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Cinema paranaense em primeiro plano

Publicado em 12/05/2012 - 4:35 por | Comentar

Teve início no último dia 4 o oitavo Fantaspoa, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. O evento acontece até o dia 20 de maio, e traz na programação 150 filmes, sendo 87 longas-metragens. Assim como nos anos anteriores, o programa está variadíssimo e conta com filmes de diversas nacionalidades. Neste ano, dois filmes paranaenses tiveram destaque especial, inaugurando o festival com divertidas sessões comentadas

O filme de abertura foi o aguardado Nervo Craniano Zero, do diretor paranaense Paulo Biscaia Filho. Ele estreara no festival, há três anos, com o seu primeiro longa-metragem, Morgue Story: Sangue, Baiacu e Quadrinhos. Em seu retorno a Porto Alegre, o diretor encontrou uma sala lotada de espectadores ansiosos para assistir à première mundial de seu novo filme. Em Nervo, uma inescrupulosa escritora de best-sellers teme que uma crise criativa comprometa o rumo do seu trabalho. Ela pretende conseguir um dispositivo que, ao ser implantado no cérebro humano, fornece inspiração ilimitada. Assim, ela convence o cientista responsável por este aparelho a testá-lo na cabeça de uma moça ingênua do interior.

A atriz Guenia Lemos num still de Marco Novack para o filme NERVO CRANIANO ZERO.

O resultado desta trama mirabolante é uma deliciosa comédia de horror assumidamente camp. Iconoclasta, o diretor inseriu no filme diversas referências à cultura pop, dando uma atenção especial às situações exageradas. Tudo aqui é levado às últimas consequências, seja no banho de sangue ou nos diálogos novelescos. A maioria dos personagens, senão todos, são extremamente caricatos. Segundo o diretor, tudo foi minuciosamente planejado: “todos os envolvidos sabem que aquilo é ridículo: o diretor, o produtor, o ator e a plateia; exceto os personagens”.

Os atores Leandro Daniel Colombo, Uyara Torrente e Guenia Lemos em still de Marco Novack para NERVO CRANIANO ZERO.

O público reagiu bastante positivamente ao filme, ouvia-se gargalhadas a todo momento. Ao final, houve um debate com Biscaia, o responsável pela trilha sonora Demian Garcia e a encantadora atriz Uyara Torrente, célebre por participar do grupo A Banda Mais Bonita da Cidade, um fenômeno na internet.

Sala lotada na première de NERVO CRANIANO ZERO. Foto de Kasha Lee.

A equipe respondeu a perguntas da plateia e ouviu a algumas opiniões. Houve até agradecimentos emocionados de nostálgicos que sentiram voltar no tempo devido ao aspecto oitentista do filme, que remete particularmente ao longa-metragem de Stuart Gordon Re-Animator, o qual, coincidentemente, está programado dentro do festival, em uma exibição especial com comentários de Gordon.

A atriz Uyara Torrente e o diretor Paulo Biscaia Filho no debate ao final da exibição de NERVO CRANIANO ZERO. Foto de Kasha Lee.

Veja aqui o trailer de Nervo Craniano Zero:

Imagem de Amostra do You Tube

No sábado, dia 05, o cinema paranaense novamente marcou presença. Desta vez, com Cinematoso, um documentário dirigido por Bruno de Oliveira sobre o cineasta amador Cyro Matoso. Desde a década de 1970, Cyro realiza, heroicamente, filmes na pequena cidade litorânea de Paranaguá. Ele pede sempre pequenas colaborações dos habitantes do lugar, seja com alguma quantia em dinheiro, materiais para a confecção de objetos de cena ou participações no elenco.

O cineasta amador Cyro Matoso.

A equipe de Bruno acompanhou o diretor durante a filmagem de seu novo trabalho, oferecendo ajuda técnica. O documentário acompanha a realização deste filme, ao mesmo tempo em que traz uma série de depoimentos (a maioria deles muito bem-humorados) dos moradores da cidade sobre Cyro e seus filmes. Alguns dizem reconhecer a importância do cineasta, pois, acima de tudo, seus filmes são registros históricos. Trazem imagens preciosas da cidade em diferentes décadas, bem como é uma interessante documentação sobre a população: seus hábitos e costumes, suas particularidades linguísticas, entre outros aspectos. Outros, contudo, questionam a validade do seu cinema, que seria demasiado ingênuo, com atores também amadores, despreparados etc.

O público folheia o material de Cyro durante o debate. Foto de Kasha Lee.

Mas Cyro não desanima. Está sempre com um projeto na manga. Inclusive, trouxe para o momento do debate dois storyboards – na verdade, algo mais próximo de uma história em quadrinhos – de seus próximos filmes para que a plateia pudesse conferir e colaborar com a produção comprando a rifa de um quadro pintado por ele mesmo. Sim, Cyro também é artista plástico. Trechos de seus filmes podem ser vistos no YouTube e o destaque vai para o único trabalho em animação realizado por Cyro: Grazi na Terra do King Kong, um curta-metragem feito em stop-motion, protagonizado pela filha do diretor.

O público e os jornalistas adquirem números da rifa de Cyro. Foto de Kasha Lee.

Veja o trailer de Cinematoso:

Imagem de Amostra do You Tube

Outros dois filmes compuseram o panorama brasileiro nesta edição do Fantaspoa, o carioca Strovengah: Amor Torto e o paulista Jeca Contra o Capeta. Aguardem a segunda parte da matéria!

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