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Vacina contra a febre reumática desenvolvida no Brasil será testada em humanos ainda em 2013

Publicado em 20/05/2013 - 11:37 por | 1 Comentário

Vacina mostrou eficácia em roedores e porcos e deve ser testada em humanos voluntários ainda em 2013 Foto: USP / Divulgação

Vacina mostrou eficácia em roedores e porcos e deve ser testada em humanos voluntários ainda em 2013 Foto: USP / Divulgação

Pesquisadores do Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram uma vacina contra a febre reumática – doença inflamatória que acomete pessoas geneticamente suscetíveis após uma infecção bacteriana. O medicamento deve começar a ser testado em seres humanos ainda este ano .

Experimentos feitos em roedores e em pequenos porcos sugerem que o imunizante é seguro e tem capacidade de induzir uma resposta imunológica específica contra a bactéria Streptococcus pyogenes. “Com esses resultados em mãos, estamos prontos para iniciar estudos de fase 1 em humanos. Apenas aguardamos a liberação do financiamento pré-aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, projetou cientista. No primeiro momento, serão vacinados apenas indivíduos adultos saudáveis (voluntários). O objetivo é verificar se o imunizante consegue induzir a produção de anticorpos específicos.

Como funciona a febre reumática

Na maioria dos infectados, esse patógeno causa apenas dor de garganta, mas em crianças predispostas, porém, o contato com ela pode desencadear um quadro autoimune.  Na tentativa de se defender da bactéria, o sistema imunológico começa a atacar tecidos do próprio organismo – o coração é o principal alvo. “Isso acontece porque partes da bactéria têm sequências de aminoácidos e a conformação de algumas proteínas muito parecidas com as existentes nas válvulas cardíacas”, explicou Luiza Guilherme, pesquisadora do InCor e coordenadora da pesquisa.

A doença também pode causar um quadro de dor nas articulações conhecido como poliartrite, que costuma melhorar com o tempo. Mas as lesões nas válvulas cardíacas são progressivas e permanentes – levando, cedo ou tarde, à necessidade de cirurgia. “Quando o paciente é operado pela primeira vez ainda criança, a chance de precisar passar por várias cirurgias ao longo da vida é grande. Por isso a febre reumática é uma das doenças com tratamento mais caro no Brasil e no mundo”, afirma a pesquisadora. Estima-se que de 3% ou 4% das pessoas sejam suscetíveis a desenvolver doença autoimune após a infecção pela S. pyogenes.

Ainda assim, o custo do tratamento da febre reumática para o Sistema Único de Saúde (SUS) fica atrás apenas do gasto com a Aids. No levantamento mais recente, feito em 2007 pelo Ministério da Saúde,  foram R$ 60 milhões para custear o tratamento clínico da doença e outros R$ 120 milhões para cirurgias cardíacas. No InCor, onde são atendidos cerca de 600 pacientes com a doença reumática cardíaca por mês, 2 mil pessoas estão na fila para fazer a cirurgia valvular. Quase 40% dos operados são crianças.

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Vírus híbrido de gripes aviária e suína pode matar até 100 milhões de pessoas, alerta pesquisador

Publicado em 04/05/2013 - 13:16 por | 1 Comentário

Gripe aviária, causada pelo vírus H5N1, pode ser letal em 60% dos casos e já matou quase 400 pessoas em todo o mundo, mesmo não sendo transmitida entre humanos Imagem: Animal People News

Gripe aviária, causada pelo vírus H5N1, pode ser letal em 60% dos casos e já matou quase 400 pessoas em todo o mundo, mesmo não sendo transmitida entre humanos Imagem: Animal People News

Uma pesquisa polêmica e considerada perigosa pela comunidade científica internacional foi publicada na prestigiada revista científica Science. A equipe da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas e da Universidade Agrícola Gansu teriam criado um novo vírus misturando os genes da “gripe das aves” H5N1 e o da “gripe suína” H1N1.

O vírus híbrido seria capaz de se disseminar pelo ar entre cobaias, através de gotículas respiratórias, e estaria mantido no freezer de um laboratório. Com a pesquisa e o experimento, a equipe chinesa indicou ter provado que o vírus H5N1, que apresenta até 60% de letalidade, pode precisar apenas de uma simples mutação genética para “adquirir transmissibilidade entre mamíferos” e, por tabela… em humanos.

Híbridos de gripe podem aparecer na natureza quando duas cepas infectam a mesma célula e trocam genes em um processo conhecido como reagrupamento, mas não existem evidências de que o H1N1 e o H5N1 tenham feito isso até agora. O temor é que experimentos como os realizados na China estejam colocando a humanidade em risco ao criar mutantes desses dois vírus.

Vírus podem causar pandemias e até 100 milhões de mortes no mundo

De acordo com o professor de virologia Simon Wain-Hobson, do Instituto Pasteur, da França, a preocupação é reforçada pelo histórico de “um vazamento em laboratório de febre aftosa, uma doença que afeta o gado e que causou um surto na Grã-Bretanha seis anos atrás”. Wain-Hobson alertou ainda que “estes vírus podem causar pandemias. Isto é, se acontecer algum erro e eles escaparem ou coisa parecida, isso pode afetar as pessoas e provocar entre 100 mil e 100 milhões de mortes”.

Wain-Hobson teme que o risco possa ser maior que o valor científico da pesquisa. As descobertas, argumenta, têm pouco valor para a descoberta de uma vacina ou de um tratamento que levaria anos para desenvolver, provavelmente muito antes de um surto. Segundo afirmou Robert May, ex-presidente da Royal Society of Science britânica, ”o registro de retenção nos mais importantes laboratórios de contenção não é bom. Tem havido repetidos vazamentos. Você não faz estas coisas a menos que exista algum apelo de emergência extrema. Estamos enfrentando um perigo presente e real com benefícios extremamente dúbios para o público”.

O virologista John Oxford, da Universidade Queen Mary, de Londres, no entanto, disse que o experimento era um alerta importante. Ele demonstrou como dois vírus, ambos que ainda infectam pessoas ao redor do mundo, podem trocar genes. “A matemática dirá que cedo ou tarde uma pessoa será infectada pelos dois vírus, provavelmente levando a um  híbrido que começará a se disseminar. Precisamos nos reorganizar, rever nossos planos de pandemia e estar certos de que temos estoques de vacina para o H5N1″.

EUA e Holanda também tem pesquisa polêmica com vírus

Em janeiro, cientistas dos Estados Unidos e da Holanda retomaram a controversa pesquisa sobre seus próprios vírus híbridos após uma pausa de um ano para reduzir temores de que o vírus possa escapar do laboratório ou cair nas mãos de terroristas. 

A criação conseguiu ser transmitida entre furões, considerados bons modelos de pesquisa para a disseminação de doenças entre seres humanos. As equipes estadunidense e holandesa citaram uma “responsabilidade de saúde pública” para retomar o trabalho, interrompido após um clamor público e sondagens sobre segurança global.

H5n1 mata muito e H1N1 infecta muito

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o H5N1 infectou 628 pessoas e matou 374 desde 2003.

O H1N1, que surgiu no México, é altamente transmissível e infectou um quinto da população mundial em uma pandemia registrada entre 2009 e 2010, mas é quase tão letal quando uma gripe comum.

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Droga anti-HIV é obtida a partir de variedade brasileira transgênica da soja

Publicado em 29/04/2013 - 15:06 por | Comentar

Soja transgênica pode ser nova aliada no combate à Aids Imagem: Embrapa

Soja transgênica pode ser nova aliada no combate à Aids Imagem: Embrapa

Um experimento feito na unidade de Recursos Genéticos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Brasília, desenvolveu uma variedade de soja com um viricida ou microbicida, capaz de prevenir a contaminação pelo vírus causador da Aids, o HIV.

Com a ajuda da engenharia genética, essa leguminosa está produzindo sementes com a enzima cianovirina-N, que já teve comprovada sua eficácia contra o vírus em testes laboratoriais.  Ela foi isolada na década de 1990 de uma cianobactéria, que leva o nome científico de Nostoc ellipsosporum, em pesquisas do Instituto Nacional de Câncer (NCI) e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. 

O princípio ativo inibe a replicação do HIV ao se ligar aos oligossacarídeos (açúcares) do vírus. “A cionovirina-N está no estágio de desenvolvimento pré-clínico, portanto ainda não foi testada em seres humanos. Falta um meio comercialmente viável, de baixo custo, de produção em larga escala da cianovirina-N, e as plantas são um bom caminho para esse fim”, diz o pesquisador Barry O’Keefe, vice-chefe de biologia molecular do laboratório de alvos moleculares do NCI. 

A solução encontrada foi procurar o professor Elíbio Rech, da Embrapa, coordenador do grupo brasileiro que havia depositado uma patente no exterior, de uma técnica para inserção de genes em soja. “Os norte-americanos nos procuraram em 2007 e fizemos a parceria. Eles nos repassaram a sequencia genética codificadora do gene que inserimos no genoma de uma variedade de soja da Embrapa, a 10-16. E deu certo, já temos as sementes das plantas engenheiradas por nós produzindo a cianovirina”, diz Rech.

O ensaio viral para a confirmação da ação da cianovirina produzida pela Embrapa foi feito pelo professor Amilcar Tanuri, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e também no laboratório de O’Keefe, nos Estados Unidos. E o resultado foi positivo. O desafio atual é melhorar o processo de extração da proteína, purificando quantidades maiores da cianovirina das sementes de soja.

“Nossos resultados apontaram a presença de 10 gramas (g) da proteína por quilo de sementes frescas. Sabemos que não podemos tirar os 100% de fármaco do grão da leguminosa porque é normal que ocorram perdas no processo de purificação. Até agora já atingimos os 20%, ou 2 g, e nossa meta é atingir 50%”, diz Rech.

Primeiros testes devem ser feitos em macacas

De acordo com Elíbio Rech, a ”intenção é produzir uma quantidade suficiente da proteína para testar o princípio ativo em macacas nos Estados Unidos, e posteriormente em seres humanos”.  A produção da cianovirina também está sendo testada em plantas de tabaco na Inglaterra, na Universidade de Londres, e nos Estados Unidos.

Entre as vantagens da geração de fármacos em plantas estão os custos mais baixos, com produção de larga escala e também com a segurança se comparada com células humanas, fungos, bactérias e animais. “A vantagem da soja ou de outro vegetal é que podemos colher e estocar”, conclui Rech.

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Nanotecnologia e inteligência artificial podem levar humanidade à extinção, alertam pesquisadores

Publicado em 24/04/2013 - 13:31 por | Comentar

Nick Bostrom acredita que perda de controle sobre tecnologias como a engenharia genética, inteligência artificial e nanotecnologia podem ser maiores ameaças à vida humana que guerras nucleares, pandemias ou choques de asteroides Imagem: BBC Brasil

Nick Bostrom acredita que perda de controle sobre tecnologias como a engenharia genética, inteligência artificial e nanotecnologia podem ser maiores ameaças à vida humana que guerras nucleares, pandemias ou choques de asteroides Imagem: BBC Brasil

A tecnologia pode trazer dois destinos extremos para a civilização, avalia o Instituto do Futuro da Humanidade, ligado à Universidade de Oxford. Um deles é o controle total sobre a biologia humana, o outro é exatamente o contrário: a extinção da espécie humana devido justamente à perda de controle sobre esses avanços tecnológicos.

As maiores ameaças de acordo com a equipe de pesquisadores, podem vir da nanotecnologia, inteligência artificial e engenharia genética. O diretor do instituto, o sueco Nick Bostrom, afirma que existe uma possibilidade plausível de que este venha a ser o último século da humanidade. Para ele, “as ameaças existentes são comparáveis a uma arma perigosa nas mãos de uma criança pois o avanço tecnológico superou nossa capacidade de controlar as possíveis consequências”.Experimentos tecnológicos estariam avançando para dentro do território do não intencional e do imprevisível. Segundo Bostrom, “a nanotecnologia, se realizada a nível atômico ou molecular, poderia ser altamente destrutiva ao ser usada para fins bélicos. Governos futuros terão um grande desafio ao controlar e restringir usos inapropriados. Há também temores em relação à forma como a inteligência artificial ou maquinal possa interagir com o mundo externo. ”

Já o pesquisador norte-americano Daniel Dewey alerta para  uma “explosão de inteligência”, em que o poder de aceleração de computadores se torna menos previsível e menos controlável. “A inteligência artificial é uma das tecnologias que deposita mais e mais poder em pacotes cada vez menores. Isso pode gerar um efeito em cadeia, de modo que, mesmo começando com escassos recursos, você pode criar projetos com potencial de afetar todo o mundo”, afirma o especialista em super inteligência maquinal que trabalhou anteriormente na Google.

Para Martin Rees, ex-presidente da Sociedade Real de Astronomia Britânica “este é o primeiro século na história mundial em que as maiores ameaças provêm da humanidade”. Mas por outro lado, o instituto avaliou que a humanidade está menos propensa a ser exterminada por pandemias ou desastres naturais, incluindo colisões com asteroides. Além disso, mesmo uma guerra nuclear pode ser um risco menor que as ameaças por trás das novas tecnologias.

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Cientistas (quase) ressuscitam rã que dava a luz pela boca e foi extinta há 30 anos

Publicado em 18/03/2013 - 1:50 por | Comentários desativados

Rã extinta em 1983 punha ovos, mas os engolia e os incubava no estômago para depois dar a luz pela boca Imagem: Universidade de Adelaide

Rã extinta em 1983 punha ovos, mas os engolia e os incubava no estômago, para depois dar a luz pela boca Imagem: Universidade de Adelaide

Ainda não foi dessa vez que “ressuscitaram” um “monstro” pré-histórico e nem sequer dá para dizer que o experimento foi totalmente bem sucedido, mas um grupo de cientistas australianos (ligados ao Projeto Lazarus) chegou muito perto de “ressuscitar” uma exótica espécie de rã daquele país, extinta há 30 anos.

A Rheobatrachus silus vivia no leste da Austrália até 1983 quando foi declarada extinta. Dois anos depois, seu parente mais próximo a rã Rheobatrachus vitellinus, que vivia mais ao norte, também desapareceu do planeta. As duas espécies tinham uma característica um tanto quanto bizarra de “dar a luz” pela boca, dias após a fêmea engolir os ovos e incubá-los no estômago.  O processo era possível porque a secreção dos sucos digestivos era interrompida, enquanto os ovos habitavam o estômago das fêmeas. Os girinos excretavam algum tipo de enzima que inibia a digestão gástrica.

Para tentar “reviver” a espécie extinta há mais tempo foram utilizadas técnicas de clonagem. Os pesquisadores conseguiram implantar de forma bem-sucedida núcleos retirados de células “mortas” do animal, que estavam congeladas há anos, em células de outra espécie aparentada, a Mixophyes fasciolatus (as três espécies citadas até aqui pertencem à ordem anura)Ao substituir o núcleo ativo das células da espécie “barriga de aluguel” pelo núcleo da rã extinta, os cientistas conseguiram que ocorresse espontaneamente a divisão celular e que novas células surgissem. Os embriões, no entanto, morreram após alguns dias.

Exemplar de Rheobatrachus silus foi criopreservada nos anos 1980 e agora suas células serviram de base para experimento que quase trouxe a espécie de volta à vida Imagem: National Geographic

Exemplar de Rheobatrachus silus foi criopreservada nos anos 1980 e agora suas células serviram de base para experimento que quase trouxe a espécie de volta à vida Imagem: National Geographic

Apesar disso, testes genéticos confirmaram que as novas células obtidas continham material genético da rã extinta. “Nós reativamos células mortas usando células vivas e ‘revivemos’ o genoma da rã extinta no processo. Agora nós temos células preservadas criogenicamente (congeladas) do animal extinto, para usar em futuros experimentos. Estamos confiantes que os obstáculos agora são tecnológicos e não biológicos, e que vamos ser bem-sucedidos”, previu o professor Mike Archer, da Universidade de New South Wales, em Sydney.

“Ressurreição” de espécies animais extintas ainda é feito inédito

O Ceará Científico já noticiou a “ressurreição” de uma espécie vegetal na Rússia, embora por um método diferente da clonagem. Na verdade, naquele caso foi feita a reativação de uma semente da espécie Silene stenophylla que estava congelada há 32 mil anos no permafrost siberiano. Alguns cientistas também dizem ter conseguido reativar esporos bacterianos inativos há milhões de anos, mas nunca um animal extinto havia sido ressuscitado.

Embora a experiência australiana ainda não tenha trazido de volta a rã exótica, o desenvolvimento de embriões já é o maior feito até hoje para aqueles que esperam fazer uma versão mais realista do Jurassic Park imaginado pelo cineasta Steven Spielberg, onde viveriam dinossauros ressuscitados por clonagem de seus DNAs. Na verdade, sabe-se que isso seria muito improvável já que o DNA é uma molécula que em condições normais não sobreviveria a 65 milhões de anos (ou mais) de transformações planetárias.

No entanto, animais pré-históricos extintos há menos tempo  ou aqueles que foram levados à extinção pelas mãos humanas como o tilacino, o dodo, entre outros, poderiam ser ressuscitados caso a técnica australiana ou outras técnicas paralelas experimentadas ao redor mundo avancem. O blog já noticiou a iniciativa russo-coreana para ressuscitar o mamute e a iniciativa estadunidense de “ressuscitar” o parente extinto mais próximo de nós: o neandertal. Assim, quem sabe os fãs da saga de animação “A Era do Gelo” venham a conhecer pessoalmente, num futuro próximo, os animais retratados no filme.

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Alteração em gene pode rejuvenescer cérebro de adultos

Publicado em 12/03/2013 - 16:00 por | Comentar

Nogo Receptor 1 é o gene responsável pela perda da plasticidade cerebral, mas pode ser "desligado", conforme demonstrou experimento em ratos. Processo ajudaria na aceleração da recuperação do órgão Imagem: Abcam

Nogo Receptor 1 é o gene responsável pela perda da plasticidade cerebral, mas pode ser “desligado”, conforme demonstrou experimento em ratos. Processo ajudaria na aceleração da recuperação do órgão Imagem: Abcam

Surgiu uma nova esperança para quem sofreu traumas cerebrais ou sofre de doenças que degeneram o órgão mais importante do corpo humano.

Um grupo de cientistas da Yale School of Medicine descobriu que um único gene pode ser responsável pela maturação das conexões neuronais do cérebro.

Esse gene sozinho pode controlar a plasticidade do órgão, diferenciando um cérebro adulto, relativamente estável, de um infantil/adolescente. Mas isso não é tudo. Na verdade, os estudiosos conseguiram ainda reverter o processo.

Ao alterar o gene denominado Nogo Receptor 1, os cientistas puderam devolver a plasticidade original ao cérebro de um rato adulto. O resultado foi um animal com maior capacidade de aprendizado e também com uma regeneração cerebral mais rápida.

Os pesquisadores da Yale School of Medicine identificaram ainda alguns ratos em que faltava o gene Nogo Receptor. Nesses casos, percebeu-se que a plasticidade típica da adolescência se manteve também na idade adulta. Por outro lado, ao bloquear o gene em ratos adultos normais, os cientistas puderam fazer uma espécie de reinicialização do órgão.

Recuperação cerebral pode ser acelerada

Conforme explicou um dos responsáveis pelo projeto, o Dr. Stephen Strittmatter, “essas são as moléculas que o cérebro precisa para a transição entre a adolescência e a idade adulta. Isso sugere que nós podemos voltar o relógio de um cérebro adulto, para que ele possa se recuperar de traumas tal como faz o cérebro de uma criança”.

Após danos severos no cérebro, alguns pacientes precisam reaprender movimentos básicos, tal como movimentar as mãos. Durante os testes realizados com ratos, os pesquisadores notaram que, naqueles em que faltava o Nogo Receptor, a recuperação de danos cerebrais era tão rápida quanto em um rato adolescente. Eles também puderam dominar tarefas motoras mais rápido do que ratos adultos normais.

“Isso eleva o potencial de que manipular o Nogo Receptor em seres humanos pode acelerar e ampliar a reabilitação do cérebro após injúrias”, disse Feras Akbik, coautor do projeto. Por fim, o grupo descobriu ainda que ratos sem o referido receptor conseguiam se esquecer de memórias estressantes mais rapidamente, sugerindo que a manipulação do Nogo Receptor poderia ajudar em questões de estresse pós-traumático

Diferenças entre cérebros de jovens e de adultos

As diferenças entre uma massa cinzenta jovem (de um adolescente ou de uma criança) e uma amadurecida são conhecidas já há algum tempo. Cérebros adolescentes, por exemplo, são muito mais maleáveis. Trata-se de um órgão mais rápido para aprender novas línguas e também para se recuperar de danos. Ocorre, entretanto, que a rigidez relativa de um cérebro maturado pode mesmo ser controlada por um único gene, o qual tornaria mais lentas as alterações nas conexões sinápticas.

Com informações: Mega Curioso

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Cientista quer “ressuscitar” homem de Neandertal usando “barriga de aluguel”

Publicado em 21/01/2013 - 17:51 por | 2 Comentários

Neanderthais desapareceram há cerca de 30 mil anos, possivelmente devido à competição com os humanos modernos, embora a teoria seja controversa Imagem: News.com.au

Os prováveis primos mais próximos da humanidade podem estar de volta…

Um dos maiores geneticistas do planeta, o norte-americano George Church, quer clonar um neandertal, a espécie (ou subespécie segundo alguns cientistas) que se acredita ser a mais próxima da nossa. 

Para conseguir tal feito, ele já está à procura de uma mulher disposta a ser “barriga de aluguel” nessa experiência polêmica, embora não tenha informado se e quanto pagará pela, digamos assim, colaboração científica.

Extintos há cerca de 30 mil anos, os neandertais teriam deixado quantidade suficiente de DNA em ossos fossilizados para a experiência, de acordo com Church. O geneticista vai mais além e diz que ele próprio já tem guardado o material genético neandertal necessário.
 
Professor da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, o geneticista começaria com a recriação, em laboratório, do DNA de Neandertal a partir do código genético encontrado nos fósseis. Esse material seria injetado em células de um embrião humano e, depois de crescer no laboratório por alguns dias, o embrião seria implantado no útero de uma mãe de aluguel.

Church disse que, ao contrário do que se imagina, o homem de Neandertal era  uma espécie muito inteligente. “Eles poderiam até mesmo ser mais inteligentes do que nós”, afirmou ao destacar que o seu modo de pensar diferenciado poderia ajudar a humanidade. 

 A técnica de Church é apontada como tecnicamente possível pela maioria dos outros geneticistas, embora esbarre em questões éticas, já que a clonagem humana é considerada crime na maioria dos países, incluindo os Estados Unidos.

No entanto, a brecha legal pode estar exatamente na definição do que é realmente  humano. Se o critério for estendido às espécies extintas do nosso gênero Homo,  Church terá grandes dificuldades em levar à frente seu experimento.

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Células presentes na urina são reprogramadas para se tornarem neurônios, na China

Publicado em 10/12/2012 - 16:02 por | 1 Comentário

 

Neurônios foram produzidos a partir de células renais presentes na urina humana Imagem: Duanqing Pei / Academia Chinesa de Ciências

A pesquisa com células-tronco não-embrionárias tem avançado com grande velocidade na Academia Chinesa de Ciências. Agora, pesquisadores daquele país conseguiram a proeza de reprogramar células presentes na urina em células cerebrais e esperam auxiliar os tratamentos dos males de Alzheimer e Parkinson.

A técnica consistiu em isolar células de urina de três doadores, de faixas estárias diferentes (mais precisamente 10, 22  e 37 anos) e reprogramá-las para gerar células progenitoras neurais ( na sigla inglesa NPCs), que são precursoras das células cerebrais. Estas NPCs, por sua vez, foram capazes de se subdividir e gerar neurônios funcionais.

Os mesmos cientistas haviam identificado no ano passado que a urina humana contém células do rim que podem ser reprogramadas em células-tronco pluripotentes induzidas (na sigla inglesa iPSCs). “Ainda faltam análises, mas reportamos que as células sobrevivem e se dividem quando transplantadas ao cérebro de um rato recém-nascido”, afirma o pesquisador Duanquing Pei.

Células progenitoras neurais são potenciais fontes de neurônios para pesquisa, com a vantagem de se dividirem e, por conta disso, poderem ser expandidas em laboratório antes que sejam divididas em neurônios. “Há um grande interesse em gerar progenitoras neurais de indivíduos com doenças degenerativas”, diz comunicado da prestigiada revista científica Nature Methods.

“E como as células a serem reprogramadas são derivadas de (processos) não invasivos, da urina de doadores, os autores da pesquisa propõem que o procedimento deve ser praticável para gerar progenitoras neurais específicas para determinadas doenças. Neurônios derivados dessas células podem ser úteis para pesquisas em males neurodegenerativos e para o teste de novos medicamentos”, conclui o comunicado.

Duanquing Pei lembra que ainda não há medicamentos eficientes para combater diversas doenças neurológicas. Há importantes avanços no campo de células-tronco embrionárias, mas o método é alvo de questionamentos por alas mais conservadoras porque as células são obtidas de embriões humanos congelados. Além disso, existe o risco de rejeição do sistema imunológico. A vantagem da pesquisa chinesa é evitar esses dilemas.

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Pesquisador cearense ganha destaque internacional com estudo sobre feijão de corda

Publicado em 02/10/2012 - 22:07 por | Comentar

Cultura do feijão de corda sofre com ameaça do inseto conhecido popularmente como gorgulho (do gênero Callosobruchus), mas além de alto valor nutritivo já apresentou alguns resultados positivos contra o câncer de mama Imagem: Seeds of India

A Ciência feita no Ceará tem mais um motivo para se orgulhar! E olha que foi com a ajuda de um velho conhecido, o feijão de corda (ou Vigna unguiculata, como manda a classificação científica).

É que o pesquisador Francisco de Assis Paiva Campos, do Departmento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi um dos 16 contemplados na edição especial de outubro da revista britânica Proteomics, dedicada inteiramente aos cientistas brasileiros. O professor Campos aparece na revista com o artigo “Mudança proteômica global em larvas de Callosobruchus Maculatus em seguida à ingestão de inibidor de proteinase cisteínica”.

Mas não se assuste com o título, trata-se simplesmente de um estudo sobre a utilização da engenharia genética a fim de aumentar a concentração de proteína no feijão de corda para inibir o desenvolvimento das larvas de um inseto muito conhecido do cearense, o gorgulho (justamente o tal Callosobruchus Maculatus). “A publicação desse trabalho evidencia o pioneirismo do nosso departamento no estudo das interações inseto-planta”, ressalta Campos.

” Nosso estudo mostrou, no entanto, que o inseto é capaz de se adaptar a uma dieta rica em inibidores de proteinases digestivas através da síntese de proteinases digestivas e outras enzimas que não são suscetíveis de serem inibidas pelos inibidores de proteinases cisteínicas”, explica o pesquisador. Isso abre um novo desafio na busca por uma forma orgânica (ou geneticamente  modificada) de combater à maior praga relacionada a essa cultura.

A propósito do feijão-de-corda, um estudo feito por cientistas da Universidade de Brasília (UnB) e divulgado em abril do ano passado, mostrou que uma molécula encontrada no grão, a BTCI, causa fragmentação genética e altera organelas citoplasmáticas das células ligadas ao câncer de mama, doença que afeta 49 em cada 100 mil pessoas.

Curiosidade: vários nomes para o nosso feijão de corda

Além do nome científico e do nome mais popular no Ceará, o feijão de corda, da família das fabáceas (ou leguminosas) e da classe das magnoliopsidas (dicotiledôneas), recebe dezenas de nome pelo Brasil a fora. Confira alguns deles:

- boca-preta
- ervilha-de-vaca
- favalinha
- feijão-alfanje
- feijão-besugo
- feijão-careta
- feijão-carita
- feijão-carito
- feijão-caupi (oriundo do tupi)
- feijão-chicote
- feijão-chícharo
- feijão-chinês
- feijão-congo
- feijão-da-china
- feijão-de-boi
- feijão-de-corda
- feijão-de-frade
- feijão-de-macáçar
- feijão-de-olho-preto
- feijão-de-vaca
- feijão-de-vara
- feijão-frade
- feijão-frade-comprido
- feijão-galego
- feijão-gurutuba
- feijão-lagartixa
- feijão-mancanha
- feijão-mineiro
- feijão-miúdo
- feijão-miúdo-da-china
- feijão-vinha
- feijãozinho-da-índia
- mebauene
- mucunha
- mulato-gelato

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Pesquisas sobre carne artificial avançam e apostam nos mercados vegetariano e ambientalista

Publicado em 25/09/2012 - 21:32 por | 8 Comentários

Carne artificial em escala comercial é questão de tempo dizem pesquisadores norte-americanos e holandeses que trabalham em projetos paralelos, como o do hambúrguer artificial Imagem: Intercambia

A pesquisa com células-tronco pode resultar em mais que cura de doenças ou substituição de órgãos defeituosos. Pode também ajudar a tornar inútil a discussão ética entre onívoros e vegetarianos, incluindo vegan0s, pessoas que não consomem, além da carne, nem ovos, nem leites, nem quaisquer produtos de origem animal.

De quebra essas pesquisas ainda podem servir como aliada do meio-ambiente, principalmente no c0mbate ao aquecimento global. Como? É simples: o mesmo princípio que permite, através do uso de células-tronco, produzir células de quaisquer tecidos para o emprego na medicina, pode e já está sendo usado para produzir células musculares (carne) de animais usados na alimentação humana.

Ou seja, matar um animal para alimentar pessoas parece ser algo que está com os dias contados, independente ou não do crescimento da ideologia vegetariana-vegana. A própria indústria, com uma mãozinha da Ciência, pode oferecer, em poucos anos, carne a partir de células-tronco de bois, carneiros, porcos, frangos, peixes que continuarão vivos depois do processo!  Aliás, essa tecnologia já existe há mais de uma década.

Carne artificial e ecológica

Além da questão ética, a carne ”artificial” pode ajudar a solucionar um problema ambiental.  É que um dos grandes geradores de gases de efeito estufa (cerca de 18% segundo a ONU) é justamente a criação de animais (questão muito grave em um país com mais gado que pessoas, como o Brasil).  

A problemática se dá quer pela derrubada das vegetações nativas para dar lugar a pastagens, quer pela produção de gases dos próprios animais, que chegam, artificialmente, a populações maiores do que teriam caso estivessem na condição selvagem. Para piorar, estimativas apontam para um aumento de 100% no consumo de carnes, nos próximos 40 anos.

Outro estudo, dessa vez publicado pela Universidade de Oxford (EUA), indica que a carne de laboratório produz entre 78% e 96% menos gases estufa, além de consumir 99% menos terras e entre 82% e 96% menos água do que a carne produzida de modo convencional. O problema é que ainda não há ”carne de laboratório”  produzida em escala comercial.

Pesquisas nos EUA e Holanda

Entre os pesquisadores que estão tentando melhorar a técnica e resolver essa questão está Gabor Forgacs, da Universidade do Missouri (EUA). Gabor trabalha com desenvolvimento de tecidos e órgãos para transplante a partir do cultivo de células e viu que poderia usar técnicas similares para criar carne para consumo humano. Em 2011, ele foi o primeiro cientista dos Estados Unidos a produzir e consumir publicamente uma amostra de carne artificial.

Na Holanda, há outro grupo trabalhando para desenvolver carne artificial. O professor de medicina vascular Mark Post, da Universidade de Maastricht e sua equipe pretendem lançar um hambúrguer sintético no final deste ano. Mas, o primeiro produto que ele pretende desenvolver para produzir comercialmente não é carne, mas couro, que “é um produto similar de certa forma, mas não tão controverso e que não demanda a mesma legislação que a carne”, explica.

Dificuldades e preço salgado

Forgacs diz que é muito difícil criar um tecido similar a carne de verdade, tanto em aparência como em textura e sabor. “Uma ideia é criar algo como um ingrediente para produtos baseados em proteína animal – por exemplo, podemos criar algo que tenha a consistência de carne moída e que possa ser usado para fazer patês, almôndegas”, sugere.

Mas a priori, a carne de laboratório terá um preço elevado (entre R$ 250 e R$ 800 o quilo, em valores atuais), o que fará dela um produto de nicho. “Este não será um produto para o grande público no início, será para pessoas ecologicamente conscientes e também para aquelas que não comem carne por razões éticas”, aponta Forgacs.

Contudo, se a ideia pegar e acontecer o que alguns chamam de “libertação animal”, surge um novo problema que ainda foi pouco debatido, mesmo pelos defensores dessa corrente ideológica. O que fazer com a grande quantidade de animais criados para abate?

Devolvê-los ao ambiente natural? Mas qual se a maioria dos rebanhos se encontram longe das terras em que viviam as primeiras populações e estão espalhados pelo mundo? Fica a dúvida…

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