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Categoria: Cidades


10:29 · 22.05.2017 / atualizado às 15:06 · 22.05.2017 por
Foto Giovanna Duarte

Reunir amigos, discutir histórias e expandir a pauta. Esses foram os caminhos que o Jornal Sertão Transviado, publicação vinculada ao projeto Sertão Transviado: Outros Cariris das Pró-reitorias de Extensão e de Cultura da Universidade Federal do Cariri, traçou neste fim de semana, na noite de lançamento da nova edição em parceria com o SESC Crato. O palco do Teatro Adalberto Vamozi foi espaço para encenar a memória LGBTT e da contracultura no Cariri dos anos 70.

O professor do curso de Jornalismo e tutor do projeto, José Anderson Freire Sandes destacou a importância do ensino aprendizagem no processo de elaboração, apuração e desenvolvimento da pauta jornalística, além disso, resgatou um pouco da sua memória sobre o teatro nos anos de chumbo. “O Cariri é uma região mística, onde o mito do cangaceiro predomina e, apesar disso, há uma presença forte da cultura LGBT, e nós jornalistas, sempre temos olhado para esse palco da vida no jornalismo, que é imenso”, explica ele.

O cantor João do Crato, ao lado de Blandino Lobo, Luiz Carlos Salatiel e o músico Adiboral Jamacaru, discutiram como um movimento subversivo de vanguarda, produzia arte de contestação na região. Abidoral falou sobre a movimentação na sua antiga casa, conhecida como Casa dos Cabeludos, Blandino sobre a icônica cachaça Xá de Flor e Salatiel sobre o coletivo OCA. “Muitas vezes nós fomos apedrejados, antigamente as pessoas passavam por nós, reunidos ali na praça da Sé e se benziam ou atravessavam a rua, nós resistimos e fizemos um movimento cultural Cariri adentro”, diz João.

O proponente do projeto e estudante do curso, Ribamar Moreira pontua que produzir essa edição foi um trabalho que exigiu mais a escuta do que a escrita. “Foi preciso realizar uma pesquisa documental a memória de um Cariri, que por vezes não contada e até registrada, fazer a quarta edição do Transviado abriu horizontes para nós, estudantes resgatarem a memória LGBTT e a força da arte marginal na região”.

A capa do jornal foi uma releitura do disco Panis et Circenses da Tropicália. Cheia de símbolos do misticismo no Cariri, o registro feito pelo fotógrafo Carlos Lourenço reuniu Dona Edite do Coco, Mestra Margarida Guerrei, Valéria Carvalho e dois registros em homenagem à Dona Ciça do Barro Cru e a Beata Maria de Araújo.

O jornal é um periódico bimestral que tem como intenção fazer uma comunicação plural. Para 2017, o jornal quer lançar mais três edições na meta de salvaguardar histórias marginalizadas e construir uma imprensa LGBTT na região do Cariri.

 

11:36 · 20.05.2017 / atualizado às 11:36 · 20.05.2017 por

Juazeiro do Norte. A Fundação Memorial Padre Cícero encerrou nesta sexta-feira, 19, a programação local da Semana Nacional dos Museus. Ao longo de três dias, representantes de vários museus da Região do Cariri participaram de momentos de capacitação, com oficinas e minicurso, além de relatos de experiências sobre os trabalhos realizados nas instituições museológicas caririenses.

A programação buscou promover a integração dos participantes com o objetivo de se planejar a criação da Rede de Museus do Cariri. Pensando nisso, a Fundação Memorial Padre Cícero chegou a catalogar 28 instituições, no entanto, ao longo dos três dias, outros mais foram identificados através da indicações..

A presidente da Fundação Memorial Padre Cícero Cristina Holanda, avaliou positivamente o evento. De acordo com ela, a realização da roda de conversa cumpriu seu papel ao compartilhar experiências entre os representantes de cada museu. Além disso, as oficinas e minicursos foram bastante enriquecedores ao proporcionar uma atualização sobre a legislação normativa que rege os museus em todo o Brasil, e sobre algumas regras específicas que devem ser adotadas para a documentação de acervos.

A organização vai agora produzir um relatório que será enviado para todos os participantes. “A ideia é que esse documento seja o início de uma ação para a criação de uma carta para a Rede de Museus. Além disso, queremos tornar nossos encontros periódicos, para que sejam realizados a cada dois meses”, afirma Cristina Holanda. Ela diz ainda que há o desejo de que aconteçam visitas técnicas entre os museus, onde os profissionais se desloquem de um lugar para ou outro, de forma que possam estabelecer mais atividades conjuntas, fortalecendo, assim, a ideia de rede.

11:58 · 19.05.2017 / atualizado às 11:58 · 19.05.2017 por

Dentro da campanha “MPCE por uma adoção segura”, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), através do Centro de Apoio Operacional da Infância e da Juventude (CAOPIJ), promove, entre os dias 22 e 26 de maio, na Região do Cariri, a “Semana da Adoção 2017”, em alusão ao Dia Nacional da Adoção, celebrado em 25 de maio.

Durante os cinco dias, estão previstas diversas atividades nos municípios de Missão Velha, Barbalha, Brejo Santo, Crato, Farias Brito e Juazeiro do Norte, como inspeções a seis entidades de acolhimento, seis reuniões com as redes socioassistenciais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) dos municípios e realização de um treinamento para que promotores de Justiça e servidores do MPCE e do Judiciário se familiarizem com o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), que também será tema de seis audiências públicas a serem realizadas nas cidades, dando continuidade ao projeto “CNA Forte, Adoção Segura”.

Segundo o coordenador do CAOPIJ, promotor de Justiça Hugo Mendonça, a programação tem por objetivo desenvolver, nos municípios que serão visitados, a cultura de respeito e reconhecimento do papel fundamental do CNA em garantir a segurança da criança e do adolescente a ser adotado.

“Iremos ainda conhecer melhor a realidade de cada cidade no que diz respeito ao acolhimento de crianças e adolescentes que estão disponíveis para adoção e como as gestões municipais atuam para evitar a violação de direitos dos acolhidos para que, a depender de cada caso, o Ministério Público possa atuar na melhoraria da realidade deles, assegurando seu bem-estar”, informa o promotor de Justiça.

Ele que visitará as cidades acompanhado da assistente social da equipe técnica do CAOPIJ, Adriana Pinheiro, e da técnica ministerial da Secretaria-Executiva das Promotorias da Infância e Juventude do MPCE, Anna Gabriella Pinto.

Projeto “CNA Forte, Adoção Segura”
No CNA são inseridos os pretendentes para adoção que somente são cadastrados depois de participarem de curso psicossocial e jurídico, serem entrevistados e avaliados pela equipe técnica do Juizado da Infância e da Juventude e terem o processo analisado por um juiz e por um promotor de Justiça, que fazem avaliação para saber se o candidato está apto a adotar.

“Todo esse passo a passo é essencial para garantir que o adotante está pronto para receber a criança ou o adolescente disponível para adoção. Quando essa preparação não ocorre e a adoção é realizada de forma direta, com os pais biológicos, ou um deles, entregando a criança ou o adolescente diretamente a quem deseja adotar, o risco é muito grande. O adotante pode não ter, por exemplo, condições de criar o adotado e colocar sua segurança em risco. Há ainda a possibilidade do adotado, pelo fato do adotante não ter sido preparado, sofrer maus-tratos, ser rejeitado ou entregue a uma instituição de acolhimento, o que é bastante traumatizante”, explica o coordenador do CAOPIJ.

Chamada de intuitu personae, a adoção dirigida não garante, assim, as medidas previstas para proteção do adotando. Essa modalidade de adoção também não respeita o procedimento previsto pela legislação nacional que foi criado, inclusive, para combater tráfico de crianças e a inserção delas em famílias totalmente incapazes de lhes acolher.

Além disso, frustra quem se submete a todo o processo e que pode, a depender o perfil de adotando escolhido, aguardar até quatro anos para conseguir adotar. Atualmente, há no Ceará 473 pretendentes habilitados para adotar que aguardam o encaminhamento de uma criança dentro do perfil escolhido. Já crianças e adolescentes disponíveis para adoção são 114 no estado. Em 2016, foram realizadas 52 adoções no Ceará.

Nas audiências públicas, é distribuído material informativo sobre o CNA para divulgá-lo aos participantes, entre eles profissionais das áreas de saúde, assistência social e educação dos Municípios visitados. Eles passam, então, a conhecer melhor o processo previsto em lei e a importância dele ser respeitado.

“Tentamos, ainda, sensibilizar aqueles que participam da necessidade do perfil de adotando buscado pelo adotante ser mais abrangente, não se restringindo a crianças pequenas, brancas e sadias”, ressalta Hugo Mendonça.

O projeto “CNA Forte, Adoção Segura”, do CAOPIJ, pretende realizar um trabalho de conscientização sobre a relevância da utilização do CNA e da sua implantação em todas as Comarcas do Estado. Até o momento, já foram visitados os Municípios de Iguatu, Tauá, Morada Nova, Horizonte e Cascavel. Já estão agendadas audiências públicas a serem realizadas para o mês de junho em Goaíras, Cariré, Sobral e Canindé, e, para julho, em Cruz, Acaraú e Itarema.

19:52 · 18.05.2017 / atualizado às 20:21 · 18.05.2017 por

Araripe. O juiz da 68ª Zona Eleitoral, Herick Bezerra Tavares, cassou ontem, (18) os diplomas do prefeito e vice-prefeito deste Município, localizado na região do cariri, a 518 km de Fortaleza. A decisão do magistrado deixa ainda Giovane Guedes Silvestre e seu vice, Francisco de Sales Alves Andrade, inelegíveis por oito anos. De acordo com a sentença, a coligação “Araripe Novo Tempo, Novos Rumos” abusou do poder político e econômico ao contratar, durante o ano passado, entre os meses de janeiro a julho, “589 servidores sem concurso público ou processo seletivo, tendo essas contratações o real objetivo de angariar, de forma ilegítima, o voto desses eleitores e de suas famílias nas eleições do ano de 2016”.

Além disso, a coligação do prefeito caçado contratou 42 veículos de propriedade de motoristas locais, mediante terceirização, “com o objetivo espúrio de interferir no pleito e assegurar um quantitativo suficiente de votos para a reeleição dos ora promovidos”. A locação dos veículos ocorria a preço fixo, “sem sequer os contratados mencionarem a média de quantidade de quilômetros que poderiam ser rodados”.

A argumentação de defesa do prefeito e vice, ao Ministério Público Eleitoral, afirmou que “as contratações realizadas pelo Município ocorreram por motivo excepcional interesse público e para assegurar a continuidade dos serviços prestados à população local, tendo o gestor promovido se pautado no Decreto Emergencial, que legitimariam as contratações realizadas no ano das eleições”.

Ainda segundo a defesa, não há qualquer indício de lesão ao interesse público ou violação dos princípios administrativos, ja que os contratados “estão efetivamente prestando serviços ao município” e acrescenta citando que a chapa derrota perdeu a eleição com mais de dois mil votos de diferença.  Giovane Guedes afirmou, em defesa, que realizou seleção pública para escolha dos candidatos, mas, segundo a sentença do juiz Herick, “jamais carregou aos autos qualquer comprovação desta alegação”. Bezerra Tavares ressaltou, ainda, que para ocupar o cargo de professor, por exemplo, havia apenas “a indicação e chancela do diretor da escola” e do prefeito. A decisão cabe recurso.

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15:54 · 18.05.2017 / atualizado às 15:54 · 18.05.2017 por

Assaré. A mais tradicional e antiga banda de música deste Município, berço do poeta Patativa do Assaré, corre o risco de acabar, conforme afirmam os integrantes do grupo. Fundada há 15 anos, a banda Manoel de Benta, composta por 27 músicos e um maestro, deverá sofrer reformulação nos próximos dias. Segundo um integrante da banda que pede para não ter sua identidade revelada, “por medo de represália”, o prefeito Evanderto Almeida “ordenou que só poderá fazer parte da banda pessoas entre 16 e 20 anos”.

Para o músico, caso a medida seja realmente posta em prática, o “risco de a banda acabar é grande”. “Dos 27 músicos, poucos estão dentro dessa faixa etária, e estes são jovens, ainda em processo de aprendizado”, acrescenta. Conforme avalia outro integrante, que também optou pela não divulgação de seu nome, “para que uma pessoa integre a banda, há todo um processo, que passa por aulas práticas e teóricas, não é da noite para o dia que a cidade vai conseguir quase 20 pessoas, dentro dessa faixa de idade, para dar continuidade à banda”.

“A banda Manoel de Benta foi fundada em 2001 pelo Padre Joaquim Ivo e, de lá para cá, ganhou destaque na cultura popular de Assaré. Além das várias apresentações realizadas anualmente, o grupo também atua no lado social e educativo, pois ensinamos aos jovens a tocar diversos instrumentos, por exemplo. Será um prejuízo cultural muito significativo”, pondera o integrante.

Para o vereador Cícero Alencar (PP), a descontinuidade da banda vai além do “prejuízo cultural”. “Cada integrante recebe uma bolsa mensal de R$ 300, com exceção do Maestro que recebe um valor maior. E muito desses músicos, têm, na banda, sua maior fonte de renda, embora seja muito pequena. São pessoas que tocam por amor, mas também tocam para tirar o sustento de casa. Caso a banda seja extinta, ou eles sejam expulsos, essas pessoas vão perder a maior fonte de receita mensal que elas dispõem atualmente”, disse o parlamentar.

O comunicado, segundo os integrantes, foi dito pelo próprio gestor municipal, em reunião realizada na semana passada na Câmara de Vereadores do Município. “Ele primeiro solicitou a devolução de todos os instrumentos e móveis da nossa sede, justificando que seria para tombamento de patrimônio. Até ai, tudo certo. Depois, ele reuniu todos nós e disse que só iria aceitar integrantes com idade entre 16 e 20 anos. Ele olhou para nós e disse que não queria os músicos caindo em cima dos instrumentos, como se fossemos descartáveis. Foi uma fala forte, além de desrespeitosa para conosco que há mais de uma década nos dedicamos na banda”, critica o instrumentalista.

Cícero Alencar disse que está tentando, junto aos demais 10 vereadores, a implantação de um projeto que proíba a limitação de idade na banda. “Sabemos que é difícil. Grande maioria dos vereadores são da situação, então nossa luta fica dificultada. Tanto que nenhum dos integrantes tem coragem de expor suas identidades, eles tem medo de alguma perseguição, já que alguns deles, 4 ou 5, possuem algum vinculo empregatício com a prefeitura”, finaliza.

A reportagem do Diário do Nordeste tentou contato, por telefone, com Evanderto Almeida, no entanto, não obteve êxito. “O prefeito está em viagem e não sabemos a data de retorno. Só quem pode se manisfestar é ele. O secretário de cultura não está autorizado a falar sobre o assunto”, informou a comunicação da prefeitura de Assaré.

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