Livros Essenciais de Cinema – Parte 1
Categorias: LIVROS DE CINEMA
Livros de cinema são fundamentalmente importantes para quem deseja saber mais sobre a arte de fazer filmes, conhecer mais a fundo os trabalhos de seus realizadores e entender a linguagem cinematográfica. As edições escolhidas para esta semana têm em comum o fato de serem livros de entrevistas. O grande barato é a leitura leve, quase como se estivéssemos ao lado do entrevistador e do entrevistado, ouvindo um bom bate-papo. Além do mais, esses tipos de livro trazem declarações interessantes dos cineastas, revelando os seus métodos de trabalho, os detalhes do processo do criação, as dificuldades enfrentadas, etc . Os livros oferecem uma oportunidade rara para o cinéfilo se aprofundar nos trabalhos dos diretores. Recomendo que veja alguns dos filmes citados antes da leitura, deixando para depois a leitura da parte da entrevista que trata deles
Hitchcock/Truffaut – Entrevistas, de François Truffaut
Tido por muitos como o mais importante livro de entrevistas de um cineasta de todos os tempos, Hitchcock/Truffaut – Entrevistas é o tipo de obra que funciona como uma aula de cinema. O mestre do suspense Alfred Hitchcock aceitou a proposta do jovem cineasta e crítico francês François Truffaut e falou sobre os filmes de sua carreira. E o resultado é de um prazer sem tamanho. Ele já começa a entrevista falando de sua experiência insólita quando criança, quando foi levado a uma delegacia de polícia para lá ficar preso durante alguns minutos. Era uma brincadeira sádica do seu pai, mas aquilo pode ter sido a gênese da criação de um artista, já que muitos de seus filmes, como Os 39 Degraus (The 39 Steps, 1935), Sabotador (Saboteur, 1942), Intriga Internacional (North by Northwest, 1959) e principalmente O Homem Errado (The Wrong Man, 1957) lidam com homens inocentes acusados de um crime que não cometeram. A educação católica e a questão da culpa, elementos-chave na construção dos filmes do cineasta, são também citadas logo no começo do livro, que conta também detalhes dos bastidores de suas produções. A edição contém várias fotos dos filmes.
Serviço
TÍTULO – HITCHCOCK / TRUFFAUT : ENTREVISTAS
AUTOR – François Truffaut
TÍTULO ORIGINAL – HITCHCOCK / TRUFFAUT: EDITION DEFINITIVE
ANO DA OBRA/COPYRIGHT – 1983
EDITORA/BRASIL – Companhia das Letras – 2004
TRADUTORA – Rosa Freire D’Aguiar
ENCADERNAÇÃO: Brochura
FORMATO: 21 x 28
PÁGINAS: 368
PREÇO – R$ 90,00 (em média)
O Cinema segundo François Truffaut, de Anne Gillain (org.)
O mesmo Truffaut que entrevistou Hitchcock aparece respondendo gentilmente variadas perguntas nesta coletânea de entrevistas dadas ao longo da carreira. A ordem dos assuntos também é cronológica e, assim como Hitchcock, tudo começou na infância, quando ele costumava faltar às aulas para ir à biblioteca e ao cinema. Muitas vezes dormiu fora de casa e sentia-se rejeitado pelos pais. Não à toa, sua estreia em longa-metragem com Os Incompreendidos (Les Quatre Cents Coups, 1959) foi um filme autobiográfico. Curiosamente, o jovem ator escalado para interpretar Antoine Doinel foi crescendo e se parecendo cada vez mais fisicamente com Truffaut. Uma das vantagens das entrevistas de Truffaut, assim como dos textos que escreveu, é o intenso amor que ele tem pelo cinema e que transparece em cada linha. Sem dúvida, um cineasta que se foi cedo demais.
Serviço
TÍTULO: O CINEMA SEGUNDO FRANÇOIS TRUFFAUT
AUTORA – Anne Gillain (organizadora)
TÍTULO ORIGINAL – LE CINÉMA SELON FRANÇOIS TRUFFAUT
ANO DA OBRA/COPYRIGHT – 1988
EDITORA/BRASIL – Nova Fronteira
TRADUÇÃO – Dau Bastos
PÁGINAS: 452
ENCARDENAÇÃO – Brochura
FORMATO – 15 x 21
ANO DE EDIÇÃO: 1990
PREÇO - Recomendamos pesquisar devido a alta variação de preços
Conversas com Scorsese, de Richard Schickel
Falou em amor pelo cinema, fica difícil não lembrar de Martin Scorsese e seu entusiasmo quase juvenil por cada filme que marcou sua vida. Conversas com Scorsese foi lançado recentemente e assim como os outros citados mostra a gênese da carreira do cineasta, vivendo num bairro ítalo-americano de Nova York e assistindo pela televisão clássicos do neorrealismo italiano, quando criança. Ele fala também de sua aproximação com a igreja e dos violentos conflitos que havia no bairro, dois elementos que se tornariam presentes em sua obra. Há também diversas citações de filmes que marcaram sua vida, entre um tema e outro da conversa, e isso acaba servindo como dicas para os cinéfilos. Como Scorsese pertence a uma outra geração de Hollywood, a surgida no final da década de 1960, ele tem mais consciência de suas influências e fala disso abertamente.
Serviço
TÍTULO: CONVERSAS COM SCORSESE
AUTOR – Richard Schickel
TÍTULO ORIGINAL – CONVERSATIONS WITH SCORSESE
ANO DA OBRA/COPYRIGHT – 2010
EDITORA/BRASIL – Cosac Naify
TRADUÇÃO – José Rubens Siqueira
PÁGINAS: 528
ENCARDENAÇÃO – Brochura
FORMATO – 17 x 22,5
ANO DE EDIÇÃO: 2011
PREÇO – R$ 89,00
Conversas com Almodóvar, de Frederic Strauss
Nota-se que o livro de Truffaut e Hitchcock influenciou muitos e quem tem a ganhar com isso são os cinéfilos, com esses livros caprichados e reveladores. O mais importante cineasta espanhol da atualidade fala de seus primeiros trabalhos, dos anteriores a Pepi, Luci, Bom e outras Garotas de Montão (Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas del Montón, 1980) até Volver (idem, 2006). Ele fala de sua solidão na infância, dos livros que leu, das várias referências cinematográficas presentes em sua obra, de sua fotofobia. E uma coisa que se aprende lendo este livro e revendo seus primeiros filmes é o quanto essas obras eram mais sérias do que aparentavam à primeira vista. É ler o livro e pensar duas vezes antes de dizer que determinado filme do diretor é uma comédia pura.
Serviço
TÍTULO – CONVERSAS COM ALMODÓVAR
AUTOR – Frederic Strauss
TÍTULO ORIGINAL – CONVERSATIONS AVEC PEDRO ALMODÓVAR
ANO DA OBRA/COPYRIGHT – 2007
EDITORA/BRASIL – Zahar
TRADUÇÃO – Maria Cristina Vianna
PÁGINAS – 312
ENCARDENAÇÃO – Brochura
FORMATO – 15,5 x 23
ANO DE EDIÇÃO: 2008
PREÇO – R$ 40,00 (em média)
Afinal, Quem Faz os Filmes, de Peter Bogdanovich
Que outro livro reuniria entrevistas de mestres como Robert Aldrich, George Cukor, Allan Dwan, Howard Hawks, Alfred Hitchcock, Chuck Jones, Fritz Lang, Joseph H. Lewis, Sidney Lumet, Leo McCarey, Otto Preminger, Don Siegel, Joseph von Sternberg, Frank Tashlin, Edgar G. Ulmer e Raoul Walsh? Tudo bem que algumas entrevistas são curtinhas, seja por desinteresse do diretor entrevistado, seja pelas condições de saúde – como é o caso de McCarey, por exemplo -, mas todas elas têm um grande valor. São todos cineastas da “velha Hollywood” e mesmo um diretor pouco conhecido como Allan Dwan, exatamente por ser um dos pioneiros, conta histórias fascinantes sobre a aurora do cinema. Um livro para ser degustado aos poucos, ao lado dos vários filmes de seus realizadores. Isso mostra que uma vida é pouco para quem ama o cinema.
Serviço
TÍTULO: AFINAL, QUEM FAZ OS FILMES
AUTOR – Peter Bogdanovich
TÍTULO ORIGINAL – WHO THE DEVIL MADE IT: conversations with legendary directors
ANO DA OBRA/COPYRIGHT – 1997
EDITORA/BRASIL – Companhia das Letras
TRADUÇÃO – Henrique W. Leão
PÁGINAS: 984
ENCARDENAÇÃO – Brochura
FORMATO – 15,5 x 22,5
ANO DE EDIÇÃO: 2000
PREÇO – Recomendamos pesquisar devido a alta variação de preços
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