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Motoristas de ônibus intermunicipal e interestadual paralisam atividades parcialmente em Juazeiro do Norte

21:06 · 20.06.2018 / atualizado às 21:24 · 20.06.2018 por
Motoristas de férias ou de folga se juntaram aos outros no estacionamento de uma das empresas. (Foto: Antonio Rodrigues)

Juazeiro do Norte. Os motoristas de ônibus intermunicipal e interestadual fizeram uma paralisação parcial de frente à garagem da empresa Expresso Guanabara, na tarde desta quarta-feira (20). A categoria reivindica, principalmente, a manutenção de seu salário e de sua jornada de trabalho, que passaria de 44h para 24h semanais, reduzindo a remuneração em mais de 50%. O grupo ameaça interromper as viagens caso não haja acordo.

Por duas horas, cerca de 20 funcionários, alguns de folga ou no período de férias, se uniram aos motoristas em horário de trabalho de frente ao portão do estacionamento da empresa, onde saem os veículos, vizinho ao Terminal Rodoviário de Juazeiro do Norte. Com panfletos em mãos e um carro de som, o alvo era informar a própria categoria sobre as negociações. A mesma mobilização aconteceu em Fortaleza, no Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé, a partir 19h.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros Intermunicipal e Interestadual (Sinteti), o ato acontece depois de três meses de negociações acompanhadas pelo Ministério do Trabalho. Na última sugestão do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Intermunicipal e Interestadual do Ceará (Siterônibus) teria um reajuste de 3%, aumento de R$ 0,50 no vale-refeição e R$ 10 na cesta básica, mas não houve acordo pela redução da jornada imposta.

Os motoristas iniciaram as negociações pedindo aumento de 8%, mas para evitar o travamento no acordo, reduziu o pedido para 4%. Também fixou o valor de R$ 14 no vale refeição e R$ 140 na cesta básica. A jornada permaneceria a mesma. “O sindicato está aberto para negociações. Nós não tivemos outra alternativa se não informar a categoria o que está acontecendo. Ele querem ter uma semiescravidão. É uma categoria imprescindível para o Ceará, que leva vida, sonhos. Os patrões querem que trabalhe por hora”, explica o motorista Osvaldo Landim.

Segundo o motorista, a redução na jornada dos rodoviários fará com que a atual remuneração caia de R$ 2.506,00 para R$ 1.5686,00. “Se for trabalhar por hora, será o dobro para conseguir atingir o mesmo salário. Não temos condições. Somos seres humanos, temos famílias, o cansaço bate. Nós transportamos até 60 vidas. Não é justo ter essa jornada exaustiva em prol de uns patrões que só visam o lucro”, justifica Osvaldo.

Em nota, o Siterônibus explica que além da jornada de 44 horas já existente, propôs incluir “uma nova jornada diferenciada de 24 horas semanais para novas contratações, como remuneração equivalente a jornada, assegurando os mesmos benefícios de cesta básica, plano de saúde, seguro de vida, auxílio funeral, dentro outros”, afirma. No entanto, os motoristas negam que estes benefícios serão mantidos e temem que a nova jornada cause demissões aos antigos funcionários.

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