A ERA DO GELO 4/Crítica – a tenaz perseguição ao riso
Categorias: CRÍTICAS DE FILMES
Mantendo a família e a amizade como temáticas características da série, a fraca história de A Era do Gelo 4 tenta se manter promovendo uma tenaz perseguição ao riso
O mais aplicável dos entendimentos sobre Hollywood é que tudo é reciclável, se estica, se reduz e se recria. Entenda-se reciclável os remekes, o estica-estica as sequências, o redutor as prequelas e o recriar o reboot. É um sistema de produção voltado exclusivamente para entreter ao público e, em troca, manter a indústria funcionando em prol do dinheiro.
E dentro desse sistema se insere a A Era do Gelo 4, a mais recente produção da franquia criada pela Blu Sky (braço de animação da 20th Century Fox), da qual o brasileiro Carlos Saldanha é um de seus diretores. Saldanha, 44, por sinal, atua apenas como produtor executivo, pois se dedica a pré-produção de Rio 2, que tem lançamento previsto para 2014.
A história de A Era do Gelo 4, escrita por Michael Berg e depois roteirizada pelo próprio com a colaboração de Jason Fuchs, se apropria de dois fatos reais, a revolução sedentária que criou os continentes, chamada de deriva continental, e o início da Idade do Gelo, os quais servem como cenários às estrepolias e aventuras de Scrat, Manny, Diego e Sid. Scrat, aliás, ao tentar recuperar determinantemente a preciosa noz, é dado como o responsável pelo início das mudanças que deram uma outra face ao planeta.
Berg e Fuchs, para estruturar o enredo, unem os dois acontecimentos geológicos separados por milhares de anos, já que o supercontinente Pageia começou a rachar 200 milhões de anos atrás e a Idade do Gelo ocorreu há 20 milhões de anos. É nesse cenário de dificuldades que os roteiristas desenvolvem uma história que tem como temas centrais a exclusão, a família e a amizade – temas presentes desde o primeiro filme.
Para se informar sobre o supercontinente Pangeia, clique aqui > http://pt.scribd.com/doc/28986368/Pangeia-o-super-continente
No futuro, haverá o retorno do supercontinente Pangeia. Para saber como, clique aqui> http://pt.wikinoticia.com/cultura%20cient%C3%ADfica/Ci%C3%AAncia/10892-na-terra-do-futuro-irao-formar-um-supercontinente
Em A Era do Gelo 4 dá para se perceber esses temas como a base do enredo, mas a história é muito fraquinha para sustentá-las. No tratamento da exclusão, os personagens centrais são Sid, a preguiça, e sua inquieta Vovó, além do bando liderado pelo temerário orangotango Estranha. No segundo, o grupo formado por Manny, Ellie, os mamutes, e sua rebelde filha Amora; e o grupo da amizade é composto por Diego, o solitário tigre dente-de-sabre, o qual faz tudo para unir todos esses personagens.
Conheça na exposição de uma paleontóloga, as falhas científicas em A Era do Gelo 4.
Clique aqui> http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI6013753-EI238,00-Paleontologa+aponta+falhas+cientificas+em+A+Era+do+Gelo.html
Saiba mais sobre a Idade do Gelo que predominou no Planeta Terra.
Clique aqui> http://pt.wikipedia.org/wiki/Era_do_gelo
Curioso notar que a exclusão pode ser vista por dois ângulos: a dos abandonados pela própria família (Sid e a avó) e os que fazem o bando liderado por Estranha, o orangotango, o qual impõe a liderança através da opressão e do medo. No caso, o bando não se trata nem de uma família e nem um grupo de amigos, mas de excluídos reunidos ao leu e que, sem perspectivas, os quais se deixam dominar pelo agressivo falso líder. Assim se forma, na realidade, o grupo da marginalidade.
Mas, apesar de conter esses temas, a história armada por Berg e Fuchs é bem fraquinha, pois apenas se serve deles para desenvolver uma série de situações voltadas para gerar o riso. Nos filmes anteriores havia o equilíbrio de uma boa história com as situações cômicas. Em A Era do Gelo 4 este equilíbrio não existe.
E, paradoxalmente, não está errado, pois divertir é o propósito mesmo da franquia. Mas, aí, a questão é forma de tratamento do enredo. Quanto a isso, os diretores Steve Martino e Mike Thurmeier desenvolvem a história sem maiores atropelos, mas não lhe dão a devida relevância, uma narrativa sólida e dinâmica, e com isso os temas fluem superficialmente, fazendo com que o direcionamento do enredo seja em busca das situações cômicas e hilárias. E a elas o filme faz uma tenaz perseguição, se constituindo, por conseguinte, nos únicos bons momentos de A Era do Gelo 4.
Outro aspecto. Este é o típico filme em que o 3D não serve para nada. Mas, em todo caso, se você não for muito exigente, pode reunir a família e conferir A Era do Gelo 4. E, embora poucas, as gargalhadas vão proporcionar descontração e diversão.
Ficha técnica
A ERA DO GELO 4 (Ice Age – continental drift, EUA, 2012), de Steve Martino e Mike Thurmeier. 94 minutos. Dublado. Livre.
Confira o trailer legendado de A Era do Gelo 4.
Tags: 3D, Diego, idade do gelo, jason fuchs, Manny, michael berg, scart, supercontinente pangeia







