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Os vencedores do Satellite Awards-2011 – consagração de OS DESCENDENTES e DRIVE

Publicado em 19/12/2011 - 20:05 por | Comentar

Categorias: Geral

 

A primeira grande premiação do cinema estadunidense, a do Satellite Awards-2011, apontou na premiação da International Press Academy, efetuada ontem, em Los Angeles, alguns destaques para as futuras premiações que se avizinham e que serão fechadas com a entrega do Oscar, em fevereiro. Ganham destaque o drama Os Descendentes, eleito o melhor filme, o cineasta Nicolas Winding Refn, melhor diretor, e As Aventuras de Tintin, de Steven Spielberg, melhor animação. A premiação apontou, ainda, outro vencedor, a produção franco-portuguesa Mistérios de Lisboa, último trabalho do recém falecido cineasta chileno Raoul Ruiz, eleito o melhor filme estrangeiro, e um grande perdedor: O Artista, o badalado drama em preto e branco do francês Michel Hazanavicius, sobre a época do cinema mudo

 

George Clooney e Alexander Payne durante as filmagens de OS DESCENDENTES

Ainda nesta semana irei postar aqui, algumas das mais importantes seleções dos melhores filmes de 2011 segundo as associações de críticos dos EUA, assim como aguardo que a recém fundada Associação Brasileira de Críticos de Cinema convoque os seus 74 membros filiados para a eleição dos melhores exibidos no Brasil durante a temporada. Essa postagem dos melhores filmes do ano, tanto nos EUA quanto no Brasil, concederá a você meu caro cinéfilo, a oportunidade de conhecer os filmes em destaque que ainda vão chegar ao Brasil, alguns para os cinemas e outros diretamente o vídeo, além de ter a chance de buscar nas locadoras de DVD os filmes exibidos nos cinemas e que você não teve a chance de assistir. É essa a função deste blog e do crítico, de forma geral: levar o filme de qualidade ao seu conhecimento. Conferi-lo ou não, é uma decisão pessoal.

Ryan Gosling e Nicolas Winding Refn, DRIVE foto Vittorio Zunino Celotto/Getty Images

A premiação efetuada, ontem, domingo, 18, pela Academia Internacional de Imprensa, tem a importância de destacar alguns filmes os quais ainda não assistimos e que desde já devemos anotá-lo na agendinha e aguardar a chegada aqui nos cinemas de Fortaleza. Quem acompanha o Ranking semanal de bilheteria dos filmes exibidos nos EUA e no Brasil, já tem uma idéia de quais filmes merecem interesse e desde já serem acompanhados com atenção. Por exemplo: desde que foi lançado chamo a atenção para o drama Os Descendentes, de Alexandre Payne, com George Clooney. Eleito o melhor filme do ano pelos jornalistas internacionais em Hollywood, confirma a sua qualidade, apontada pelos críticos estadunidenses que o elegeram como o melhor filme do ano.

Confira o trailer de Os Descendentes.

Imagem de Amostra do You Tube

No entanto, o filme que emerge para a lista dos destaques é Drive, 8º filme do dinamarquês Nicolas Winning Refn, em estréia em Hollywood. Refn não teve nenhum de seus filmes dinamarqueses lançados no Brasil, mas obteve o olhar da crítica internacional para o seu Valhalla Rising (2009), uma aventura sobre um guerreiro mudo em luta contra o mundo sobrenatural numa época mil anos antes de Cristo. Drive conquistou 4 prêmios, incluindo o de melhor ator para Ryan Gosling, e estréia por aqui no próximo ano.

Veja o trailer de Drive.

Imagem de Amostra do You Tube

O prêmio de melhor filme estrangeiro bem que poderia ajudar a uma distribuidora brasileira e trazer Mistérios de Lisboa (França-Alemanha, 2010), a última criação do cineasta italiano Raul Ruiz, que construiu uma carreira de obras admiráveis na França (Genealogias de um Crime, 1997, O Tempo Redescoberto, 1999, ambos exibidos aqui pelo Cinema de Arte), e que faleceu em agosto passado. Totalmente filmado em Portugal, a película acompanha a trajetória de 3 pessoas, uma condessa ciumenta, um rico empresário e um menino órfão que viajam por Portugal, França, Itália e Brasil, envolvendo-se com indivíduos e situações  misteriosas.

Veja o trailer de Mistérios de Lisboa

Imagem de Amostra do You Tube

sennaA premiação também valorizou o documentário Senna, de Asif Kapadia, exibido aqui sem despertar o interesse do grande público e sequer da crítica. As Aventuras de Tintin, de Steven Spielberg conquistou o prêmio de melhor anim ação, derrotando o favorito, Rango, de Gore Verbinski. A Árvore da Vida e Histórias Cruzadas conquistaram 2 prêmios, e A Invenção de Hugo Cabret, apenas um. Finalizando: se existe um perdedor, este se chama O Artista, a louvada e ousada produção francesa que recria os anos 20 do século passado conforme era o cinema à época: mudo e em preto e branco.

Confira todos os vencedores.

Melhor Filme
OS DESCENDENTES
, de Alexander Payne

Melhor Diretor
Nicolas Winding Refn, DRIVE

Melhor Roteiro Adaptado
Alexander Payne, OS DESCENDENTES (baseado no romance de Kaui Hart Hemmings, Jim Rash e Nat Faxon)

Melhor Roteiro Original
Terrence Malick, A ÁRVORE DA VIDA

Melhor Animação
AS AVENTURAS DE TINTIN
, de Steven Spielberg

Melhor Documentário
SENNA
(Inglaterra), de Asif Karpadia

Melhor Filme Estrangeiro
MISTÉRIOS DE LISBOA
(França-Portugal), de Raul Ruiz

Melhor Primeiro Filme
TYRANNOSAUR
(Inglaterra), de Paddy Considine

Melhor Ator
Ryan Gosling, DRIVE

Melhor Atriz
Viola Davis, HISTÓRIAS CRUZADAS

Melhor Ator Secundário
Albert Brooks, DRIVE

Melhor Atriz Coadjuvante
Jessica Chestain, A ÁRVORE DA VIDA

Melhor Fotografia
Janusz Kaminski, CAVALO DE GUERRA

Melhor Montagem
Chris Gill, O GUARDA (The Guard)
Melhor Trilha Sonora
Marco Beltrami, CORAGEM DE VIVER (Soul Surfer)

Melhor Canção Original
Lady Down your Head, ALBERT NOBBS, de Rodrigo Garcia

Melhor Efeitos Especiais
Robert Logato, A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, de Martin Scorsese

Melhor Guarda-Roupa
Jacqueline West, ÁGUA PARA ELEFANTES

Melhor Som
Dave Patterson, Lon Bender, Robert Fernandez e Victor Ray Ennis, DRIVE

 Melhor Elenco
HISTÓRIAS CRUZADAS

 

 

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O adeus de Robertson e Ruiz e a aposentadoria de Scola

Publicado em 18/09/2011 - 19:06 por | Comentar

Categorias: MEMÓRIA

O Cinema perdeu, de um mês para cá, três importantes personalidades de sua História. Duas, levadas pela inexorabilidade da existência, a morte: o ator Cliff Robertson e o cineasta Rauol Ruiz. A terceira, pela aposentadoria: Ettore Scola. Todos, indistintatamente, nos deixaram obras inesquecíveis e, por isso, vale a pena recordá-los

Robertson faleceu no sábado passado, 10. Segundo sua secretária, de causas naturais. Tinha 86 anos. Adotado por uma família que lhe deu o nome de Clifford Parker Robertson III, Cliff foi um dos homens mais honrados e éticos da História de Hollywood, um verdadeiro líder que rejeitou o estrelato e até corajosamente denunciou o chefão da Columbia, David Begelman, por falsificação de cheques, num dos maiores escândalos de Hollywood, cujo resultado o afastou pelos estúdios durante décadas. Não por menos escolhido pessoalmente pelo então presidente John Kennedy para interpretá-lo em O Herói do PT-109 (1963), de Leslie H. Martinson, thriller de guerra que conta a ação heróica do jovem JFK que, tenente da Marinha durante a 2ª. Guerra Mundial, com 25 anos, durante uma ação no Pacífico teve o seu barco, o PT 109, atingido por um destróier japonês e mesmo assim conseguiu levá-lo até uma ilha e cuidar dos sobreviventes feridos. Curiosamente, o filme foi lançado na data de morte de JFK. Mas Cliff ficou conhecido, também por outros filmes como Os 2 Mundos de Charly (1968),  pelo qual ganhou o Oscar interpretando um homem com deficiência mental que, após uma operação, se torna um gênio.

Veja um trecho de Os 2 Mundos de Charly e comfira a brilhante interpretação de Robertson.

Imagem de Amostra do You Tube 

Esta comovente obra de Ralph Nelson abriu ao mundo a vida das pessoas com deficiência e da necessidade de incluí-las socialmente. Após uma séries de grandes filmes – Vassalos da Ambição (64), Muito Além da Glória (65), Assim Nascem os Heróis (70), Os 3 Dias do Condor (75) -, retornou ao cinema com  Projeto Brainstorm (83) e, após nova fase de ausência, assumiu o papel do Tio Ben de Peter Parker nos 2 primeiros filmes da série Homem-Aranha (2002 e 2004), a tempo ainda de pronunciar uma das frases imortais do cinema: “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.

Confira um vídeo tributo a Cliff Robertson.

Imagem de Amostra do You Tube

Raúl Ernest Ruiz Pino era chileno, onde nasceu em 1941, estudou cinema na Argentina, fez filmes de propaganda para o governo de Salvador Allende, com o qual se identificava no ideal socialista, e, após o suicídio dele por ocasião do golpe militar em 1973, exilou-se na França. Lá, inicialmente fez curtas e documentários e passou a dirigir longas dez anos depois, construindo paulatinamente uma carreira sólida de filmes politicamente engajados e de posicionamento crítico. A partir de seu terceiro filme, Berènice (1983), com texto de Jean Racine, chamou a atenção da crítica.

Confira uma entrevista (legendada em português do cineasta Raoul Ruiz. Uma aula de Cinema.

Imagem de Amostra do You Tube

Adaptou Ricardo III (86), de William Shakespeare, produzindoem mais de 30 títulos na carreira. Seus filmes só chegaram ao Brasil no final dos anos 90: 3 Vidas e uma Só Morte (96), com Marcello Mastroianni, Anna Galiena e Mervil Poupaud, sua grande revelação; Genealogias de um Crime (97), O Tempo Redescoberto (99), ousada adaptação de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust; Crônica da Inocência (2000) e O Mistério de Lisboa (2010). Na época, consegui trazer para o Cinema de Arte os seus 3 primeiros, com direito a debates dos 2 últimos… Os demais, com poucas cópias, ficaram inviáveis depois que as mesmas se deterioraram à medida em que era exibidos. Ruiz adicionava suas raízes sul-americanas às suas obras com ingredientes de Gabriel Garcia Marquez e Jorge Luis Borges. Vítima de uma infecção pulmonar, foi sepultado em sua pátria.

“É finitto”, disse Ettore Scola, o diretor de cinema que encantou a todos com os seus filmes de veemente denúncia política e crítica social, à imprensa italiana, sobre a sua decisão de não mais fazer filmes. Inicialmente rejeitado pelo circuito comercial, as suas criações, no entanto, quando chegavam ao Brasil, eram disputados à base do “leva o primeiro que pede” juntos às distribuidoras. Scola foi personagem do Cinema de Arte, de sua primeira fase nos anos 60 e 70 anos Cine Diogo, São Luiz e Fortaleza, no centro da cidade com filmes como Aquele que Sabe Viver (62), que consagrou Vittorio Gassman Os Monstros (63), O Magnífico Traído (64), Alta Infidelidade e Conheço Bem esta Moça (65), Ciúme à Italiana (70), Nós que Nos Amávamos Tanto (74), obra cultuada até hoje pela geração da época - e até a segunda, no Shopping Center Um, a partir de 1981, quando foram exibidos, afora os 2 últimos em reprise, Um Dia Muito Especial (77), A Família (86) e A História de um Jovem Homem Pobre (95). O circuito comercial chegou a exibir O Baile (1983), Splendor (89) A Viagem do Capitão Tornado (91), O Jantar (98) eLuiz Carlos Merten Concorrência Desleal (2001), entre outros que a memória não recordam, e que irei recorrer a Wilson Baltazar, o homem que me abriu as portas do Clube de Cinema de Fortaleza e possui uma “memória de aço” para checar a lista.

Luz Carlos Merten, no Estadão, coloca: “Scola despede-se do cinema após mais de 50 anos de atividades como roteirista e diretor. Ele apenas não colaborou com grandes autores – Dino Risi principalmente -, como deixou o legado de uma obra rica e compleza”. Para Rubens Ewald Filho, “o maior diretor do cinema italiano dos anos 70-80” e “um grande diretor de atores”.

Para conhecer o cinema é obrigatório conhecer esse grande realizador. Ficam suas obras-primas, as quais recomendamos, especialmente para os jovens que desejam escrever sobre o Cinema.  O Cinema passa  por Ettore Scola.

Confira um vídeo com um resumo da filmografia de Ettore Scola.

Imagem de Amostra do You Tube

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