Vacina contra a febre reumática desenvolvida no Brasil será testada em humanos ainda em 2013
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Vacina mostrou eficácia em roedores e porcos e deve ser testada em humanos voluntários ainda em 2013 Foto: USP / Divulgação
Pesquisadores do Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram uma vacina contra a febre reumática – doença inflamatória que acomete pessoas geneticamente suscetíveis após uma infecção bacteriana. O medicamento deve começar a ser testado em seres humanos ainda este ano .
Experimentos feitos em roedores e em pequenos porcos sugerem que o imunizante é seguro e tem capacidade de induzir uma resposta imunológica específica contra a bactéria Streptococcus pyogenes. “Com esses resultados em mãos, estamos prontos para iniciar estudos de fase 1 em humanos. Apenas aguardamos a liberação do financiamento pré-aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, projetou cientista. No primeiro momento, serão vacinados apenas indivíduos adultos saudáveis (voluntários). O objetivo é verificar se o imunizante consegue induzir a produção de anticorpos específicos.
Como funciona a febre reumática
Na maioria dos infectados, esse patógeno causa apenas dor de garganta, mas em crianças predispostas, porém, o contato com ela pode desencadear um quadro autoimune. Na tentativa de se defender da bactéria, o sistema imunológico começa a atacar tecidos do próprio organismo – o coração é o principal alvo. “Isso acontece porque partes da bactéria têm sequências de aminoácidos e a conformação de algumas proteínas muito parecidas com as existentes nas válvulas cardíacas”, explicou Luiza Guilherme, pesquisadora do InCor e coordenadora da pesquisa.
A doença também pode causar um quadro de dor nas articulações conhecido como poliartrite, que costuma melhorar com o tempo. Mas as lesões nas válvulas cardíacas são progressivas e permanentes – levando, cedo ou tarde, à necessidade de cirurgia. “Quando o paciente é operado pela primeira vez ainda criança, a chance de precisar passar por várias cirurgias ao longo da vida é grande. Por isso a febre reumática é uma das doenças com tratamento mais caro no Brasil e no mundo”, afirma a pesquisadora. Estima-se que de 3% ou 4% das pessoas sejam suscetíveis a desenvolver doença autoimune após a infecção pela S. pyogenes.
Ainda assim, o custo do tratamento da febre reumática para o Sistema Único de Saúde (SUS) fica atrás apenas do gasto com a Aids. No levantamento mais recente, feito em 2007 pelo Ministério da Saúde, foram R$ 60 milhões para custear o tratamento clínico da doença e outros R$ 120 milhões para cirurgias cardíacas. No InCor, onde são atendidos cerca de 600 pacientes com a doença reumática cardíaca por mês, 2 mil pessoas estão na fila para fazer a cirurgia valvular. Quase 40% dos operados são crianças.
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