Categoria: Barbalha


13:55 · 25.04.2019 / atualizado às 14:07 · 25.04.2019 por
Foto: Adriano Duarte

Inaugurado em 1960, o Cine Teatro Neroly Filgueira Sampaio, em Barbalha, voltará a exibir filmes, a partir do próximo dia 3 de maio, através do projeto “Cine Popular”. A iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo oferecerá duas sessões gratuitas, toda sexta-feira e todo sábado, com início as 18h e as 20h. O equipamento, recentemente, passou por reforma que envolveu as recuperações do forro, iluminação, climatização, sonorização, além da aquisição de um projetor de alta definição por R$ 4 mil. O local tem capacidade para receber 350 pessoas.

Para ter acesso, a população deverá fazer um cadastro biométrico semelhante aos realizados para meia entrada no Balneário do Caldas e na Festa de Santo Antônio. Um evento teste foi realizado no último dia 17 de abril, com a exibição do filme “A Paixão de Cristo”, que contou com estudantes da rede municipal. “Foi um grande sucesso. Agora, a gente resolveu implantar”, explica o secretário de Cultura e Turismo de Barbalha, Rômulo Sampaio.

“Esse cinema esteve abandonado por 15 anos. Foi até saqueado”, lembra o gestor. O próximo passo é finalizar o contrato com uma distribuidora de filmes. “Vamos passar produções populares. Lançamentos. Além de filmes nacionais de sucesso”, acrescenta Rômulo. Além disso, um carro de som percorrerá os bairros da cidade, divulgando a produção que estará em cartaz, como era feito antigamente.

O equipamento foi construído pelo empresário e político Luiz Filgueiras Sampaio. Em 1972, ele foi adquirido por Expedito Costa, que também foi proprietário dos famosos Cine Plaza e Cine Eldorado, em Juazeiro do Norte, e possuiu 17 salas de cinema no Ceará, Paraíba e Alagoas. “Ele era o melhor do interior. Para se ter uma ideia, na sala tinha uma cabine exclusiva para assistir o filme”, conta Expedito.

“A Morte Ronda na Floresta” (1966) e “A Noite da Emboscada” (1968) inauguraram as exibições de Expedito Costa em Barbalha. “Na época, era um sucesso. Lá, tinha muito engenho. A economia era muito boa”, justifica. O teto do prédio chegou a cair e um dos herdeiros de Luiz Filgueiras não quis vendê-lo. “Eu deixei o projetor para a Prefeitura”, completa o empresário.

Em 1987,  a Prefeitura de Barbalha desapropriou o local, que foi reconstruído e inaugurado como Cine Teatro Municipal Neroly Figueira, e passou também a receber grandes atrações das artes cênicas. “Entre outras atrações, nós trouxemos, no nosso segundo mandato, o famoso teatrólogo Augusto Boal, em 1995”, lembra o jornalista e professor, João Hilário, que foi prefeito nestas duas ocasiões.

08:52 · 09.04.2019 / atualizado às 13:20 · 10.04.2019 por
Foto: Divulgação

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) celebrou, no último dia 29 de março, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa Deltaville Empreendimentos Imobiliários a fim de garantir a conclusão das obras em um loteamento no Sítio Lagoinha, em Barbalha, até agosto de 2021. Segundos os clientes, a empresa não estava cumprindo o cronograma de entrega e 19 pessoas registraram reclamação contra no órgão estadual após tentarem um acordo com a empresa, sem sucesso.

A coordenadora da unidade Descentralizada do Decon em Juazeiro do Norte, a promotora de Justiça Efigênia Coelho, conta que o empreendimento desrespeitou o Código de Defesa do Consumidor, especialmente em relação à informação adequada e clara sobre os produtos e publicidade enganosa e abusiva (arts. 6º, incisos III e IV, 36, 37). Além disso, a empresa cobrou uma taxa de rescisão maior do que a lei permite, de 30%.

Com o TAC, a empresa se comprometeu a concluir as obras projetadas e previstas na legislação (Lei Federal n.º 6.766/79) até 14 de agosto de 2021; e assumiu a obrigação de restituir os valores pagos pelos compradores do loteamento em 10 parcelas durante o ano de 2019. Cada consumidor titular da reclamação, receberá mensalmente o equivalente a 10% do total efetivamente pago, após deduzida taxa de rescisão de 20%.

A Prefeitura de Barbalha se comprometeu a fiscalizar mensalmente as obras do loteamento e enviar relatórios trimestrais à Unidade Descentralizada do Decon em Juazeiro do Norte até agosto de 2021.

11:14 · 01.04.2019 / atualizado às 14:37 · 01.04.2019 por
Loteamento Barão de Araruna é um dos alvos da recomendação. (Foto: Divulgação)

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) expediu, na última sexta-feira (29), uma recomendação ao prefeito de Barbalha, Argemiro Sampaio Neto, e ao secretário de Obras e Infraestrutura, Roberto Wagner, a fim de adotem as medidas cabíveis para impedir a comercialização e a continuidade de obras em quatro loteamentos no Sítio Lagoa. O pedido afeta os empreendimentos Lagoa Seca 1 e 2, Vale do Kariri e Barão de Araruna.

Através do promotor de Justiça da Comarca de Barbalha, Nivaldo Magalhães Martins, o MPCE pede que os gestores públicos executem medidas administrativas consistentes na interdição, embargo de obras e retirada de todos os anúncios publicitários até que os empreendedores obtenham a regularização do loteamento junto ao Poder Público e realizem as obras necessárias à solução do problema de escoamento das águas das chuvas no sítio Lagoa e que causaram prejuízos aos moradores daquela localidade.

O documento também requisita que o Município de Barbalha realize, no prazo de 15 dias, levantamento da situação urbana e dos danos sofridos na localidade conhecida por sítio Lagoa, acompanhado de registro fotográfico, apontando casa por casa e seus respectivos moradores os danos materiais sofridos por estes em virtude do escoamento das águas das chuvas em suas propriedades.

Os nomes dos sócios dos empreendimentos imobiliários e suas respectivas qualificações devem ser identificados e informados à Promotoria de Justiça, no prazo de 15 dias, a fim de serem responsabilizados solidariamente, nos termos do artigo 47, da Lei 6.766/79, com relação aos danos causados aos adquirentes, moradores prejudicados e ao Poder Público.

Constatada a existência de qualquer outro loteamento clandestino ou irregular no Município, o secretário de Obras e Infraestrutura deverá comunicar o fato, imediatamente, à Promotoria de Justiça.

Segundo a recomendação, a autoridade que se manter inerte, permitindo a continuidade da obra e a comercialização dos loteamentos, sem a devida e prévia regularização ensejará a adoção de ações administrativas, cíveis e criminais, e, ainda, as necessárias à identificação dos respectivos responsáveis nas suas áreas de atuação, tudo em respeito ao ordenamento jurídico nacional, na defesa do meio ambiente, da ordem urbanística e do consumidor.

Já o responsável pelo empreendimento, em persistindo na prática dos fatos relatados, igualmente ensejará em seu desfavor a adoção de medidas cabíveis administrativas, cíveis e criminais.

Para o promotor de Justiça, é necessário que sejam requisitados todos os projetos complementares para execução da obra dos loteamentos do Lagoa Seca 1 e 2, Vale do Kariri e Barão de Araruna, inclusive de drenagem das águas pluviais, esgotamento sanitário, abastecimento de água, energia elétrica, entre outros.

As autoridades da administração pública devem oferecer abrigo aos moradores de casas que foram destruídas (ou com risco de destruição) por conta da força das águas das chuvas no sítio Lagoa e adjacências, no menor espaço de tempo possível, podendo ainda optar por incluí-los no programa assistencial de auxílio aluguel ou removê-los para casas populares construídas com esse fim, desde que os moradores e as famílias concordem com estas opções e preencham os respectivos requisitos legais.

Também direcionado aos loteadores, o documento requer que se abstenham de comercializar qualquer lote até que se efetive a devida regularização perante o Poder Público, mediante a apresentação dos projetos complementares à Prefeitura e a Autarquia do Meio Ambiente de Barbalha (AMASBAR); e executem medidas/obras tendentes a solucionar definitivamente o escoamento das águas pluviais que estão causando problemas de ordem ambiental, urbanística e prejuízos materiais e morais aos moradores do sítio Lagoa.

A diretora da AMASBAR deverá realizar o devido embargo das obras dos loteamentos descritos que estiverem em desacordo com a legislação ambiental. O órgão ambiental também realizará um completo levantamento dos danos ambientais, inclusive com relatório fotográfico dos locais atingidos, demonstrando o impacto ambiental causado pela instalação dos loteamentos, apontando ainda quais medidas são necessárias para a devida recuperação do meio ambiente.

Os adquirentes também devem suspender os pagamentos das prestações aos loteadores, na forma do artigo 38, da Lei n. 6766/79.

09:25 · 26.03.2019 / atualizado às 12:01 · 26.03.2019 por
(Foto: Divulgação)

Referência em tratamento cardíaco para mais de 2 milhões de habitantes, em cerca de 45 municípios no Sul do Ceará, além dos estados vizinhos Paraíba, Pernambuco e Piauí, o Hospital do Coração do Cariri (HCC), em Barbalha, foi aprovado na chamada pública da Enel Distribuição Ceará, e recebeu 13 aparelhos de ar-condicionado novos e 250 lâmpadas de LED em dezembro de 2018. De lá pra cá, neste primeiro trimestre, estima-se que foram economizados cerca de 20% na conta de energia elétrica.

O equipamento foi instalado nos consultórios, corredores e alas da Unidade de Tratamento Coronariana (UCO), do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o o diretor-executivo, Guilherme Saraíva, a economia na conta já representa mais saúde financeira para o hospital. “Com isso, já estamos ampliando até a estrutura física do HCC e outros serviços”, explica.

Só em 2018, a Enel investiu mais de 2 milhões de reais nesse setor. “Muitos questionam porque investir em algo que se as pessoas gastarem mais, a Enel ganhará mais? Energia elétrica é cara. É importante consumir apenas o necessário, tanto no ambiente de trabalho, como na nossa casa”, resumiu o engenheiro eletricista da Enel Fortaleza, Marcony Melo.

Inspirada no exemplo do HCC, a recepcionista do hospital, Cristina da Silva, também entrou na onda da “eficiência energética e do consumo consciente”. “Não só na minha casa, mas na dos outros parentes, estamos trocando as lâmpadas antigas por lâmpadas de LED. Vale a pena”, disse. .

13:50 · 20.03.2019 / atualizado às 17:24 · 20.03.2019 por
(Foto: George Wilson)

Após inaugurar agência em Juazeiro do Norte, o banco Santander estreia suas operações em Barbalha. Uma solenidade, a partir das 9h, na próxima sexta-feira (22), inaugura o espaço, que fica na Rua Pero Coelho, 134, no Centro da cidade. Lá, a população barbalhense e da região poderá realizar suas transações bancárias.

“Depois de Juazeiro do Norte, chegamos a Barbalha. Nossa expansão no Vale do Cariri só mostra o nosso compromisso em estar próximo das economias mais relevantes do Ceará. Queremos ajudar a população a prosperar e a realizar seus sonhos”, afirma o superintendente executivo da rede Norte do Santander, Paulo Cesar Lima.

A presença do Banco na cidade busca proporcionar ao mercado local a oferta de produtos e serviços bancários desde os mais simples, como abertura de conta, pagamentos, saques e depósitos, até os mais estruturados, como operações de créditos, investimentos e microcrédito.

O estabelecimento em Barbalha conta com uma equipe de oito pessoas, cujos colaboradores são da própria região e que possuem conhecimento sobre o mercado e das excelentes oportunidades locais. “O time dessa nova agência está preparado para contribuir com soluções inovadoras para quem necessita de crédito e também realizar investimentos”, ressalta Paulo.

16:37 · 16.03.2019 / atualizado às 16:37 · 16.03.2019 por
(Foto: Divulgação)

De 12 a 15 de março, o Ministério Público do Ceará (MPCE) fiscalizou estabelecimentos que comercializam produtos de origem animal em cinco cidades do Cariri. A ação resultou nas apreensões de 468kg de carne e 45kg de queijos, em Barbalha e Crato, por estarem sendo comercializados sem a indicação de origem. Todos os produtos apreendidos serão inutilizados.

Além de Barbalha e Crato, os fiscais do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon) e da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) visitaram Caririaçu, Jati e Salitre.

Os técnicos verificaram se as empresas seguiam a legislação correspondente à atividade legal e, em especial, aspectos como a procedência, validade, conservação e armazenamento dos produtos e a existência do Selo de Inspeção Municipal (SIM).

Como funciona

Quando é encontrada irregularidade em uma microempresa, empresa de pequeno porte ou Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), é lavrado um Auto de Constatação (AC) e o empreendimento tem o prazo de 10 dias para apresentar a sua regularização. Caso ela não seja apresentada, o Decon fará uma nova fiscalização e, havendo a permanência da irregularidade, é lavrado um Auto de Infração (AI).

A partir daí a empresa tem mais 10 dias para apresentar defesa, sob pena da incidência das sanções administrativas previstas no art. 56 do CDC. Se a loja for um empreendimento de médio e grande porte, e sejam encontradas irregularidades, ela recebe imediatamente um auto de infração. Quando não é encontrada nenhuma irregularidade é lavrado apenas um Relatório de Visita (RV).

Onde denunciar

Confira aqui as cidades que possuem atendimento do Decon. Caso uma cidade não possua órgão de defesa do consumidor, o cidadão pode denunciar qualquer irregularidade na Promotoria de Justiça da Comarca. Os endereços e telefones de todas as unidades do MP no Ceará estão disponíveis no link.

18:41 · 15.03.2019 / atualizado às 19:41 · 15.03.2019 por
(Foto: CCBNB)

Um dos poucos produtores de ladrilhos hidráulicos do Ceará, Jaime Arnaldo Rodrigues, o Seu Jaime, de 76 anos, verá sua fábrica, instalada no quintal de sua casa, em Barbalha, se transformar em um museu. Através do projeto Museus Orgânicos dos Mestres de Cultura Tradicional do Cariri, idealizado pela Fundação Casa Grande e realizado pelo Sesc Ceará, a residência do artesão será um dos 16 espaços contemplados.

A informação foi confirmada pelo idealizador do projeto, Alemberg Quindins, um dos criadores da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda. Porém, ainda não há data para sua inauguração. “Retorno ao Cariri em abril e vamos avaliar isso”, antecipa. Este será o primeiro museu orgânico em Barbalha.

A ideia é tornar a casa de Jaime um espaço de visitação, valorizando seu cotidiano. “Já é uma coisa natural vir ao Cariri para conhecer a cultura popular”, afirma Alemberg. Nestes espaços, os visitantes tem contato com o mestre da cultura, sua família e sua memória. Na sua residência, será desenvolvido um acervo vivo, onde é possível interagir e conhecer um pouco do seu trabalho.

Trajetória

O ladrilho hidráulico é um tipo de revestimento artesanal feito à base de cimento que era comum ser colocado nos pisos de praças e casas. Diferentemente da telha e do tijolo que são levados ao forno, a peça, depois de preparada, descansa por oito horas imerso em água. Um trabalho manual cansativo.

(Foto: Daiany Ribeiro)

Este ofício, Jaime carrega desde os 17 anos quando começou na pequena fábrica de mosaicos que pertenceu ao senhor João Gonçalves, que ficava na Rua do Vidéo, em Barbalha. Após duas décadas como funcionário, o artesão viu o empreendimento falir.

Porém, Jaime seguiu trabalhando por causa de uma crescente procura por ladrilhos hidráulicos que seguiam uma nova tendência: a utilização de cores. Com ela, conseguiu comprar terreno, prensas e montar sua própria fábrica. Suas peças estão presentes no chão de várias cidades do Cariri e em outros estados como Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte. Mantendo o ofício mesmo depois de aposentado, recebeu o título de Mestre da Cultura Cearense em 2017.

Museus orgânicos do Cariri

O projeto surgiu em Nova Olinda, através da Fundação Casa Grande, responsável por duas experiências no Município: o Museu do Ciclo do Couro: Memorial Espedito Seleiro e o Museu Casa Antônio Jeremias. Os dois espaços movimentaram ainda mais a quantidade de visitantes na cidade, integrando um roteiro turístico local.

Com o sucesso, a proposta foi apresentada ao Sesc que topou ampliar, instalado mais 16 novos museus, com investimento de R$ 160 mil. Em setembro do ano passado, foi inaugurado o primeiro deles: o Museu Orgânico Casa do Mestre Antônio Luiz, em Potengi, que homenageia o líder do reisado dos Caretas de Couro, no Sítio Sassaré. Já o segundo, foi aberto no mesmo município, em novembro, na oficina de Francisco Dias, o Mestre Françuli, que fabrica aviões com folhas de flandre e zinco.

O próximo museu a ser inaugurado será o de Francisco Gomes Novaes, o Mestre Nena, líder do grupo Bacamarteiros da Paz, de Juazeiro do Norte. Apesar de não ser titulado pela Secretaria de Cultura de Estado, ele já tem mais de 50 anos dedicados à cultura. Sua casa fica no bairro João Cabral.

15:56 · 06.03.2019 / atualizado às 16:01 · 06.03.2019 por
Bloco passando pela Igreja do Rosário (Fotos: Antonio Rodrigues)

Anualmente, entre as ruas Padre Antônio Jatahy e Padre Correia, no bairro do Rosário, em Barbalha, um grupo de boêmios se encontrava na tarde de terça-feira ociosa de carnaval no barzinho do Joel. Formando uma roda de samba, aguardavam o desfile das escolas de samba campeãs, principal atração do último dia de festa, que acontece só a noite. Para preencher esta “lacuna”, sem muita pretensão, os rapazes desceram as ladeiras da cidade dançando e cantando marchinhas. Foi aí que surgiu o Bloco dos Goteiras.

A tradição se repete há 23 anos na terra dos “Verdes Canaviais” e tornou o Bloco dos Goteiras o maior bloco de rua do Cariri. Ontem (05) a tarde, mais uma vez, desfilou pelas ruas da cidade trazendo quatro bonecos gigantes e a frevioca do grupo Batutas do Rosário, que animaram o trajeto, atraindo centenas de pessoas nas calçadas de Barbalha.

O “goteira”, na gíria popular barbalhense, é aquela pessoa que bebe, mas não gosta de pagar. Foi assim que o bloco foi batizado. “No começo, a gente saía com camisa de saco de açúcar e, hoje, tem essa dimensão. Tudo isso porque a gente mora num bairro cultural, como o Rosário”, explica um dos fundadores do bloco, Israel Vagner.

A marchinha inaugural do bloco foi criada pelo boêmio e figura emblemática do carnaval barbalhense Francisco Pereira de Oliveira, o popular Fanequim – um dos fundadores da escola de samba Unidos do Morro, representante do bairro do Rosário. “Aqui, tinha morador que acordava cedo e gritava como um Tarzan. A marchinha era baseada no grito do Tarzan”, conta o enfermeiro e artista plástico Francisco de Assis Sousa, o Tiquinho, outro fundador dos Goteiras.

“Saímos sem nenhuma intenção. Foi crescendo, tendo proporção maior. Não tivemos mais condições de controlar. Hoje não é nosso”, conta Tiquinho. Com a efervescência cultural do bairro do Rosário, logo os músicos se inseriram no bloco, tornando ele ainda maior. Os “Batutas do Rosário”, banda formada por jovens, hoje é responsável por resgatar as marchinhas. “Aqui é o corredor da folia”, define o brincante. Naquela localidade, há outros 12 blocos.

16:48 · 03.03.2019 / atualizado às 17:02 · 03.03.2019 por
(Foto: Antonio Rodrigues)

A Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Morro foi campeã, pelo segundo ano consecutivo, do carnaval de Barbalha. A agremiação desfilou na noite de ontem, no Parque da Cidade, trazendo como samba-enredo “De Parintins para o Morro”, que homenageou o Festival Folclórico de Parintins, que acontece no Amazonas. O resultado saiu no início da tarde deste domingo (03).

Na apuração, a Unidos do Morro, que representa o bairro do Rosário, somou 266,4 pontos, à frente da Acadêmicos do Cirolandia (256,4 pontos), que ficou com o vice-campeonato, e da Grande Mocidade Independente dos Bairros Unidos (243,3 pontos), que terminou em terceiro lugar.

A escola campeã obteve nota máxima em seis quesitos: enredo, fantasias, comissão de frente, harmonia, bateria e samba-enredo.

(Foto: Wescley Araújo)

Ontem, na apresentação, a Unidos do Morro levantou o público. O verde e branco, tradicional da escola, ganharam o azul e o vermelho, que representam os bois Caprichoso e Garantido, os dois grupos folclóricos da festa na Amazônia. As duas cores também ficaram divididas nos próprios integrantes da bateria.

A agremiação trouxe dois carros alegóricos. O primeiro, com quatro destaques, fazia referências às lendas indígenas e às belezas naturais da Amazônia. Já o segundo, trouxe um grande boi-bumbá colorido nas cores vermelho, azul e verde.

Comissão de frente da Unidos do Morro tirou nota 10. (Foto: Antonio Rodrigues)

A Acadêmicos do Cirolândia, que ficou em segundo lugar, trouxe como samba-enredo: “Dentre mil e uma histórias de amor, nenhuma será mais bela que a nossa”, levando as histórias de amor da literatura para a avenida. Já a Grande Mocidade Independente dos Bairros Unidos apresentou como tema as diversidades étnicos, sexuais, de gênero, nacionalidade e cultura, com o samba-enredo “Emoção a flor da pele”.

Este é o sétimo título da Unidos do Morro, que foi a primeira escola de samba Município, fundada em 1963. A agremiação surgiu como o bloco “Foliões do Maguary”, com aproximadamente 19 componentes. Hoje, ela possui cerca de 600 integrantes e tem a maior torcida entre os barbalhenses.

Galeria de fotos:

14:31 · 02.03.2019 / atualizado às 15:47 · 03.03.2019 por
Os desfiles são tradicionais na cidade. Antes, na Rua do Vidéo; hoje acontecem no Parque da Cidade. (Fotos: Antonio Rodrigues)

Notabilizada pela Festa de Santo Antônio, Barbalha cultiva desde a década de 1960 a tradição carnavalesca. Foi nessa época, no bairro do Rosário, que surgiu a escola de samba Unidos do Morro, maior campeã da cidade, que ainda se mantém em atividade. Apesar dos desfiles terem sido paralisados entre os anos de 2003 a 2014, a Liga Independente das Escolas de Samba de Barbalha (Liesba), pelo quinto ano consecutivo, levará o brilho, as fantasias, adereços, bateria e carros alegóricos para o Parque da Cidade. Atualmente, outras três escolas seguem vivas na terra dos Verdes Canaviais: Mocidade Independente, Acadêmicos do Cirolândia e Águia de Ouro, este última, punida, não competirá em 2019.

Durante o ano, as escolas movimentam o samba em outras comunidades para conquistar recursos e motivar as pessoas a irem. Desde o ano passado, acontecem as oficinas para confecção das alegorias e os ensaios todas as noites. Neste sábado (02), a partir das 20h, começam os desfiles. “O Parque da Cidade é todo montado para o carnaval, com concentração e dispersão”, explica o presidente da Liesba, Gustavo Barros.

No entanto, as competições entre escolas já foram ainda mais fortes. Na década de 1990, Barbalha chegou a ter cinco escolas participando. A Caprichosos do Conjunto Nossa Senhora de Fátima e a Barbasamba foram desativadas. “São tempos difíceis. O pessoal trabalha só por amor. Tem carnavalescos com 30, 40 anos de samba. É um patrimônio cultural. Cada escola tem 500 pessoas ou mais. Há dois anos temos desfiles belíssimos”, explica o secretário de Cultura, Rômulo Sampaio.

Ano passado, Unidos do Morro homenageou Socorro Luna, a solteirona mais popular do Brasil. (Foto: Antonio Rodrigues)

De quatro escolas, três irão para avenida. A Mocidade Independente dos Bairros Unidos terá como tema as diversidades étnicos, sexuais, de gênero, nacionalidade e cultura, trazendo como samba-enredo “Emoção a flor da pele”. Já a atual campeã, a Unidos do Morro, vai homenagear uma das mais bonitas festas brasileiras: o festival de Parintins, que acontece no Amazonas, cantando “De Parintins para o Morro”. Por último, a Acadêmicos do Cirolândia apresenta “Dentre mil e uma histórias de amor, nenhuma será mais bela que a nossa”, levando o “amor” para o público.

História

A primeira escola criada foi a Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Morro, nascida no bairro do Rosário, fundada em 1963. Além de pioneira, ela possui o maior número de títulos: seis. O número parece pequeno, porém, a liga só foi criada em 1991. Nas cores verde e branco, a agremiação surgiu como o bloco “Foliões do Maguary”, com aproximadamente 19 componentes. A brincadeira foi crescendo até se tornar a primeira escola de samba de Barbalha. Também foi a pioneira em utilizar a bateria mirim.

Por muitos anos, sua grande rival foi a Grêmio Recreativo Escola de Samba Barbasamba, segunda maior campeã com quatro títulos – o último em 1998. Fundada em 31 de dezembro de 1976 por um grupo de universitários barbalhenses que estudavam em Recife, o grupo atuava no centro da cidade. Trajando as cores azul e branco, a escola era conhecida como “A Rainha”, por se destacar como uma das mais luxuosas agremiações. Porém, ela não desfila desde 2002 e foi desativada dois anos depois.

Bandeira da Barbasamba – escola desativada.

“Eu sou Barbasamba de coração”, garante o carnavalesco e memorialista Francisco de Barros, popularmente conhecido como Jackson Macaxeira. Ele conta que após o falecimento do seu ex-presidente, José Erivaldo Rocha, a escola foi enfraquecendo até ser desativada. Apesar das dificuldades, lembra com paixão de vários momentos, como, em 2002, quando a agremiação homenageou o escritor baiano Jorge Amado e foi vice-campeã. “Foi muito emocionante. No meio do desfile, começou a chover e minha fantasia, que era uma coisa luxuosa, ficou parecendo um urubu”, recorda bem humorado.

Em 1987, foi criada a Escola de Samba Vilas Unidas, representando os bairros Vila Santo Antônio, Bela Vista e Santo André. Erguendo as cores vermelho e branco, seu único título foi conquistado em 2001, quando homenageou a cantora mineira Clara Nunes. Porém, ano passado, foi rebatizada para Grêmio Recreativo Escola de Samba Grande Mocidade Independente dos Bairros Unidos ou, simplesmente, Mocidade.

Um ano depois, foi fundada a Império do Alto da Alegria, criada no bairro Alto da Alegria, rebatizada de Escola de Samba Águia de Ouro e Clube Recreativo. Bicampeã, a agremiação defende as cores vermelho e amarelo. Conhecida como “Sol brilhante”, a escola venceu o Festival de Amostra de Escolas em Samba em 2016. Ano passado, depois de desfilar trazendo como tema os orixás, os diretores questionaram sua colocação, o vice-campeonato, junto à Liga. O atrito gerou uma punição e, pela primeira vez, não compete em 2019.

Punida, Águia de Ouro não compete em 2019.

Já em 1989, foi criada a Grêmio Recreativo Escola de Samba Caprichosos do Bairro de Fátima ou, apenas, “Caprichosos”, que atualmente está inativa. Sua melhor colocação foi um terceiro lugar em 1993. Vestindo verde e rosa, a “Mangueira barbalhense” foi fundada por foliões dissidentes da Unidos do Morro e Barbasamba. Sua última participação aconteceu em 2002, mas por questões financeiras, não conseguiu retornar.

A caçula do carnaval barbalhense é a Acadêmicos da Cirolândia, que representa o bairro homônimo. Seu primeiro desfile aconteceu em 2016, trazendo como samba-enredo as lendas cearenses. Isso lhe rendeu um vice-campeonato no ano de estreia – sua melhor colocação até agora. Sua bandeira expõe as cores dourado, verde e preto.

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