Categoria: Cultura


09:53 · 13.02.2019 / atualizado às 09:59 · 13.02.2019 por
Mestre Aldernir comandou o reisado no Carnaval do ano passado. (Fotos: Antonio Rodrigues)

A Secretaria de Cultura de Crato tornou público o edital para artistas e grupos que desejam se apresentar no Carnaval do Município em 2019. Com o tema “Tambores do Cariri”, podem participar charangas, bandas de samba, batuques, maracatus, dentre outros. As inscrições acontecem até esta quinta-feira (14).

Para se inscrever é necessário que as representações de grupos se dirijam até a sede da secretaria de Cultura, que fica no Largo da RFFSA. A primeira lista com o resultado será divulgada na sexta-feira (15), cabendo recurso. Posteriormente, será divulgada a lista definitiva dos grupos selecionados.

De acordo com o secretário de Cultura, Wilton Dedê, o trabalho de resgate do carnaval do Crato começou em 2017 e tem crescido nos últimos anos. “O trabalho que nós empreendemos não era só de realizar o carnaval, mas, de resgatar. Nós esperávamos que a população também começasse a assumir o carnaval e esse ano estamos vendo a coisa criar corpo”, afirma.

O gestor da Cultura conta ainda que a Pasta já apoiava polos de Carnaval, como na Praça do Cruzeiro e no Alto da Penha, no entanto, este ano, Dedê notou o surgimento de novos blocos de carnaval na cidade. “Há iniciativas próprias, independentes. Isso mostra que o carnaval de Crato está crescendo. Gera uma maior movimentação no Crato”, acredita.

16:37 · 12.02.2019 / atualizado às 16:41 · 12.02.2019 por

 

Em setembro, é celebrada da Romaria da Santa Cruz do Deserto, em memória da comunidade. (Foto: Antonio Rodrigues)

A seca de 1932 é lembrada, tanto na literatura como na oralidade, como uma das mais perversas que castigou o Nordeste no início do século XX. Foi esse fenômeno de escassez de água e alimento que impulsionou o crescimento do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, comunidade localizada em Crato, que possuía organização social autossustentável baseada nos princípios cristãos de oração, trabalho e partilha dos bens produzidos. Seu líder e fundador, o beato José Lourenço Gomes da Silva, completa 73 anos de falecimento nesta nesta-feira (12).

Para lembrar a data, a ONG Beato José Lourenço realiza uma tradicional missa em ação de graças pelo líder religioso, que morreu em Exu, Pernambuco, no dia 12 de fevereiro 1946. A celebração acontecerá às 17 horas, na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Juazeiro do Norte.

Após o ato religioso, 20 personalidades serão homenageadas por sua efetiva contribuição para a difusão e preservação da memória do Caldeirão e do patrimônio histórico-cultural da região do Cariri cearense.

O que foi o Caldeirão? 

Localizada a 33 km da sede do Município de Crato, o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto fica entre os distritos de Monte Alverne e Dom Quintino. Lá, foi abrigo de centenas de flagelados da seca, devotos do Padre Cícero, que encontraram na comunidade alimentação, trabalho e refúgio espiritual. Sob a liderança do beato José Lourenço, cerca de 1.700 pessoas moraram ali, dividindo tarefas, fabricando instrumentos de trabalho, roupas e produzindo alimento.

A Capela de Santo Inácio de Loyola ainda se mantém de pé como resquícios da comunidade.

Fartura, riqueza espiritual e abundância de comida. Com o passar dos anos, a experiência ali vivida foi tendo sucesso e atraindo ainda mais pessoas. Haviam oficinas fiação, tecelagem, costura, casa de farinha, ferreiro, engenho de cana e marcenaria.

Temendo que a comunidade se tornasse um movimento messiânico, o Governo Federal, em 1937, ordenou que as Forças Armadas e a Polícia Militar do Ceará invadissem o local e expulsassem os moradores. Alguns foram mortos e os sobreviventes vagaram pela região ou retornaram para suas terras. Até hoje, muitos corpos não foram encontrados e não há nenhum registro oficial do número exato de vítimas.

O beato José Lourenço conseguiu fugir e se estabeleceu no Sítio União, em Exu, no Pernambuco, onde morreu por causa da peste bubônica. Seu corpo foi levado por fiéis para Juazeiro do Norte, onde sua missa de corpo presente seria celebrada. No entanto, o vigário da época, o monsenhor Juviniano Barreto, não permitiu que o caixão sequer entrasse na Capela de São Miguel. O cortejo fúnebre seguiu debaixo de chuva e o velório aconteceu na casa de um de seus afilhados. De lá, foi sepultado no Cemitério do Socorro – ao lado do túmulo do Padre Cícero, seu amigo.

09:17 · 11.02.2019 / atualizado às 15:13 · 11.02.2019 por
(Foto: Divulgação)

A Universidade Regional do Cariri (URCA), através da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), e o Instituto Monalisa abrirão, nesta sexta-feira (15), às 18h, a exposição “Novos Olhares para Monalisa e a Arte Contemporânea em Papel”,  na Galeria Maria Célia Bacurau Arrais, campus Pimenta, em Crato.

Nesta apresentação, foram selecionadas releituras da Mona Lisa, na qual a expressão artística se traduz em aspectos da cultura, folclore, tradições e costumes da diversidade cultural do país. O acervo vem sendo formada há 10 anos, estimulada pelo amor da colecionadora Veridiana Brasileiro às artes e é composta por mais de 250 obras que evidenciam o mistério e o enigma da obra do italiano Leonardo da Vinci – uma das mais conhecidas do mundo.

A Exposição tem como curadora, a própria colecionadora Veridiana Brasileiro, e como comunicadora visual, a Andréa Dall’ Ollo Hlluy. Nas versões feitas para esta coleção, os artistas recebem a provocação para interpretar a Mona Lisa e se expressar em sua própria identidade artística.

A coleção é formada, em sua maioria, por artistas cearenses, mas também é representada por artistas de outros estados e outros países, em variadas técnicas como a pintura, desenho, gravura, bordados e esculturas. O objetivo da exposição é debruçar-se sobre a história da cultura nordestina, além de promover o interesse e sensibilidade às artes.

08:40 · 11.02.2019 / atualizado às 15:19 · 11.02.2019 por

 

(Foto: Segundo Filmangens)

De 72 jovens inscritos, o I Festival de Talentos do Cariri para o Mundo teve sua vencedora: Isis Raylanne, de 17 anos. A grande final aconteceu na noite do último domingo (10), no estacionamento do Cariri Garden Shopping, que reuniu os três melhores competidores. Como campeã, a jovem, natural de Potengi, viajará para Paris, na França, para participar da gravação do quinto DVD do músico Fábio Carneirinho.

Na final, Isis Raylanne concorreu com Anna Caroline, de Jati, e Jonatan Felix, de Caririaçu. Antes da última fase, houveram três etapas e duas audições eliminatórias. A primeira, com 20 competidores e a segunda, com 10. Eles foram avaliados por uma equipe de jurados formada por cantores e músicos locais.

Trajetória

De origem pobre, Isis aprendeu a cantar aos sete anos de idade incentivada pelo pai, que já faleceu. Por causa da perda de seu genitor, a jovem entrou em depressão, mas a música foi a responsável pelo resgate de sua autoestima. Com voz forte e potente, na primeira fase do concurso, ela gravou um vídeo cantando a música “Alô”, da dupla Chitãozinho e Xororó, que teve quase 8 mil visualizações.

Fábio Carneirinho anunciou o resultado. (Foto: Segundo Filmangens)

Em março, Isis embarca junto com o idealizador do concurso, o músico caririense Fabio Carneirinho, para participar do seu quinto DVD, que será gravado no Jardim da Torre Eiffel, em Paris, na França. Com 15 anos de carreira, o novo projeto artístico do sanfoneiro será do tipo documentário.

14:56 · 08.02.2019 / atualizado às 15:01 · 08.02.2019 por
(Foto: Divulgação)

O projeto “Tem Disso Sim: Festival de Intercâmbio Musical” chega a sua terceira edição com uma programação para os dias 22 e 23 de fevereiro. O evento será realizado no estacionamento superior do Cariri Garden Shopping, em Juazeiro do Norte. A principal atração será a banda Cordel de Fogo Encantado, de Arcoverde (PE), que retornou aos palcos após oito anos. Os ingressos custam de R$ 15 a R$ 30.

Aprovado pela primeira vez na Lei Estadual de Incentivo à Cultura, por meio do Mecenas do Ceará e tendo como principal incentivador a Coca-Cola, esta edição trará um formato mais ousado, com uma programação diversificada, com a primeira atração iniciando às 17h, do pôr do sol adentrando a noite. O Dj Dolores, de Recife, também está confirmado no nosso line-up.

Serão mais de seis horas de música, foodtruck, espaço lounge customizado e um palco montado no estacionamento G2 do centro comercial. A abertura do festival será com Chico Chico, filho de Cássia Eller, uma das maiores cantoras brasileira, que traz uma sonoridade de violões acústicos e timbre de voz semelhantes, em um duo com outro grande jovem músico e parceiro, João Mantuano.

A primeira edição do Tem Disso Sim, idealizado pela Betha Produções, foi contemplada com a sutileza sonora da cantora Tiê (SP) e o rock de Dudé Casado (CE), em agosto de 2015. Na segunda edição, houve toda a regionalidade caririense do cantor, compositor e intérprete Geraldo Junior – Junú (CE) e o peso do maracatu de Nação Zumbi (PE), contando ainda com o rock da banda caririense Vai Acordar o Pivete, na área VIP.

Bandas autorais

Sem desvincular da ideia original do TDS de intercâmbio com os artistas locais, esse ano as bandas da região se apresentam no evento após uma seletiva realizada no Cangaço Bar e no Centro Cultural Banco do Nordeste. Elas se inscreveram gratuitamente, enviando informações técnicas, fotos e áudios no período de 06 a 20 de janeiro. As seletivas ocorreram nos dias 28 e 29 de janeiro contemplando os seguintes grupos: Limiar do Desconhecido e Sol na Macambira.

Debate

Na noite do dia 22 de fevereiro será realizado o “Papo Reto”, uma roda de conversa entre os artistas que se apresentarão no evento, onde o intercâmbio de informações e experiências se efetiva. O encontro é gratuito e contará com um representante de cada grupo, inclusive das bandas locais. Essa roda de conversa é um dos pilares do projeto, ocorrendo nas edições anteriores, principalmente para aproximação e repasse de experiências dos dois lados da moeda. São músicos falando de todo o cenário da área, seja a nível local como nacional.

 

13:36 · 01.02.2019 / atualizado às 13:36 · 01.02.2019 por
(Foto Divulgação/Prefeitura)

Como forma de homenagear os artistas populares de Juazeiro do Norte, a exposição “Xilo, traços da tradição” foi aberta, nesta sexta-feira (1), em frente entrada principal da Fundação Memorial Padre Cícero. O trabalho tem curadoria da professora e secretária executiva de Cultura, Sandra Nancy, e fotografia de Augusto Pessoa.

Ao todo são 12 painéis iluminados, de 2m x 1,5m, com xilogravuras inspiradas na obra de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e apresenta trabalhos de seis xilógrafos: Stenio Diniz, José Lourenço, Manoel Inácio, Cicero Vieira, Cícero Lourenço e Demontier Lourenço.

São obras que retratam o rico universo cultural nordestino, ilustrando os festejos populares do Araripe, a fartura da colheita dos frutos retirados da terra, a exuberância da natureza, a vida simples do campo, como também a dura realidade provocada pelos períodos de estiagens.

A exposição “Xilo, traços da tradição” é uma produção da Secretaria da Cultura de Juazeiro do Norte, em parceria com o Governo do Estado do Ceará. Sua inauguração se deu em junho de 2018, por ocasião dos festejos juninos em Juazeiro do Norte. Passou pelo Instituto Federal de Educação Tecnológica, campus Juazeiro do Norte.

05:00 · 31.01.2019 / atualizado às 21:38 · 30.01.2019 por
(Foto: Antonio Rodrigues)

Com intuito de valorizar e promover a literatura de cordel, o Sesc Crato está recebendo propostas para lançamentos de cordel no projeto Sesc Cordel, para composição da programação ao longo do ano de 2019. O período de recebimento das propostas será de 4 até 28 de fevereiro de 2019.

Os interessados devem encaminhar as propostas para o email msantana@sesc-ce.com.br, com cópia para trlima@sesc-ce.com.br e rcbezerra@sesc-ce.com, contendo as seguintes informações: texto do cordel (digitado em formato Word, tamanho 12); dados biográficos (digitado em formato Word, tamanho 12); capa do cordel (observar a Lei de Direitos Autorais); título e subtítulo da obra, se houver; telefone e e-mail para contato; nome completo e nome artístico.

As propostas serão avaliadas por uma curadoria formada por técnicos de literatura, onde serão observados: métrica, rima, relevância do tema, criatividade, originalidade, clareza no texto, e adequação à identidade institucional: afinidade com os valores, diretrizes e Política Cultural do Sesc. Os selecionados serão contatados por telefone ou email e o agendamento será feito conforme interesse e programação do Sesc.

O projeto Sesc Cordel acontece de forma mensal, com lançamentos sempre na última segunda-feira de cada mês, na Feira Livre do Crato. Serão disponibilizados uma tiragem de 200 unidades do cordel, sendo 50 distribuídos gratuitamente no lançamento e outras 50 unidades ficam arquivadas na Cordelteca Luciano Carneiro para consulta. Os 100 exemplares restantes ficam sob a posse do autor.

A unidade Crato do Sesc não disponibiliza cachê para os cordelistas e não se responsabiliza por gastos de deslocamento ou outras despesas. A capa do cordel é de total responsabilidade do autor, seja ela xilogravura ou outra imagem.

14:08 · 25.01.2019 / atualizado às 01:16 · 28.01.2019 por
Local onde está o homem foi encontrado foi erguido uma cruz. (Fotos: Antonio Rodrigues)

Anualmente, no dia 25 de janeiro, centenas de pessoas sobem a Chapada do Araripe para lembrar o martírio de um homem que morreu de fome e de sede, perdido no meio da floresta. A Festa da Santa Cruz da Baixa Rasa, em Crato, uma das mais tradicionais do Cariri, completou 105 anos com aproximadamente 2 mil pessoas visitando – dessas, cerca de 650 eram vaqueiros do Município e cidades vizinhas.  

Pagar promessas, festejar e confraternizar. A celebração começa cedo, principalmente para os vaqueiros, que de madrugada partem em grupos para o encontro anual. Aboiando e ouvindo músicas, homens, mulheres e crianças partem a cavalo por dezenas de quilômetros. A concentração aconteceu em frente à Capela de São José Operário, no bairro Lameiro, às 7h. Lá, o tradicional caldo foi servido para fortalecer os cavaleiros, que seguiram em comboio até a Santa Cruz, onde uma missa foi realizada, às 11h.  

“Aqui é tradição, momento de fé, oração e reencontro com amigos”, resume Antônio de Oliveira, mais conhecido como Tota Luanda, que há 29 anos participa da celebração. Assim como muitos vaqueiros, Tota começou a participar graças a seu pai e seu avô que o traziam quando era pequeno. “Hoje venho com filho, neto”.  

Pessoas de todas as idades participam da cavalgada até a Baixa Rasa.

Com ele, vieram 60 pessoas do sítio Engenho da Serra e de outras comunidades próximas, inclusive, do município de Nova Olinda. “A gente vem cantando, vai parando nos cantos, tira sela dos animais, vai merendar. Quem bebe, toma um negocinho. É uma festa que não precisa esperar. Dia 25 já fica esperando a hora. Essa é principal”, ressalta Tota.  

Na Baixa Rasa, no meio da Floresta Nacional do Araripe, centenas de pessoas se concentram ao redor da Santa Cruz, onde supostamente estaria enterrado este homem. Lá, muitas pessoas cumprem promessas e realizam novos pedidos. Oram pela vida dos que se foram e pela saúde de parentes. Alguns deixam uma garrafa de água ao lado do túmulo, lembrando a morte de sede do personagem.  

O aposentado Damião João de Almeida, por exemplo, resolveu se “apegar com a Santa Cruz”, como ele mesmo descreve, depois que ficou sem andar, após pegar pneumonia. “Eu estava quase sem fé, deitado, pela mão de minha mulher, meus filhos”, conta. Com pouco mais de quadro dias, voltou a caminhar sozinho e fui até lá agradecer. “Vim andando, meio fraquinho, devagarzinho, graças a Deus”, agradece.

No caso dos vaqueiros, é comum pedidos ligado às coisas do campo e ao cuidado do seu cavalo. Alguns fazem promessas para vencer uma vaquejada, curar o casco do animal ou uma picada de cobra. 

Ao redor da Santa Cruz se formou um cemitério popular com aproximadamente 20 túmulos de pessoas que foram enterradas por lá.

Ao redor da Santa Cruz, ao longo dos anos, foi se formando um cemitério popular, porque muitas pessoas antes de morrer, pediram para ser enterradas por lá. São os casos da avó, mãe e irmã de Maria das Graças Ferreira que, anualmente, visita seus entes querido no dia 25 de janeiro. Numa mão, uma caixa de velas e na outra uma sacola com pétalas de flores. Emocionada, homenageia uma por uma. “Queria ficar aqui quando morresse, mas não deixam mais enterrar”, lamenta.  

A história 

Um homem se perdeu de seu comboio na Chapada do Araripe, morrendo de fome e de sede. Tempos depois, é encontrado em estado de decomposição. Em sonho, agradeceu a pessoa que o enterrou. Contudo, ninguém sabe ao certo como se chama ou se, de fato, há alguém sepultado ali. No conto popular, os vaqueiros dizem que ele era outro colega de profissão que saiu à procura de uma boiada e nunca mais voltou. Outros, que era um comerciante do Pernambuco que veio para trocar farinha e rapadura. O episódio aconteceu, provavelmente, no final do século XIX.  

Há 20 km da sede do Município foi edificada uma cruz de madeira na Baixa Rasa, onde ele teria morrido. Uma senhora, conhecida como Dona Pretinha, sensibilizada com esse martírio, faz uma promessa para salvar sua família uma “peste” que acometeu o Cariri no início no século XX. Nenhum parente foi atingido pela doença. A partir do dia 25 de janeiro, começou a celebrar um terço ao meio dia, aos pés da Santa Cruz. Após a morte dela, sua família deu continuidade à devoção.  

A partir da década de 1970, a Festa passa a ter uma missa celebrada às 11 da manhã e foi se fortalecendo, passando a receber zabumbeiros e vaqueiros para animar o evento. Com o passar dos anos, os vaqueiros começam a dar uma nova roupagem para a romaria, inclusive, ressignificando a história.  Contudo, o terço se mantém até hoje, organizada pelas bisnetas de Dona Pretinha. Em 2015, a Festa da Santa Cruz da Baixa Rasa foi tombada como Patrimônio Material e Imaterial do Município.

05:42 · 22.01.2019 / atualizado às 00:17 · 22.01.2019 por
(Foto: Jr. Panela)

O Serviço Social do Comércio (Sesc) nas unidades de Crato e Juazeiro do Norte estão com inscrições abertas para fazer parte do Trabalho Social com Idosos (TSI). Com ele, o participante tem acesso a cerca de 40 tipos de atividades como orientações sobre direitos sociais e cidadania, bailes temáticos, coral, grupos de literatura, hidroginástica e passeios.

O projeto é voltado a pessoas acima de 50 anos e a inscrição acontece em duas etapas. Primeiro, a pessoa idosa passa por uma conversa com a equipe social do Sesc, momento em que são identificadas habilidades, perfil social e são indicados os projetos e atividades ideais ao participante. Depois, basta ir até o setor de Relacionamento com Clientes da instituição, levando RG, CPF, Comprovante de Residência e taxa de anuidade.

As atividades e projetos variam conforme a Unidade Sesc e podem ser consultadas no ato da inscrição. No geral, entre as possibilidades, estão projetos de coral, dança, criação literária, bailes temáticos, que proporcionam aos novos integrantes descobertas para bem viver a velhice.

Temas como Estatuto do Idoso, combate à violência, promoção da saúde são debatidos em seminários e rodas de conversa e dão aos participantes as informações necessárias para exercer o controle social de seus direitos. Além disso, ao fazer parte do TSI, o idoso tem descontos nas tarifas de várias atividades do Sesc, como as viagens e passeios do Turismo Social Sesc.

A convivência em grupos do Trabalho Social com Idosos tem como objetivo trazer a autoestima ao idoso, que cria amizades, desenvolve independência, descobre alternativas de interação com as gerações mais jovens e aprende a utilizar novas tecnologias.

As ações do projeto buscam trabalhar as diversas dimensões do envelhecimento humano e suas múltiplas velhices. O estímulo ao protagonismo da pessoa idosa, enquanto sujeito de direitos, desenvolvido pelo TSI, colabora na construção de uma cultura de direitos e autonomia do/a idoso/a, com ações voltadas à solidariedade entre as gerações e a construção de uma sociedade de cuidados, cidadania, educação continuada e respeito em todas as idades.

Mais informações

Crato
Local: Unidade Crato do Sesc (Rua André Cartaxo, 443)

Inscrições: até 29 de janeiro

Mais informações: (88) 35234444

Juazeiro do Norte

Local: Unidade Juazeiro do Norte do Sesc (Rua da Matriz, 227)

Inscrições: A partir de 4 de fevereiro

Mais informações: (88) 3512.3355

Inscrições

Local: setor de Relacionamento com Clientes de cada Unidade Sesc
Valores: Anuidade: R$ 80,50; Para novos participantes – emissão do Cartão Sesc: R$ 11,00. Total: R$ 91,50
Documentos necessários: RG, CPF e Comprovante de Residência.

15:28 · 21.01.2019 / atualizado às 16:15 · 21.01.2019 por
Abdon e Gorete Alves. O casal produziu grande parte da fotopintura do Cariri. (Foto: Nívia Uchôa)

Mais de 50 anos com o pincel em mãos e toda uma família criada a partir da fotopintura. Este foi Abdon Alves, último fotopintor em atividade no Cariri, que morava em Juazeiro Norte, e faleceu ontem (20), aos 68 anos, depois de sofrer complicações após uma cirurgia cardíaca, realizada na última sexta-feira. O sepultamento aconteceu na manhã de hoje. Abdon deixa cinco filhos, netos e sua esposa Gorete Alves, que também ajudava na criação das peças.

Abdon começou na fotopintura aos 17 anos, mas, antes disso, foi desenvolvendo o talento através do desenho. “Desde pequeno eu já desenhava. Gostava muito de desenhar. Fui caprichando e, quando tava ficando rapazinho, me dediquei a fazer caricaturas”, contou o fotopintor em entrevista ao Diário do Nordeste, em setembro de 2017.

No estúdio de revelar fotografias, em Juazeiro do Norte, a Foto São José, que trabalhou na adolescência, começou a usar o ampliador e colorir suas primeiras fotos.

Abdon em seu ateliê em setembro de 2017. (Foto: Antonio Rodrigues)

No auge do seu trabalho, o fotopintor vendia cerca de 500 telas por mês e teve seu trabalho alcançando todo Nordeste através de romeiros e vendedores. Só que, com o passar dos anos e o desenvolvimento da tecnologia, a fotopintura perdeu espaço.

Abdon teve que se reinventar. Os pincéis deram lugar ao mouse de computador. Ele aprendeu com seus filhos a usar os programas de edição de imagem e dar continuidade ao serviço. Nos último anos, o fotopintor trabalhava com pequenas encomendas de amigos, pois, a demanda não era a mesma.

Abdon produziu fotopinturas de personalidades, como dos ex-presidentes Lula e Dilma. (Foto: Antonio Rodrigues)

“Abdon foi praticamente nosso último fotopintor, o mesmo tinha nas mãos, no olhar e no coração uma flecha apontada para recriações de personagens. Começou suas pinturas em cavaletes com tintas de anilinas e, por fim, fazia seus trabalhos em computadores, pois, avançar e adequar as novas tecnologias já é de praxe nesses tempos cibernéticos”, descreve a fotógrafa Nívia Uchôa.

Legado

Sua fotopintura ficou marcada em galerias de arte no Peru e Itália e também nos seus filhos, que aprenderam outras técnicas de pintura a partir das noites de trabalho, entre a câmara escura e o pincel. “Seu trabalho era, antes de tudo, garimpar fotos 3×4 ou fotos desejadas de clientes e modifica-las, transformando o que o cliente queria, ou seja, dar uma nova vida para aquela pessoa, uma repaginada ou até mesmo mudar cor de pele, olhos, roupas, etc.  O trabalho dele era, antes de mais nada, tornar mágico e apreender a fotografia para além da realidade”, completa Nívia.

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