CINE CEARÁ-2012/Mostra Lucy Barreto – AMOR BANDIDO
Categorias: CINE CEARÁ, CRÍTICAS DE FILMES
Entre os filmes produzidos por Lucy Barreto, Amor Bandido (1981), de Bruno Barreto, é um dos mais interessantes e um dos menos badalados do diretor. O diretor de Dona Flor e seus Dois Maridos (1976) mostra o mundo cão que era comum nas produções nacionais do período em trama de amor e crime. O filme está disponível em DVD e merece ser descoberto
A Mostra Lucy Barreto, exibida na Casa Amarela Eusélio Oliveira, sempre às 15 horas, tem em sua programação seis filmes produzidos por Lucy Barreto: Amor Bandido, de Bruno Barreto; Bye Bye, Brasil (1980), de Cacá Diegues; Índia, a Filha do Sol (1984), de Fábio Barreto; O Que É Isso, Companheiro? (1996), de Bruno Barreto; O Quatrilho (1995), de Fábio Barreto; e o documentário Grupo Corpo, 30 Anos – Uma Família Brasileira (2006), dirigido pela própria Lucy Barreto.
Amor Bandido, exibido no sábado, dia 2, é um retrato de sua época, início da década de 1980, em um mundo pré-AIDS, ainda influenciado pela discoteca e o estilo de vida dos anos 1970, com uma liberdade maior nos costumes. O filme também antecipava o neon que caracterizaria o cinema pós-moderno produzido na década de 1980. Aliás, um dos aspectos do pós-modernismo, que é a citação, aparece em um momento em que o casal do filme passa em frente a um cinema de rua que está exibindo Chuvas de Verão, de Cacá Diegues, com o nome de Cristina Aché escrito em destaque.
Na trama, Paulo Gracindo é um detetive da polícia que sofre com o fato de sua filha Sandra (Cristina Aché) dançar seminua e em espetáculos sensuais em uma boate do Rio de Janeiro. Ele também está sendo atormentado por uma série de crimes que vem acontecendo na cidade: um assassino tem matado taxistas. A pressão de seu chefe, que não respeita seus cabelos brancos, também é motivo para mais uma humilhação.
Enquanto isso, a vida de Sandra muda, depois do suicídio do travesti que dividia o quarto com ela. O sujeito com quem o suicida estava saindo (Paulo Guarnieri) aparece em sua casa para pegar uma fotografia e acaba iniciando um relacionamento com ela. Principalmente depois que ele mostra ter dinheiro. Assim, na boate, ela se entrega ao rapaz, ao som de “Amada Amante”, de Roberto Carlos. Aliás, o Rei não aparece só neste momento: ele surge na tela do cinema no filme que eles vão assistir, na capa do disco em seu quarto, nos diálogos, e em mais duas outras canções que tocam ao fundo, na boate ou em algum boteco.
Quem já viu outros filmes de Barreto do período, como Dona Flor e Seus Dois Maridos e O Beijo no Asfalto (1981), sabe que ele tinha também um domínio em se tratando de cenas sensuais. Que, aliás, não era exclusividade dele. O nosso cinema foi bem mais sensual nesse período. O gênero policial também ganhou um contorno bem próprio no cinema brasileiro do período. E o lado policial do filme, representado principalmente pelo personagem de Paulo Gracindo, torna-o merecedor de reconhecimento.
Ficha técnica:
AMOR BANDIDO (Brasil, 1981), de Bruno Barreto. Com Cristina Aché, Paulo Gracindo, Paulo Guarnieri, Ligia Diniz, Flávio São Thiago, José Dumont.
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