Algas e tectonismo podem ter sido “heróis” da vida na Terra durante maiores glaciações da Pré-História
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Criogeniano, período geológico em que a maior parte da Terra estava coberta por gelo. Ilustração: AIB
Quem já assistiu a tetralogia de animação “A Era do Gelo” (produzida dentre outros talentos pelo brasileiro Carlos Saldanha) ou quem já leu sobre o último período glacial, ocorrido entre 110 mil e 10 mil anos atrás, pode ter a impressão de que aquele foi o maior “inverno” já enfrentado pelos seres vivos na Terra.
Mas o que poucos leigos sabem é que o “Planeta Azul” já teria sido praticamente branco, ou seja, coberto quase inteiramente por neve, pelo menos duas vezes, entre 550 e 800 milhões de anos atrás (período Criogeniano), em um episódio conhecido na Paleoclimatologia (ciência que estuda o clima na Pré-História) como “Terra Bola de Neve”.
Os episódios, segundo revelam as ainda controversas pesquisas sobre o Criogeniano, teriam durado até 10 milhões de anos, o que representa um período maior que o da passagem do homem pelo globo terrestre. Porém, o que nem os cientistas ainda tinham conseguido entender com precisão é como a vida no planeta não só não se extinguiu nessa “mega-Era do Gelo” como em alguns casos até se sofisticou.
Uma nova pesquisa publicada no periódico Geophysical Research Letters, conduzida por Adam Campbell, da Universidade de Washington, revela que as principais estruturas vivas responsáveis pela manutenção das condições necessárias à sobrevivência das demais foram as algas fotossintéticas. Isso porque foram encontrados fósseis desses ancestrais dos vegetais contemporâneos antes e depois do Criogeniano.
Além disso, e talvez o fator mais importante, pelo menos um estreito e vasto canal ligado aos oceanos (similar ao Mar Vermelho) deve não ter sido completamente congelado, o que permitiu a sobrevivência desses micro-organismos autotróficos (que produzem o próprio alimento a partir de reações químicas e da luz). “Os resultados iniciais da pesquisa mostram que esses canais ficaram relativamente livres do espesso gelo glacial durante o evento Terra Bola de Neve”, afirmou Campbell.
A razão pela qual um ou mais estreitos permaneceram em estado líquido em uma glaciação de proporções globais, teria sido o processo tectônico, que formou fissuras continentais e permitiu a ligação das regiões de terra firme com os oceanos. Mesmo com essas brechas aproveitadas pela vida, a “Terra Bola de Neve” pode ter extinguido até 90% das espécies vivas, mas exerceu ao mesmo tempo uma pressão evolucionária positiva.
Essa pressão culminaria com a chamada “explosão Cambriana”, que ocorreu há cerca de 530 milhões de anos atrás. Foi durante o Cambriano que surgiram a maioria dos grupos animais vivos ainda hoje, incluindo vermes, moluscos, artrópodes e os primeiros ancestrais dos peixes.
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