Crítica/A PERSEGUIÇÃO – Carnahan filosofa na natureza selvagem
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Ainda impactado pelo vigor e a reflexão que fazem de A Perseguição um dos 3 melhores filmes que assisti neste ano, resolvi ampliar a análise publicada no Caderno 3 do Diário do Nordeste. Filmada em locações no Canadá ao custo US$ 25 milhões, A Perseguição, projeto pessoal do diretor Joe Carnahan, trata do homem em confronto com a natureza em seu reduto selvagem tendo como cenário uma região gelada e inabitada do Alasca na qual uma matilha de lobos move implacável perseguição a 8 sobreviventes de um desastre aéreo. Atente: não saia do cinema quando os créditos descerem. Aguarde a cena final, a qual amplia as discussões existenciais e teológicas de uma história arrebatadoramente filosófica
“Ultrapassamos a superficialidade do mundo. Enfrentamos a dor e a fome, e triunfamos. Caímos e rastejamos e alcançamos a glória. Contemplamos a face de Deus em todo o seu esplendor e escutamos a voz do coração da natureza. Atingimos a essência pura e nua da alma humana”. Esta frase, contida no livro Sul (Editora Alegro, R$ 73,00), por Sir Ernest Shackleton, poderia ser o letreiro final de A Perseguição, o notável filme de Joe Carnahan, em estreia na cidade.
Imagine a situação: perdidos em uma selva cercada pelo gelo de uma região remota do Alasca, atormentados pela fome, perseguidos pelo frio e o tempo que corre célere, ávidos para fugir à caçada empreendida por uma matilha de lobos ferozes que os ataca e sem uma bússola e a visão das estrelas para estabelecerem uma rota rumo à civilização, oito homens sobreviventes de um desastre aéreo empreendem uma luta pela sobrevivência. Esse é, em síntese, o enredo de A Perseguição.
Shackleton (1874-1922) foi um explorador inglês que, por três vezes, fracassou em suas tentativas de chegar ao Polo Sul. Em 1914, acompanhado de 28 homens, empreendeu uma jornada, inicialmente no navio Endurance (que afundou após ficar preso e ser esmagado pelo gelo) e posteriormente a pé, conseguiu sobreviver, sem perder um só de seus aventureiros, após empreender uma jornada no gelo e no mar por 497 dias, enfrentando o frio, a solidão e a fome, em uma odisseia que o tornou um dos maiores nomes da exploração polar. E a sua epopeia tem tudo para ser cinematográfica.
A história de A Perseguição não se conclui tão feliz quanto à jornada épica de Shackleton, mas a respira em cada fotograma de seus 117 minutos de duração. Podemos dizer que o “espírito” do texto de Shackleton está lá, remetido à filosófica jornada que propõe inquietas reflexões sobre existência humana, a esperança humana em Deus e de que vivemos um mundo o qual ainda não conhecemos direito.
Adaptação do conto Ghost Walker (“Fantasmas Ambulantes”), de Ian MacKenzie Jeffers, A Perseguição acompanha a tragédia de oito petroleiros que sobrevivem à queda do avião em uma região deserta, remota e gelada do Alasca e nem de longe antevêm o que terão de enfrentar para continuarem vivos, tendo como adversários a natureza hostil e uma matilha de lobos praticamente pré-históricos em tamanho e ferocidade.
Racionalidade x natureza selvagem
De Nanook, o Esquimó (1922), o clássico de Robert J. Flaherty, passando por Dersu Uzala (1975), de Akira Kuroswa, Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007), de Sean Penn, O Homem Urso (Grizzly Man, 2005), de Wernaer Herzog, até o recente Loup, uma Amizade Para Sempre (Loup, 2010), de Nicolas Vanier, a relação homem x natureza selvagem tem sido pouco explorada. A Perseguição se insere nesta lista como um dos grandes do gênero.
O que torna A Perseguição um filme especial entre os demais relacionados acima é o caráter filosófico com o qual o diretor Joe Carnahan conduz a história na linha fina que separa a natureza em estado selvagem e implacável e a tentativa desesperada do homem em vencê-la com a sua racionalidade. E explora, como poucos, os problemas existentes nessa complexa relação.
O primeiro deles reside no fato de John Ottway (Liam Neeson), personagem central da trama, ser o vigia da refinaria que, como atirador de elite, mata os animais que ameaçam os trabalhadores. Claro, o elemento maior para os humanos é serem vistos pelos animais como “invasores” de seu território e, portanto, competidores em sua cadeia alimentar, mas, no desenrolar do filme, perpassa a sensação de que os animais os perseguem por vingança.
O segundo detalhe é o fato dos “invasores” não conhecerem o ambiente. Na região desconhecida eles se tornam presas da natureza em suas vertentes mais selvagens: no gelo, o frio implacável, na floresta as suas armadilhas perigos e, no complemento desse ambiente hostil, os lobos ferozes. No contexto sobrevivência, eles precisarão – na necessidade de adaptação ao ambiente – daquilo o que menos vai lhes restando: o tempo.
A Perseguição trata do confronto homem x natureza. A diferença, aqui, reside no fato do homem utilizar a sua maior diferença, a racionalidade, para superá-la. Mas as coisas não decorrem satisfatoriamente conforme as pretensões dos sobreviventes. Tudo estaria resolvido caso não houvesse uma interpretação filosófica para a questão da racionalidade e a falha dos sentidos.
Nossos sentidos são falhos
Levantada pelo francês René Descartes, a tese segundo o qual “não devemos confiar nos nossos sentidos porque eles são falhos” é aplicada com sabedoria em A Perseguição. Na formulação da história, a premissa cartesiana deixa de ser uma especulação para se tornar fundamental. E se levarmos em consideração de que John Ottway e seus companheiros empreendem uma jornada não apenas de confronto e sobrevivência, mas também de conhecimento da natureza, o fato de vivenciarem uma experiência inusitada na qual as únicas armas que possuem são a racionalidade e os sentidos, o filme amplia essa dimensão filosófica.
A Perseguição não se trata de um simples “jogo entre presas e predadores”. Em sua grandiosidade, é um filme generoso na oferta de elementos reflexivos. Um puro exercício filosófico, adentrando temas pertinentes à existência do homem em sua maior necessidade: a de conhecer a si próprio e o mundo no qual vive. Há outros elementos: provocar as suas memórias e sentimentos, entender as suas limitações, vasculhar a sua alma e, acima de tudo, compreender a sua racionalidade. Que ele, o homem, conserva, também, o seu lado natureza, mas que ela mudou ao longo de sua evolução com ser racional. A natureza puramente selvagem não é mais o seu lar. Quanto a isso, os humanos, percebem os lobos com “algo mais” do que apenas instinto. Há, também, algo de racional em seus ataques.
Mesclando elementos de thriller, terror e drama, A Perseguição explora com maestria essas filosóficas questões existenciais. Eu tinha lido que Carnahan tinha levado 4 anos para finalizar o roteiro. Considerei muito tempo. Mas, somente após a visão do filme, foi que entendi o sentido de ter levado tanto tempo para ser concluído. E A Perseguição me deixou impactado.
Unindo Shackleton e Descartes
Como não conheço o livro de Jeffers, procurei na Internet algum resumo ou trecho da história, de preferência traduzida. Nada. Encontrei apenas entrevistas de Carnahan revelando que só finalizou o roteiro quando se deu por satisfeito de ter colocado tudo o que a história exigia. Quais os elementos? Inserir na história de Jeffers as questões existenciais que atormentam o homem em momentos cruciais em que se encontra entre a vida e a morte.
Na minha busca de juntar os elementos existenciais, teológicos e filosóficos contidos no filme, me lembrei do livro de Schackleton, o qual li há anos atrás. Cai como uma benção em A Perseguição por duas vias: a luta pela sobrevivência dos sobreviventes e as questões existenciais-filosóficas que a pontuam. Fiquei fascinado quando o personagem John Ottway de Liam Neeson se agarra à racionalidade para vencer as adversidades e buscar uma “rota” em direção à civilização. Impossibilitado de se orientar pelo céu em função do tempo fechado e que neva continuamente, ele segue um destino que julga ser seguro e que o levará à civilização.
Essa questão, a da racionalidade e a falha dos sentidos, peças-chaves do filme, remetem a René Descartes, o filósofo que introduziu o homem como sujeito central da filosofia e da história. Penso, logo existo. Para saber mais sobre René Descartes e a filosofia, acesse aqui > http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_16284/artigo_sobre_o_despertar_da_cr%C3%8Dtica:_do_racionalismo_cartesiano_ao_criticismo_kantiano
Assim, prefiro analisar o filme de Carnahan, além do contexto existencial, também sob o ângulo filosófico. Vejo que estão lá a determinação motivadora da sobrevivência de Shackleton e seus homens e a filosofia de Descartes com o seu discurso da racionalidade e a fragilidade de nossos sentidos. Mais adiante, Carnahan vai inserir a teologia, ampliando as discussões. O resultado é um filme capaz de provocar a reflexão sobre a existência, a divindade e a morte.
Elementos para você perceber
Desde a queda do avião (uma sequência de impressionante realismo) que Ottaway convive com a morte, vendo dezenas de corpos, aos quais promove uma rápida cerimônia de funeral. O sentido da história decorre ao longo da fuga dos homens e a perseguição movida pelos lobos, manifestando, aí, a onipresença da morte. Dramaticamente, o filme atinge o seu ápice a partir do momento em que um dos sobreviventes, John Diaz (Frank Grillo), exausto e sem forças para continuar caminhando, resolve sentar-se num pedaço de árvore à beira de um rio. Ali, diante de um belíssimo cenário da natureza, resolve, ali mesmo, desistir da vida.“Quero descansar. Agora eu percebo que estou morto. Estamos mortos”, lamenta. Em vão Ottaway e Henrik tentam demovê-lo da decisão.
“A morte… é quente?”, pergunta. “Sim”, responde John. “Olhe para lá” – e aponta para o esplendor da natureza, “tenho a sensação de que tudo é para mim. Como eu poderia resistir? Onde poderia se poderia morrer melhor?”, se questiona. Quando os amigos se vão, entregando-se ao destino final, Diaz finaliza o seu diálogo em monólogo: “eu não tenho medo”. Ele opta pela morte na contemplação. Toda essa sequência extraordinária dura exatamente 7 angustiantes minutos.
Clamando pela salvação divina
A cena em que Ottway perde o amigo Pete Henrik (Dallas Roberts) quando uma das pernas deste fica presa entre pedras na corredeira, um dos momentos mais dramáticos, expressa o impacto da conscientização. Ele cai na real: está só. Seu semblante, de desolação é o impacto da realidade. Todos os seus companheiros estão mortos. Agora por conta própria e com a única opção de seguir adiante, ele se escora num banco de neve. Pela primeira vez, bate-lhe o medo. E chora. É aí, Carnahan cria um dos momentos mais brilhantes de A Perseguição. O cineasta, que é católico, abre o filme para além das questões existenciais e traz a teologia para dentro do filme, se fixando em uma das mais inquietantes buscas do homem: a sua relação com o divino, Deus. Se ele é o Pai, aonde está?
O cineasta recorre à tese de que o homem só pensa em Deus quando se vê diante de uma condição crucial, de morte. Nesse estado de medo, a sua atitude tanto pode ser de submissão e aceitação de sua condição de mortal, ou, movido pelo desespero, desafiá-lo. Esta é a escolhida. “Faça alguma coisa”, apela Ottway, olhando para o céu. No contraplano, o céu e as nuvens antecedendo o universo infinito.
“Faça alguma coisa”, exige Ottaway. ”Vamos lá. Prove que existe!”. Entre pausas, “Para o inferno com a fé!”, “Venceu!”, “Vamos, mostre-me algo real, eu o quero agora. O mais tardar, agora!”. E também sobram palavrões. “Mostre-me e acredito em você, até fim. Eu Juro!”. Ottway é pura racionalidade. Exige a manifestação aos seus pedidos. Entre ele e o céu infinito, o silêncio. Mas, como se dá a manifestação divina? Para alguns teólogos, fé envolve confiança e compromisso. E ela pode manifestar-se internamente no indivíduo. Uma relação invisível, espiritual. É o que parece acontecer com Ottway quando ele, descendo à serenidade, para, reflete e afirma: “Pode ser feito! Vou fazer isso sozinho!”. Ele sabe que seu destino está traçado. Sair ou não dali depende única e exclusivamente de si.
Não há mais desespero ou medo. Com isso, Ottway raciocina que ele, o homem, é também natureza, e que ali, na natureza hostil, ele está no lugar que já não é mais o seu e que a interferência divina apenas se resume em milagre – o qual nem sempre aparece. E como natureza cada um segue o seu destino. Ele tem que criar o seu. Curiosamente, Ottway não segue o curso do rio, mas sim, adentra à floresta gelada e, ao parar, percebe que seus sentidos o levaram à direção errada. Está no lugar aonde não quereria, nem deveria, mas os seus falhos sentidos o levaram até ali.
Evite o Spoiler
Vale recordar que, no início do filme, que é narrado por Ottway. Ele se diz um criminoso e fugitivo da justiça. Você pensou no motivo? Ao longo do filme, ele recorda os últimos instantes com a mulher. E aí, se você não viu o filme, ainda, pare e não leia o texto a seguir, pois vou expor, também, o desfecho. Por isso peço-lhe só retornar a este após assistir ao filme, e, também, só sair da sala de projeção após os créditos finais, a fim de apreciar uma última cena, a qual fecha o filme. Essa cena é fundamental para um posicionamento seu quanto ao desfecho da história. Ou pule os 3 próximos parágrafos.
O desfecho
Qual o significado do pedido da mulher de Ottway para que “não tenha medo”. De que ele não deve ter medo? Ligando a frase à descrição dele de ser um criminoso e fugitivo, só pode ser por ter desligado os aparelhos médicos. Pode ser aberta, aqui, uma discussão sobre a eutanásia. E, após esta, outra, a da sobrevivência ou não de Ottway, como resultado da última cena do filme pós-créditos, a qual mostra o corpo arquejante do lobo em primeiríssimo plano, mas não mostra se Ottway está vivo ou não. Como foi mostrado antes do corte do ataque do lobo, Ottway se armou com uma faca na mão direita e vidros de álcool na esquerda. É possível ter sobrevivido ao ataque do líder da matilha? Sim, é possível.
Como expus no início desta análise, Shackleton conseguiu algo humanamente impossível: sobreviver por 497 dias em meio ao frio glacial e a fome em meio a um ambiente que não era o seu. É muito tempo. Exatamente, 1 ano, 4 meses e 12 dias, nas piores condições possíveis. E, para escrever que “atingimos a essência pura e nua da alma humana”, ou seja, o conhecimento do sentido da vida, a frase se torna uma metáfora teológica para explicar a sobrevivência dele e de seus homens através da superação da morte? A possibilidade de algo transcendente.
Acreditar no homem
Particularmente, sou otimista e acredito no homem. No nosso poder de superação – às vezes inexplicável existencialmente -, e a racionalidade me leva ao entendimento de que estamos, ainda, aprendendo sobre nós mesmos e do mundo no qual vivemos. Nossos sentidos podem ser falhos, nosso destino pode ser uma incógnita, nossa relação com Deus pode derivar de uma escolha pessoal, mas temos o maior prêmio que poderíamos ter como meros mortais: a capacidade de pensar. Daí, aceito o homem em vez do lobo.
Liam Neeson, o grande
Para sustentar esse enredo e suas inquietações filosóficas, Carnahan tem em Liam Neeson o seu grande suporte. O ator irlandês, aos 60 anos, esbanja maturidade e talento em uma interpretação vigorosa que sustenta a dramaticidade do filme em todo o seu decorrer. Injustiça não ter sido indicado ao Oscar.
Não esquecendo de que A Perseguição o remeteu diretamente à morte de sua mulher, a atriz Natasha Richardson, falecida em 2006, aos 45 anos, em um acidente de esqui em um “resort” canadense. Seu personagem, Ottway, conforme já citado, sofre com as lembranças constantes da esposa. É com essa dor que Neeson tem uma atuação simplesmente memorável.
Pense, filosofe
Ao concluir A Perseguição com uma cena inquietante do resultado da verdadeira luta entre o homem, o maior predador do planeta, com o seu adversário e perseguidor selvagem em seu ambiente demarcado, Joe Carnahan concede um convite à reflexão. Particularmente, amarro a descrição de Shackleton quanto a “essência pura e nua da alma humana” ao desfecho da última cena de A Perseguição. Há, o poema que simboliza Ottway e sua vida de guerreiro: “Mais uma vez na batalha. Jamais saberei se será a maior luta de todas. Viver ou morrer neste dia. Viver ou morrer neste dia”. Ele a recita antes do embate.
Ambos, Shackleton e Ottway, assim, utilizam-se da construção da escrita, uma forma de arte, evidenciando a evolução do homem não apenas enquanto construtor de uma civilização, mas também quanto as suas possibilidades relativas ao conhecimento e a superação do sofrimento, dos limites e dos seus medos. Aí, escrevi que a pergunta correta não é “quem vencerá?”, mas sim, “qual a forma da ‘essência?”. Shackleton e Ottway, a meu ver, enveredam pela sobrevivência pela força da superação, tendo, claramente, um caráter teológico-filosófico-espiritual.
Joe Carnahan, nas entrevistas as quais eu li, se nega a comentar tanto a discurso teológico envolvendo Ottaway e Deus quanto o desfecho em aberto. Para ele cada espectador é quem tem de pensar e encontrar “a sua resposta”. Nesse sentido, ele abre o seu filme às possibilidades, também, de um caráter teológico-filosófico-espiritual.
É uma possibilidade? Sim, há uma possibilidade de que Ottaway tenha sobrevivido. Observe que ele reúne as carteiras dos colegas que morreram. Cada uma traz fotos, as quais são… histórias. As histórias não ficam perdidas. Daí, ser a vitória de Ottaway a versão que eu defendo. Com isso, Carnahan está premiando a racionalidade do homem.
Mas, enfim, o filme continua em aberto às diversas interpretações com a sua cena intrigante. Instiga a que cada um reflita, busque uma resposta, não deixe o pensar vago ou isso mesmo, e force a sua racionalidade para encontrar o seu desfecho. Encontre e determine, também, a sua conclusão, exige o filme.
A Perseguição tem, desde já, um lugar garantido entre os meus 10 melhores filmes do ano.
Ficha técnica
A PERSEGUIÇÃO (The Grey, Canadá-EUA, 2011), de Joe Carnahan. Com Liam Neeson, Frank Grillo, Dermot Mullroney e Dallas Roberts. Universal. 117 minutos. 14 anos.
Veja um vídeo de “behind the scene” de A Perseguição.
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