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Filmes de Cannes chegam ao Brasil

Publicado em 27/06/2011 - 11:06 por | Comentar

Categorias: Geral, VEM POR AÍ

O Festival Internacional de Cinema de Cannes continua rendendo divulgação, agora com a chegada ao Brasil dos filmes lá apresentados e que foram adquiridos por distribuidoras brasileiras. Meia-Noite em Paris, de Woody Allen, foi o primeiro deles. Os próximos serão Melancolia, de Lars von Trier, e A Árvore da Vida, de Terence Mallick, vencedor da Palma de Ouro, prêmio máximo do festival. O filme de Mallick terá duas sessões de pré-estréia na cidade, com direito a debates promovidos pelo Cinema de Arte. Mas, não fica só nisso: pelo menos 20 foram comprados ainda em forma de projeto, só deverão chegar ao Brasil no próximo ano, e outros 40 títulos, comprados nas diversas mostras paralelas por distribuidoras independentes e “majors” com Fox e Columbia, ainda não entraram na calendário de exibição deste ano

Festival de Cinema é justamente isso: uma oportunidade para o fechamento de grandes negócios. Em qualquer festival de cinema em cartaz em qualquer lugar do mundo, negócios estão sendo fechados, pois nele estão as novidades e a qualidade da produção internacional. Obviamente, em Berlim, Cannes, Veneza, Locarno, Toronto e Sundance, considerados os mais importantes festivais de cinema do planeta, estão às produções de maior potencial e de maior, investimento  e envergadura técnica, com potencial de sucesso tanto nos complexos comerciais quanto nos circuitos de filmes de arte. Os grandes, pequenos e independentes estúdios estão lá para apresentar suas produções, ávidos por fechar negócios com os compradores internacionais e as distribuidoras independentes de vários países – as quais espalham “olheiros” pelas diversas mostras paralelas. Sem esquecer a presença da imprensa internacional, com seus blogueiros e centenas de críticos, os quais se encarregam de levar os filmes ao conhecimento do grande público.

Umas das amostras do poder da comercialização em Cannes, a produtora e distribuidora francesa Pathé fechou 70 contratos com dezenas de filmes para distribuição internacional. A hollywoodiana Weinstein Company, adquiriu o inglês The Iron Lady, com Meryl Streep no papel da ex-primeira ministra Margaret Thatcher, a comédia francesa O Artista, prêmio de melhor ator para Jean Dujardin, e o épico taiwanês Wu Xia, de Peter Chan, exibido fora de competição. A Columbia adquiriu o israelense Footnote, de Joseph Cedar.

Veja o treiler de Footnote.

Imagem de Amostra do You Tube

Alguns filmes adquiridos ainda no roteiro por distribuidoras brasileiras acabaram fazendo suas estréias em Cannes. Entre eles, A Árvore da Vida (EUA), de Terence Mallick, The Must be the Place (EUA), estréia do italiano Paolo Sorrentino em Hollywood numa homenagem a Paris Texas, de Wim Wenders, Drive (EUA), de Nicolas Winding Refn (todos da Imagem Filmes), Meia-Noite em Paris (EUA), de Woody Allen, e A Pele que Habito (Espanha), de Pedro Almodóvar (ambos da Paris Filmes), e Melancolia (Dinamarca), de Lars Von Trier (pela Califórnia Filmes).

Confira o treiler de The Must be the Place.

Imagem de Amostra do You Tube

Pré-Vendas
Nesse processo de comprar o filme ainda em pré-produção, uma nova característica implantada com sucesso e que é, na verdade, uma forma de levantar o financiamento da produção, vários acordos foram fechados. A Imovision, distribuidora que trabalha exclusivamente com filmes de arte, adquiriu vários projetos nessa condição. E a lista é grande: Amour, de Michael Haneke, The Angel Share, de Ken Loach, The End, de Abbas Kiarostami, Après-Mai, de Olivier Assayas, Love Bruises, de Lou Ye, I Wish, de Hirozaki Kore Eda, e Confessions of a Child of the Century, de Sylvie Verheyde.

Saiorse Ronan será A HOSPEDEIRA foto Jason Kempin

A Imagem Filmes tirou ótimo proveito da comercialização oferecida por Cannes para renovar o seu contrato com a produtora estadunidense Relativity Media, garantindo a propriedade de uma cartela de filmes para lançamento em 2012, como The Brother Grimm: Snow White, de Tarsen Singh, versão dark do clássico infantil com Julia Roberts. Chama a atenção outros projetos de grandes orçamentos em pré-produção, como o épico Pompéia, de Paul W. S. Anderson, co-produção de US$ 130 milhões entre Alemanha, França e Espanha; a animação Tarzan 3D, de Reinhart Kloss; a ficção científica Cloud Atlas, com Tom Hanks e Halle Berry, projeto de US$ 140 milhões a ser dirigido por Tom Tykwer e os irmãos Andy e Lana Wachowski; A Hospedeira, adaptação do best seller de ficção científica The Host, de Stephanie Meyer (autora da Saga Crepúsculo), com Saiorse Ronan e direção de Andrew Nicol (o grande cineasta de Gattaca – Experiência Genética e O Senhor das Armas); The Wettest Country in the World, suspense estrelado por Shia LeBoeuf (da série Transformers); e  Gentle Down the Stream, comédia com Robert De Niro, Katherine Heighl e Amanda Seyfried.

A Califórnia Filmes também investiu pesado em projetos em pré-produção, como a comédia Two Days in New York, da cineasta e atriz Julie Delpy, com Chris Rock e Vincent Gallo; o suspense End of Watch, de David Ayer, com Jake Gyllenhaal e Anna Kendrick; The Dallas Buyer’s Club, Sharpnell e Mavericks, projetos previstos para 2014. Afora esses títulos, outras distribuidoras também fizeram suas aquisições, mas preferiram, ainda, não divulgar, como a Paris Filmes. Sem contabilizar esses dois lotes de títulos, no Festival de Cannes deste ano um recorde foi batido: quase 30 produções apresentadas nas diversas mostras, incluindo vários competidores da Mostra Oficial, foram adquiridas por leque de distribuidoras: PlayArte, Imagem, Vinny Filmes, Califórnia, e até por “majors”, como a Fox e a Columbia.

A Fox adquiriu o elogiadíssimo drama Martha Marcy May Marlene, de Sean Durkin, com Elizabeth Olsen e Sarah Paulsen, sobre a luta de uma mulher para se reerguer psicologicamente após ter sofrido um abuso sexual; e a Columbia comprou Inquietos (Restless), de Gus Van Sant, um drama espiritual sobre uma garota doente terminal que conversa com o espírito de um jovem japonês morto durante a 2ª. Guerra Mundial.

Confira treiler de Martha Marcy May Marlene.

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A Playarte comprou os direitos de Last Passanger, agitado “thriller” de ação que marca a estréia de Omid Nooshin, com Dougray Scott; e a comédia francesa Les Tuche, de Olivier Baroux, com Isabelle Nanty. E a nova distribuidora Vinny Filmes ficou com a elogiada comédia dramática italiana Habemus Papam, de Nanni Moretti, sobre um cardeal que se desespera às vésperas de ser eleito Papa.

Conheça em primeira visão o eletrizante treiler de The Last Passenger.

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A Imovision, novamente comprou outro lote de produções exibidas e bem recebidas em Cannes. A lista é composta por boas recebidas produções francesas como Les Nieges de Kilimanjaro, de Robert Guédiguian, La Guerre est Declaré, de Valérie Donzelli, Les Bien-Aimés (Os Bons Amigos), musical com Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni, Um Éte Brulant, de Phillippe Garrel, com Monica Bellucci, e Toutes nos Envies, de Phillipe Noiret, além do inglês The Angel’s Share, de Ken Loach.

Confira o treiler de La Guerre est Declaré.

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A distribuidora comprou ainda 7 Dias in Havana, produção filmada em sete episódios dirigidos por Benício DelToro, Julio Medem, Laurent Cantet, Pablo Trapero, Juan Carlos Tabio, Elia Suleiman e Gaspar Noré, além do belga O Garoto da Bicicleta, de Luc e Jean-Pierre Dardenne, ganhador do Grande Prêmio do Júri, e os iranianos Le Havre (Irã), de Abbas Kiarostami (Prêmio da Crítica Internacional), e In Film Nist (Irã), de Jafar Panahi, um auto-retrato de sua condenação pelo governo que o sentenciou a 20 anos de prisão e não mais voltar a exercer a profissão.

Confira o treiler de O Garoto da Bicicleta.

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Passada a euforia das compras, as distribuidoras tratam agora de encontrar datas para os seus filmes no calendário de lançamentos de 2011. Os filmes adquiridos antes do Festival de Cannes são os primeiros a chegar. E, desse lote, Meia-Noite em Paris, de Woody Allen, distribuído pela Paris Filmes, foi o primeiro a estrear, já estando em cartaz na cidade. O próximo será Melancolia, de Lars Von Trier. Desta vez não foi a obra a criar polêmica, mas sim o próprio cineasta, ao fazer referências ao nazismo. Bem recebido pela crítica, Melancolia se ambienta em uma festa de casamento horas antes de um planeta desgarrado pelo espaço entrar em rota de colisão com a Terra. Kirsten Dunst recebeu o prêmio de melhor atriz. Estréia em 5 de agosto.

Veja o treiler de Melancolia.

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A terceira estréia é A Árvore da Vida, de Terence Mallick, vencedor da Palma de Ouro, que estréia no dia 12 de agosto. Conta a história de uma família que perde um dos três filhos ainda na infância e a inconformidade do irmão mais velho (vivido por Sean Penn), o qual, ao longo dos anos, tenta encontrar um sentido para a sua dor, buscando o entendimento da morte na filosofia, religião e cosmologia, entendendo a relação cósmica com a vida na Terra. Duas semanas antes de entrar em cartaz, o filme será exibido em pré-estréias pelo Cinema de Arte, nos dias 30 de julho e 05 de agosto, sábados, às 10h45, com direito a debate com filósofos após as sessões.

Confira o treiler de A Árvore da Vida.

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Festival de Cannes expulsa Lars Von Trier

Publicado em 19/05/2011 - 13:11 por | Comentar

A decisão saiu agora há pouco. O cineasta dinamarquês Lars Von Trier, que concorre à Palma de Ouro no Festival de Cannes com o drama Melancolia, foi considerado, em nota oficial, “persona non grata” pela direção do evento. O caso deverá ter outros desdobramentos

“O Festival de Cannes se oferece aos artistas de todo o mundo como um fórum excepcional para apresentar seus trabalhos e defender a liberdade de expressão e criação. O Conselho dirigente do Festival realizou uma reunião extraordinária nesta quinta-feira, 19 de maio de 2011, lamenta profundamente que este fórum tenha sido usado por Lars Von Trier para exprimir as suas observações, que são inaceitáveis, intoleráveis, e contrária aos ideais de humanidade e generosidade que presidem a própria existência do Festival. O Conselho administrativo do Festival condena firmemente esses comentários e declara Lars Von Trier uma persona non grata no Festival de Cannes, com efeito imediato”. Este é o teor da nota oficial do Festival, cujo resultado é a expulsão imediata do cineasta.

Reconstituindo o caso: na terça, 17, Melancolia, de Lars Von Trier, teve exibição e acolhida entusiástica pelo público e a crítica, diferentemente do que ocorrera no ano passado, com AntiCristo. Ontem, 18, na sessão de entrevistas sobre o filme, ao lado as atrizes Kirsten Dunst Charlotte Gainsbourg, Von Trier respondiabem humorado às perguntas sobre sua obra. “Não é um filme sobre o fim do mundo, e sim sobre um estado de espírito. Já passei por fases melancólicas na vida. Justine (personagem vivida por Kirsten Dunst) acha que o casamento vai lhe tirar da melancolia, mas isso obviamente não acontece”. Ainda explicando o filme, ele revelou ter influências de 3 falecidos cineastas, o russo Andrei Tarkovski, o italiano Michelangelo Antonioni e o sueco Ingmar Bergman. “Ainda não sei bem. Talvez esse filme seja uma porcaria. É, acho que tem uma grande chance de ser!”, disse, o que provocou risos entre os jornalistas.

O constrangimento teve início quando um repórter lhe perguntou sobre as suas raízes alemãs. Para a surpresa de todos, Trier respondeu que “eu gostaria de ser judeu, e então, descobri na verdade que eu era um nazista. Você sabe, porque minha família era alemã, Hartmann, o que também me dá um certo prazer”.

Na continuidade da resposta, disse “eu compreendo Hitler. Acho que ele fez algumas coisas erradas, sim, com certeza, mas eu consigo vê-lo sentado em seu ‘bunker’ no final”.  Ao seu lado, a atriz Kirsten Dunst virou-se para Charlotte e murmurando pronunciou um “Meus Deus!”, que ouvido pelo cineasta, obteve outra observação: “mas eu tenho um argumento no final disto”.

“Estou apenas dizendo que acho que entendo este homem. Ele não é o que você poderia chamar de um cara legal, mas sim, eu entendo muito a seu respeito, e sinto por ele um pouco de compaixão, sim. Mas vá lá, eu não sou a favor da Segunda Guerra Mundial. E não sou contra os judeus”, complementou. Na continuidade, atacou Israel e fez elogios ao arquiteto do III Reich, Albert Speer. “É claro que gosto muito dos judeus, mas nem tanto, porque Israel é um pé no saco. Mesmo assim – como é que eu termino essa frase? – eu apenas gostaria de dizer, sobre a arte, que gosto muito de Speer”. Após elogiar o talento do arquiteto de Hitler, finalizou: “O. K., então, sou um nazista!”.

A declaração do cineasta, que no início foi recebida entre risadas e sustos, rapidamente criou uma tempestade devastadora sobre Cannes. Sentindo o peso da declaração, a assessoria de imprensa divulgou uma nota à imprensa, na qual ele pede desculpas. “Se eu magoei alguém nesta manhã com as palavras que disse durante a coletiva, sinceramente peço desculpas. Eu não sou antissemita ou tenho qualquer tipo de preconceito racial, nem sou um nazista” – Lars Von Trier. Aparentemente, tarde demais.

Na manhã de hoje o Conselho administrador do Festival decidiu expulsá-lo, sumariamente. Lars está impedido de chegar a 100 metros e muito menos ingressar no Palácio dos Festivais, local das exibições. Haverá resposta de Von Trier e outros desdobramentos? Bem, o festival continua até o domingo, dia 22. Lembrando que o Festival de Cannes, em 2000, premiou Von Trier com a Palma de Ouro com o horroroso Dançando no Escuro

Por declarações infelizes como esta, o ator Mel Gibson não encontra mais espaço em Hollywood, já que ninguém quer trabalhar ao seu lado. O filme Um Novo Despertar (The Beaver), dirigido por Jodie Foster e também em exibição em Cannes, foi feito antes das gravações que o revelaram ameaçando matar a namorada a russa Oksana Grigorieva, e incendiar a casa, onde viviam com o filho de 8 meses. Lançado nos cinemas dos EUA, o filme foi um retumbante fracasso, mas foi calorosamente bem recebido em Cannes, com elogios à atuação de Gibson.

Após tomar conhecimento da decisão do Conselho do festival, procurado pela imprensa, Lars se mostrou melancólico. Reafirmou não ser nazista e ter sido infeliz nas declarações.

E quanto a Melancolia, o filme? Esse “constrangimento” geral afetará o seu  lançamento em termos de interesse do público? Adquirido pela Califórnia Filmes, estréia aqui no dia 5 de agosto. Não se sabe se em grande circuito comercial ou abrigado pelos Cinemas de Arte.

Veja o treiler de Melancolia.

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Woody Allen abre o 64º Festival de Cannes

Publicado em 11/05/2011 - 21:27 por | Comentar

Com a exibição de Meia-Noite em Paris, de Woody Allen, o Festival de Cannes tem início hoje, 4a, 11, com 19 filmes disputando a Palma de Ouro, duas produções clandestinas como atração e algumas das obras mais aguardadas da temporada nas mostras paralelas, nas quais se incluem dois representantes da nova safra brasileira, um deles Abismo Prateado, de Karin Aïnouz

Cannes não é somente um festival de filmes, mas de gente que faz a maior indústria da arte e do entretenimento visual. Pelo seu famoso tapete vermelho irão desfilar cineastas do quilate dos estadunidenses Terence Mallick, Angelina Jolie, Brad Pitt, Robert De Niro e Johnny Deep, os espanhois Pedro Almodóvar, Antonio Banderas e Penelope Cruz, o italiano Nanni Moretti, e a francesa Catherine Deneuve, entre outros. Meia Noite em Paris, comédia romântica de Woody Allen, abre o Festival, nesta quarta, 11, contando três histórias que passam em Paris: uma família estrangeira em mudança para a cidade, um casal de noivos que também pretende lá se casar, e um jovem que busca pela cidade a mulher de sua vida. No elenco, Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard e Carla Bruni, a qual deverá “roubar a festa” com a especulação de que estaria grávida.

Veja treiler de Meia Noite em Paris.

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O marido de Carla, o presidente francês Nicolas Sarkozy, está retratado no drama La Conquête (A Conquista), o qual reconstitui o colapso de seu casamento com a esposa anterior, Cecília, e as eleições de 2007, quando foi eleito.

Veja o treiler de La Conquête.

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Ainda na abertura, a AmFar, organização de luta contra a Aids, prestará uma homenagem à Elizabeth Taylor, que desde 1985 com a morte do amigo Rock Hudson, vítima da Aids, engajou-se na luta contra a doença e, ao falecer, deixou parte de seu espólio, cerca de US$ 600 milhões, para duas entidades de pesquisa da cura da enfermidade.

Os atores Jude Law e Uma Thurman, a atriz e produtora argentina Martina Guzman, o produtor Chinês Nansun Shi, a escritora e crítica literária norueguesa Linn Ullman, o cineastas Oliver Assayas, francês, Mahamat Saleh Haroun, africano, e Johnny To, chinês, formam o corpo de jurados, o qual tem Robert De Niro na presidência.

A grande expectativa que cerca Cannes, neste ano, é a seleção dos filmes, tanto em competição quanto nas mostras paralelas, a qual contempla uma ampla variedade de produções de diversas nacionalidades de enfoque nos problemas sociais e políticos. Um cinema de comprometimento. Uma das atrações de Cannes será a exibição de dois filmes tidos como clandestinos por terem sido às escondidas, os iranianos Be Omid-e Didar (Adeus), de Mohammad Rasoulov, e In Film Nist (Isto não é um Filme), de Jafar Panahi e Mojtaba Mirtahmasb. Atração da Mostra Um Certo Olhar, Rasoulov conta a história de um advogado de Teerã que tenta sair legalmente do país e encontra inúmeras dificuldades, enquanto o de Panahi, cartaz nas sessões especiais, é uma espécie de diário sobre a vida de um artista impedido de trabalhar. O cineasta, condenado a seis anos de prisão e a 20 anos sem filmar, aguarda por um julgamento de recurso.

Outro aspecto relevante em Cannes é o retorno dos grandes cineastas. As maiores expectativas recaem sobre as novas criações de Terence Mallick, A Árvore da Vida; Pedro Almodóvar, A Pele que Habito; Lars Von Trier, Melancolia; além das obras de Nanni Moretti, Habemus Papam, e a nova criação dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne, La Gamim au Vélo (O Menino na Bicicleta).

 Depois de ter recebido duras críticas, na edkição do ano passado, por não ter selecionado obras feitas por mulheres, nesta ano Cannes apresenta 4: Hanezu no Tsuki, da japonesa Naomi Kawase, We Need to Talk About Kevin, da escocesa Lynne Ramsey, Polisse, da francesa Maïween Le Besco, Sleeping Beauty, da estadunidense Julia Leigh, todas em competição, além de Et Maintenant, on Va Où, da libanesa Nadine Labaki, realizadora do delicioso Caramelo.

A Árvore da Vida, de Mallick, é o mais aguardado e favorito à Palma de Ouro. O treiler, já em exibição nos cinemas, vislumbra um filme filosófico e encantador. Ambientado nos anos 50, conta a história de uma família e seus três filhos. O mais velho, Jack (Sean Penn), fica tão abalado com a morte do irmão mais novo que, mesmo na vida adulta, não consegue superar a perda e empreende uma filosófica busca pelo sentido da existência.

Veja o novo treiler de A Árvore da Vida.

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A Pele que Habito é a primeira experiência de Pedro Almodóvar com o terror psicológico. Baseado no livro Tarântula, do francês Thierry Jonquet, acompanha os esforços de um cirurgião plástico (Antonio Banderas) para encontrar uma pele mais resistente do que a humana a fim de salvar a vida de sua mulher (Elena Anaya), vítima de queimaduras.

Confira o treiler de A Pele que Habito.

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Outra obra aguardada, Melancolia, de Lars Von Trier, aborda o fim do mundo. Durante uma festa, o casal (Kirsten Dunst e Alexander Skarsgard), a dona da casa (Chalotte Gainsbourg), o cunhado (Kiefer Sutherland) e os convidados (entre eles, John Hurt) presenciam no céu o planeta Melancolia em sua rota de colisão com a Terra.

Confira o treiler de Melancolia.

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Na verdade, todos os 19 filmes em competição à Palma de Ouro têm chances de obtê-la. Afinal, foram conferidas previamente. Expectativas com uns, surpresa com outros. Entre as expectativas, Habemus Papam, o novo trabalho de Nanni Moretti, traz Michel Piccoli no papel de um cardeal que entra em estado de pânico quando o nome dele entra na lista de seleção para a escolha do novo papa. Em cartaz há cerca de 15 dias na Itália, o filme provocou a reação do Vaticano, que não gostou nada de ver seus cardeais jogando voleibol. Mas no interior do episcopado católico italiano há divisão: o crítico do “Avvenire” afirmou que o filme apresenta “a morte de uma igreja velha e confusa”, e o crítico da Rádio Vaticano elogiou, afirmando que Moretti faz um “retrato humanizado” dos cardeais e que não há nenhuma caricatura.

Para ter uma idéia, confira o treiler.

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Outros filmes aguardados são as produções estadunidenses This Must be the Place, de Paolo Sorrentino, Sleeping Beauty, de Julia Leigh, considerados obras-primas pela crítica estadunidense, e Michael, o estranhíssimo drama de estréia do austríaco Markus Schleinzer.  This Must be the Place traz Sean Penn (com uma maquiagem bem carregada) no papel de um cantor de rock cujo pai morreu em de Auschwitz durante a 2ª Guerra Mundial e descobre que o comandante do campo de concentração está escondido nos EUA. Ele inicia, então, uma jornada de busca do oficial nazista e ela se torna, também, uma jornada de autoconhecimento.

Veja o treiler de This Must be the Place.

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Escrito e dirigido por Julia Leigh, Sleeping Beauty estava na lista negra dos estúdios desde 2008. Motivo: sexualidade. A trama gira em torno de uma jovem (Emily Browning) que ingressa, por necessidade financeira, na prostituição, e todas as noites, sob o efeito de soníferos, ela dorme enquanto os homens exploram o seu corpo como quiserem. E ela, na manhã seguinte, não se lembra de nada.

Veja o treiler.

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De Michaelpraticamente nada se sabe sobre o enredo, mas seu diretor, Markus Schleinzer, tem a credencial de ser um ex-ator e ter sido o responsável, como diretor de elenco, pela escolha do “cast” de filmes como Professora de Piano, Os Falsários e A Fita Branca. Ou seja, angariou boa experiência acompanhando os trabalhos de cineastas do quilate de Michael Haneke e Ruzowitzky. E pelo treiler, promete ser uma obra inquietante.

Veja o intrigante treiler de Michael.

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Mas, afora os filmes em competição todos os olhares se voltam para os integrantes da Mostra Um certo Olhar, onde são encontradas algumas das pérolas do Festival. O cinema latino está representado por 4 produções. Miss Bala, do mexicano Gerard Naranjo, desenvolve a história de uma mulher (Stephane Sigman) que sonha em ser rainha nos concursos de beleza e tenta agarrar a chance em um financiado pelo crime organizado; Bonsái, do chileno Christian Jiménez, 36, uma co-produção envolvendo Chile, Argentina, França e Portugal, sobre um estudante de literatura que se apaixona por uma garota e, anos mais tarde, contratado por um escritor para transcrever uma novela, resolve contar a história de seu romance com a garota; os brasileiros Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra, um drama em clima de realismo fantástico que conta a história de um casal (Marat Descartes e Helena Albergaria) que começa a se desentender quando ela abre um minimercado e ele é despedido da empresa multicional; e Abismo Prateado, do cearense Karim Aïnouz, inspirado na canção Olhos nos Olhos, de Chico Buarque, traz Alessandra Negrini no papel de uma mulher angstiada por ter sido abandonada pelo marido.

Veja o treiler de Trabalhar Cansa.

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Chama a atenção, entre outros, o novo filme de Gus Van Sant, Restless, de Gus Van Sant, com temática espiritualista sobre uma adolescente (Mia Wasikowska) com uma grave doença que, presa a uma cama de hospital, se comunica com o espírito de um soldado japonês (Ryo Kase) falecido na 2ª Guerra Mundial. Van Sant, um dos mais respeitados realizadores de Hollywood, produz seus melhores trabalhos no sistema independente, como Gênio Indomável (2007), Elefante (2003) e Milk (2008). Este é uma produção da Imagine distribuída por um grande estúdio, a Columbia/Sony.

Confira o treiler de Restless.

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Fora de competição, um dos filmes a chamar a atenção é o indiano Bollywood, the Greatest Love Story Ever Told, de Shakar Kapur (o realizador de Elizabeth 1 e 2, com Cate Blanchett), uma homenagem ao cinema indiano com as cenas de algumas das melhores realizações com os seus característicos quadros musicais.

Confira o treiler.

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Outros que chamam a atenção são The Artist, a ousada criação do francês Michel Hazanavicius que fez um filme musical em preto e branco ambientado em 1927 e com a linguagem do cinema da época; Le Maitre dês Forces de L’enfer, do indiano Rithy Pann, e Um Novo Despertar (The Beaver), da estadunidense Jodie Foster, feito com Mel Gibson – que dizem, nma atuação arrasadora – no papel no papel de um homem que se torna depressivo após a mulher se divorciar dele. O filme foi feito antes dos escândalos de homofobia religiosa e violência doméstica que levaram o ator às manchetes policiais.

Cannes também será palco para as produções “blockbusters” de Hollywood, as quais devem atrair multidões. O Festival terá a primazia de promover a pré-estréia de dois dos mais aguardados filmes da temporada, a animação Kung Fu Panda 2, de Jennifer Yuh, com a voz de Jean Claude Van Damme, e Piratas do Caribe 4 – navegando em águas misteriosas, de Rob Marshall.

Vejao treiler de Kung Fu Panda 2.

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Confira o Treiler de Piratas do Caribe 4.

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 No encerramento, dia 22, será exibido Les Bien-Aimés (Os Bem Amados), de Christophe Honoré, história de amor desenvolvida dos anos 60 ao ano 2000 envolvendo mãe e filha em momentos históricos de transformações políticas e pessoais. No elenco, Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve e Louis Garrel. Algumas produções aguardadas, como On the Road, de Walter Salles, e W. E., estréia da cantora Madonna como diretora, não ficaram prontos a tempo.

Veja o treiler de Les Bien Aimés.

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FESTIVAL DE CANNES-2011 – os filmes em competição

Publicado em 11/05/2011 - 21:18 por | Comentar

Neste ano, 19 filmes concorrem à Palma de Ouro, a qual o cinema brasileiro ganhou uma única vez, em 1962, com O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte. O Brasil não compete à Palma de Ouro desde 2004, quando foi representado por Diários de Motocicleta, de Walter Salles. E esta será mais uma edição em branco para o Brasil

O favorito desta 64ª edição é o estadunidense A Árvore da Vida, de Terence Mallick. O cineasta, que praticamente faz um filme a cada década, é respeitadíssimo pela crítica e de seu novo filme se espera que seja nada mais nada menos do que uma obra-prima. E parte dessa expectativa foi gerada pelo treiler, o qual é simplesmente fascinante ao inserir imagens cosmológicas. Por fora, correm outros favoritos, como os belgas irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, os quais já conquistaram â Palma de Ouro por duas vezes com Rosetta (1999) e A Criança (2005), e agora competem com Le Gamin ao Vélo (A Criança e a Bicicleta), sobre um garoto abandonado num orfanato pelo pai e que recebe a visita de uma bela mulher, dona de um salão de beleza que o tira de lá e com ele passeia de bicicleta aos domingos. O representante do Japão, Hanezu no Tsuki (foto abaixo), de Naomi Kawase, é uma das apostas que correm por fora. 

EM COMPETIÇÃO Á PALMA DE OURO
A PELE QUE HABITO
(Espanha), de Pedro Almodóvar
A ÁRVORE DA VIDA (EUA), de Terence Mallick
DRIVE  (EUA), de Nicolas Winding Refn
FOOTNOTE (EUA), de Joseph Cedar
HANEZU NO TSUKI (Japão), de Naomi Kawase
ISHIMEL (Japão), de Takashi Miike
L’APOLLONIDE (França), de Bertrand Bonello
LE GAMIN AU VÉLO (Bélgica), de Jean Pierre e Luc Dardenne
LE HAVRE (Finlândia-França-Alemanha), de Aki Kaurismaki
MELANCOLIA (Dinamarca), de Lars Von trier
MICHAEL (EUA), de Markus Schleinzer
BIR ZAMANIAR ANADOLÚ’DA (Turquia), de Nuri Bilge Ceylan
PATER (França), de Alain Cavalier
POLISSE (França), de Maïwenn
SLEEPING BEAUTY (EUA), de Julia Leigh
LA SOURCE DES FEMMES (Bélgica-Itália-França), de Radu Mihaileanu
THIS MUST BE THE PLACE (EUA), de Paolo Sorrentino
HABEMOS PAPAM (Itália), de Nanni Moretti
WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN (Reino Unido-EUA), de Lynne Ramsey

veja o treiler de Le Gamin au Vélo, dos irmãos Dardenne.

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MOSTRA UM CERTO OLHAR

Os 2 filmes brasileiros em exibição na 64a. edição do Festival de Cannes, Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra, e Abismo Prateado, do cearense Karim Aïniouz, serão apresentados neste Mostra forade competição. Ambos ainda não têm data de estréia no Brasil.

Abismo Prateado (Brasil), de Karim Aïnouz
Arirang (Coréia do Sul), de Kim Ki Duk
Bonsai (Chile), de Christian Jimenez
Ok-hui-ui Yeonghwa (Coréia do Sul), de Sang-hoo Sang
Et Maintenant, on Va Où (Líbano), de Nadine Labaki
Half auf Freier Streecke (Alemanha), de Andreas Dresen
L’Exercice de L’Etat (França), de Pierre Schöller
Hors Satan(França), de Bruno Dumont
Okohotnik (The Hunter, França), de Bakur Bakuradze
Loverboy (Romênia), de Catalin Mitulescu
Martha Mercy May Marlene (EUA), de  Sean Durkin
Miss Bala (México), de Gerard Naranjo
Les Neiges Du Kilimanjaro (França), de Robert Guédiguian
Oslo, August 31st (Dinamarca), de Joachim Trier
Restless (EUA), de Gus Van Sant
Skoonheid (África do Sul), de Oliver Hermanus
Tatsumi (Singapura), de Eric Khoo
Toomelah (Hong Kong), de Ivan Sem
Trabalhar Cansa (Brasil), de Juliana Rojas e Marco Dutra
Hwanghae (Yellow Sea, Coréia do Sul), de Hong-jin Na

FORA DE COMPETIÇÃO
The Artist
(França), de Michel Hazanavicius
Um Novo Despertar (EUA), de Jodie Foster
La Conquête (França), de Xavier Durringer
Piratas do caribe 4 (EUA), de Rob Marshall

Veja o treiler de Um Novo Despertar, de Jodie Foster.

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SESSÕES ESPECIAIS
Labrador
(Dinamarca), de Frederikke Aspöck
Le Maitrê dês Forges de L’enfer (Camboja), de Rithy Panh
Um Documentaire sur Michael Petrucciani (França-Alemanha-Itália), de Michael Radford
Tous au Larzac (França), de Christian Rouaud

SESSÕES DE MEIA-NOITE
Dias de Gracia
(México), de Everardo Gout
Wu Xia (Tailândia), de Peter Ho-Sun Chan

Confira o treiler de Wu Xia, de Peter Chan.

Imagem de Amostra do You Tube

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