OS CINEMAS E O PÚBLICO – hoje em dia é menos agradável ir ao cinema?
Categorias: CINEMA & EDUCAÇÃO, MERCADO EXIBIDOR, REFLEXÃO
Quando escrevi sobre o filme João e Maria – Caçadores de Bruxas, de Tommy Wirkola, um de nossos leitores, Cortes, de São Paulo, enviou um comentário bastante interessante e que chama a atenção. E fizemos por bem colocar em discussão o assunto aqui no Blog de Cinema
Ainda sou desses frequentadores ferrenhos do cinema. Cheguei a esperar por dois anos para ver À Prova de Morte (Death Proof, 2007), de Quentin Tarantino, na telona, quando praticamente todo mundo já o havia baixado na internet, pois nem sempre dá para esperar pela boa vontade de distribuidoras e exibidores.
Mas Cortes destacou 3 problemas: o da falta de educação do público, principalmente com o mau uso dos aparelhos celulares, iPods etc., atrapalhando e muitas vezes irritando bastante a apreciação fílmica do outro, e a questão dos downloads, que no caso não foi um problema levantado por ele, mas uma solução.
O celular, à medida que foi se tornando cada vez mais popular, foi mais e mais sendo motivo de desgosto para muitos cinéfilos, aqueles que consideram a sala de cinema quase um templo sagrado. Isso que o Cortes falou, do sujeito que ficou narrando no celular partes do filme, é um completo absurdo. Mais absurdo ainda é a administração da sala não ter tomado nenhuma providência. E, pasmem, isso está se tornando comum.
Qual seria, então, uma solução para que esse tipo de aborrecimento não mais acontecesse? Ao que parece, “confiscar” os celulares do público não parece uma ideia muito interessante para os exibidores. Até porque cinema também é ponto de encontro de amigos e amores. Então, deixo no ar a pergunta.
Outro ponto que Cortes destaca e que tem se tornado outro problema para as produtoras, distribuidoras e salas de exibição é a já tão comum prática de download de filmes pela internet. É simples, é rápido, boa parte dos filmes exibidos nos cinemas já estão disponibilizados na web. Então, acaba sendo um caminho tanto para aqueles que querem economizar um dinheiro, já que hoje em dia o ingresso não custa o preço de uma passagem de ônibus, quanto para aqueles que não têm muita disposição para sair de seus lares.
Com uma distribuição que nem sempre atende aos anseios dos espectadores mais exigentes e que querem uma maior variedade, que poucas vezes é possível, principalmente para quem não mora em cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, muitos cinéfilos acabam por fazer a sua própria programação, colocando, inclusive, filmes exibidos em festivais e que não foram comercializados no Brasil. O terceiro ponto é a ineficiência e o descaso dos gerentes quanto às reclamações por parte de seus clientes incomodados na sala de projeção.
Ainda assim, vale dizer, as salas de cinema continuam cheias, não apenas durante a exibição de blockbusters ou na temporada do Oscar. Os responsáveis pela distribuição e os exibidores precisam, porém, ser mais sensíveis com seu principal alvo, o espectador, pois corre o risco de perdê-lo. Por isso é preciso que as salas de cinema se tornem mais e mais atraentes para os espectadores. Não apenas através de conforto e boa projeção, mas também de uma programação diversificada e de qualidade. E, também, com uma política de educar os espectadores quanto ao seu comportamento. Assim, as salas de cinema não perderiam espectadores como o Cortes. E não correriam o perigo de se tornarem saudosos objetos do passado.
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