8 novos filmes em cartaz
Categorias: ESTRÉIAS
Um final de semana com nada menos 8 novos filmes em cartaz, com temáticas para todos os gostos. 3 são produções nacionais, os dramas O Filme dos Espíritos, de André Marouço e Michel Debret, Capitães de Areia, de Cecília Amado, e Transeunte, de Eryk Rocha. As estrangeiras são o thriller de terror A Hora do Espanto, de Craig Gillespie, a comédia Zelador Animal, de Frank Coracci, as comédias românticos Amizade Colorida, de Will Gluck, Eu Queria Ter a Sua Vida, de David Dobkin, e o drama Esses Amores, do francês Claude Lelouch. O feriado da próxima quarta, 12, Dia da Criança, vai promover, ainda, a antecipação de outros três filmes, Os 3 Mosqueteiros, de Paul W. S. Anderson, o drama verídico infanto-juvenil Winter, o Golfinho, de Charles Martin Smith, e a aventura Gigantes de Aço, de Shawn Levy
Com proximidade do final do ano, as distribuidoras desafogam as suas películas medianas ou filmes de alto investimento que redundaram em fracassos a fim limparem a área para as grandes produções que fazem a alegria do grande público na conhecida programação de Natal. Para o cinema brasileiro é a chance de colocar os bons filmes à escolha do grande público. Lançado em 1937, pouco antes do golpe do Estado Novo de Vargas, o livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, foi considerado uma obra subversiva, mas ao logo se mostrou antecipatória de uma realidade que hoje é um dos maiores problemas sociais do País. Em 1971 o cineasta independente estadunidense Hal Hartley (1922-93) fez uma elogiada adaptação livre do romance, antes de criar a sua obra-prima Fernão Capelo Gaivota (73).
Veja o treiler de Capitães da Areia.
Cecília Amado confessa ter acalentado durante anos o objetivo de colocar a história na tela, não apenas por tê-lo na infância, mas porque, um dia, ouviu do avô a confissão de que na verdade ele queria ser cineasta. E agora o filme Capitães de Areia traz para a tela os marcantes personagens literários que transformaram a obra do autor baiano numa das maiores criações da literatura brasileira. Assim como no livro, o person agem central é o inesquecível Pedro Bala, o menino que aos 5 anos foi jogado nas ruas e se tornou líder de uma gangue de garotos de rua de Salvador. Há uma enorme expectativa em torno do filme e vamos conferir do que resultou da adaptação.
A outra produção nacional, O Filme dos Espíritos, a adaptação livre de O Livro dos Espíritos, do francês Hippolyte Léon–Denizard Rivail, o Allan Kardec (1804–1869), publicado em 1857, reúne alguns dos temas da doutrina espírita em várias histórias paralelas que entrelaçam e se fragmentam. Esse efeito não fica legal no filme porque não consegue criar uma unidade narrativa imposta pela excessiva fragmentação das histórias envolvendo os seus 3 principais personagens: Bruno (Reinaldo Rodrigues), um homem que de 40 anos que mergulha em um estado de decadência ao perder a mulher para uma doença fatal; o psiquiatra Levy (Nelson Xavier), o seu mentor; e a jovem (Alethea Miranda), que acompanha com sofrimento o drama da mãe enferma.
Assista ao treiler de O Filme dos Espíritos.
Ainda assim o filme consegue colocar para a reflexão do espectador alguns dos pertubadores enigmas da existência humana: quem somos nós? De onde viemos e para aonde vamos? O que é a morte? O que é a reencarnação? E, a mais importante delas: quem é Deus? Ele existe? Adentra, ainda, a outros temas do questionamento humano como o suicídio e o aborto. Uma película que não chega ao nível de um Chico Xavier ou principalmente Nosso Lar, mas que é trabalhado como honestidade de propósitos.
Eryk Rocha, o filho da vídeo-artista colombiana Paula Gaitan com o cineasta brasileiro Gláuber Rocha, nasceu durante as filmagens de A Idade da Terra, a última criação do cineasta baiano, o qual ele perdeu aos 3 anos. Até os 20 anos viveu na Europa e na Colômbia e, após graduar-se em Cinema e televisão na famosa escola de Los Baños, em Cuba, retornou ao Brasil, onde fez 3 documentários, Rocha Que Voa (2002), quando se utilizou de entrevistas de seu pai arquivadas em Cuba; Intervalo Clandestino (2006), uma visão das eleições presidenciais daquele ano nas ruas do Rio e na televisão; e Pachamama (2008), sobre a atual situação da civilização inca na Amazônia peruana.
Conheça o treiler de Transeunte.
Transeunte, o seu primeiro trabalho na ficção, rodado em preto e branco, tem cenário o centro do Rio de Janeiro e como personagem um homem de 65 anos, Expedito (Fernando Bezerra), que depois de aposentar-se e perder a mãe não tem mais interesse pela vida. Caminhando pelas ruas e ouvindo as conversas ele se torna testemunha dos conflitos e dramas vividos pelas pessoas. Eryk registra um dos redutos da boêmia carioca, o Seresta Democracia, próximo à Praça Tiradentes, com seus músicos e cantores anônimos. O cineasta de 32 anos fez documentários que se distanciam do convencionalismo do gênero e buscam uma nova estética e, por isso, se aguarda com especial interesse essa sua estréia na ficção.
A moda em Hollywood, agora, é investir na liberalidade sexual feminina. Amizade Colorida (Friends with Beneficts, EUA, 2011) traz Justin Timberlake e Mila Kunis nos papéis centrais. Ele como um designer de sites, ela vivendo uma descobridora de talentos. Ela o contrata para trabalhar e uma empresa e surge a amizade. E sem namorados, resolvem experimentar um relacionamento sexual sem compromisso. Mas, longe de tratar seriamente no tema, o filme é de um moralismo tacanho e de uma falta de criatividade exemplar. Não há sensualidade, o romantismo passa ao largo em uma história que não empolga. Observem o pudor do filme: nas cenas de sexo os atores estão sempre cobertos por lençóis e conversam sob um artificialismo de irritar.
Confira o treiler de Amizade Colorida.
Em entrevista, o próprio diretor Will Gluck, do inédito A Mentira (2010, disponível em DVD), revela filmou as cenas de sexo “como se fossem um evento esportivo”, “duas pessoas se sacando na cama”. Para mostrar que é avançadinho, há encenações (por baixo do famoso lençol, claro) de Kunis protagonizando sexo oral em Timberlake, mas tudo é muito falso e superficial. “Clean”, para ser mais exato. E, pior ainda, a história é previsível como a maioria das produções convencionais de Hollywood.

Os comentários dos críticos estadunidenses não são animadores quanto a Eu Queria ter a sua Vida (The Change-Up, EUA, 2011), de David Dobkin, o realizador de Penetras Bom de Bico. O enredo trata de dois amigos de infância que se reencontram adultos e, obviamente, estão em situação opostas. Jason Bateman se tornou um advogado ocupado, casado com Leslie Mann e pai de 3 crianças. Ryan Reynolds vive o personagem meio infantilóide, solteiro e semi–desempregado, sem perspectivas de algo concreto na vida.
Veja o treiler de Eu Queria ter a sua Vida.
O estressado tem inveja da vida do solteiro e vice versa. Após uma bebedeira os dois trocam de corpos para descobrir que os modos de vida de cada um têm suas vantagens e desvantagens. Jon Lucas e Scott Moore, os autores dos 2 Se Beber não Case, mais uma vez apelam para a bebedeira como recurso de criação para suas histórias. E essa temática da troca de corpos já rendeu argumentos divertidos, mas já está perdendo a consistência. Resta conferir no que deu esse Eu Queria ter a sua Vida.
O diretor Frank Coraci, cujo verdadeiro nome é Joan Joseph Orlando, 45, tem dois ótimos filmes na carreira: Afinado no Amor (1998) e Click (2006), ambos com Adam Sandler. Ele é a principal recomendação para que se assista a Zelador Animal (The Zookeeper, EUA, 2011), comédia em que Kevin James é um solitário guarda de um zoológico que se apaixona por uma garota fútil que exige que ele abandone o emprego no qual está há 15 anos e os animais o adoram.
Veja o treiler de Zelador Animal.
Ao perceberem que o seu melhor amigo vai deixá-lo, leões, zebras, elefantes Se outros bichos resolvem revelar a ele que entendem e até podem falar com os humanos. Assim, todos se empenhar em gorar o romance e fazer o zelador encontrar uma pessoa que o queira como ele é. O enredo pode trazer boa comicidade e tem ainda a atração dos atores Adam Sandler e Sylvester Stallone, os cineastas John Favreau e Judd Apatow e a cantora Cher, entre outros, emprestarem suas vozes aos animais.
A Hora do Espanto, o filme de 1982 dirigido por Tom Holland, imenso sucesso de público e crítica na época, tornou-se um cult no qual Roddy McDowell, o macaco César da série O Planeta dos Macacos, saiu consagrado. A versão repaginada chega ao Brasil após se constituir em um dos canos de bilheteria do ano nos EUA. As opiniões críticas, apesar de favoráveis, não conseguiram chamar a atenção dos jovens estadunidenses e mal conseguiu arrecadar US$ 15 milhões.
Confira o treiler do remeke de A Hora do espanto.
Neste remeke, a história é praticamente a mesma: o adolescente Charlie Brewster (Anton Yelchin, em papel que era de William Ragsdale), popular na escola e namora a garota mais bonita, se incomoda quando o novo vizinho, Jerry (Colin Farrell) começa a se engraçar para o lado de sua mãe (Toni Collette), mas o que pega mesmo é ele desconfiar de que o sujeito boa pinta seja mesmo é um vampiro. Para investigar o suspeito mais de perto, ele recorre a um ator de velhos filmes de terror que tem um programa de televisão a fim de ajudá-lo a desvendar a entrar na casa do vampiro. O diretor Craig Gillespie é um especialista no gênero.
O francês Claude Lelouch teve a sua fase áurea nos anos 60 e 70 quando fez algumas obras marcantes, como Um Homem… uma Mulher (1966), com Anouk Aimée e Jean-Louis Trintgnant, ganhador da Palma de Ouro em Cannes, e Viver a Vida (68), com Yves Montand, Candice Bergen e Annie Girardot. Ele faria ainda duas expressivas obras filosóficas sobre os descaminhos dos relacionamentos em A Vida, o Amor, a Morte (69), e Retratos da Vida (74). Depois, nunca mais conseguiu criar obras envolventes e emocionantes quanto estas. Há uns anos atrás revi Um Homem… uma Mulher, do qual senti uma ponta de frustração por não me provocar o mesmo encanto. Ele mesmo não conseguiu repetir esse encantamento em Um Homem, uma Mulher: 20 Anos Depois (86).
Conheça o treiler de Esses Amores.

Ausente dos circuitos brasileiros desde 2007, quando o seu Crimes de Autor foi lançado sem muito sucesso e não me recordo se chegou a ser lançado aqui, Lelouch está de volta com Esses Amores (Ces Amoour Lá, França, 2011), um drama com traços autobiográficos no qual acompanha a trajetória de uma mulher, Ilva Lemoine (Audrey Dana), que por se apaixonar facilmente vai consumando sua vida entre relações equivocadas e trágicas. A história se inicia na França ocupada durante a 2ª Guerra Mundial e entra algumas décadas depois com a jornada dessa mulher moderna, livre e a frente de seu tempo em meio ao sofrimento e as alegrias do amor e ao destino reservado pelas escolhas humanas.
Tags: 0s 3 Mosqueteiros, A Hora do Espanto, A Mentira, Adam Sandler, Afinado no Amor, Alethea Miranda, Allan Kardec, Amizade Colorida, André Marouço, Anton Yelchin, cantora Cher, Capitães da Areia, Cecília Amado, Charles Martin Smith, Chico Xavier, Claude Lelouch, Click, Colin Farrell, Craig Gillespie, Cuba, David Dobkin, De onde viemos e para onde vamos?, Dia da Criança, doutrina espírita, Eryk Rocha, Esses Amores, Estado Novo de Vargas, Eu Queria ter a Sua Vida, Fernando Bezerra, Fernão Capelo Gaivota, Frank Coracci, Friends with beneficts, Gigantes de Aço, Gláuber Rocha, Hal Hartley, Hollywood, Hyppolyte Léon-Denizard Rivail, Intervalo Clandestino, Jason Bateman, John Favreau, Jon Lucas, Jorge Amado, Justin Timberlake, Leslie Mann, Los Baaños, Los Baños, Michel Debret, Mila Kunis, Nelson Xavier, Nosso Lar, O Filme dos Espíritos, o Golfinho, O Livro dos Espíritos, O que é reencarnação?, Pacgamama, Paul W. S. Anderson, Paula Gaitan, Pedro Bala, Penetras Bom de Bico, quem é Deus?, Quem Somos Nós?, Reinaldo Rodrigues, Rio de Janeiro, Rocha que Voa, rodado em preto e branco, Roddy McDoweell, Ryan Reynolds, Scott Moore, Se Beber não Case, Seresta Democracia, sexo oral, Shawan Levy, Sylvester Stallone, The Change-Up, The Zookeeper, Tom Holland, Toni Collette, Transeunte, Will Gluck, William Ragsdale, Winter, Zelador Animal






