Relatório da MPPA revela que Hollywoood continua com o seu poder de expansão pelo mundo e que com ajuda de emergentes, como China, Rússia e Brasil, obteve um crescimento de 6% em 2012

OS VINGADORES (2012), de Joss Whedon: recordista mundial
Com a gradual abertura do mercado exibidor da China, Hollywood pode comemorar o aumento brutal de 36% da presença de suas produções no mercado asiático, e, daí, ajudado pelo crescimento do público em seu mercado interno e igualmente em quase todos os países, com o Brasil em posição privilegiada, alcançar um robusto acréscimo de 6% em termos de bilheteria mundial, apesar de dois importantes mercados, Itália e França terem decréscimo de público em 1%.
Analisando o crescimento de 2012 em relação aos números de 2011, o índice de 6% é altamente expressivo. Não é pouco, mas tremendamente expressivo. Observe-se que a venda de ingressos no mundo teve um acréscimo de 32%, graças principalmente ao crescimento expressivo de três mercados internacionais, ao longo dos últimos cinco anos: pela ordem, China, Rússia e Brasil.

A revelação está em um relatório divulgado pela MPAA – Motion Picture Association of America/Associação de Cinema da América -, entidade de regulação, planejamento e fiscalização do cinema estadunidense. Em números brutos, Hollywood arrecadou nada menos de 34,7 bilhões de dólares em relação a 2011. Isso foi alcançado graças à abertura do mercado exibidor chinês para as produções de Hollywood, o que muitos consideravam impossível, mas que foi gradualmente derrubado através das negociações com o governo de Barack Obama.
O mercado exibidor de cinema na China cresce ao ritmo de 10 salas por dia, revela o presidente da entidade, Steve Dodd, que em conferência com a imprensa mundial, disse haver, por parte dos chineses, um apetite voraz pelo nosso produto e os nos filmes têm feito isso bem e dado uma boa resposta.

BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE (2012), de Christopher Nolan: o segundo em arrecadação
Detalhando 2012
A bilheteria doméstica, isto é, o mercado interno, formado pela integração dos circuitos dos EUA e do Canadá, fechou 2012 com US$ 10,8 bilhões em arrecadação. Um aumento de 6% em relação ao ano passado. Lembrando que, em 2011, Hollywood fechou a contabilidade no vermelho pelo segundo ano seguido.
Os números alcançados se devem principalmente a três filmes de grande aceitação junto ao grande público: em primeiro, Os Vingadores (The Avengers), com US$ 623,4 milhões; segundo, Batman – o Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) com US$ 448,1 milhões; e Jogos Vorazes (Hunger Games) com US$ 408 milhões. No mercado externo, alcançaram, pela ordem, US$ 884,5 milhões (total US$ 1,511,7 bilhão); US$ 639,2 milhões (total US$ 1.081,0 bilhão); e US$ 283,2 milhões (Total: US$ 691,2 milhão).

JOGOS VORAZES (2012), de Gary Ross
Ainda em termos internos, a bilheteria do filme 3D, em contrapartida, manteve-se estável, mantendo os mesmos US$ 1,8 milhões de 2011, mas não recuperando os US$ 2,2 bilhões obtidos em 2010. Segundo Brent Lang, analista do site the wrap, isso se deu devido a uma refração dos lançamentos em 3D, de 45 em 2011 para 36 filmes em 2012. Isso, apesar da considerável melhora da qualidade dos óculos tridimensionais, os quais, produzidos de 2009 a 2011, eram desconfortáveis.
Uma consulta ao Movieline, um dos veículos de análise do cinema estadunidense, revela que neste ano estão programados 50 títulos em 3D, dos quais um já foi exibido (João & Maria: Caçadores de Bruxas), dois estão em cartaz (Oz: Mágico e Poderoso e Os Croods) e outro em pré-estreia (GI Joe: Retaliação). Com toda a certeza, 2013 vai superar os números do ano passado. A tendência é um crescimento ainda maior de 6% neste ano. Digo isso porque a cartela de filmes deste ano está muito, mas muito superior à lista de filmes oferecida no ano passado. E em 2013, qualidade e diversidade de gêneros estão fazendo a diferença.

JOÃO & MARIA: CAÇADORES DE BRUXAS (2013), de Tommy Wirkola: o líder deste ano
O relatório da MPAA traz ainda outros dados, os quais atacados pela entidade junto aos estúdios. Houve uma queda de frequência do público adolescente, o que sinaliza a falta de qualidade dos filmes para esse público, que é comprovadamente o ponto forte do sistema de arrecadação do cinema de Hollywood, não apenas por lá, mas em todo o planeta.
Em compensação, foi constatado um dado novo, positivo. O aumento de público em dois segmentos: o público hispânico e de cinéfilos (circuitos de filmes de arte) com idade entre 40 e 49 anos. Interessante esse dado porque, segundo Lang, os números do relatório mostram que os estúdios, com exceção da Lionsgate e Universal, praticamente ignoraram essa população que representa apenas 17% da população dos EUA e Canadá e que compreende 26% dos compradores de ingressos. O terror é um dos gêneros consumidos pelo público hispânico e latino, aponta Lang.
Por fim, a última revelação do relatório: o índice de 69% obtido pelos filmes de Hollywood nas bilheterias internacionais confirma uma tendência que se desenvolve desde os anos 90: é o mercado externo que está pagando a produção de Hollywood
Confira no quadro abaixo: a arrecadação de Hollywood de 2008 a 2012, no mercado estadunidense (EUA/Canadá), em escuro, e em vermelho, a arrecadação internacional, no mesmo período.

Fonte: thewrap