A Tropa de Elite do Cinema Brasileiro
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Três produções nacionais, Tropa de Elite 2, de José Padilha, Nosso Lar, de Wagner de Assis, e Chico Xavier, de Daniel Filho, são os responsáveis pelo cinema brasileiro conquistar o pública pela comunicabilidade e obter os números mais expressivos de sua história.
Em apenas dez dias, Tropa de Elite 2, de José Padilha, foi visto por quatro milhões e 69 mil pessoas, revela o Informe Filme B, o instituto de pesquisa do mercado nacional de cinema criado pelo cineasta Paulo Sérgio Almeida. Em arrecadação, o filme já embolsa mais de R$ 40 milhões – o seu custo foi de R$ 16 milhões.
Na semana de estréia, o thriller político de José Padilha tinha vendido cerca de 1.309.324 de ingressos, se constituindo na maior abertura de um filme nacional. Nem os estrangeiros escaparam: Eclipse, Shrek Para Sempre, Alice no País das Maravilhas e Homem de Ferro 2 ficara para trás no quesito renda.
Ajudado pelo feriado da terça-feira, 12, na quinta, Tropa 2 massacrou estréias e concorrentes diretos na disputa das bilheterias, estabelecendo a marca de três milhões de espectadores. Era pouco, ainda.
No embalo dos elogios da crítica e no entusiasmado boca-a-boca do público revelando que uma das motivações do filme é bater na cara dos políticos, Tropa de Elite 2 somente neste último final de semana (compreendendo de sexta a domingo) foi visto por mais 1,216 milhão de pessoas. Algo inédito no cinema brasileiro. Em termos de números - a queda de público em 13% em relação ao fim de semana de estréia, é ínfima.
Para se ter uma idéia do gigantismo e expressividade da conquista, Tropa 2, em apenas dez dias, obteve com folga e ultrapassou os 3.845.936 espectadores obtidos por Nosso Lar em extensas seis semanas. O drama espírita deve chegar aos quatro milhões até o final deste mês. O terceiro do “Top de Bilheteria” nacional, Chico Xavier, estabeleceu 3,4 milhões de ingressos vendidos.
Momento Mágico
O cinema brasileiro vive aquilo que se chama de um momento mágico. Não é para menos. Até o final do primeiro semestre os filmes nacionais vinham obtendo números pífios em presença de público e receita, numa situação que os analistas citavam como “preocupante”.
Os exibidores, por sua vez, já começavam a se preocupar em como atender à “Cota de Tela”, a qual obriga cada cinema a exibir, durante 28 dias por ano, o mínimo de dois filmes nacionais. A “Cota de Tela” é um mecanismo de proteção das cinematografias nacionais adotada por diversos países, já no início dos anos 30.
Em 1934 chegou ao Brasil, sendo implantada como Lei pelo Estado Novo de Getúlio Vargas em 1939. Em 1950 obrigava a exibição de seis filmes por ano; em 1951, passou para 42 dias; e, 1959, foi fixada a taxa que prevalece até hoje – houve alterações em 1963, que oscilou entre 112 e 140 dias; 1998, que desceu para 49 dias e, a partir de 2007, de volta aos 28 dias.
Na época, analisamos, neste Caderno 3, a situação crítica com uma indagação reflexiva: “o público está fugindo do cinema brasileiro?”. A resposta veio agora. Não. Eram os filmes nacionais que não despertavam o interesse do público. Quanto a isso, Paulo Sérgio Almeida, avalia que “o tamanho do fenômeno Tropa de Elite poderá fazer com que o cinema brasileiro chegue perto do seu recorde histórico, que foi em 2003, quando fez 21 milhões de espectadores”, avalia.
Retrospecto
Um pequeno retrospecto concede aos cinéfilos uma idéia da “performance” do cinema brasileiro de 2003 para cá. Uma ascensão lenta, mas gradual, a qual depende muito das produções em atender às exigências do público.
Em 2003, 21 milhões de brasileiros tiraram o dinheiro do bolso para ver os filmes de seu País. Em 2007, arrecadou 88 milhões de reais; em 2008 caiu para R$ 84 milhões; e, no ano passado, a recuperação com 16 milhões de espectadores e R$ 131 milhões em renda bruta. Os líderes desses números foram Se eu Fosse Você 2, com 5,7 milhões de espectadores; A Mulher Invisível com 2,3 milhões; e Os Normais 2 com 2,2 milhões.
Um dado interessante: em 2008 chegaram aos cinemas 244 filmes estrangeiros contra 79 longas nacionais; em 2009, 235 estrangeiros e 84 nacionais. Os estrangeiros faturaram R$ 96 milhões.
Trata-se de uma reviravolta em termos de números entre os filmes nacionais e a produção estrangeira. Até o final do ano o Brasil – que neste ano está lançando 75 longas – poderá consolidar seus números com os lançamentos de Federal, de Eryk de Castro, A Suprema Felicidade, de Arnaldo Jabor (ambos no próximo dia 29), Bróder, de Jefferson Dé, e As Cartas Psicografadas por Chico Xavier, de Cristiana Grumback (cinco de novembro); Família Venda Tudo, de Alain Fresnot, e Muita Calma Nesta Hora, de Felipe Joffily (dia 12); Lope, de Andrucha Waddington (dia 26); e em dezembro, Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini (dia 3), Aparecida, Padroeira do Brasil, de Tizuka Yamasaki (dia 17), e De Pernas Pro Ar, de Roberto Santucci, no último dia do ano.
A produção estrangeira, a partir de 12 de novembro, com Senna, de Asif Kapadiolo, desembarca nas telas do país com todo o seu poderoso esquadrão de “blockbusters”, tendo a frente o novo Harry Potter (dia 19).
A concorrência melhora a qualidade do produto. Com isso, o grande vencedor é o público brasileiro, o qual demonstra fazer suas escolhas cinematográficas com sabedoria.
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