O filão das histórias em quadrinhos amplia-se no Cinema para os grupos de super-heróis e Os Vingadores surpreende como uma história repleta de ironias e cujo resultado é uma grande diversão

Atualmente o maior filão dos estúdios de Hollywood, as histórias em quadrinhos e seus super-heróis vivem uma relação de conflito que envolve, de uma só vez, autores e editoras, produtores e estúdios e os fãs. E isso nem sempre foi assim. As adaptações feitas nos anos 30 e 40, tanto para seriados quanto para longas, eram mais fiéis e aprovadas pelos leitores dos quadrinhos. No hiato representado pelos anos 50 e 60, neste último, três filmes feitos fora de Hollywood, o britânico Modesty Blaise (1966), de Joseph Losey, com Monica Vitti e Terence Sttamp; o francês Barbarella (1868), de Roger Vadim, com Jane Fonda e John Phillip Law; e o italiano Diabolik (1968), de Mário Bava, com John Phillip Law e Marisa Mell, despertaram a atenção dos estúdios de Hollywood.
Nos anos 70, após uma série de desastradas adaptações, entre as quais se destacam Popeye (1970), de Robert Altman, e Capitão América (1979), de Rob Holcomb, entre outras produções “B” que sequer chegaram aos cinemas. Mas, pode-se dizer que Superman, o Filme (1978), de Richard Donner, poste-se como “divisor de águas” na questão da qualidade das adaptações e no próprio estabelecimento dos quadrinhos no cinema. Marvel e DC Comics passaram a franquear alguns de seus heróis para Hollywood, mas essa relação sempre foi contestada pelos fãs em virtude das adaptações nem sempre obedecerem a uma fidelidade e resultarem em obras sem qualidade. A situação só veio mesmo a se estabilizar, em relação a essa fidelidade quando as duas editoras passaram a ter o controle das produções. Mas isso levou décadas para acontecer. E tudo começou com a Marvel.
Conheça a História da Marvel no Cinema em 4 artigos excepcionais do blog Cine Prosa:
A História da Marvel no Cinema – Parte 1
http://cineprosa.wordpress.com/2012/03/08/marvel-no-cinema-parte-1/
A História da Marvel no Cinema – Parte 2
http://cineprosa.wordpress.com/2012/03/16/marvel-no-cinema-parte-2/
A História da Marvel no Cinema – Parte 3
http://cineprosa.wordpress.com/2012/03/22/marvel-no-cinema-parte-3/
A História da Marvel no Cinema – Parte 4
http://cineprosa.wordpress.com/2012/03/29/marvel-no-cinema-parte-4/

Ainda assim, mesmo com o controle das editoras, com a Marvel montando o seu próprio estúdio de cinema, o velho problema da qualidade das adaptações não foi sanado. A franquia X-Men, por exemplo, convive entre o sucesso e o fracasso, o primeiro Lanterna Verde, feito no ano passado, custou US$ 200 milhões à DC e a Warner e só rendeu US$ 219 milhões em todo o mundo. De certo mesmo, a trilogia do Homem-Aranha, de Sam Raimi, estabeleceu regras rígidas para um herói do papel sobreviver nas telas de cinema: ter um diretor competente e que conheça o gênero por dentro e por fora.
Para saber mais sobre as adaptações dos quadrinhos para o Cinema, conheça o trabalho beleza dos paraenses Diego Andrade de Araújo e Igor Silva Oliveira, acessando, aqui > http://pt.scribd.com/doc/66842592/Herois-Adaptacoes-de-quadrinhos-para-o-cinema
Os Vingadores chega ao cinema pelas mãos de um especialista em quadrinhos, Joss Whedon, criador de vários personagens em séries de televisão como Buffy, a Caça-Vampiros e Angel. Também responsável pelo roteiro, Whedon o estruturou tendo por base as primeiras edições da série The Avengers, editadas pela Marvel em 1963. Como todos sabem, The Avengers foi a resposta da Marvel à criação, pela concorrente DC Comics, da revista Liga da Justiça, pioneira ao reunir vários heróis em uma mesma história.

Mas, a qualidade de Os Vingadores que se vê na tela não se resume à competência e conhecimento de Whedon. O filme se utiliza muito bem do planejamento levado a cabo pela Marvel, a qual produziu filmes que contavam as origens de alguns de seus super-heróis, como Hulk, Capitão América, Homem de Ferro e Thor. Figuras menores, embora importantes na trama, as histórias de Gavião Arqueiro e a Viúva Negra ficam por conta dos “quadrinheiros”, os quais conhecem as suas origens.
Autor do enredo original, Whedon soube aproveitar muito bem o que já se sabe dos super-heróis levados ao cinema para criar uma história enxuta, dinâmica e divertida. A principal característica do enredo de Os Vingadores é a ironia com as quais os heróis se tratam – uma delícia para aqueles que conhecem as particularidades de cada um. Até mesmo heróis de outros filmes, como o Légolas (Orlando Bloom) de O Senhor dos Anéis, é lembrado como piada com o Gavião-Arqueiro.
A boa história de Os Vingadores, no entanto, não engrena na primeira marcha, ou seja, no início do filme. Embora a sequência seja espetacular e já prenuncie de como o filme será em termos de aça e irá depender dos efeitos especiais, apenas lá para a metade de sua duração é que o enredo ganha unidade e dinamismo, pois já deixa de depender de informações básicas para o entendimento da história por parte do espectador e se preocupa apenas em desenvolver a sua história.

Destaca-se, entre os ingredientes do enredo, o comportamento moleque e bem humorado do Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) em relação à seriedade do Capitão América (Chris Evans) – cujo sono por 70 anos no gelo é também motivo de piada -, muito bem elaborada por Whedon na transposição da animosidade para a construção de uma amizade sólida entre eles. Os Vingadores confirma ainda a velha máxima de que um filme só ganha qualidade e criatividade quando o seu vilão é, essencialmente, mau. Lóki (Tom Middleton), o irmão de Thor (Chris Hemsworth), salienta-se com um dos melhores vilões já bancados pelo cinema.
No entanto, não se pode negar que, entre as tantas peripécias e as ações espetaculares dos super-heróis, seja quase impossível ao espectador tirar os olhos da Viúva Negra e, consequentemente, ao corpo esbelto e as saliências de Scarlett Johansson. Em cena, enquanto os super-heróis brigam e combatem o vilão e seus aliados alienígenas, os olhos da plateia se voltam para a Viúva Negra. A heroína concede ao filme aquele elemento feminino de beleza e inteligência e que serve de contraponto a uma possível supremacia masculina na tela.

Resgatando para o cinema a originalidade e o visual dos quadrinhos, Os Vingadores resulta em um espetáculo inteligente, agradável e divertido. E que desde já se insere entre as melhores adaptações feitas por Hollywood. Uma grande diversão.
Mais informações
OS VINGADORES (The Avengers, EUA, 2012), de Joss Whedon, com Robert Downey Jr., Scarlett Johnasson, Samuel L. Jackson, Chris Evans, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo e Tom Middleston. Disney. 133 minutos. 14 anos.
Siga o trailer 2 de Os Vingadores.