Projeto do curso de Odontologia da Unifor desenvolve próteses faciais para atender pacientes com deformidades
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Equipe do "Prótese da Face" em um dos trinta atendimentos semestrais realizados Foto: Unifor Notícias
Dezembro é mês de férias, certo? Mais ou menos. O último mês de 2011 também foi marcado pela circulação de uma reportagem muito interessante que envolve alunos universitários cearenses (mais precisamente do curso de Odontologia da Unifor) e que o Ceará Científico tem o prazer de repercutir.
Eles foram destaque em um dos jornais internos daquela Instituição de Ensino Superior (IES), o Unifor Notícias, por conta de um projeto que está devolvendo um pouco da autoestima a pessoas com deformidades congênitas ou adquiridas após acidentes ou cirurgias de remoção de tumores.
Estamos falando do projeto de extensão “Prótese da Face”, criado em 2003. Um dos maiores méritos é o fato de atender majoritariamente pacientes adultos e com baixo poder aquisitivo, público geralmente negligenciado por projetos de assistência social, quer sejam eles governamentais ou não.
De acordo com sua coordenadora, a professora Fátima Maria Teixeira de Azevedo, 90% dos casos atendidos são de pacientes que fizeram cirurgia de remoção de câncer. As próteses faciais são das mais diversas desde oculares e óculo-palpebrais, passando por nasais até as faciais externas (ou seja, que envolvem a maxila). O atendimento ocorre às segundas-feiras de manhã e à tarde.
“Aqui os procedimentos são simples e complexos ao mesmo tempo. É quase que uma disciplina fora do curso”, explica Fátima Azevedo. E de fato o caráter técnico-didático é complementar ao viés social do projeto. Isso porque nos dias sem atendimento, os alunos e demais integrantes da equipe confeccionam, eles mesmos, as próteses e discutem os casos atendidos no início da semana.
Lado pouco explorado da Odontologia brasileira
Outro mérito do “Prótese de Face” é o fato de atuar num segmento ainda pouco explorado pelos cursos de Odontologia Brasil a fora.
“O projeto foi feito com o intuito de dar ao aluno-estagiário mais conhecimento na área, capacitá-lo a diagnosticar e reabilitar corretamente pacientes portadores de lesão por cirurgias localizadas na boca, nariz, maxila e face. É importante igualmente que esse aluno entenda os aspectos biossociais desses pacientes porque eles vivem escondidos por conta da deformação. Aqui é preciso trabalhar o paciente holisticamente”, acrescenta Fátima.
Semestralmente, a equipe coordenada por ela atende cerca de 30 pacientes, vindos não só de bairros carentes de Fortaleza, como também de outras cidades do Ceará e do Nordeste. Para alguns procedimentos mais específicos como a prótese parcial removível, chamada popularmente de bride, é feita uma terceirização, que só é cobrada caso não seja comprovada a baixa renda do paciente. Na imensa maioria dos casos, a universidade é quem arca com os custos desses serviços externos.
O “Prótese de Face” atua ainda com convênios firmados com o Instituto dos Cegos, o Instituto do Câncer, o curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará, o Núcleo de Atenção Médica Integrada (Nami) da Unifor, o que garante demanda crescente e, quando necessário, o devido encaminhamento do paciente para um fonoaudiólogo, fisioterapeuta ou psicólogo.
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