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Escola de Samba da zona rural cativa carnaval de Várzea Alegre

23:56 · 11.02.2018 / atualizado às 12:02 · 13.02.2018 por
Fundada há 55 anos, Escola da zona-rural reúne 350 componentes. (Fotos: Antonio Rodrigues)

Várzea Alegre. “Tudo pode acontecer, só precisa acreditar. A magia da criança para infância relembrar”, o verso, cantando em uma só voz, ditou o ritmo do desfile da Escola de Samba Unidos do Roçado de Dentro (Esurd), na noite deste domingo (11). Com mais de 350 integrantes, a agremiação leva o nome do Sítio onde foi fundada, há 55 anos. De lá pra cá, a bateria sempre percorreu  os cerca de 4km de estrada de terra, da zona rural até o Centro da cidade, para encantar a população.

Nem mesmo a chuva desanimou os integrantes que trouxeram para a avenida o tema “A imaginação de uma criança”, com 14 alas pensadas pelos próprios pequenos. Magia, super heróis, bruxas e doces. Tudo cabia na imaginação. No carro alegórico, um grande castelo com príncipe e princesa era o destaque. A bateria, com 58 integrantes, formava uma grande fila de soldadinhos de chumbo.

De acordo com o carnavalesco da Esurd, Léo Souza, o tema surgiu das próprias crianças que queriam um carnaval diferente, voltada para elas. “Não tem dinheiro, não tem luxo. O diferencial é a criatividade”, explica. Enquanto o presidente da agremiação rural, Francisco das Chagas de Sousa, o Chico Progresso, acredita que a homenagem é válida, pois elas serão o futuro da Escola. “Os próximos ritmistas, dirigentes. Aqui é tradição, uma questão de raízes”, completa.

A preparação para o desfile começa cedo, em meados de setembro, com promoção de eventos como rifas e forró. Tudo para arrecadar dinheiro. No entanto, Chico Progresso destaca que na comunidade há outras atividades culturais, como a banda cabaçal, o pífano e o reisado. Em Várzea Alegre tem mais duas escolas, a Mocidade Independente do Sanharol e a Império Cadenciando, do bairro Riachinho. No entanto, não há competição entre elas, é tudo pela diversão.

Renovação

Com o tema tão atrativo para as crianças, elas não poderiam faltar no desfile. Dando o tom no carnaval, este ano tiveram dois estreantes, Daniel Rodrigues, de 12 anos, e Bárbara Pereira, também com 12 anos. “Eu sempre queria participar, mas não pude ano passado. Aí tive aula com o mestre de bateria”, conta o garoto. Já Bárbara, não conteve a ansiedade pelo seu primeiro desfile. “Sempre tive vontade de tocar, porque tenho muitos amigos que tocam. Aí o professor me incentivou”, completa.

Público lotou as arquibancadas.

O responsável pela renovação é o jovem Caio Souza, de 23 anos, que há dois anos comanda a bateria da Esurd. Ele também começou pequeno, aos cinco anos, como mestre-sala mirim. “Com os mais jovens, nós marcamos as aulas bem antes e vem trabalhando com eles o ritmo e as marcações”, explica o músico. Mesmo com 18 anos de desfile, ele não esconde o nervosismo antes de entrar na avenida. “O coração fica a mil”, confessa.

Já Jamille Feitosa carrega a responsabilidade de ser porta-bandeira da agremiação há cinco anos. “É uma honra imensa. É uma história muito bonita. A comunidade passa meses confeccionando cada fantasia. A gente, na avenida, vê o sorriso das pessoas, gostando. Carregar a bandeira da escola, meu deus, é surreal, é maravilhoso!”, exalta.

Seu parceiro de samba, o mestre-sala Evandro Lima, compartilha da alegria que o mantém na Esurd há 12 anos. “Ontem me deitei e acordei uma hora da manhã. Não consegui dormir mais de ansiedade pra começar o desfile. É uma batalha desde setembro, tirando de onde não tem. Eu só terminei a fantasia ontem”.

Público

Cerca de 8 mil pessoas acompanharam o desfile nas calçadas e nas arquibancadas montadas ao lado da avenida. Espremidos, muitos trouxeram seus celulares para gravar o momento. Alguns, familiares dos integrantes, como a aposentada Nazaré Souza. “Já teve meus meninos, agora estão os netos. É um carnaval sadio, de família”, conta. A dona de casa Liduína Barros também acompanha seus quatro filhos e, agora, o neto. Ela sempre os incentiva a participarem.

História

Fundada em 1963,  a Esurd nasceu de uma brincadeira entre amigos na estrada que liga o Sítio até a sede de Várzea Alegre. De um pequeno grupo de agricultores, que resolveu curtir o carnaval, dois anos antes, o número de participantes foi crescendo, até se tornar uma escola. Como bloco, ele reunia o pandeiro, sanfona, cavaquinho e violão, mas logo passou a ter os instrumentos de percussão. “Eu participei do primeiro desfile, em 1964, mas logo tomou outra dimensão”, lembra o presidente da agremiação, Chico Progresso.

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