BATMAN- O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE/Crítica – apenas o fim…
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Christopher Nolan amarra as pontas soltas e justifica as declarações de amor hiperbólicas dos fãs da trilogia composta por Batman Begins, Batman: o Cavaleiro das trevas e por este capítulo final: Batman: o Cavaleiro das trevas ressurge
Ao final de Batman: o Cavaleiro das trevas, vemos a figura de Harvey Dent (Aaron Eckhart) - o “duas caras” – ser imortalizada como ídolo de justiça e figura moralmente incorruptível, a verdadeira face de Dent – aquela escondida por debaixo das queimaduras – nunca seria revelada, mesmo após a sua morte (atribuída ao Batman). A sequência de abertura de Batman: o cavaleiro das trevas ressurge se passa na mansão Wayne oito anos após os acontecimentos de O Cavaleiro das trevas, uma homenagem ao aniversário de morte de Harvey Dent é realizada pelas autoridades de Gotham, entre elas o Comissário Gordon (Gary Oldman), que, convencido a revelar o que realmente aconteceu na noite do assassinato de Dent, acaba sucumbindo aos seus valores morais. O que seria pior então? Destruir o símbolo que alimentara a esperança do povo de Gotham por todos esses anos ou ser consumido pelo peso de saber a verdade e ter de manter todos os outros na ignorância? Os símbolos e suas funções são temas que já haviam sido trabalhados nos dois filmes anteriores da trilogia (mais particularmente em Batman Begins) e que tomam proporções épicas nesse desfecho de trilogia.
Com roteiro escrito pelos irmãos Nolan (Jonathan e Chris) e direção de Chris Nolan, Batman: o Cavaleiro das trevas ressurge é – apenas – o fim da saga épica do homem morcego. Aposentado e recluso há oito anos, Bruce Wayne está consumido pela melancolia e pelo luto, o seu dever a Gotham já havia sido pago, contudo, os demônios de seu passado continuam a lhe consumir, a morte de Rachel Dawes e Harvey Dent, a perda do simbolismo heroico de seu uniforme negro e sua inaptidão física lhe impedem de sair da mansão Wayne dar qualquer significado de conotação positiva a sua vida. Apenas quando uma ameaça completamente nova e desconhecida é introduzida ao universo de Gotham, o Comissário Gordon, juntamente com o jovem oficial de polícia Blake (Joseph Gordon-Levitt), conseguem convencer Bruce não só da importância do Batman como arma da justiça, mas como um símbolo a ser seguido pelo povo.
O vilão Bane, vivido por Tom Hardy – introduzido no filme com maestria na cena do avião -, é o capanga às avessas. Contratado inicialmente para levar Bruce Wayne a falência (e fatalmente a Wayne Enterprise) com a ajuda de Selina Kyle (a mulher gato vivida por Anne Hathaway), ele tem uma ligação direta com Ra’s Al Ghul (personagem vivido por Liam Neeson) e com a Liga das Sombras, e pretende utilizar um reator nuclear desenvolvido pela Wayne Enterprise para concluir o destino de Gotham: as cinzas.
Aspectos Visuais
Com produção de design de Nathan Crowley e fotografia de Wally Pfister – com quem Nolan já havia trabalhado nos dois outros filmes da trilogia -, O cavaleiro das trevas ressurge emerge de um universo frio e descolorido assim como em O cavaleiro das trevas e Batman Begins, a escolha de figurino em tons escuros e sets quase sempre sombrios salienta ainda mais a escolha da equipe em deixar o filme menos fantasioso.
É interessante notar detalhes na decoração de set que refletem diretamente na psicologia do personagem, como na arquitetura da mansão Wayne, de fachada impecável mas repleta de móveis encobertos por panos e porta-retratos com fotos de seus pais e de Rachel Dawes, como em uma casa abandonada ou recém mudada, detalhes como esses comunicam visualmente ao espectador o estado de espírito de Bruce, um homem devastado, consumido pelo passado, que nunca poderá reconstruir sua casa como era quando seus pais ainda viviam e que nunca seguirá adiante com suas mortes e da mulher que amava.
Aqui, Nolan prova novamente seu talento pelo megalomaníaco, cenas de ação de proporções gigantescas e montagens paralelas, camada após camada como em A Origem, embalam o ritmo de tensão do filme – aliados à trilha sonora de Hans Zimmer que novamente consegue extrair até a última gota de tensão em suas batidas mono-rítmicas -. Infelizmente, há algumas falhas no roteiro dos Nolan, falhas em relação a construção de personagens importantes para a trama como o de Selina Kyle e Miranda Tate, e até mesmo falhas temporais e geográficas. O passar dos dias é confuso e o deslocamento dos personagens no universo de Gotham é dubitável. Felizmente o resultado final é excelente, tendo em vista que as falhas expostas são pontuais e – até certo ponto – não atrapalham o decorrer da trama principal.
No elenco principal temos os nomes que já haviam participado dos outros dois filmes da trilogia como: Morgan Freeman (Lucius Fox), Michael Caine (Alfred), Cillian Murphy (Dr. Crane), Liam Neeson (Ra’s Al Ghul), Gary Oldman (Comissário Gordon), Christian Bale (Bruce Wayne/Batman) e outros nomes que já haviam trabalhado anteriormente com Nolan como: Tom Hardy (Bane), Joseph-Gordon Levitt (Blake) e Marion Cotillard. Anne Hathaway (Selina Kyle/Mulher gato) é o único nome do elenco a trabalhar pela primeira vez com Nolan e confere à Selina Kyle uma elegante e irônica mulher gato, sem decepcionar os fans, como os rumores sugeriam.
O cavaleiro das trevas ressurge não é só um final brilhante de trilogia (a lá Inception) como é perceptivelmente arquitetado há anos por Nolan, o resgate de personagens importantes de Batman Begins como Ra’s Al Ghul e momentos importantes na vida de Bruce Wayne vividos no primeiro filme da trilogia são de primeira importância para a construção desse capítulo final. Assim como as figuras de Harvey Dent e de Rachel Dawes de O Cavaleiro das trevas servem como sombra na construção do personagem de Wayne e da própria Gotham. São inúmeras as referências dos capítulos anteriores da saga (em itálico e negrito) do Batman nesse epílogo, e por isso mesmo são minimamente justificáveis as declarações de amor hiperbólicas dos fans da trilogia. Se o Batman de Chris Nolan é a maior trilogia de super herói da história do cinema eu já não sei, mas que é um salto gigantesco para o gênero, disso todos podem ter a mais absoluta certeza.
Observação: Quanto à discussão da continuação ou não do filme (por isso o rápido comentário: a lá Inception), prefiro acreditar na honestidade de Nolan em ter posto de vez por todas o ponto final na saga. Saiba das 5 coisas essenciais antes de assistir ao novo Batman clicando aqui
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