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8 novos filmes em cartaz

Publicado em 08/10/2011 - 15:51 por | 2 Comentários

Categorias: ESTRÉIAS

Um final de semana com nada menos 8 novos filmes em cartaz, com temáticas para todos os gostos. 3 são produções nacionais, os dramas O Filme dos Espíritos, de André Marouço e Michel Debret, Capitães de Areia, de Cecília Amado, e Transeunte, de Eryk Rocha. As estrangeiras são o thriller de terror A Hora do Espanto, de Craig Gillespie, a comédia Zelador Animal, de Frank Coracci, as comédias românticos Amizade Colorida, de Will Gluck, Eu Queria Ter a Sua Vida, de David Dobkin, e o drama Esses Amores, do francês  Claude Lelouch. O feriado da próxima quarta, 12, Dia da Criança, vai promover, ainda, a antecipação de outros três filmes, Os 3 Mosqueteiros, de Paul W. S. Anderson, o drama verídico infanto-juvenil Winter, o Golfinho, de Charles Martin Smith, e a aventura Gigantes de Aço, de Shawn Levy

Com proximidade do final do ano, as distribuidoras desafogam as suas películas medianas ou filmes de alto investimento que redundaram em fracassos a fim limparem a área para as grandes produções que fazem a alegria do grande público na conhecida programação de Natal.  Para o cinema brasileiro é a chance de colocar os bons filmes à escolha do grande público. Lançado em 1937, pouco antes do golpe do Estado Novo de Vargas, o livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, foi considerado uma obra subversiva, mas ao logo se mostrou antecipatória de uma realidade que hoje é um dos maiores problemas sociais do País. Em 1971 o cineasta independente estadunidense Hal Hartley (1922-93) fez uma elogiada adaptação livre do romance, antes de criar a sua obra-prima Fernão Capelo Gaivota (73).

Veja o treiler de Capitães da Areia.

Imagem de Amostra do You Tube

Cecília Amado confessa ter acalentado durante anos o objetivo de colocar a história na tela, não apenas por tê-lo na infância, mas porque, um dia, ouviu do avô a confissão de que na verdade ele queria ser cineasta. E agora o filme Capitães de Areia traz para a tela os marcantes personagens literários que transformaram a obra do autor baiano numa das maiores criações da literatura brasileira. Assim como no livro, o person agem central é o inesquecível Pedro Bala, o menino que aos 5 anos foi jogado nas ruas e se tornou líder de uma gangue de garotos de rua de Salvador. Há uma enorme expectativa em torno do filme e vamos conferir do que resultou da adaptação.

A outra produção nacional, O Filme dos Espíritos, a adaptação livre de O Livro dos Espíritos, do francês Hippolyte Léon–Denizard Rivail, o Allan Kardec (1804–1869), publicado em 1857, reúne alguns dos temas da doutrina espírita em várias histórias paralelas que entrelaçam e se fragmentam. Esse efeito não fica legal no filme porque não consegue criar uma unidade narrativa imposta pela excessiva fragmentação das histórias envolvendo os seus 3 principais personagens: Bruno (Reinaldo Rodrigues), um homem que de 40 anos que mergulha em um estado de decadência ao perder a mulher para uma doença fatal; o psiquiatra Levy (Nelson Xavier), o seu mentor; e a jovem (Alethea Miranda), que acompanha com sofrimento o drama da mãe enferma.

Assista ao treiler de O Filme dos Espíritos.

Imagem de Amostra do You Tube

Ainda assim o filme consegue colocar para a reflexão do espectador alguns dos pertubadores enigmas da existência humana: quem somos nós? De onde viemos e para aonde vamos? O que é a morte? O que é a reencarnação? E, a mais importante delas: quem é Deus? Ele existe? Adentra, ainda, a outros temas do questionamento humano como o suicídio e o aborto. Uma película que não chega ao nível de um Chico Xavier ou principalmente Nosso Lar, mas que é trabalhado como honestidade de propósitos.

 

Eryk Rocha, o filho da vídeo-artista colombiana Paula Gaitan com o cineasta brasileiro Gláuber Rocha, nasceu durante as filmagens de A Idade da Terra, a última criação do cineasta baiano, o qual ele perdeu aos 3 anos. Até os 20 anos viveu na Europa e na Colômbia e, após graduar-se em Cinema e televisão na famosa escola de Los Baños, em Cuba, retornou ao Brasil, onde fez 3 documentários, Rocha Que Voa (2002), quando se utilizou de entrevistas de seu pai arquivadas em Cuba; Intervalo Clandestino (2006), uma visão das eleições presidenciais daquele ano nas ruas do Rio e na televisão; e Pachamama (2008), sobre a atual situação da civilização inca na Amazônia peruana.

Conheça o treiler de Transeunte.

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Transeunte, o seu primeiro trabalho na ficção, rodado em preto e branco, tem cenário o centro do Rio de Janeiro e como personagem um homem de 65 anos, Expedito (Fernando Bezerra), que depois de aposentar-se e perder a mãe não tem mais interesse pela vida.  Caminhando pelas ruas e ouvindo as conversas ele se torna testemunha dos conflitos e dramas vividos pelas pessoas. Eryk registra um dos redutos da boêmia carioca, o Seresta Democracia, próximo à Praça Tiradentes, com seus músicos e cantores anônimos. O cineasta de 32 anos fez documentários que se distanciam do convencionalismo do gênero e buscam uma nova estética e, por isso, se aguarda com especial interesse essa sua estréia na ficção.

 A moda em Hollywood, agora, é investir na liberalidade sexual feminina. Amizade Colorida (Friends with Beneficts, EUA, 2011) traz Justin Timberlake e Mila Kunis nos papéis centrais. Ele como um designer de sites, ela vivendo uma descobridora de talentos. Ela o contrata para trabalhar e uma empresa e surge a amizade. E sem namorados, resolvem experimentar um relacionamento sexual sem compromisso. Mas, longe de tratar seriamente no tema, o filme é de um moralismo tacanho e de uma falta de criatividade exemplar. Não há sensualidade, o romantismo passa ao largo em uma história que não empolga. Observem o pudor do filme: nas cenas de sexo os atores estão sempre cobertos por lençóis e conversam sob um artificialismo de irritar.

Confira o treiler de Amizade Colorida.

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Em entrevista, o próprio diretor Will Gluck, do inédito A Mentira (2010, disponível em DVD), revela filmou as cenas de sexo “como se fossem um evento esportivo”, “duas pessoas se sacando na cama”. Para mostrar que é avançadinho, há encenações (por baixo do famoso lençol, claro) de Kunis protagonizando sexo oral em Timberlake, mas tudo é muito falso e superficial. “Clean”, para ser mais exato. E, pior ainda, a história é previsível como a maioria das produções convencionais de Hollywood.


Os comentários dos críticos estadunidenses não são animadores quanto a Eu Queria ter a sua Vida (The Change-Up, EUA, 2011), de David Dobkin, o realizador de Penetras Bom de Bico. O enredo trata de dois amigos de infância que se reencontram adultos e, obviamente, estão em situação opostas. Jason Bateman se tornou um advogado ocupado, casado com Leslie Mann e pai de 3 crianças. Ryan Reynolds vive o personagem meio infantilóide, solteiro e semi–desempregado, sem perspectivas de algo concreto na vida.

Veja o treiler de Eu Queria ter a sua Vida.

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O estressado tem inveja da vida do solteiro e vice versa. Após uma bebedeira os dois trocam de corpos para descobrir que os modos de vida de cada um têm suas vantagens e desvantagens. Jon Lucas e Scott Moore, os autores dos 2 Se Beber não Case, mais uma vez apelam para a bebedeira como recurso de criação para suas histórias. E essa temática da troca de corpos já rendeu argumentos divertidos, mas já está perdendo a consistência. Resta conferir no que deu esse Eu Queria ter a sua Vida.

O diretor Frank Coraci, cujo verdadeiro nome é Joan Joseph Orlando, 45, tem dois ótimos filmes na carreira: Afinado no Amor (1998) e Click (2006), ambos com Adam Sandler. Ele é a principal recomendação para que se assista a Zelador Animal (The Zookeeper, EUA, 2011), comédia em que Kevin James é um solitário guarda de um zoológico que se apaixona por uma garota fútil que exige que ele abandone o emprego no qual está há 15 anos e os animais o adoram.

Veja o treiler de Zelador Animal.

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Ao perceberem que o seu melhor amigo vai deixá-lo, leões, zebras, elefantes Se outros bichos resolvem revelar a ele que entendem e até podem falar com os humanos. Assim, todos se empenhar em gorar o romance e fazer o zelador encontrar uma pessoa que o queira como ele é. O enredo pode trazer boa comicidade e tem ainda a atração dos atores Adam Sandler e Sylvester Stallone, os cineastas John Favreau e Judd Apatow e a cantora Cher, entre outros, emprestarem suas vozes aos animais.

A Hora do Espanto, o filme de 1982 dirigido por Tom Holland, imenso sucesso de público e crítica na época, tornou-se um cult no qual Roddy McDowell, o macaco César da série O Planeta dos Macacos, saiu consagrado. A versão repaginada chega ao Brasil após se constituir em um dos canos de bilheteria do ano nos EUA. As opiniões críticas, apesar de favoráveis, não conseguiram chamar a atenção dos jovens estadunidenses e mal conseguiu arrecadar US$ 15 milhões.

Confira o treiler do remeke de A Hora do espanto.

Imagem de Amostra do You Tube

Neste remeke, a história é praticamente a mesma: o adolescente Charlie Brewster (Anton Yelchin, em papel que era de William Ragsdale), popular na escola e namora a garota mais bonita, se incomoda quando o novo vizinho, Jerry (Colin Farrell) começa a se engraçar para o lado de sua mãe (Toni Collette), mas o que pega mesmo é ele desconfiar de que o sujeito boa pinta seja mesmo é um vampiro. Para investigar o suspeito mais de perto, ele recorre a um ator de velhos filmes de terror que tem um programa de televisão a fim de ajudá-lo a desvendar a entrar na casa do vampiro. O diretor Craig Gillespie é um especialista no gênero.

O francês Claude Lelouch teve a sua fase áurea nos anos 60 e 70 quando fez algumas obras marcantes, como Um Homem… uma Mulher (1966), com Anouk Aimée e Jean-Louis Trintgnant, ganhador da Palma de Ouro em Cannes, e Viver a Vida (68), com Yves Montand, Candice Bergen e Annie Girardot. Ele faria ainda duas expressivas obras filosóficas sobre os descaminhos dos relacionamentos em A Vida, o Amor, a Morte (69), e Retratos da Vida (74). Depois, nunca mais conseguiu criar obras envolventes e emocionantes quanto estas. Há uns anos atrás revi Um Homem… uma Mulher, do qual senti uma ponta de frustração por não me provocar o mesmo encanto. Ele mesmo não conseguiu repetir esse encantamento em Um Homem, uma Mulher: 20 Anos Depois (86).

Conheça o treiler de Esses Amores.

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Ausente dos circuitos brasileiros desde 2007, quando o seu Crimes de Autor foi lançado sem muito sucesso e não me recordo se chegou a ser lançado aqui, Lelouch está de volta com Esses Amores (Ces Amoour Lá, França, 2011), um drama com traços autobiográficos no qual acompanha a trajetória de uma mulher, Ilva Lemoine (Audrey Dana), que por se apaixonar facilmente vai consumando sua vida entre relações equivocadas e trágicas. A história se inicia na França ocupada durante a 2ª Guerra Mundial e entra algumas décadas depois com a jornada dessa mulher moderna, livre e a frente de seu tempo em meio ao sofrimento e as alegrias do amor e ao destino reservado pelas escolhas humanas.

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