
- Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, 6º melhor filme de ação da História do Cinema
A fase auspiciosa do cinema brasileiro continua produzindo boas novas. Em sua edição de ontem, 19, o jornal britânico The Guardian elegeu Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, como sexto melhor filme de ação da história do cinema. Tanto este quanto o The Observer vêm publicando listas com os 25 melhores de cada gênero. Os dois jornais têm um grupo de críticos de vasta cultura cinematográfica. O The Guardian destaca-se por analistas conceituados como Peter Brashaw, Michael Hann e Joe Queenan, entre outros.
Lembrando que Cidade de Deus obteve 4 indicações ao Oscar há seis anos e se tornou uma das obras mais cultuadas do cinema nacional e referência obrigatória quando os estrangeiros falam da nossa cinematografia.
Essas listas, com suas justiças, injustiças, esquecimentos e citações imerecidas, têm uma grande virtude: motivar aos cinéfilos, especialmente os das novas gerações, a conhecerem os filmes antigos. Somente assim se forma uma cultura cinematográfica. Os jovens críticos de hoje, que não conhecem o cinema do passado e julgam desnecessário conhecê-lo para escrever sobre filmes, poderiam muito bem pegar esse trem, pois afinal, a história continua avançando.
Confira os 25 eleitos pelo jornal britânico
1º – Apocalipse Now (EUA, 1979), de Francis Ford Coppola, com Marlon Brando e Martin Sheen – uma das mais viscerais exposições da Guerra do Vietnã, na grande obra referência do gênero.
2º – Intriga Internacional (North by Northwest, EUA, 1959), de Alfred Hitchcock, com Gary Grant e Eva Marie Saint – aventura de suspense considerada pela maioria da crítica como o melhor trabalho de Hitchcock (ainda fico com Os Pássaros), o qual, de certa, antecipou-se aos filmes que tratam de teorias da conspiração. Espetáculo ágil e simplesmente eletrizante.
3º – Era uma Vez no Oeste (C’era uma Volta Il West, Itália, 1969), de Sérgio Leone, com Cláudia Cardinale e Charles Bronson – obra-prima de Leone, este faroeste maravilha pelos grandes planos que se constituem autênticas aulas de cinema, interpretações memoráveis e trilha sonora inesquecível de Ennio Morricone e pela visão política (marxista) de recontar a história da formação do capitalismo dos EUA a partir da época da colonização de suas terras a Oeste, quando as ferrovias acabaram com índios, cowboys e a época épica.
4º – Meu Ódio Será Sua Herança (Wild Bunch, 1969), de Sam Peckinpah, com William Holden e Robert Ryan – Centrado na psicologia, este faroeste, considerado a melhor criação do diretor, faz um estudo sobre a ambição, a ideologia e a violência, tendo como ambiente o início do século passado quando, durante a revolução mexicana, pistoleiros estadunidenses tentam se apoderar de um trem carregado de armas.
5º – Amargo Pesadelo (Deliverance, EUA, 1972), de John Boorman, com Burt Reynolds e Jon Voight – mutilado pela censura brasileira à época do lançamento, esta obra incomoda do inglês Boorman faz uma exposição dolorosa da crueldade humana a partir da aventura de quatro amigos que atravessam uma floresta utilizando canoas para vencer um rio violento e são atacados por um bando de caçadores. A história na centra na dor de um deles, estuprado por um dos bandidos.
6º – Cidade de Deus (Brasil, 2004), de Fernando Meirelles, com Matheus Nachetergaele e Seu Jorge – expressando a realidade das favelas brasileiras, Meirelles impacta como uma história crua de uma juventude sem perspectivas e com as amplas possibilidades do morro descer à cidade grande – o que já está ocorrendo.
7º – Glória Feita de Sangue (Paths of Glory, 1957), de Stanley Kubrick, com Kirk Douglas e Adolphe Menjoe – quem não conhece, corra às locadoras e confira este drama de guerra baseado em fato real. Durante a Primeira Guerra Mundial, oficiais franceses enviam soldados para o campo de batalha sabendo que eles serão alvos fáceis dos alemães. Quando a tragédia é revelada, eles transferem a culpa o militar que foi obrigado a executar a ação. Os franceses não perdoaram Kubrick e o filme foi proibido por lá.
8º – O Salário do Medo (Le Salaire de La Peur, Itália-França, 1953), de Henri Georges-Clouzot, com Yves Montand e Charles Vanel – a aventura de quatro caminhoneiros que arriscam suas vidas transportado cargas de nitroglicerina ainda é uma obra-prima. Clouzot aproveita o romance de Georges Arnaud para fazer um estudo da personalidade humana com as suas ambições e desejos.
9º – O Tigre e o Dragão (Wo Hu Zang Long, China, 2000), de Ang Lee, com Chon Yun Fat e Michelle Yeoh – recordista de público em todo o mundo e ganhador de prêmios em dezenas de festivais, esta aventura de artes marciais ofereceu ao gênero os novos caminhos para percorrer, incluindo a fantasia, o romantismo e o tom político. Eletrizante.
10º – Além da Linha Vermelha (The Thin Red Line, EUA, 1998), de Terrence Mallick, com Sean Penn e John Travolta – outra abordagem cruel da Guerra do Vietnã e os sofrimentos que ela acarretou a milhares de jovens soldados estadunidenses. Existencialista, o filme é um percurso para o interior da alma humana em transformação pela violência.
11º – Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, 81), de Steven Spielberg, com Harrison Ford e Karen Allen – divertida e saborosa aventura que traz para o presente o sabor dos antigos seriados dos anos 30 e 40 e que transformou Indiana Jones em uma referência aos filmes do gênero.
12º – Ran (Japão, Japão/França, 1985), de Akira Kurosawa, com Tatsuya Nakadai e Satoshi Terao – uma visão do Japão medieval moldado na ambição humana pelo poder. Um rei determina que o reino deve ser dividido entre seus filhos e isso desencadeia as rivalidades entre eles, cujo áice é uma guerra brutal. Inspirado em Rei Lear, de William Shakespeare, trata-se de um espetáculo com fulgurante beleza plástica.
13º – Bullitt (EUA, 1968), de Peter Yates, com Steve McQueen e Jacqueline Bisset – thriller policial ágil e vertiginoso que se utiliza da montagem para criar uma narrativa de tensão em alta velocidade, na qual as perseguições, com especialidade as de carro, ainda hoje servem de referência. A perseguição nas ruas de San Francisco se tornou clássica e nunca superada.
14º – Duro de Matar (Die Hard, 1988), de John McTiernan, com Bruce Willis e Alan Rickman – este thriller revolucionou o gênero ao utilizar um ambiente fechado, no caso um prédio, como cenário para uma história de ação vertiginosa e quase incessante. Apesar da violência, o filme expôs seu personagem entre o medo e o instinto de sobrevivência.
15º – As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood, EUA, 1948), de Michael Curtiz e William Keighley, com Erroll Flynn e Olivia de Havilland – adaptação do romance de Sir Walter Scott, este clássico éa grande referência do gênero da época. Ambientado no século XII, celebrizou o herói que roubava dos ricos para doar aos pobres. O sentido de aventura, romance e humor transformam o filme numa aventura encantadora.
16º – Rastros de Ódio (The Seachers, EUA, 1958), de John Ford, com John Wayne e Natalie Wood – um soldado conferado passa anos de sua vida à procura dos índios que mataram o seu irmão, a cunhada e os sobrinhos e ainda raptaram a sobrinha. Retratando a solidão provocada pelo ódio em um cenário despojado do Oeste estadunidense, o filme expõe a amargura do fracasso através do personagem vivido com brilhantismo por John Wayne. Um dos grandes faroestes de Ford, inegavelmente uma obra-prima.
17º - 007 Contra Goldfinger (Goldfinger, Inglaterra, 1964), de Guy Hamilton, com Sean Connery e Honor Blackman – curiosamente, esta aventura do agente James Bond é a continuação do segundo filme da série, Moscou Contra 007. O crítico John Patterson explique que a escolha se deu porque este é o filme referência da série e cujos ingredientes, a partir dali, serviriam de modelo para a franquia.
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18º – O Último dos Moicanos (The Last of the Mohicans, EUA, 1992), de Michael Mann, com Daniel Day-Lewis e Madeleine Stowe – faroeste ambientado no Oeste americano do século XVIII, um índio moicano ajuda duas irmãs inglesas a atravessar uma região ocupada por invasores franceses. Segunda adaptação do romance de James Feminore Cooper;
19º – Nascido Para Matar (Full Metal Jacket, Inglaterra, 1987), de Stanley Kubrick, com Matthew Modine e Vincent D’Onofrkio – grupo de recruta sai do treinamento para adentrar ao cenário da guerra do Vietnã. Grande filme antimilitarista baseado no livro “The Short Times”, do jornalista Gustav Hasford.
20º – O Franco-Atirador (The Deer Hunter, EUA, 1978), de Michael Cimino, com Robert De Niro e John Savage – de uma pacata cidade, três de seus jovens habitantes são jogados na catástrofe da guerra do Vietnã, onde perderão as suas identidades. Cimino, que posteriormente seria rejeitado por Hollywood, realizaum espetáculo violento, mas marcado por uma reflexão sobre o sentido da guerra. Ganhador de 5 Oscar, incluindo filme, direção, montagem e som, além de ator coadjuvante, para Christopher Walken. Uma obra impactante e incômoda.
21º – Gladiador (Gladiator, EUA, 2000), de Ridley Scott, com Russell Crowe e Joaquin Phoenix – o início da decadência da Roma imperial após a morte do imperador Marco Aurélio através de uma espetacular história de um homem comum que se torna gladiador das arenas pelo tirânico Commodus, numa eletrizante mistura de história e ficção.
22ª – Roma, Cidade Aberta (Roma, Cittá Aperta, Itália, 1946), de Roberto Rossellini, com Aldo Fabrizzi e Anna Magnani – na Itália ocupada pelos nazistas, um padre ajuda um grupo de resistentes comunistas a escapar da Gestapo. Obra marco do neorealismo, responsável por dar novos rumos e conceitos à exploração dos dramas de guerra.
23º – Butch Cassidy (Butch Cassidy e Sundance Kid, EUA, 1969), de George Roy Hill, com Robert Redford e Paul Newman – faroeste recontando de forma ficcional as aventuras dos dois mais conhecidos ladrões de bancos da época épica do Oeste americano. O ritmo ágil da ação, as canções de Burt Bacharch e o clima romântico embalam o espectador numa reunião de estilos bem sucedida.
24º – O Desafio das Águias (Where Eagles Dare, EUA, 1968), de Brian G. Hutton, com Richard Burton e Clint Eastwood – aventura ambientada durante a II Guerra Mundial desenvolvida sob sólida narrativa na qual dois oficiais aliados tentam resgatar oficial estadunidense aprisionado numa fortaleza no alto de uma montanha. Baseado em romance de Alastair MacLean.
25º – Os Incríveis (The Incredibles, EUA, 2004), de Brad Bird – uma das animação revolucionárias da Pixar, a qual explora um tema raramente explorado do mundo das histórias-em-quadrinhos, que é a angústia de ser um super-herói. Uma animação que vai além da superfície do gênero.