Quinta-feira, 9, começou o Festival de Berlim, um dos mais esperados do ano e, desta vez, o cinema chinês, pouco reconhecido, terá o seu destaque na Europa. Três filmes chineses estão no festival, sendo um na competição oficial e outros dois em mostras. Assim como o Brasil, que depois de Tropa de Elite 2, Besouro e Garapa, terá Xingu como novo representante na Mostra Panorama

Filme brasileiro Xingu, de Cao Hamburger, que está na Mostra Panorama
Como o objetivo da Berlinale é selecionar filmes inéditos de arte de baixo orçamento, este ano nos deparamos com mais uma lista cheia de títulos desconhecidos. Por isso decidi pesquisar sobre as fontes dos filmes selecionados com o objetivo de colher o número máximo de informações para que você saiba o que está rolando no festival alemão.
Para quem não conhece, a Berlinale é um festival divido em 10 mostras, incluindo a principal. Entre elas, as mais famosas são Curtas da Berlinale, Mostra Cinema Culinário e Mostra Panorama. Essa última, a Panorama, é para onde os fitas brasileiras, na maioria das vezes, são selecionadas para exibição. Assim, o aguardado filme de Cao Hamburger, Xingu, será o nosso representante. Muitas produções brasileiras, como Tropa de Elite 2 e Garapa, ambos de José Padilha, foram selecionados para essa mostra. Para saber mais sobre o filme brasileiro e essa mostra acesse o link da matéria do nosso blog feita semanas atrás: XINGU – selecionado no Festival de Berlim 2012.
Na 62º edição do Festival, foram selecionados 18 filmes para a mostra principal. Dentre os mais conhecidos, está Tão Forte e Tão Perto, de Stephen Daldry, indicado à categoria de Melhor Filme no Oscar-2012, que logo estará nas telonas do cinema brasileiro. Outros filmes do Oscar, que também estrearão por aqui, como a animação Um Gato em Paris (Une vie de cat, França, 2011) e A Dama de Ferro (The Iron Lady, EUA, 2011) – que esteve em pré-estréia neste final de semana -, integram as outras mostras.
A Berlinale começou com a exibição do francês Les adieux a la Reine (O Adeus à Rainha, em tradução literal), do diretor Benoit Jacquot, que retrata os primeiros dias da revolução francesa na visão de uma dama de companhia, interpretada por Diane Kruger. Outra grande atração, será o chinês Bai lu yuan (China, 2012), de Wang Quan′an, uma epopéia sobre a vida de vários camponeses antes da chegada do comunismo. O drama é baseado em um best-seller do escritor Chen Zhongshi, que para o diretor da Berlinale, Dieter Kosslick, tem uma vertente bem polêmica. Provavelmente, será mais um filme amado e odiado por muitos.

Cinéfilos do mundo inteiro virando a noite à espera pela abertura das bilheterias. Enquanto isso, ficam lendo, mostrando o quanto amam as artes.
O Júri da 62ª edição
Mike Leigh, diretor britânico (Presidente do Júri).
Anton Corbijn, diretor alemão de fotografia e filmes.
Asghar Farhadi, diretor iraniano, de A Separação.
Charlotte Gainsbourg, atriz francesa, coadjuvante de Melancolia.
Jake Gyllenhaal, ator americano, de Contra o Tempo.
François Ozon, diretor francês, de Ricky.
Boualem Sansal, roteirista algeriano.
Barbara Sukowa, atriz alemã.

Membros do Júri Internacional da 62ª Edição do Festival de Berlim. Foto: PacificCoastNews
Os Filmes da Mostra Competitiva
À moi seule (França, 2012), de Frédéric Videau.
Uma jovem mulher se senta em uma parada de ônibus, olha para a imagem de uma garota desaparecida, e acaba vendo seu próprio rosto. Oito anos atrás, Gaëlle foi seqüestrada e tornou-se bastante sedentária do mundo. Agora ela tem que lidar com a experiência traumática de sua estranha liberdade recém-descoberta.

Aujourd’hui (França/Senegal, 2011), de Alain Gomis.
Hoje é o último dia da vida de Satché. Ele sabe que isso é verdade, mesmo sendo saudável e forte. No entanto, Satché (interpretado pelo ator e músico americano Saul Williams) aceita sua morte iminente. Andando pelas ruas de sua cidade natal, no Senegal, ele leva o seu passado como se estivesse vendo-o pela última vez: a casa de seus pais, seu primeiro amor, os amigos de sua juventude, sua esposa e filhos. Vez por outra, ouve a mesma reprovação: por que ele não fica na América, onde teria um grade futuro? Satché encontra seus últimos momentos angustiantes, mas também tem um sentimento de alegria. O diretor Alain Gomis é conhecido pelo drama Como Um Homem (L’afrance, França, 2001), filme premiado em festivais e inédito no Brasil.

Barbara (Alemanha, 2012), de Christian Petzold.
É verão na República Democrática Alemã, em 1980. Bárbara, uma médica, apresenta um pedido de emigração para o Ocidente, mas é punida por ser transferida de um hospita na capital para outro em uma pequena cidade. Enquanto isso, Jörg, seu amante do Ocidente, está ocupado planejando uma fuga pelo Mar Báltico. Christian Petzold, diretor do filme, é o mesmo dos dramas O Estado em Que Estou (Alemanha, 2001) e Jerichow (Alemanha, 2008), também muito premiados – e, também, inéditos por aqui.

Cesare deve morire (Itália, 2012), de Paolo Taviani e Vittorio Taviani.
A atuação do Júlio César de Shakespeare chega ao fim e os artistas são recompensados com aplausos. As luzes se apagam, os atores deixam o palco e retornam às suas celas. Todos eles são os presos do presídio romano Rebibbia. Antes de ir, um deles comenta: “Desde que descobri a arte, este lugar tornou-se verdadeiramente uma prisão”. Os cineastas italianos Paol e Vittorio Taviani passaram um semestre, depois dos ensaios, para fazer a produção. O filme mostra como a universalidade da linguagem de Shakespeare ajuda os atores a entender suas funções e mergulhar na interação do bardo na relação de amizade e traição, poder, desonestidade e violência. Este documentário não se contém sobre crimes cujo seus homens cometeram em suas vidas reais, mas sim, traça um paralelo entre este drama clássico e o mundo de hoje, descreve o comprometimento demonstrado por todos os envolvidos, e mostra como as suas esperanças e medos pessoais fluem para o desempenho.

Captive (França/Filipinas/Alemanha, 2012), de Brillante Mendoza.
Um grupo de homens armados e mascarados que pertencem ao grupo muçulmano Abu Sayyaf invade um hotel em um ilha e sequestra 12 estrangeiros. O ataque visa direcionar os funcionários do Banco Mundial, mas eles acabam deixando o resort. Os abduzidos são turistas e missionários cristãos, os quais agora são forçados a empreender uma cansativa marcha pela selva filipina.

Dictado (Espanha, 2012), de Antonio Chavarrías.
Quando o estranho romancista Mário aparec, um dia, na escola onde Daniel ensina, essa vai ficar convencido de que o escritor é um espírito de seu passado reprimido, enterrado no fundo do seu subconsciente. Como crianças, os dois poderiam ter sido quase irmãos, sendo que o casamento entre o pai de Daniel e a mãe de Mário nunca se concretizou.

Les adieux à la reine (França/Espanha), de Benoît Jacquot.
Versailles, julho de 1789. Há uma inquietação crescente na corte do Rei Luís XVI: as pessoas estão desafiantes e o país está à beira da revolução. Nos bastidores dos palácios reais, planos de emergência estão sendo feitos. Embora ninguém acredite que este anuncia o fim da ordem estabelecida, todo mundo fala de fuga, incluindo a Rainha Maria Antonieta e sua comitiva. Uma das Marias Antonietas damas-de-espera é Sidonie Laborde, que, como leitora da Rainha, é um membro do círculo íntimo da monarca. Preocupados com a falha de sua fuga, a rainha dá instruções para a menina a entrar em sua carruagem com roupas da rainha, enquanto essa vai tentar escapar do palácia, à noite.

Was bleibt (Alemanha), de Hans-Christian Schmid.
Marko está na casa dos trinta. Desde que terminou a faculdade que fez em Berlim, não mais falou com seus pais, Gitte e Günter, que vivem em dificuldades na classe média alemã. Ele lhes paga uma ou duas visitas por anos para falarem com seu filho Zowie, de 5 anos. Marko está ansioso para um fim de semana relativamente bem na pequena cidade onde seus pais moram. Mas há novidades: Gitte, que tem sido bipolar desde a infância de Marko, anuncia que um tratamento homeopático a faz se sentir melhor em relação aos últimos anos. Ela então decidiu acabar com sua medicação e agora está ansiosa para compartilhar o resto de sua vida com o marido. Mas com a recuperação inesperada da Gitte, Gunter, seu marido, se frusta com alguns planos seus.

Jayne Mansfield’s Car (Rússia/ Estados Unidos, 2012), de Billy Bob Thornton.
Reunidos pela morte de uma mulher que era casada, primeiro com o norte-americano Southern Jim Caldwell (Robert Duvall) e, depois, com o britânico Kingsley Bedford (John Hurt), as famílias de Naomi se encontram pela primeira vez nos Caldwells Alabama com uma inquieta curiosidade. O choque cultural dos anos 60 entre o Velho Mundo e o Velho Sul torna-se um pano de fundo para os Caldwells e os Bedfords.

Csak a szél (Hungria/Alemanha/França, 2012), de Benedek Fliegauf.
Notícias se espalham rapidamente sobre o assassinato de uma família cigana em uma aldeia húngara. Os criminosos fugiram e ninguém sabe quem poderia ter cometido o crime. Para outra família cigana que vive por perto, o assassinato só servirá para amedrontá-la e fazê-la se sentir reprimida.

Gnade (Alemanha/Noruega, 2012) de Matthias Glasner.
Hammerfest é uma cidade à beira do Ártico. Entre 22 de novembro e 21 de janeiro o sol nem sequer aparece no horizonte. Nessa perigosa cidade, por conta do gelo, mora um casal alemão. Niels é um engenheiro que trabalha em uma fábrica de liquefação de gás natural com base em uma pequena ilha em frente à Hammerfest. Maria, uma enfermeira de um hospital, que decidiu se juntar ao marido, chega ao lugar para apoiar esta transição importante na carreira. O casal parece ter se adaptado bem a esse mundo sombrio e por vezes até surreal. Mas um dia, depois do trabalho, a caminho de casa, Maria acaba se envolvendo em um acidente – ela julga ter atropelado alguém ou algo. Sentindo-se impossibilitada de enfrentar a situação, ela tenta segurar o estado de pânico e empreende uma dura jornada de volta para casa.

Metéora (Alemanha/Grécia, 2012), de Spiros Stathoulopoulos.
Nas planícies quentes da Grécia central, os mosteiros ortodoxos de Metéora são empoleirados no topo de pilares de arenito, suspensos entre o céu e a terra. O jovem monge Theodoros e a freira Urania dedicam suas vidas aos rituais rigorosos e as práticas de sua comunidade. Mas a afeição crescente de um pelo outro coloca a suas monásticas vidas em questão.

Kebun Binatang (Indonésia/Alemanha, 2012), de Edwin.
Os animais de um zoológico estão ansiando por liberdade. É neste ambiente, onde se imagina ser um outro mundo, que Lana cresce. Quando ela era uma garotinha, seu pai a deixou para trás nesse colorido zoológico de Jacarta para nele ser criada. Mas, que sonhos e desejos uma mulher que cresceu entre girafas, elefantes e hipopótamos, pode ter?

En kongelig affære (Dinamarca/República Tcheca/Alemanha/Suécia, 2012), de Nikolaj Arcel.
Johann Friedrich Struensee, médico da cidade e dos pobres de Altona – cidade então governada pelo rei da Dinamarca -, acompanha o monarca, em 1768, na viagem de um ano de duração por toda a Europa. Como médico do monarca – que tem um problema psicológico -, durante a viagem, utilizando-se da manipulação, Johann ganha a sua confiança. Mas Struensee quer mais: junto com a rainha Caroline Mathilde, que se apaixonou por ele, ele assume cada vez mais os assuntos do Estado.

L’enfant d’en haut (Suíça/França, 2012), de Ursula Meier.
O garoto de 12 anos Simon vive ao lado de sua irmã, Louise, empregada na estância do esqui de luxo na Suíça. Todos os dias, ele leva seu equipamento para o mundo opulento do esqui e aproveita-se para roubar equipamentos dos turistas ricos para revender às crianças locais. Como um sócio trabalhador britânico sazonal, Simon perde seus limites, o que afeta o relacionamento com sua irmã. Confrontado com a realidade, Simon acaba buscando refúgio depois que comete um grave erro.

Tabu (Portugal/Alemanha/Brasil/França, 2012), de Miguel Gomes.
Aurora, uma portuguesa idosa, e sua governanta Cap Verdiana, vivem ao lado de Pilar, que as inspirou a fazer o bem. Quando a velha morre, Pilar fica entra no caminho de um antigo amante dela.

Rebelle (Canadá, 2012), de Kim Nguyen.
O filme se ambienta na guerra civil na África. Depois de sua aldeia ser incendiada por rebeldes e seus pais serem assassinados, Komona, se alien, na selva, como uma criança-soldado. Seu comandante brutal não apenas a treina no uso de armas, como também ordena que ela durma ao seu lado. Procurando abrigo em meio ao horror, ela se vira para um rapaz mais velho que, por causa dos cabelos brancos, ela chama de “Mago”. Por ele se apaixona. Depois que saem juntos do campo, Komona faz todo o possível para voltar para sua aldeia.

White Deer Plain (China, 2012), de Wang Quan’na.
O filme épico de Wang Quan’an tem lugar no fim da China imperial em um período de agitação política e social dramática. É ambientado na Vila Veado Branco na província de Shaanxi, onde vivem as famílias mais importantes – Bai e Lu – e seus filhos, os quais sempre viveram juntos e em paz. Mas o tumulto leva a uma luta feroz pela posse da terra. Uma jovem da aldeia logo se vê presa entre os dois campos. O diretor Wang Quan’an usa a história dessas duas famílias como uma metáfora para o destino do povo chinês como os primeiros senhores de guerra a serem invadidos por japoneses e, no processo histórico, desemborca na guerra civil que segue violenta nos trilhos da Segunda Guerra Mundial e na vitória dos maoístas, os quais agitam as bandeiras vermelhas.
