fato que vem se repetindo e que já está se tornando incômodo. Tanto que já tem gente de dentro da Academia questionando o tema. A informação é do crítico Steve Pond, do site The Wrap, cuja análise já comentamos na matéria anterior sobre o Oscar.

Oscar de roteiro adaptado para Os Descendentes, de Alexander Payne, Oscar de roteiro original para Meia-Noite em Paris, de Woody Allen, Oscar para a Dama de Ferro Meryl Streep, Oscar para a coadjuvante Octavia Spencer de Histórias Cruzadas, Oscar de coadjuvante masculino para Christopher Plummer pelo pai gay de Toda Forma de Amor, e Oscar de filme estrangeiro para A Separação, de Asghar Farhadi, fazem a Academia concordar com o Globo de Ouro: sim, é isso mesmo. Mas a Academia poderia ter mudado o rumo da premiação, agraciando outros concorrentes. E em nenhum dos casos haveria injustiça.

A Academia poderia ter, também, deixado de ser protecionista e injusto com a animação Rio, de Carlos Saldanha. Enquanto os franceses comemoram 5 Oscar numa tacada só, nós brasileiros lamentamos a injustiça cometida com a animação Rio, que é uma produção de US$ 90 milhões da poderosa Fox. Além de não ser indicado em sua categoria – e olha que o filme foi um sucesso internacional com US$ 484,6 milhões -, ainda perdeu o Oscar de canção para uma canção chinfrim dos bonecos da televisão Os Muppets, um filme sem a menor criatividade. Repete-se a história de Central do Brasil, cuja interpretação soberba de Fernanda Montenegro foi injustamente desconhecida  em detrimento de Gwyneth Paltrow por sua atuação comum em Shakespeare Apaixonado.

Assim é o Oscar. De certa forma, a premiação consecutiva de dois filmes europeus como melhor filme expressa que Hollywood ainda continua com o poder econômico capaz de produzir cerca de 400 filmes por ano, mas não é a produtora dos melhores filmes do ano? Bem, não é bem assim. Hollywood continua sendo praticamente “dona” do mercado internacional de cinema e é quem leva o público para os cinemas. Isso é inegável. Mas está se rendendo ao fato de que seus filmes não são produzidos com a criatividade, a ousadia e a inteligência do cinema europeu, por exemplo. Isso também é inegável.

Portanto, após se render ao cinema estrangeiro, certamente Hollywood terá de aprender a ser tão inteligente e esperto quanto a cinematografia europeia. Um sinal da mudança dos tempos.

 

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OS DESCENDENTES – a tragédia e uma jornada para o perdão

Publicado em 09/02/2012 - 20:49 por | Comentar

Categorias: CRÍTICAS DE FILMES

Aparentemente apenas um drama sobre um homem que tenta entender porque foi traído pela mulher, Os Descendentes explora uma série de temas baseado na percepção do sujeito sobre a própria existência

 

Existem pelo menos três temas centrais em Os Descendentes: os laços de família, a dor da traição e o perdão como instrumento de recomeço. Impossível distingui-los na preferência do diretor e roteirista Alexander Payne, que aqui tem por base o romance The Descendants, obra de estréia de Kaui Hart Hemmings. Mas, o elemento a embalar esses três temas chama-se a percepção humana, no caso, a de Matt King (George Clooney), personagem central da história. Advogado rico e de família conceituada na sociedade havaiana, a partir do acidente que deixa sua mulher em estado vegetativo, ele percebe ter sido indiferente à família ao deixá-la exclusivamente a cargo dela. Mas, o que o abala mesmo é saber, através da própria filha, que estava sendo traído.

Nenhum homem, em momento algum, está preparado para essa velha dor das relações entre homens e mulheres – e nem tampouco, mesmo agora, com a entrada em cena da Nova Família. Para Matt, o sentimento é de que o seu barco está afundando. E, como a grande parte dos traídos faz, ele sai em busca das razões. Razões, as quais, vai percebendo ao longo de sua dura jornada, estão em si mesmo: o homem do jeito que ele é. Bom profissionalmente, ruim como pai de família.

E aí, logo no início do filme está em uma frase de Matt, em off, a qual expressa uma das três temáticas de Os Descendentes: “família é como arquipélago, se separando como se fossem sozinhas. Todos parte de um todo, mas ainda assim, lentamente, uns se afastando dos outros”. E Matt tem uma típica família disfuncional. É quando cai a ficha. Na composição desse personagem cheio de amor e dor, George Clooney surge como a essência de Os Descendentes.

Por isso, defendo, deve receber o Oscar de melhor ator. Clooney, que teve um casamento tão devastador a ponto de se decidir a jamais repetir a experiência, concede a Matt King aquilo que chamamos de “máscara interpretativa”, através da qual o ator promove o personagem como ele mesmo, definindo o movimento da sua natureza humana em cada olhar e em cada expressão – dor, sentimento do vazio, revolta, quietude. Grande Clooney! É com a percepção de que a família está em pandarecos e precisa ser consertada urgentemente que ele se aproxima das filhas. O legado da morte de Elizabeth pertence a ele: uma caixa de problemas. E saber disso o põe na percepção de que chegou a sua vez de assumir a família – começando pelas filhas. E nova percepção: a de que não integra o mundo delas. Aí desperta em Matt a consciência da dura missão do pai responsável: a de não deixar desgarrar o futuro.

A viagem a quatro – George, as duas filhas, Scottie (Amara Miller) e Alexandra (Shailene Woodley), e Sid, o namorado desta – expressa o início da recomposição do real sentido de família, estabelecido na relação democrática de participação de todos. Conquistar a confiança, angariar a admiração. George, nesse processo, vai deixando de se lamentar de nunca ter entendido as mulheres: com Elizabeth, a da relação com motos, barcos e bebidas; a da filha Alexandra, com as drogas e caras mais velhos. E com Scottie, a filha mais nova, como será? Nesse processo, a base é a temática da aprendizagem. E é para os adultos aprenderem sobre os jovens que está lá um personagem simplesmente brilhante, o adolescente Sid (Nick Krause), com o qual George vai trabalhar a aceitação, superar a antipatia, e, aos poucos, abrir uma relação amigável e reveladora. O mundo é uma escola.

Nesse momento em que tudo veio em um pacote, George o desembrulha em partes. A família, aquele arquipélago, está sem laços de comunicação. A venda de um terreno preservado ao longo de mais de 200 anos serve como metáfora dos interesses das ilhas, também uma recorrência ao efeito capitalista do setor imobiliário, esse destruidor de florestas e ambientes naturais do planeta. Urge acomodar à modernidade do dinheiro comprando tudo ou legar aos filhos e netos uma alternativa junto à natureza?

A terceira temática, simbolizada na busca de George em conhecer o amante da mulher, firma-se como a mais dolorosa. E por que George empreende essa jornada de dor, angústia e sofrimento? Obviamente, em princípio, vingança. Pode ser entendida também como uma tentativa de “limpar a área”, recomeçar do zero para recompor a família, a partir do conhecimento das filhas à infidelidade da mãe. George percebe, mais tarde, que foi ele o facilitador para que ocorresse a traição. Elizabeth era, também, um poço de solidão e angústia com a ausência dele. Como somos falhos em nossa igualdade pessoal e frágeis em nossa infinita diversidade, o que fazermos para a aceitação dos os erros alheios, mesmo que em relação a nós mesmos? No filme de Payne, essa fragilidade da diversidade humana – exposição essa que perpassa a narrativa de Os Descendentes – só encontra sentido com a prática da excepcional grandeza humana, ostentada ao final da jornada, por George: o perdão.

Obra comovente sobre a reconexão dos laços familiares, Os Descendentes confirma Alexander Payne como o grande explorador da alma masculina. O homem tem sido a grande temática desse brilhante cineasta estadunidense que fará 52 anos nesta sexta, 10 de fevereiro. Os Descendentes expressa esse homem que, em estado de aprendizagem é capaz de esquecer o passado e, em mudança, planejar o futuro nesses tempos pós-modernos. A cena em que ele e as filhas vislumbram as terras as quais ele se recusou a vender, expressa essa confiança de que o passado serve como ponto de reflexão para o estudo dos valores familiares (é a foto que abre esta análise do filme). Clooney compõe, assim, um grandioso personagem masculino. Nesta sociedade de interesses e parcos valores, a ética e a honra ainda se sinalizam como as grandes pilastras da família. Quanto a isso, não há dúvida: as mulheres estão à frente, mas, com óbvia certeza, poderemos alcançá-las com igual grandeza.

Mais informações

Os Descendentes (The Descandants, EUA, 2011), de Alexander Payne. Com George Clooney, Shailene Woodley, Nick Krause e Amara Miller. 117 minutos. 14 anos.

Confira o trailer 3 de Os Descendentes.

Imagem de Amostra do You Tube

 

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OS DESCENDENTES – Alexander Payne, o analista da alma masculina

Publicado em 09/02/2012 - 20:48 por | Comentar

Categorias: CINEASTAS

Formado em Cinema pela UCLA, Payne estreou com uma obra polêmica, Ruth em Questão (1966), na qual discutia o aborto. Seu filme seguinte, A Eleição (1999), uma metáfora sobre as eleições democráticas, demonstrou que se ele se tratava de um cineasta ousado e incomum. Realizador praticamente bissexto com apenas 5 filmes autorais em 15 anos de carreira, Payne obtém agora a consagração ao trabalhar em produções de baixo orçamento e obter resultados expressivos junto ao grande público. Os Descendentes custou 20 milhões de dólares e já arrecadou 66,8 milhões nos cinemas dos EUA e Canadá, o mercado interno estadunidense, e mais US$ 44,8 milhões no mercado internacional  

Alexander Payne nos “sets” havaianos de OS DESCENDENTES

 

 

 

 

Payne começou a explorar as questões do homem moderno c0m As Confissões de Schmidt (2002), com o qual transformou Jack Nicholson em um homem que chega à velhice em um momento de crise e solidão, que, relembrando a sua existência, tem a consciência de que nada construiu de útil em prol de si, sua família ou os seus semelhantes. Mas foi com Sideways – entre Umas & Outras (2004, custo US$ 16 milhões, renda global US$ 110 milhões), com o qual recebeu o Oscar de Roteiro Adaptado, que alcançou o entusiasmo do público e da crítica ao por em cena Paul Giamatti e Thomas Hadden Chruch como 2 homens de meia-idade que empreendem uma jornada pelas vinícolas da Califórnia em busca de suas identidades.

Com o reconhecimento, as produtoras abriram-lhe as portas. Assim, Payne anunciou 2 projetos. O primeiro, Nebraska, projeto que tenta filmar desde 2004, cujas filmagens estão previstas para maio e que tem como história a jornada de um escritor alcoólatra (cujo papel está sendo disputado por Gene Hackman, Robert Forster, Jack Nicholson e Robert Duvall) que pensa ter ganho um prêmio literário e, para recebê-lo, parte de Montana para Nebraska em companhia do filho que não lhe dá muita bola. É outro filme a explorar o conturbado mundo masculino. E, se tudo correr bem, em janeiro, começa a rodar Wílson, adaptação da conhecida graphic novel de Daniel Clowes. Há, ainda, um terceiro projeto, Fork in the Road, apenas anunciado.

 

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OS DESCENDENTES – nas livrarias

Publicado em 09/02/2012 - 20:44 por | Comentar

Categorias: OBRAS LITERÁRIAS

A Editora Objetiva, através do seu selo Alfaguara, aproveitou o lançamento do filme para colocar a tradução nacional de Os Descendentes (The Descendants) nas livrarias há cerca de 3 semanas. Escrita pela estadunidense Kaui Hart Hemmings, o romance já foi vendido para 14 países. Graduada pelo Colorado College e pela Sarah Lawrence College, tendo sido bolsista da Universidade de Stanford, Hemmings estreou com um livro de contos House of Thieves, publicado em 2004

Kaui Hart Hemmings e as capas de seu livro nos EUA e no Brasil

Os Descendentes, seu primeiro romance foi publicado em 2007. No filme homônimo dirigido por Alexander Payne, ela faz uma ponta, aparecendo como a secretária do personagem vivido por George Clooney. K H Hemings tem um site. Confira-o acessando aqui > http://www.kauiharthemmings.com/

OS DESCENDENTES,
de Kaui Hart Hemmings
Editora Objetiva/selo Alfaguara
304 páginas
R$ 34,90

 

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Ranking Brasil – TINTIN continua líder

Publicado em 01/02/2012 - 12:31 por | Comentar

Na abertura da temporada dos candidatos ao Oscar, a animação As Aventuras de Tintin, de Steven Spielberg – que não está concorrendo à estatueta da categoria porque a Academia encasquetou que o filme não é animação porque foi feito através da tecnologia da “captura de movimento” –, ocupou a liderança do Ranking Brasil, desconhecendo outros estreantes de peso, como o suspense Millenium – os Homens que Não Amavam as Mulheres, de David Fincher, e o drama Os Descendentes, de Alexander Payne, obras opostas em suas relações com o público, já que o segundo se trata, em cerne, de um puro filme de arte, destinado a um público mais seleto e exigente, mas que foi imbatível na média de público

O público brasileiro ama o francês Tintin. Eis a prova: neste final de semana, de sexta, 27, a domingo, 29, 215 mil e 340 pessoas foram às 444 salas em que As Aventuras de Tintin – o Segredo do Licorne, está em cartaz, concedendo, pela segunda semana consecutiva, a liderança no Ranking brasileiro. Mas, ainda assim, a animação teve uma queda de público expressiva, de 31%. Caso você não o tenha visto, ainda, agilize-se pois a cópia legendada em 3D está saindo de exibição nesta 5ª feira no Multiplex UCI Ribeiro – ficará apenas uma em 3D e outra convencional, dubladas. Até agora, As Aventuras de Tintin já foi visto, em apenas 10 dias, por 1.121.608 mil pessoas, com renda de quase R$ 14 milhões. Confira, no Ranking, a análise dos números obtidos pelo filme no território brasileiro.

Diferente, de Tintin, a outra animação em cartaz, Alvin e os Esquilos 3, já em 4ª semana, caiu apenas 24%, obtendo a melhor média de público da semana – foi visto por 257 mil e 612 espectadores. Com quase 4 milhões e meio de espectadores, os esquilos ultrapassaram a terceira animação em cartaz, Gato de Botas 3D, 8 semanas em cartaz. Compare os dados entre os 2 filmes, principalmente a quantidade de salas que os estão exibindo. Em segundo lugar, a aventura Sherlock Holmes 2 – o Jogo de Sombras, já foi conferido por 238 mil e 721 espectadores e durante a semana deve ultrapassar os 2 milhões de espectadores. 

Puxados pelo Oscar, os estreantes Millenium – os Homens que não amavam as mulheres ficou em 4º com mais de 168 mil espectadores nos 3 primeiros dias e Os Descendentes, em 5, com pouco mais de 144 mil. Mas, avaliem a diferença do número de cópias e salas destinadas a cada um: Millenium leva 100 salas numa boa. Daí, não se acanhe, veja a diferença no número de espectadores, ou seja, a média de público obtida por cada um dos filmes.

Em cartaz há 2 semanas, o nacional 2 Coelhos, com 233 mil espectadores obtidos em 10 dias e caindo 45% em média, não deve chegar aos 500 mil ingressos vendidos. A outra produção nacional, A Música Segundo Tom Jobim, de Nelson Pereira dos Santos, em exibição em apenas 18 cinemas, está perto de fechar os 50 mil espectadores com uma médioa de 534 espectadores. Neste mesmo andar está o drama iraniano A Separação (Imovision), em cartaz em 17 cinemas e com 10 dias de exibição tem o bom público de 37 mil pessoas, média de quase mil pessoas por sala.

Confira o Ranking da semana de 3 a 5 de janeiro.

Filme > Renda 27 a 29 > Queda > Renda Total > Público Total > Semanas em Cartaz
1. AS AVENTURAS DE TINTIN > 3.539 milhões –31% = 14.487 milhões > 1.121 > 2
2. SHERLOCK HOLMES 2 > 2.760 milhões –34% = 19.638 milhões > 1.894 mil > 3
3. ALVIN E OS ESQUILOS 3 > 2.552 milhões –24% = 38.851 milhões > 4.469 > 4
4. MILLENIUM – OS HOMENS QUE… > 2.012 milhões > estréia > 168.533
5. OS DESCENDENTES > 1.897 mil > estréia > 150.298
6. 2 COELHOS > 612 mil –45% = 2.576 milhões > 247.025 > 2
7. J. EDGAR > 526.897 mil > estréia > 38.698
8. AS AVENTURAS DE AGAMENON > 464.039 mil –41% = 27.250 milhões > 836.184 > 4
9. IMORTAIS > 436.782 mil –54% = 27.250 milhões > 2.197.028
10. A HORA DA ESCURIDÃO > 340.548 –30% = 2.866 milhões > 220.490 > 3
Outros Resultados
11. MISSÃO IMPOSSÍVEL 4 > 252.467 mil –59% = 24.196 milhões > 2.503 > 6
12. A SEPARAÇÃO > 209.531 mil –12% = 471.123 mil > 37.854 > 2
13. GATO DE BOTAS 3D > 185.132 mil –34% = 46.401 milhões > 4.427 > 8
14. O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS > 171.948 –54% = 1.432 mil > 111.418 > 3
15. PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN > 211.359 mil > estréia > 16.908
16. A MÚSICA 2º TOM JOBIM > 128.471 mil –30% = 443.964 mil > 37.057 > 2
17. CAVALO DE GUERRA > 103.550 –56% = 93.801 mil > 8.870 > 4

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As estréias desta sexta

Publicado em 27/01/2012 - 21:05 por | Comentar

Categorias: ESTRÉIAS

Os cinemas começam a sentir, a partir desta das estréias desta sexta feira, um efeito especial chamado Oscar. Confira só os filmes em estréia neste dia 27: Os Descendentes, de Alexander Payne, Histórias Cruzadas, de Tate Taylor, J. Edgar, de Clint Eastwood, e Millenium – os homens que não amavam as mulheres, de David Fincher. Tem ainda, de lambuja, as pré-estréias de A Separação, de Asghar Farhadi, e do relançamento do mágico A Bela e a Fera , agora adaptado falso 3D 

Trata-se, inegavelmente, de uma semana atípica. Todos os filmes em lançamento, sem exceção, são simplesmente de ótimos a excelentes. Anote que Histórias Cruzadas será, em dezembro, eleito um dos 10 melhores do ano. Recorde-se: quando este filme estreou nos EUA chamei a atenção para o sucesso que ele estava fazendo junto ao público, especialmente feminino. Ele estreou dia 14 de agosto do ano passado e ainda está em cartaz, mesmo disponível em DVD e BluRay. É uma obra emocionante que tem por base o romance The Help, da estadunidense Kathryn Stockett, ambientado numa cidadezinha do Mississipi em 1962.

Veja o trailer de Histórias Cruzadas.

Imagem de Amostra do You Tube

O livro está sendo lançado aqui pela Bertrand Brasil com o título de A Resposta. O enredo tem como personagem central uma jovem branca de 23 anos, Eugenia Skeeter Pheelan (Emma Stone, a Kayla de Amizade Colorida), uma garota independente que retorna à sua cidade natal com o intuito de se tornar jornalista. Mas, a sua relação com duas mulheres, Aibileen (Viola Davis) e Minny (Octavia Spencer), acaba lhe dando a idéia de descrever em um romance as histórias delas de décadas de dedicação ao trabalho nas casas de famílias brancas como empregadas domésticas. Uma das questões humanas abordadas no filme, e que acaba alvo de profunda reflexão no espectador, é a relação entre elas e as filhas das patroas. Mas, o que vale mesmo no filme é como expressa a realidade dessas mulheres em um mundo que não é o seu e no qual não podem sequer utilizar os banheiros das casas. Amanhã, sábado, postarei aqui uma crítica do filme, a qual estará prioritariamente nas páginas do Caderno 3 do Diário do Nordeste. Aqui no blog estará ampliada.

Outro filme a visitar as entranhas das famílias estadunidenses é Os Descendentes. Para situá-lo como uma das principais criações do cinema estadunidense nos últimos anos, vale uma consideração prioritária para o seu realizador, Alexander Payne. Você viu ou se lembra dos filmes que ele fez? São 4: Ruth em Questão (1996), com Laura Dern, trata do aborto; A Eleição (1999), com Reese Witherspoon, sua grande criação até então, abordou a ânsia de poder através de uma eleição para o grêmio de uma escola do ensino médio; As Confissões de Schmidt (2002), com Jack Nicholson no papel de um aposentado que descobre que não fez quase nada de útil em sua existência; e Sideways – entre umas e outras (2004), a sua obra maior, com Paul Giamatti e Thomas Hadden Church como dois homens de meia-idade que entre estradas e vinhos tentam encontrar suas identidades. Os Descendentes é uma prova da versatilidade de Payne, que aqui aborda a família a partir de outro tema forte, a traição. Payne, ao contrário de outros cineastas, tem a preferência pela abordagem da família tendo os maridos como personagens centrais. Quanto à história, é lamentável que o trailer entregue uma das suas surpresas, fundamental para a análise da introspecção do personagem e no efeito que causa na platéia. Na minha sugestão, não veja o trailer – e, por esta recomendação, não o postarei. Veja o filme e vamos conversar sobre ele durante a semana, ok?

A versão que David Fincher fez do romance Millenium – os homens que não amavam as mulheres, do jornalista sueco Stierg Larsson, é um dos filmes mais aguardados da temporada. Há uma curiosidade geral principalmente porque a adaptação cinematográfica feita em 1999 pelo sueco Niels Arden Opley, com Naomi Rapace, foi um fenômeno de público em toda a Europa – aqui, foi exibido pelo Cinema de Arte com igual sucesso de público e as suas continuações serão lançadas durante este ano. Como será a versão de Fincher? Melhor? Inferior?

Confira o trailer de Millenium – os homens que não amavam as mulheres, de David Fincher.

Imagem de Amostra do You Tube

A versão de Fincher, muito bem recebida pela crítica e o público estadunidense, foi eleita como uma das melhores películas do ano passado. O enredo gira em torno de um jornalista em desgraça (Daniel Craig) que investiga o desaparecimento da sobrinha de um milionário ocorrido há 40 anos e é ajudado por uma jovem hacker, Lisbeth Salander (Rooney Mara). O que eles não sabem que é o caso mexe com muita gente poderosa. Rooney Mara não foi a escolha que satisfez, inicialmente, a Fincher, que testou dezenas de atrizes, algumas famosas (Scarlett Johansson, entre elas) e as reprovou. E Mara acabou se saindo melhor do que o cineasta esperava, ganhando indicações como uma das melhores atrizes do ano. Querem saber? Uma versão estadunidense tão boa quanto a sueca.

Eis outro filme ansiosamente aguardado: J. Edgar. É a história de John Edgar Hoover (1985-1972), o homem que foi o chefe do FBI (Federation Bureau of Investigação, a Polícia Federal de lá) durante 48 anos e era anti-comunista ferrenho. Sua ascensão ao poder começou em 1919, demonstrando trabalho e competência ao investigar estrangeiros suspeitos de transgressões e, em 1923, tornou-se assistente do chefe do FBI e no ano seguinte sentou-se na cadeira dele, para sair de lá apenas para o túmulo. Durante quase 50 anos serviu a 8 presidentes e quase 20 secretários de justiça. Ele era, literalmente, uma fera.

Veja o trailer de J. Edgar.

Imagem de Amostra do You Tube

Hoover combateu os grandes gangsters da época da Depressão e da Lei Seca, atuou na caça às bruxas do senador Eugene McCarthy, na IIª Guerra caçou comunistas e espiões e nos anos 60 se utilizou de escutas ilegais para espionar intelectuais, atores, atrizes, escritores e até congressistas, além de mover implacável  perseguição aos líderes dos movimentos negros. Combatido pela imprensa e pela sociedade, era um homem terrível… e poderoso. Ninguém tinha coragem de mexer com ele porque presidentes e procuradores da justiça sabiam que ele sabia demais. Sua morte foi um alívio para muita gente. O escritor Robert Ludlum escreveu um livro que detalha a morte dele como um assassinato muito bem executado. Mas Hoover tinha, além dos segredos dos outros, os seus próprios. Para alguns historiadores, ele era homossexual – o que naquela época poderia ser um escândalo. Mas sua vida continua sendo misteriosa e Clint Eastwood procura dar luz sobre esses segredos. Leonardo Di Caprio  vive Hoover, em grande parte do filme envelhecido por uma maquiagem contestada por muita gente.

Duas ótimas pré-estréias: o drama iraniano A Separação, de Asghar Farhadi, e a animação A Bela e a Fera 3D. O primeiro, terá exibição única, amanhã, sábado, 28, às 22h, no Espaço Unibanco Dragão do Mar. A exibição é no processo digital. A Bela a Fera 3D no Multiplex UCI Ribeiro, sábado e domingo, meio dia.

Confira o trailer de A Separação.

Imagem de Amostra do You Tube

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